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6 de novembro de 2009

VERSOS ALEXANDRINOS



Eras tu o Poeta

Eras tu o Poeta... e eu era tão somente
Aquela que te ouvia os versos que compunhas.
Hoje, porém, partiste e tristonha e demente,
Com esta solidão vivo roendo as unhas.

Eras tu o Poeta... e puseste a semente
Dentro do meu viver do amor que não supunhas...
E este amor eu vivi escandalosamente;
– As flores do jardim são minhas testemunhas! –

Eu, atenta te ouvia os versos rendilhados...
Redondilhas azuis, baladas e sonetos,
Rimas da cor do sol, cantos apaixonados...

Hoje, sozinha estou, a solidão me avisa.
De tudo o que cantaste eu recolho os gravetos,
Mas não sei escrever... eu não sou Poetisa...

23.10.2003
Porto de Galinhas, PE

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Sodomia

Venço tua razão, domino-te a vontade,
Prendo o teu corpo arfante em transe de loucura.
As tuas carnes violo em força e intensidade,
Depois te deixo só dentro da mata escura.

A noite cai. A treva invade a ampla espessura.
Teu corpo imóvel, preso, é tremor e ansiedade.
Em vão tentas gritar, porém, forte atadura,
Aprisiona teus ais, e à boca traz secura.

Presas, as tuas mãos, os nós firmes e tesos,
Impedem-te escapar. Os teus olhos aflitos
Vasculham ao redor. Nada podes fazer...

Delírios vão além... Teus sentidos acesos...
Eclodem os zunzuns da noite em frios gritos.
Há tremor de teu corpo. Orgasmos de prazer.

25.11.2003

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O amor que brilha em mim

O amor que brilha em mim de forma pura e intensa
E faz meu coração palpitar delirante,
Conduz meu verso para a aleluia da crença,
E torna a minha voz num sussurro ofegante.

Te amo em delírio azul! Não peço recompensa
Ao que sinto por ti e ao meu desejo amante.
Sinto perfumes no ar, a alma à tua se prensa,
E digo que sou teu num tempo eqüidistante.

Ignoras meu sentir, minhas dores ignoras,
Ris aos desejos meus, obumbras os meus sonhos,
E displicente vais buscar rijas auroras.

Sou teu, sou todo teu, sou teu de forma densa,
Mas queres ofuscar com esgares medonhos
O amor que brilha em mim de forma pura e intensa.

05.01.2004

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Fúria do prazer

Tomo das tuas mãos, às minhas prendo-as, tomo
Teu coração fremente e junto ao meu o amarro.
Prendo tua razão, teu pensamento domo,
E insano de delírio a tu’alma eu agarro.

Somos nós dois um só, somos do mesmo barro
Que transformou em carne o sonho desse assomo.
Pura, te quero em luz, em cujo raio esbarro
O supremo prazer sem hora, ou quando ou como!

É volúpia que vibra entre tapas e beijos,
Entre escrava e senhor, orgasmos e desejos,
Entre ferir e amar e soltar e prender.

Branca visão de luz do amor que eu amo tanto,
Que me faz delirar na paixão desse canto,
E que me faz morrer na fúria do prazer!

16.01.2004

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Oferta

Eu te ofereço além dessa paixão extrema
A ânsia de refrear desejos e verdades.
Para te conduzir à glória mais suprema:
Fazer-te sucumbir frente minhas vontades.

Eu te ofereço mais... A mais preciosa gema
Que existe na palavra e prende em férreas grades.
Te ofereço grilhões e cristalino estema
Feita de etéreos nós, feita de insanidades.

Te ofereço o poder da submissão completa,
Tu sendo Musa-escrava, eu sendo o teu Poeta,
Para te contemplar na prisão do meu verso.

E estarás por prazer presa em tão ferrenho elo,
Que jamais poderás fugir deste castelo
Onde o Poeta-rei será teu Universo!

15.03.2004

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Concerto da Vida

O tempo é uma ilusão. Dentro dele vivemos
Na determinação que nos é concedida.
Assim como no rio os braços tangem remos,
Dentro do espaço baila o concerto da Vida.

Quando chegamos nós nos pontos mais extremos,
E acenamos do cais nossa própria partida,
O tempo continua em delírios supremos
Sem se deter a ver a nossa despedida.

E o tempo continua a arquitetar su’arte,
Modelando feições nas cristas das montanhas,
Desenhando painéis num saudoso estandarte.

Sua força feroz o século não gasta,
Porém, quebra a Esperança e com forças estranhas,
Ao silêncio do vácuo o pensamento arrasta.

23.03.2004

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Submissão

Continuas a ser com teu silêncio, a Musa
Quer urdes com solidão, os versos que componho.
Basta-me te lembrar e a inspiração acusa,
E ponho-me a compor retalhos deste sonho.

Para a felicidade a minha mente te usa
E passa a idealizar um caminho risonho.
Mas para a minha dor transformas-te em Medusa,
E para a solidão meus passos, triste, ponho.

Se pudesse existir no meu mundo uma grade
E à perpétua prisão terias, e em verdade
Serias condenada, e eu supremo Senhor,

Iria te prender com douradas algemas,
E para meu prazer em glórias mais supremas,
Iria ser teu Rei, Senhor de teu amor.

23.03.2004

v v v v v v v v v

Sonhos de ilusão

Se existiu no passado ardente fantasia,
Neste presente vibra a dor deste abandono.
Dias atrás um sol de verão que fulgia,
Agora a solidão de um sepulcral outono.

Para ti dediquei versos numa poesia.
Primavera – sonhei na languidez do sono.
Hoje a noite que chega é letárgica e fria,
E sei que já não sou da tua mente – o dono.

Esquiva tu fugiste e me escondeste o rosto,
E eu – inverno glacial – sem trono e sem cajado,
Sou Senhor da Ilusão não impondo respeito.

Mordo o sonho e o sabor de amargo e ácido gosto
Desta batalha atroz me mostra derrotado,
E a lança desta Dor penetra no meu peito.

23.03.2004

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Portal da sombra e do esquecimento

Sabia que esse adeus, mais dia menos dia,
Viria povoar minha triste ilusão.
Não sabia, porém, quão fúnebre seria,
Os acordes de dor dentro do coração.

Por ser Poeta posso usar a fantasia:
Sonhar dias de sol de um eterno verão.
Contudo existe o inverno e a pálida agonia
Que me faz ser comum frente a impávido não.

És um sonho, uma sombra, uma ilusão qualquer,
Desconhecido rosto a sorrir sem que eu veja,
Anjo que idealizei em forma de Mulher.

Se já pude sonhar hoje posso sofrer.
E se minh’alma em fogo e em transe te deseja,
Posso bem te esquecer sem precisar morrer.

23.03.2004

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Solidão

Sinto explosões de sóis sacudir-me as entranhas!
E reverberações da luz em meus olhares.
Sobre meu corpo caem catedrais de montanhas,
Invadem a minh’alma a água dos cinco mares.

Sinto sobre meu ser as forças mais estranhas,
Calam a minha voz mordaças seculares.
Sou presa fácil para a teia das aranhas,
Sinto-me ser Sansão amarrado em pilares.

Nada posso fazer... o mistério quem vence-O?
Vocábulos não tenho e não sou arquiteto
Para poder construir castelos com meus sonhos.

A voz da solidão não preenche o meu silêncio.
Para poder prender-te eu não possuo teto,
E convivo-me só com fantasmas medonhos.

23.03.2004

v v v v v v v v v

Dos sonhos

Não. O sonho não é maior que a realidade.
Ele é insano e cruel, faz sofrer e magoa.
Prende nossa razão na mais ríspida grade
E é canto funeral que acidamente soa.

O sonho é ínfimo e vão e pleno de maldade.
Conduz nosso viver qual sobre a água a canoa
Que vaga sem destino... ele não tem piedade.
Se, tentamos domá-lo insensato ele voa...

O sonho me faz ser pobre poeta triste.
Eu sei que o sonho é bom, eu sei que o sonho existe,
Mas não posso com as mãos cheias de ânsias prendê-lo.

Assim deixo-o partir como as asas errantes,
E eles todos se vão voando plagas distantes,
Deixando em seu lugar, horrível pesadelo.

24.03.2004

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Alvorada campesina

Mal a manhã no céu risca festões dourados,
A vida na fazenda em delírios se agita.
Mugem no pasto os bois, em poéticos bailados,
As aves vão e vêm enquanto um galo canta.

A relva úmida e fria imprime pés gelados
– Marca preocupação que parece infinita.
De mãos dadas o Amor, passos apaixonados
Contempla com prazer a paisagem bendita.

Calmo, o alazão se achega em busca de carinhos,
Recebe a montaria e visita caminhos
Num poético trotar... e paz fere a magia.

Silenciosa caminha a Amada com seu Dono,
Ela sabe, porém, não estar no abandono,
Que uma voz de comando é luz para o seu dia.

23.04.2004


Ésio Antonio Pezzato

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