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30 de outubro de 2009

SONETOS ALEXANDRINOS - 2



Vibração

Vibra em mim um amor tão puro e tão gigante
Que sinto renascer a minha paz perdida.
E amo com mais ardor a minha própria vida
Que antes era vazia, insípida e distante.

Trago na alma a paixão de ser um grande amante
E volto no meu peito a esperança esquecida.
Como passos firmes piso uma estrada florida
Pois o amor vibra em mim instante após instante.

Mudou-se o meu inverno em plena primavera;
Tudo o que era tristeza envolve-se em alegria
E já não vivo mais como antes eu vivia.

Mulher do meu amor! minha vida te espera,
Vem comigo viver o amor de cada dia,
Vem comigo viver o amor que o amor supera!

01.11.1980

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Da hora do adeus


Dizes adeus e dás final a este romance
Como quem diz adeus à sua própria vida...
Tão triste, meu amor, é dar a despedida,
A quem te deu sorrindo, ao amor, uma chance...

Toda a felicidade estava a teu alcance
E a ele disseste adeus... à glória colorida
De ser amada e amar, tu deixas esquecida,
Para no coração, ter da agonia a nuance.

E diz-me adeus. Também te digo adeus.
Embora
Enxuto traga o olhar, o meu ser todo chora,
Mas recolho, por mim, os sonhos todos meus.

De um amor que floriu – mas não chegou a fruto! –
Que teve a Eternidade apenas de um minuto,
Que podia ter sido e que não foi... adeus...

03.11.1980
____________________________________


Ser criança


Quando a infância pairava em todos os quadrantes,
Meu tempo era feliz e cheio de alvoroço:
– Era largo demais o tempo para o almoço,
E as horas de brincar pareciam instantes.

Papagaios no céu e linhas com cortantes...
Carros de rolimãs, cuspir dentro do poço,
Desejos de ficar o mais rápido moço,
Para ter namorada e ter várias amantes...

Vontade de ter barba e deixá-la crescida,
Pelos no peito, voz bem grossa, ar de galã,
Bailes, festas, sonhar... enfim, viver a vida!

E este tempo chegou em frenética dança,
Fugiram-me da vida as horas da manhã,
– Ah, vontade que tenho em ser ainda criança!...

08.02.1981

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Descrença


Quem sou eu para crer eu que não tenho crença?
Não creio em mim, não creio em Deus, não creio em nada.
Sigo por uma estrada em meio à indiferença
Imerso em solidão e com a alma abandonada.

Em mim a negra angústia é uma agonia imensa,
Minha vida de amor é uma ilusão passada...
Paira sobre meu céu escura nuvem densa
E um relâmpago faz minha vida bloqueada.

Aonde vou se não sei de onde vim e não creio
No amor, na paz, na fé, na esperança da vida,
No prazer de viver, na glória de sonhar?

Ai, tudo é um sonho mau, é um negro devaneio:
Sigo sem rumo, espero uma ilusão querida
Mas não sei esperar... e não sei esperar...

10.03.1981

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Espera


Te espero ansiosamente, enquanto a noite desce
E a hora do ângelus lenta e preguiçosa invade
O espaço e na amplidão, um sussurro de prece
Põe em meu coração um verso de saudade.

Sei que virás, por isso espero... a angústia cresce
Enquanto tu não vens, ouço a sonoridade
De alguém que vem chegando... a minha alma se aquece
Para abraçar-te e dar-te o amor felicidade...

Passam os passos, mas eu sei que virás ainda...
E me sinto feliz, a noite está tão linda,
É certo que virás receber meu carinho.

A noite em trevas, tudo angústia e sofrimento,
Durante toda a noite esperei o momento
De poder te abraçar... e ainda estou sozinho...

21.09.1981
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Antes que a noite venha

Antes que a noite venha e o silêncio de pedra
Caia por sobre nós, deixa, minha querida,
Florescer no jardim a roseira que medra
E em cores divinais nos mostre nova vida.

Deixa que aves do céu, num sussurro de Fedra,
Em cantigas de luz deixem mais colorida
A estrada do porvir imensa e poliedra,
Que o nosso amor terá uma visão florida...

A florida visão dos sonhos, dos amantes,
Que sussurram febris mil versos de ternura
E em beijos sensuais entoam delirantes

As músicas do céu entoadas por anjos,
E na imensa alegria e na imensa ventura,
Cantam essa canção que Deus fez os arranjos.

16.11.1981

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Soneto da possibilidade do canto

Poderia cantar, se na minha alma o canto
Se tornasse real... porém, na minha vida,
Em meus olhos – somente amargo e denso pranto
Faz que seja meu sonho uma visão perdida...

Tanto quisera amar, cantar, sonhar, ai, tanto
Tempo numa procura em vão busquei – florida! –
A hora do êxtase puro, a hora cheia de encanto,
A hora do amor total, sem haver despedida!

Se na minha alma houvesse o canto, eu bem pudera
Caminhos palmilhar de eterna primavera
E sorrindo sonhar um tempo de esperança.

Mas não... o pranto amargo em minhas faces rola...
Para mim a alegria é a migalha de esmola
Que um pobre-rico dá para qualquer criança.

11.08.1982


Ésio Antonio Pezzato

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