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20 de janeiro de 2013

Crônica - Encontro (Três pintores e um poeta)



Encontro
(Três pintores e um poeta)

  
Salão de Belas Artes de Rio Claro. Junho de 1983. Renato Wagner havia recebido Medalha de Prata por seu belíssimo trabalho retratando uma paisagem de Monte Alegre, Pacheco Ferraz havia ganhado prêmio aquisitivo, Olavo Ferreira da Silva fazia parte do corpo de jurados.

Esse mesmo Salão fez uma homenagem ao pintor piracicabano Archimedes Dutra, expondo cerca de sessenta telas numa retrospectiva de sua obra que durante o tempo que ficou em exposição se tornou póstuma, pois Archimedes veio a falecer em primeiro de Julho e era o grande ausente na noite.

Terminada a cerimônia do vernissage, Pacheco convidou ao Renato, ao Olavo e a mim para um jantar onde ele queria ser o anfitrião, pagando a conta dos amigos.

Por um segundo sequer passou pela cabeça de seus três amigos que algo pudesse acontecer, pois Pacheco prezava pela displicência e por esquecimentos memoráveis. Mas saímos e fomos jantar no belíssimo restaurante Akamine. Pacheco aquela noite estava especialmente inspirado e para quem o conheceu sabe o que isso significava: ficava ele recordando sua primeira ida a Paris nos anos 25 a 28, onde levado por Alípio Dutra foi estudar pintura. Ele falava muito, misturava ao português o espanhol, o inglês e o francês, línguas que dominava com mestria.

Pacheco pediu a carta de vinhos, escolheu três garrafas de uma boa safra, pediu o jantar para todos nós. Enquanto isso a gente o ouvia com atenção, pois suas histórias eram magníficas, recheadas de humor e de improvisos.

Às tantas, Pacheco dizia que queria me dar uma tela de presente, pintada em papel pardo, que ele havia pintado e recortado toda para usar numa sala de aula. Vibrei com o presente. Ele dizia que precisava de restauro ao que Renato Wagner prontamente se dispôs a fazer. Oba! Ganhei um quadro do Pacheco, pensei.

Aqui abro um parêntesis (fui buscar no dia seguinte a tela e ele não me queria dar, pois estava toda danificada mesmo. Mas tanto insisti que ela havia me dado e que o Renato iria fazer a restauração necessária, que ele decidiu, sob minha promessa de que se após o restauro ele não aprovasse, a tela então seria destruída. Mas ele gostou tanto do restauro que o Renato fez que até assinar a tela ele decidiu, 15 anos depois, fazer). Fecha parêntesis.

Votando ao jantar em Rio Claro. Pacheco e nós comemos muito. Bebemos mais ainda. Pacheco pediu mais vinho que foi servido e devidamente tomado por todos nós.

Ia me esquecendo: O Olavo não bebia. Tomava apenas refrigerante. O Renato embora preferisse beber cerveja sem gelo, caiu numa taça de bom vinho. Agora o Pacheco: vinho bom, amigos por perto, boa comida e ele inspirado...

Mais de duas da manhã, restaurante com cara de sono, a conta nos chega. Pacheco a toma nas mãos, mete as mesmas no bolso, vira, revira, torna a enfiar as mãos nos bolsos da calça, do paletó e cadê dinheiro! Com aquela cara alterada pelo vinho, nos diz: esqueci o dinheiro! Só tenho o cheque que recebi da minha premiação. Eu estava assim um tanto desapercebido mesmo. Havia levado quase nada. Olavo começou a rir e Renato Wagner salvou a nós todos: abriu sua carteira, sacou o talão de cheques e pagou ele sozinho a despesa da noite que não ficou muito doce, não, mas um tanto salgada pelas garrafas de bom vinho ali sorvido e pela boa comida.

Como havíamos ido de carona com o carro do Renato, voltamos a Piracicaba. Pacheco estava amuado por ter nos convidado para um jantar que não pode pagar. Eu e o Renato conversávamos e ríamos muito do episódio. Olavo ria muito.

Passados quase 30 anos estou aqui, a contar essas reminiscências entre um jovem poeta e três consagrados pintores piracicabanos de quem fui muito amigo e hoje tanta saudade me trazem.

Esio Poeta

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