
Sonetos para Augusto dos Anjos
I
Nos trágicos esgotos desta vida,
A putrescência contamina o ar,
O coração é todo uma ferida
Que tenta, em transe, me contaminar.
Mas quem fechou a porta de saída
Para eu sair, quando quiser voltar?
Quem enterrou minh’alma na avenida
Onde o pranto não pára de jorrar?
Quem violou a lei do meu sepulcro,
Onde o sangue jorrou por fino fulcro
Como no peito a chaga de Jesus?
Quem foi que veio e cutucou meus ossos,
Para ver se encontrava entre os destroços
Os vermes gordos vomitando pus?!
24.11.1994
Nos trágicos esgotos desta vida,
A putrescência contamina o ar,
O coração é todo uma ferida
Que tenta, em transe, me contaminar.
Mas quem fechou a porta de saída
Para eu sair, quando quiser voltar?
Quem enterrou minh’alma na avenida
Onde o pranto não pára de jorrar?
Quem violou a lei do meu sepulcro,
Onde o sangue jorrou por fino fulcro
Como no peito a chaga de Jesus?
Quem foi que veio e cutucou meus ossos,
Para ver se encontrava entre os destroços
Os vermes gordos vomitando pus?!
24.11.1994
II
Eu – Augusto – despojo-me da poeira
E da aglutinação desta carcaça
Para mostrar do Podre toda a graça
Que andei amealhando a vida inteira.
Mesmo que à Morte seja prisioneira,
A minh’Alma à poesia ainda se abraça:
O Verbo e a Rima são minha argamassa
Para construir minha obra derradeira!
A saliva ainda enrola-me a Palavra,
Que misturada ao pó da minha tumba
O fogo dos desejos azinhavra.
E embora o vento – Augusto! – em ecos zumba,
Ainda irei deixar a ultima lavra
Neste horrendo Terreiro de Macumba!
24.11.1994
III
Por que me cutucar em meu repouso
Se minha Obra já está toda completa;
Por que acender a chama do Poeta
Se em Versos Íntimos já tive gozo?
Por que mostrar meu verso venenoso
Se à minha ausência a Luz é mais direta;
A minha Dor não é rima concreta
Porém, da Dor eu sou dileto Esposo!
Não me acordem de minha Leopoldina;
Aqui a paz monástica me ensina
Que mais que o nome eu deva ser augusto.
E para ter meu rumo livre e escampo
Devo apenas ser simples pirilampo
Deitado no meu leito de Procusto!
24.11.1994
Esio Antonio Pezzato
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1 COMENTE AQUI:
Esio Poeta, incrível!!! Seus sonetos para Augusto dos Anjos são maravilhosos. Parabéns. Adriana, SP
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