I
Antigamente era o Salto
Que num sobressalto
Lançava mil flocos de espumas flutuantes!
As águas lutando com fúria dantesca,
– Visão pitoresca
Da luta fremente em duelar de gigantes!
Antigamente era o Rio
Que num alvedrio
No assombro soberbo ruflava ecoando...
Combates sublimes nas longas maretas
Iguais borboletas
Que as flores silvestres invadem em bando.
Antigamente era a Vida
Risonha, florida,
Que ali declamava um poema de glória:
– A paz, a ventura, o sossego, a esperança,
– Mimosa criança
Que tinha no peito uma cálida história.
Antigamente era o Vento
Audaz, violento,
Brigando com as águas no impávido embate;
E em gládios de ferro lançavam espumas,
Simbólicas brumas,
– Suor de cansaço de eterno combate!
II
Antigamente era o Rio
Que marulhava a cantar,
Antigamente era o Salto
Que num sobressalto
Lançava mil flocos de espumas flutuantes!
As águas lutando com fúria dantesca,
– Visão pitoresca
Da luta fremente em duelar de gigantes!
Antigamente era o Rio
Que num alvedrio
No assombro soberbo ruflava ecoando...
Combates sublimes nas longas maretas
Iguais borboletas
Que as flores silvestres invadem em bando.
Antigamente era a Vida
Risonha, florida,
Que ali declamava um poema de glória:
– A paz, a ventura, o sossego, a esperança,
– Mimosa criança
Que tinha no peito uma cálida história.
Antigamente era o Vento
Audaz, violento,
Brigando com as águas no impávido embate;
E em gládios de ferro lançavam espumas,
Simbólicas brumas,
– Suor de cansaço de eterno combate!
II
Antigamente era o Rio
Que marulhava a cantar,
Com as águas em alvedrio
Que rolavam sem parar...
Eram as águas – no salto,
Que desciam num assalto
Levando tudo em roldão...
E num combate sem tréguas
Levava léguas e léguas
De terra em seu coração...
Piracicaba! O teu Rio
Que nos deu tanto prazer,
Hoje está insolente, frio,
E vive eterno a feder!
Já escrevi um protesto
E para todos atesto
Com a força do coração,
Que é chegada a hora da luta;
– Escuta, Cidade, escuta,
Meu canto de devoção!
III
Desperta, Cidade! O progresso te acorda,
Clamando em mil brandos... não podes dormir...
– Nem mesmo o gigante o passado recorda,
Desperta, Cidade, e abraça o porvir!..
Desperta o teu sono de noiva que sonha
E olha o futuro impiedoso que tens...
– Teu Rio é esgoto que expele vergonha,
Corsários roubaram teus mágicos bens!
Desperta, Cidade! Desperta os soldados,
– Valentes soldados que lutam com fé!
Grita por justiça em homéricos brados,
Pois mesmo sem armas, lutamos de pé.
Desperta, Cidade! Que o sono hoje é findo
E vence a batalha quem sabe lutar!
É morto o passado formoso e tão lindo,
É vivo o presente que faz feder o ar.
Oh, Noiva, desperta teus níveos amantes,
Teus virgens tesouros despertam ladrões,
Que mesmo vivendo em cidades distantes,
Em ti encontraram reais ambições!
Amantes da Noiva, despertem do sono,
Cruéis forasteiros aqui vêm pousar.
Não deixem a Noiva ao supremo abandono,
Que os sonhos dourados não podem findar.
IV
É chegado hoje o momento
De erguermos a nossa voz!
De criarmos um Mandamento
Que seja rude e feroz!
Não mais podemos dar margem
A esses corsários que espargem
Tamanhas destruições...
Não temos mais esperanças
No peito temos vinganças,
E fúrias nos corações!
Estou pedindo Justiça,
– Justiça vinda dos céus,
Para quem planta a carniça
No mundo feito por Deus.
Dão fim à pátria beleza,
Depredam a Natureza
Que Deus criou com Amor.
Matam Rios e Florestas,
E em negros ritos de festas,
Plantam no mundo o horror.
Nosso Rio fede à morte
Da negra poluição.
Que rolavam sem parar...
Eram as águas – no salto,
Que desciam num assalto
Levando tudo em roldão...
E num combate sem tréguas
Levava léguas e léguas
De terra em seu coração...
Piracicaba! O teu Rio
Que nos deu tanto prazer,
Hoje está insolente, frio,
E vive eterno a feder!
Já escrevi um protesto
E para todos atesto
Com a força do coração,
Que é chegada a hora da luta;
– Escuta, Cidade, escuta,
Meu canto de devoção!
III
Desperta, Cidade! O progresso te acorda,
Clamando em mil brandos... não podes dormir...
– Nem mesmo o gigante o passado recorda,
Desperta, Cidade, e abraça o porvir!..
Desperta o teu sono de noiva que sonha
E olha o futuro impiedoso que tens...
– Teu Rio é esgoto que expele vergonha,
Corsários roubaram teus mágicos bens!
Desperta, Cidade! Desperta os soldados,
– Valentes soldados que lutam com fé!
Grita por justiça em homéricos brados,
Pois mesmo sem armas, lutamos de pé.
Desperta, Cidade! Que o sono hoje é findo
E vence a batalha quem sabe lutar!
É morto o passado formoso e tão lindo,
É vivo o presente que faz feder o ar.
Oh, Noiva, desperta teus níveos amantes,
Teus virgens tesouros despertam ladrões,
Que mesmo vivendo em cidades distantes,
Em ti encontraram reais ambições!
Amantes da Noiva, despertem do sono,
Cruéis forasteiros aqui vêm pousar.
Não deixem a Noiva ao supremo abandono,
Que os sonhos dourados não podem findar.
IV
É chegado hoje o momento
De erguermos a nossa voz!
De criarmos um Mandamento
Que seja rude e feroz!
Não mais podemos dar margem
A esses corsários que espargem
Tamanhas destruições...
Não temos mais esperanças
No peito temos vinganças,
E fúrias nos corações!
Estou pedindo Justiça,
– Justiça vinda dos céus,
Para quem planta a carniça
No mundo feito por Deus.
Dão fim à pátria beleza,
Depredam a Natureza
Que Deus criou com Amor.
Matam Rios e Florestas,
E em negros ritos de festas,
Plantam no mundo o horror.
Nosso Rio fede à morte
Da negra poluição.
Se existe no mundo a sorte,
Federá o coração
De quem mata a Obra Divina
E planta a carnificina
Com ódio, rancor e desdém.
– Se nos tiram a Esperança,
Brademos pela vingança,
Que a vingança um dia vem!...
Mas hoje, meu pobre Rio,
É um córrego a feder
Imundo, insolente, frio,
Sem forças para viver.
Foi ingrata a tua sorte,
Os homens deram-te a morte
Profana, negra, fatal...
E nessa tragédia imensa
Não mais dizes tua crença
No teu Salto colossal!
V
As águas desciam contentes, sorrindo,
Trazendo em seus seios cardumes de peixes
Que vinham em feixes
Da altura caindo...
Nas brancas muralhas do velho Mirante
Anzóis se enroscavam em mil lambaris;
E o velho sorrindo no assombro inconstante,
Ficava contente, ficava feliz!
Tarrafas traziam nas suas lançadas
Pintados, dourados e curimbatás...
– Mas isso é visão de miragens passadas
Do velho pesqueiro, dos dois Tangarás!
VI
Tangará, Tangará! Onde estás?
Não vês o que fazem com o Velho gigante
Que está agonizante
Num leito de pedras imundo, poluído?
Não vês a maldade que impera em teu rio
Que corre sombrio
Qual velho imponente que tomba ferido?
Não vês o que é feito do Rio soberbo
Que abria o seu verbo
Na infrene caída do Salto sublime?
Não vês que o Progresso – demônio invencível! –
Qual ferra terrível
Matou-O na fúria de intrépido crime?
VII
Que resta do Rio formoso, espumante,
Com as águas fazendo infernais escarcéus?
– Um leito de pedras imundo, inconstante,
Pedindo de esmolas, as águas dos céus!
E o homem profano, com a máquina forte,
A tudo destrói sem razão, sem piedade!
Destrói a Natura com ânsias de morte,
E põe no presente um passado em saudade.
VIII
Os homens foram traiçoeiros
Profanando as Leis de Deus...
Desgraçados Timoneiros,
Profetas falsos e ateus!
Vamos soltar nossos brados,
Somos valentes soldados,
Temos fé no coração.
E nós pedimos justiça,
– Contra tamanha carniça,
– Contra tamanha traição!
E tremulando nos ares
Este negro Pavilhão,
Poe o pesar nos pesares,
Luto em nosso coração!
– Põe um fim às Esperanças,
Mil desejos de vinganças
No peito de todos nós...
Se nos tiram desta Vida
Esta paisagem florida,
Ergamos a nossa voz!
X
Que é de Direito – que ouça o que digo:
– Eu quero somente a verdade e a justiça,
Eu quero o meu Rio com as águas rolando,
E não vê-lo morto, cheirando a carniça.
Eu quero o meu Rio com as águas rolando
Mostrando cardumes de mil lambaris!
Eu quero o meu povo às margens cantando
A ode infinita de um dia feliz!
Eu quero as crianças felizes de outrora
Nadando contentes, pescando mandis.
Eu quero que surja ao meu Rio uma aurora:
– Os sonhos dourados de um dia feliz.
Eu quero que os homens compreendam que a vida
Do Piracicaba é sublime e sagrada.
Pois ele é o Decano da longa jornada
De uma Era passada que ainda é vivida!
Façamos protestos, ergamos as vozes
Aos filhos do Inferno, profanos, ladrões!
Parentes de feras, de horríveis algozes,
Que não têm nem alma, não têm corações!
Sou muito pequeno, mas mesmo assim luto,
E tudo o que escrevo em verdade eu atesto:
E junto ao meu Povo também estou de luto,
E em versos escrevo meu negro Protesto!
15.10.1978
Este poema foi por mim declamado quando da Noite de Autógrafos do meu primeiro Livro Luzes da Aurora, no CCR Cristóvão Colombo.,
Em 19 de outubro de 1978
Federá o coração
De quem mata a Obra Divina
E planta a carnificina
Com ódio, rancor e desdém.
– Se nos tiram a Esperança,
Brademos pela vingança,
Que a vingança um dia vem!...
Mas hoje, meu pobre Rio,
É um córrego a feder
Imundo, insolente, frio,
Sem forças para viver.
Foi ingrata a tua sorte,
Os homens deram-te a morte
Profana, negra, fatal...
E nessa tragédia imensa
Não mais dizes tua crença
No teu Salto colossal!
V
As águas desciam contentes, sorrindo,
Trazendo em seus seios cardumes de peixes
Que vinham em feixes
Da altura caindo...
Nas brancas muralhas do velho Mirante
Anzóis se enroscavam em mil lambaris;
E o velho sorrindo no assombro inconstante,
Ficava contente, ficava feliz!
Tarrafas traziam nas suas lançadas
Pintados, dourados e curimbatás...
– Mas isso é visão de miragens passadas
Do velho pesqueiro, dos dois Tangarás!
VI
Tangará, Tangará! Onde estás?
Não vês o que fazem com o Velho gigante
Que está agonizante
Num leito de pedras imundo, poluído?
Não vês a maldade que impera em teu rio
Que corre sombrio
Qual velho imponente que tomba ferido?
Não vês o que é feito do Rio soberbo
Que abria o seu verbo
Na infrene caída do Salto sublime?
Não vês que o Progresso – demônio invencível! –
Qual ferra terrível
Matou-O na fúria de intrépido crime?
VII
Que resta do Rio formoso, espumante,
Com as águas fazendo infernais escarcéus?
– Um leito de pedras imundo, inconstante,
Pedindo de esmolas, as águas dos céus!
E o homem profano, com a máquina forte,
A tudo destrói sem razão, sem piedade!
Destrói a Natura com ânsias de morte,
E põe no presente um passado em saudade.
VIII
Os homens foram traiçoeiros
Profanando as Leis de Deus...
Desgraçados Timoneiros,
Profetas falsos e ateus!
Vamos soltar nossos brados,
Somos valentes soldados,
Temos fé no coração.
E nós pedimos justiça,
– Contra tamanha carniça,
– Contra tamanha traição!
E tremulando nos ares
Este negro Pavilhão,
Poe o pesar nos pesares,
Luto em nosso coração!
– Põe um fim às Esperanças,
Mil desejos de vinganças
No peito de todos nós...
Se nos tiram desta Vida
Esta paisagem florida,
Ergamos a nossa voz!
X
Que é de Direito – que ouça o que digo:
– Eu quero somente a verdade e a justiça,
Eu quero o meu Rio com as águas rolando,
E não vê-lo morto, cheirando a carniça.
Eu quero o meu Rio com as águas rolando
Mostrando cardumes de mil lambaris!
Eu quero o meu povo às margens cantando
A ode infinita de um dia feliz!
Eu quero as crianças felizes de outrora
Nadando contentes, pescando mandis.
Eu quero que surja ao meu Rio uma aurora:
– Os sonhos dourados de um dia feliz.
Eu quero que os homens compreendam que a vida
Do Piracicaba é sublime e sagrada.
Pois ele é o Decano da longa jornada
De uma Era passada que ainda é vivida!
Façamos protestos, ergamos as vozes
Aos filhos do Inferno, profanos, ladrões!
Parentes de feras, de horríveis algozes,
Que não têm nem alma, não têm corações!
Sou muito pequeno, mas mesmo assim luto,
E tudo o que escrevo em verdade eu atesto:
E junto ao meu Povo também estou de luto,
E em versos escrevo meu negro Protesto!
15.10.1978
Este poema foi por mim declamado quando da Noite de Autógrafos do meu primeiro Livro Luzes da Aurora, no CCR Cristóvão Colombo.,
Em 19 de outubro de 1978
Esio Antonio Pezzato
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