Carnaval! a voz do samba
Do alto do morro descamba
Para no asfalto vibrar...
O povo esquece a desgraça.
Vendo a folia de graça,
Por que não aproveitar?!
Esquece mágoas e dores,
Procura novos amores
Olha corpos seminus...
O samba invade a avenida
Que está toda colorida
Pelos efeitos da luz...
Nos salões, corpos suados,
Entre abraços apertados
Procuram se libertar...
A orquestra está de vigília...
E o folião deixa a família
Que não pode sustentar...
O bumbo marca o compasso,
O folião ajeita o passo
Numa nova evolução...
A bebida é consumida
E consumida a bebida
Eis mais um ébrio no chão...
A bebida é o lenitivo
Para o ano de cativo
Que o folião tem que viver.
Com seu pequeno salário
O ano inteiro é um calvário
Que tem de sobreviver!
Por isso bebe a cerveja,
Olha o corpo que deseja
Porém, não pode comprar.
Inveja a alta sociedade,
Tem desejos e vontade
De nela também entrar.
Com o coração bufando ira
Vê que o amor é mentira,
E é desgraça o carnaval...
E sua alma que é tão pura
Quer esquecer da loucura
Desta desgraça total...
Sai feito um doido varrido,
Com o coração reprimido
Sente ódio de ser assim...
E quando o dia amanhece,
Seu corpo, frio, padece,
Em um banco de jardim...
15.02.1978
Esio Antonio Pezzato
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