Vaticínio
Creio que dentre nós irá surgir um dia,
Um Poeta genial que com sonoros cantos,
Piracicaba irá cantar cheia de encantos
Com versos magistrais de luz e fantasia.
E este grande Poeta irá, todo magia,
No Amo glorificar seus vales e recantos,
Denunciará com sangue e lágrimas e prantos,
Quem tentar ultrajá-la e levá-la à agonia.
Dentre nós haverá de surgir - com certeza! -
Este Vate que irá cantar a Natureza
Desta Terra por Deus abençoada e querida.
Com o gênio de Luciano, Archimedes e Losso,
Ao mundo mostrará quão imenso é o colosso
Deste Torrão natal que passamos a Vida!
07.10.1991
________________
Cansaço
Cansado de correr atrás dos sonhos loucos
Paro para viver a minha realidade:
– Instantes de prazer no mundo são tão poucos,
Que é impossível se ter uma felicidade.
Sempre que o tempo é bom, surge uma tempestade,
Se conselhos nos dão, temos ouvidos moucos,
A ilusão é viver preso na férrea grade
Dos sonhos que a cantar, têm as vozes dos roucos.
Nada posso fazer para mudar a vida...
Vou desaparecer numa curva da estrada
Onde não poderei ter ninguém que me acoite...
A vida é uma ilusão, viver é uma corrida
Que não tem vencedor e nem nos leva a nada,
E o sonho é uma ilusão que só se vive à noite.
12.01.1992
_________________
Velho coração
Meu coração é um cofre, onde guardados tenho
Sonhos, desilusões, esperanças, promessas...
Tem por registro – um livro, onde as letras impressas
São escritas com o fogo estúpido de um mago.
Às vezes fico olhando – e o olhar caminha vago,
As listagens sem fim de variadas remessas
De tudo o que já tive e tenho, e olhando nessas
Coisas tão sem valor, o olhar do mundo apago.
Numa página – um sonho, um sonho tão-somente;
Um sonho que jamais germinou da semente,
Depois desilusões tão repletas de mágoas...
Esperanças busquei em cada folha lida,
As promessas, porém, passaram-me na vida
Como um barco dançando ao balando das águas...
15.01.1992
____________________
Soneto da saudade
Para quem traz no peito a dor de uma saudade,
O amor é simplesmente uma horrível doença...
Dias cheios de luz passam na indiferença
E sofre o coração e angústia sem piedade.
A lembrança é mordaz, fere em profundidade,
Parece a voz cruel de mórbida sentença,
Lembra um dia de inverno, onde a frialdade intensa,
Evoca a solidão, o tédio, a enfermidade...
A saudade parece o corte mais profundo
Que deixa o coração partido em dois pedaços:
E não há paliativo e nada o cicatriza...
A saudade é o luar que brilha sobre o mundo,
É o fogo de um cometa iluminando espaços,
– Canção que o amanhecer traz de leve na brisa...
18.11.1992
_________________
Perguntas e respostas
(Soneto transformado em alexandrino por André Bueno Oliveira)
Saudoso céu azul de minha mocidade!
Que vos leva a mostrar-se agora tão nublado?
Dizei por que ficais de nuvens carregado?
Será para mostrar o peso da saudade?
Oh, caminho gentil de tanta alacridade!
Por que quereis mostrar-se agora abandonado?
Por que ficais assim, de frio congelado?
Talvez para mostrar a vossa enfermidade?
Oh, sonhos que sonhei entre cruéis suspiros!
Por que trazeis a mim recônditos retiros
E minh’alma levais num soturno transporte?
Onde os arcos triunfais revestidos de luzes?
(E este Calvário atroz, e estas pesadas cruzes!)
É tempo de mostrar, enfim, a infausta morte!
25.03.1993
Creio que dentre nós irá surgir um dia,
Um Poeta genial que com sonoros cantos,
Piracicaba irá cantar cheia de encantos
Com versos magistrais de luz e fantasia.
E este grande Poeta irá, todo magia,
No Amo glorificar seus vales e recantos,
Denunciará com sangue e lágrimas e prantos,
Quem tentar ultrajá-la e levá-la à agonia.
Dentre nós haverá de surgir - com certeza! -
Este Vate que irá cantar a Natureza
Desta Terra por Deus abençoada e querida.
Com o gênio de Luciano, Archimedes e Losso,
Ao mundo mostrará quão imenso é o colosso
Deste Torrão natal que passamos a Vida!
07.10.1991
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Cansaço
Cansado de correr atrás dos sonhos loucos
Paro para viver a minha realidade:
– Instantes de prazer no mundo são tão poucos,
Que é impossível se ter uma felicidade.
Sempre que o tempo é bom, surge uma tempestade,
Se conselhos nos dão, temos ouvidos moucos,
A ilusão é viver preso na férrea grade
Dos sonhos que a cantar, têm as vozes dos roucos.
Nada posso fazer para mudar a vida...
Vou desaparecer numa curva da estrada
Onde não poderei ter ninguém que me acoite...
A vida é uma ilusão, viver é uma corrida
Que não tem vencedor e nem nos leva a nada,
E o sonho é uma ilusão que só se vive à noite.
12.01.1992
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Velho coração
Meu coração é um cofre, onde guardados tenho
Sonhos, desilusões, esperanças, promessas...
Tem por registro – um livro, onde as letras impressas
São escritas com o fogo estúpido de um mago.
Às vezes fico olhando – e o olhar caminha vago,
As listagens sem fim de variadas remessas
De tudo o que já tive e tenho, e olhando nessas
Coisas tão sem valor, o olhar do mundo apago.
Numa página – um sonho, um sonho tão-somente;
Um sonho que jamais germinou da semente,
Depois desilusões tão repletas de mágoas...
Esperanças busquei em cada folha lida,
As promessas, porém, passaram-me na vida
Como um barco dançando ao balando das águas...
15.01.1992
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Soneto da saudade
Para quem traz no peito a dor de uma saudade,
O amor é simplesmente uma horrível doença...
Dias cheios de luz passam na indiferença
E sofre o coração e angústia sem piedade.
A lembrança é mordaz, fere em profundidade,
Parece a voz cruel de mórbida sentença,
Lembra um dia de inverno, onde a frialdade intensa,
Evoca a solidão, o tédio, a enfermidade...
A saudade parece o corte mais profundo
Que deixa o coração partido em dois pedaços:
E não há paliativo e nada o cicatriza...
A saudade é o luar que brilha sobre o mundo,
É o fogo de um cometa iluminando espaços,
– Canção que o amanhecer traz de leve na brisa...
18.11.1992
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Perguntas e respostas
(Soneto transformado em alexandrino por André Bueno Oliveira)
Saudoso céu azul de minha mocidade!
Que vos leva a mostrar-se agora tão nublado?
Dizei por que ficais de nuvens carregado?
Será para mostrar o peso da saudade?
Oh, caminho gentil de tanta alacridade!
Por que quereis mostrar-se agora abandonado?
Por que ficais assim, de frio congelado?
Talvez para mostrar a vossa enfermidade?
Oh, sonhos que sonhei entre cruéis suspiros!
Por que trazeis a mim recônditos retiros
E minh’alma levais num soturno transporte?
Onde os arcos triunfais revestidos de luzes?
(E este Calvário atroz, e estas pesadas cruzes!)
É tempo de mostrar, enfim, a infausta morte!
25.03.1993
__________________
Quem ama
Quem ama nada pede e tudo dá. Quem ama
Somente quer o bem para a pessoa amada.
Se a vê no frio logo encontra alguma chama
Para doar calor de forma apaixonada.
Para quem traz no peito o puro amor, do nada
Faz-se um tudo e faz mais – mil carinhos derrama
Sobre o seu puro amor, de forma idolatrada,
E em seus lábios somente o nome amado chama.
Quem ama tem o céu nas mãos e faz desdouro!
Se, encontra o mundo inteiro aberto à sua frente
Um passo dá, sequer, sem ouvir-lhe a opinião.
Um amor vale mais que o mais caro tesouro
De Golconda e de Ophir, que brilham simplesmente
Pelo fato de estar sempre de mão em mão.
26.06.1993
Quem ama
Quem ama nada pede e tudo dá. Quem ama
Somente quer o bem para a pessoa amada.
Se a vê no frio logo encontra alguma chama
Para doar calor de forma apaixonada.
Para quem traz no peito o puro amor, do nada
Faz-se um tudo e faz mais – mil carinhos derrama
Sobre o seu puro amor, de forma idolatrada,
E em seus lábios somente o nome amado chama.
Quem ama tem o céu nas mãos e faz desdouro!
Se, encontra o mundo inteiro aberto à sua frente
Um passo dá, sequer, sem ouvir-lhe a opinião.
Um amor vale mais que o mais caro tesouro
De Golconda e de Ophir, que brilham simplesmente
Pelo fato de estar sempre de mão em mão.
26.06.1993
____________________
Resposta ao Poeta
Caríssimo Poeta André Bueno Oliveira:
Comparaste outro dia a nossa Academia
Como um doce que está n'alguma prateleira
Ou nos pratos machês de velha padaria.
Disseste que eu também mostrava antipatia
E a mesma desdenhava e falava besteira...
E a surpresa maior ocorreu certo dia
Ao ver-me degustando o doce da doceira.
É que o mesmo me foi de tal forma ofertado
Que eu o experimentei, pois foi açucarado,
– Poderia, talvez, me deixar com lombriga.
Mas eu, comendo um só, me foi o suficiente,
Pois sua gostosura era só aparente
E o mesmo ainda me dá forte dor de barriga!
27.08.1993
___________________
De madrugada
Nesta noite, Senhor, humildemente peço,
Um côvado de luz à minha alma cansada,
Que perdida vagueia em prantos pela estrada
E à Fé se fecha toda e não permite acesso!
Trago em meu coração um canceroso abscesso
E acredito não ter minha Fé renovada...
Mil erros cometi e o que vos peço é um nada:
– Peço um pouco de paz para tanto tropeço.
Nesta noite, Senhor, que o céu rebrilha tanto
Mostrando a vastidão de vosso etéreo manto,
Acalmai a minha alma e meus erros perdoai;
Pois vosso coração – fulgurante lanterna,
Irá mostrar por certo a luz da vida eterna,
Pois mais do que Senhor, vós sois o nosso Pai!
08.09.1993
_________________
Soneto
Quando Eva deu a Adão o fruto do pecado
Entregando-lhe em gozo a sua virgindade,
Por certo, Deus, no céu, ficou desesperado
Por não ter vivido Ele esta felicidade.
Como o Éden era Seu, por ter sido humilhado
Expulsou-os dali sem nenhuma piedade.
E Adão e Eva, sorrindo – olhar apaixonado! –
À Terra vieram ter com toda a intensidade.
E Eva, amando, foi tendo então filhos e filhos...
Roendo de raiva, Deus, a ruminar inveja,
Quis matar este amor que tinha tantos brilhos...
Por não saber amar o amor da carne, o Eterno
Sobre os dois atirou Sua ira malfazeja,
E tentou-os jogar no fogaréu do Inferno.
21.12.1993
____________________
Visita
Às vezes, no silêncio hermético de casa,
Entre sombras e luz vejo coisas e vultos...
E tento decifrar com o coração em brasa,
Essas coisas que são de mistérios ocultos...
Talvez seja meu pai, que sequer pede indultos,
E vaga lentamente em fina e tênue gaza...
E em êxtases me sinto, em etéricos cultos,
Um perfume envolvente e uma luz que me apraza...
O corpo arrepiado eu sinto no momento!...
Tento chamá-lo em vão... absorto tento vê-lo,
Mas ele não se mostra e o perfume me espanta...
Mas nessas horas ouço a cantiga do vento...
E em partes atendendo em preces meu apelo,
Empresta a sua voz ao pintassilgo... e canta...
21.02.1994
Resposta ao Poeta
Caríssimo Poeta André Bueno Oliveira:
Comparaste outro dia a nossa Academia
Como um doce que está n'alguma prateleira
Ou nos pratos machês de velha padaria.
Disseste que eu também mostrava antipatia
E a mesma desdenhava e falava besteira...
E a surpresa maior ocorreu certo dia
Ao ver-me degustando o doce da doceira.
É que o mesmo me foi de tal forma ofertado
Que eu o experimentei, pois foi açucarado,
– Poderia, talvez, me deixar com lombriga.
Mas eu, comendo um só, me foi o suficiente,
Pois sua gostosura era só aparente
E o mesmo ainda me dá forte dor de barriga!
27.08.1993
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De madrugada
Nesta noite, Senhor, humildemente peço,
Um côvado de luz à minha alma cansada,
Que perdida vagueia em prantos pela estrada
E à Fé se fecha toda e não permite acesso!
Trago em meu coração um canceroso abscesso
E acredito não ter minha Fé renovada...
Mil erros cometi e o que vos peço é um nada:
– Peço um pouco de paz para tanto tropeço.
Nesta noite, Senhor, que o céu rebrilha tanto
Mostrando a vastidão de vosso etéreo manto,
Acalmai a minha alma e meus erros perdoai;
Pois vosso coração – fulgurante lanterna,
Irá mostrar por certo a luz da vida eterna,
Pois mais do que Senhor, vós sois o nosso Pai!
08.09.1993
_________________
Soneto
Quando Eva deu a Adão o fruto do pecado
Entregando-lhe em gozo a sua virgindade,
Por certo, Deus, no céu, ficou desesperado
Por não ter vivido Ele esta felicidade.
Como o Éden era Seu, por ter sido humilhado
Expulsou-os dali sem nenhuma piedade.
E Adão e Eva, sorrindo – olhar apaixonado! –
À Terra vieram ter com toda a intensidade.
E Eva, amando, foi tendo então filhos e filhos...
Roendo de raiva, Deus, a ruminar inveja,
Quis matar este amor que tinha tantos brilhos...
Por não saber amar o amor da carne, o Eterno
Sobre os dois atirou Sua ira malfazeja,
E tentou-os jogar no fogaréu do Inferno.
21.12.1993
____________________
Visita
Às vezes, no silêncio hermético de casa,
Entre sombras e luz vejo coisas e vultos...
E tento decifrar com o coração em brasa,
Essas coisas que são de mistérios ocultos...
Talvez seja meu pai, que sequer pede indultos,
E vaga lentamente em fina e tênue gaza...
E em êxtases me sinto, em etéricos cultos,
Um perfume envolvente e uma luz que me apraza...
O corpo arrepiado eu sinto no momento!...
Tento chamá-lo em vão... absorto tento vê-lo,
Mas ele não se mostra e o perfume me espanta...
Mas nessas horas ouço a cantiga do vento...
E em partes atendendo em preces meu apelo,
Empresta a sua voz ao pintassilgo... e canta...
21.02.1994
Ésio Antonio Pezzato














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