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19 de março de 2013

O desespero de Judas




Nesta época de Quaresma, e aproximação da Semana Santa,
nada melhor que um poema reflexivo sobre a Paixão de Cristo
onde Judas foi um dos personagens mais importantes. Espero que gostem. 


O sol caía junto às barras do horizonte
E o pesadelo atroz pairava junto à fronte
Do traidor contumaz, Judas Iscariote!
No esgar desencadeado o vento – igual chicote! –
Vociferava forte em remoinho imenso...
Longe, o corpo de Cristo ao madeiro suspenso,
Arquejava um gemido em hórrido contraste:
“Eloí, Eloí, por que me abandonaste?...”
Relampejava o céu escombros de violência
E prenunciava em fúria a voz da Providência...
Com o olhar febricitante o Apóstolo fitava
Aquele que traíra... a multidão escrava
De poder contemplar na cruz mais uma morte
Exortava a sorrir tais momentos da sorte!

Judas fitava mudo os delírios insanos
De escribas, fariseus e soldados romanos.
Mas de repente o sol brilha por uma fenda
E ele pressente o fim desta visão horrenda.

Uma voz interior em seu cérebro vibra
E ele sente tremer no corpo, fibra a fibra,
Da agonia fatal que padece o Traído...
E neste instante então, percebe-se perdido,
E o inferno do terror penetra em sua mente...
Apavorado está... Sai correndo... demente 
Nas pedras tropeçando e segurando a capa
Não consegue encontrar na própria mente o mapa
Para onde quer seguir... Aflito vocifera
E em seu rastro imagina ouvir o uivo da fera
Do desespero atroz que persegue su’alma.
Nada, nada o detém, nada no mundo o acalma,
E uma voz interior em mil ecos propaga
Como nefasta, fria, e supurada praga:
“Traidor! Traidor! Traidor!...” mil caminhos procura,
Mas não consegue achar lenitivo à loucura,
Que enrosca no seu corpo... Alucinado, aflito,
Corre a mais não poder... À distância o Infinito,
Negreja o céu de fumo e ele vai, desvairado,
Pelos campos sem fim como um desesperado.

– “Que foi que fiz? Senhor, tende de mim piedade;
Com a ganância maior do que a necessidade
Vilipendiei dos Céus o Teu Filho divino
E eis-me agora a traçar o meu negro destino...
Por certo Satanás penetrou em meu peito
E eu fraquejei, pois não devia tê-lo aceito;
Sou filho de Caim e perdão não mereço,
Mas se devo pagar agora qual o preço
E o que devo fazer? A loucura me invade.
Sou o próprio Pecado, a própria insanidade,
O Teu Filho traí e é horrível o meu crime,
E nem o Teu perdão minha pena redime.
Uivam feras no chão onde meus passos piso,
Em reflexos o céu dá-me o mortal aviso
Que contra Ele pequei... O que fazer agora
Que percebo o meu crime e a culpa me devora?
 Eu que tanto busquei seguir o Seu caminho
Como posso viver nesta angústia sozinho?
Aos Outros que direi quando vierem falar-me?
Sou covarde, Senhor! O inferno traz o alarme
Anunciando que estou de partida para ele.
Minh’alma é pura brasa, em cancros sinto a pele,
O cérebro fervilha e eu não tenho sossego...
Porém, para seguir às Geenas estou cego,

E o terror queima em mim, queima as minhas entranhas,
Sinto no coração os palpos das aranhas,
Nojentos escorpiões os meus pés aguilhoam,
E os gemidos de Cristo em meus ouvidos soam
E é minha própria voz, Senhor, que me condena.
Minha língua está grossa e já cheira à gangrena,
O pus cobre meu corpo e é horrível este cheiro.
Uma ave negra voa e o seu canto agoureiro
Parece me dizer com seu grasnar eterno:
Inferno! Inferno! Inferno! Inferno! Inferno! Inferno!
Tudo é negro, Senhor... Pessoas apressadas
Passam por mim agora em rudes gargalhadas
E dizem sem parar: que sirva como exemplo
Para Aquele que quis nos expulsar do Templo!
O Seu corpo na cruz vaza em pus e excrementos,
E das pernas escorre em pútridos tormentos
E eu não O ouvi, Senhor, fazer um só reclamo,
Da Sua dor pungente e agora em dores clamo
Mas perdão não mereço, eu sei que não mereço;
Para tal atitude existirá um preço?
  
Trinta moedas, Senhor, as minhas mãos seguram,
Tatuam a minh’alma e em minh’alma supuram...

Os lobos e os mastins perseguem os meus passos.
Condena-me, Senhor, caiam em mim espaços,
Teus Sidéreos sem fim que vagam no orbe imenso
... Estou fora de mim, e louco já não penso...

Profanei minha vida em tal crime hediondo
Por onde piso os pés, por onde os olhos sondo
O terror é cruel... No inferno alguém me espera.
Hei de viver na treva, entre grupos de fera,

No delírio da dor, neste insano remorso.
Impossível seguir... Sangram meus pés... O esforço
É em vão... a noite está dentro de mim, sou noite;
Não há lugar, bem sei, onde meu corpo acoite,
Dá-me a morte, Senhor, que este sofrer eterno,
Deve ser bem maior ao que terei no Inferno!

O corpo de meu Mestre ainda está pregado
E pende junto à Cruz... Parece estar alado
Pronto para alcançar a imensidão celeste...
Penso que vai voar, embora n’Ele infeste,
Laivos fundos da dor... O vento sopra agora
E seu rígido corpo atado à cruz é a Aurora
De um dia que ainda está para chegar... Mas quando?
Bem sei, não estarei por tal dia esperando... 

Tenho sede, Senhor, a boca queima em brasa,
Não tenho onde seguir... Há muito estou sem casa,
Onde agora viver?...”
A Ganância e a Cobiça
– Irmãs gêmeas do mal! – farão sua Justiça!

E à árvore atando a corda em tenebroso trismo
Judas precipitou-se à escuridão do abismo...

13.04.2000

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