Semeadura variada
Passei a semear sementes de saudade
Desde que tua ausência em minh’alma alojou-se.
E aquele tempo bom, de alegria tão doce,
Pôs em meu coração da angústia a férrea grade.
Se o passado voltasse e florido me fosse,
Eu cantara feliz em terna suavidade.
O presente, porém, brota amarga maldade,
E sento meu viver ardendo em tredo alcouce.
Pudesse eu plantaria as mais variadas flores,
Para multiplicar meu caminho de cores,
Para poder viver meus dias mais felizes.
Porém, dentro de mim brotam os pesadelos,
A angústia vai tecendo intrínsecos novelos,
E não posso curar tão negras cicatrizes.
17.05.2004
v v v v v v v v v
País do Sonho
Se, é loucura sonhar, é bendita a loucura
Que à minha mente traz a loucura do sonho.
Nele, em frêmitos viajo ao país da aventura,
Onde posso trilhar um caminho risonho.
No sonho que idealizo a esperança é mais pura,
E meus passos, febril, na caminhada ponho.
Não há dias sem sol, e nem há noite escura:
Tudo brilha e tem cor – no próprio sonho – sonho!
Nele te encontro em mim, e somos nós capazes
De viver o prazer que em segredos sonhamos
Num país do deserto em abismo de oásis.
Dentro deste país, Senhor da Eternidade,
Posso pomos colher dentre dourados ramos,
Como exigir de ti toda a minha Vontade.
12.07.2004
v v v v v v v v v
Caminhada
Procuro praticar nos versos que fabrico
A paciência que tem o Artista em seu ofício.
Qual simples artesão – das palavras sou rico,
E ao ato de escrever é onírico o exercício.
Cada verso composto em transe glorifico!
A Poesia em minh’alma é, porém, rude vício.
Se ela me dá prazer, com riquezas não fico,
E ao ato de escrever é amargo o sacrifício.
É dura a caminhada, é puro o artesanato,
As rimas são cristais feitos de pedras moídas,
Que reluzem ao sol no fundo de um regato.
Encontrá-las, porém, belas e coloridas,
É jornada cruel que deixa o sonho ingrato.
Precisa-se viver numa vida mil vidas!
22.07.2004
v v v v v v v v v
Sonhos cruéis
Se os sonhos são somente e eternamente sonhos,
E deles somos nós personagens dementes,
E, horas cheios de luz, neles somos risonhos,
Para sermos depois decrépitos, descrentes:
Se, acreditamos ser horríveis e medonhos,
Fantasmas sepulcrais de gritos contundentes,
Muitas vezes, também, neles somos tristonhos,
E termos a mostrar ódio e ranger de dentes.
E se os sonhos cruéis invadem nossa vida,
E o pavor nos devora e em crises entorpece,
Um sorriso por certo é uma luz esquecida.
Mas o despertador do letárgico sono,
A noss’alma dá vida em despertar a prece,
Para tirar da treva a sombra do abandono.
12.10.2004
v v v v v v v v v
(Entre parêntesis)
Tanjo a lira, urdo o som, ascendo o pensamento,
Vibro cordas em mim, teço milhões de tramas,
À pauta musical eu me pego violento,
(Eu te amo, meu amor... oh meu amor, tu me amas?)
Uso cores febris, pincéis à tela tento,
Desespero cruel, paisagens são meus dramas.
No campo aberto sou vencido pelo vento.
(Tu me chamas, amor. Meu amor tu me chamas?)
Sinto parte de mim às partes da loucura,
Procuro decifrar o enigma da Ventura.
(Onde estás, meu amor, por que demoras tanto?)
Teço o silêncio, só. Noite de eternidade.
Um passado sem fim envolto de saudade.
(Tu cantas, meu amor... ou é ilusão o canto?)
21.10.2004
v v v v v v v v v
Muitas vidas numa Vida
Se já vivemos nós mil vidas já passadas,
Ainda iremos viver mais mil vidas futuras.
Por estradas sem fim etéreas, perfumadas,
Iremos, sim, viver, em sonhos e em venturas.
Pois nosso amor nasceu ridente de aventuras,
Entre explosões de sóis clareando madrugadas.
E assim seguimos nós com as esperanças puras,
Sem passado e sem fim por todas as estradas.
Se, unidos somos nós – em uma duas almas –
Plasmados nesse amor nas carícias mais calmas,
Quando o porvir chegar trazendo novas vidas,
Iremos, sim, nos ter, pois a felicidade,
Haverá de ser nossa além da Eternidade
Por estradas de luz sublimes e floridas.
26.05.2005
v v v v v v v v v
Transformação
Sempre que a Inspiração brota em meu pensamento,
Procuro decifrar, da Musa, o seu chamado:
Às vezes é cantiga e traz bulício ao vento,
Tecendo em rima pura um canto apaixonado.
Outras vezes, porém, chega igual a um lamento,
Fazendo o coração bater desesperado.
E meu canto se torna ácido, num momento,
E nos meus olhos, denso é o pranto derramado.
Nada, porém, me trava o continuar do canto.
As lágrimas modulo, e disfarço o meu pranto,
Para tentar mostrar que nada me domina.
Sou apenas Poeta e ao compor minha Lira,
Consigo transformar em Verdade a Mentira,
Se, é o silêncio que vem – minh’alma em brilhos trina!
09.11.2005
v v v v v v v v v
Ocaso
O Ocaso vem chegando e com cores sombrias
O céu da minha vida aquarela de luto.
Se antes, a Primavera era a luz dos meus dias,
Hoje o Inverno glacial solfeja seu tributo.
Constelações no céu fulgem alegorias
Mas sem força interior não guerreio e não luto.
Antes o amor vibrava airosas melodias,
Hoje no Inverno busco um asilo, um reduto.
Fico extático a ver da Vida o seu remoinho,
Outrora tão vibrante eu nele entrava todo
E sabia buscar sempre um novo caminho.
Hoje, porém, contemplo os passos desse engodo.
A solidão chegou. Aqui fiquei sozinho.
E tenho os meus dois pés atolados no lodo.
18.11.2005
v v v v v v v v v
Divino Poder
Trazemos n’alma desde as mais remotas Eras,
O divino poder de transmudar em Canto
As palavras que ao tempo escorrem junto às heras
Ou de um grotão qualquer, escondido num canto.
É o dom de ser feliz, de espargir primaveras,
De espalhar pelo campo o riso aberto e o encanto.
E a Fé, alada à Esperança, aos sonhos, às quimeras,
Mostra da Caridade o que é sublime e é Santo.
E assim vivemos nós presos nesta corrente,
Os elos urdem nós, dobram sonhos felizes,
No canto a nossa voz o Amor supremo exprime.
Mas homem mau em sombra arde na nossa frente,
Transforma nosso canto em fundas cicatrizes,
E com desdém sorri frente a nefasto crime.
24.03.2006
Passei a semear sementes de saudade
Desde que tua ausência em minh’alma alojou-se.
E aquele tempo bom, de alegria tão doce,
Pôs em meu coração da angústia a férrea grade.
Se o passado voltasse e florido me fosse,
Eu cantara feliz em terna suavidade.
O presente, porém, brota amarga maldade,
E sento meu viver ardendo em tredo alcouce.
Pudesse eu plantaria as mais variadas flores,
Para multiplicar meu caminho de cores,
Para poder viver meus dias mais felizes.
Porém, dentro de mim brotam os pesadelos,
A angústia vai tecendo intrínsecos novelos,
E não posso curar tão negras cicatrizes.
17.05.2004
v v v v v v v v v
País do Sonho
Se, é loucura sonhar, é bendita a loucura
Que à minha mente traz a loucura do sonho.
Nele, em frêmitos viajo ao país da aventura,
Onde posso trilhar um caminho risonho.
No sonho que idealizo a esperança é mais pura,
E meus passos, febril, na caminhada ponho.
Não há dias sem sol, e nem há noite escura:
Tudo brilha e tem cor – no próprio sonho – sonho!
Nele te encontro em mim, e somos nós capazes
De viver o prazer que em segredos sonhamos
Num país do deserto em abismo de oásis.
Dentro deste país, Senhor da Eternidade,
Posso pomos colher dentre dourados ramos,
Como exigir de ti toda a minha Vontade.
12.07.2004
v v v v v v v v v
Caminhada
Procuro praticar nos versos que fabrico
A paciência que tem o Artista em seu ofício.
Qual simples artesão – das palavras sou rico,
E ao ato de escrever é onírico o exercício.
Cada verso composto em transe glorifico!
A Poesia em minh’alma é, porém, rude vício.
Se ela me dá prazer, com riquezas não fico,
E ao ato de escrever é amargo o sacrifício.
É dura a caminhada, é puro o artesanato,
As rimas são cristais feitos de pedras moídas,
Que reluzem ao sol no fundo de um regato.
Encontrá-las, porém, belas e coloridas,
É jornada cruel que deixa o sonho ingrato.
Precisa-se viver numa vida mil vidas!
22.07.2004
v v v v v v v v v
Sonhos cruéis
Se os sonhos são somente e eternamente sonhos,
E deles somos nós personagens dementes,
E, horas cheios de luz, neles somos risonhos,
Para sermos depois decrépitos, descrentes:
Se, acreditamos ser horríveis e medonhos,
Fantasmas sepulcrais de gritos contundentes,
Muitas vezes, também, neles somos tristonhos,
E termos a mostrar ódio e ranger de dentes.
E se os sonhos cruéis invadem nossa vida,
E o pavor nos devora e em crises entorpece,
Um sorriso por certo é uma luz esquecida.
Mas o despertador do letárgico sono,
A noss’alma dá vida em despertar a prece,
Para tirar da treva a sombra do abandono.
12.10.2004
v v v v v v v v v
(Entre parêntesis)
Tanjo a lira, urdo o som, ascendo o pensamento,
Vibro cordas em mim, teço milhões de tramas,
À pauta musical eu me pego violento,
(Eu te amo, meu amor... oh meu amor, tu me amas?)
Uso cores febris, pincéis à tela tento,
Desespero cruel, paisagens são meus dramas.
No campo aberto sou vencido pelo vento.
(Tu me chamas, amor. Meu amor tu me chamas?)
Sinto parte de mim às partes da loucura,
Procuro decifrar o enigma da Ventura.
(Onde estás, meu amor, por que demoras tanto?)
Teço o silêncio, só. Noite de eternidade.
Um passado sem fim envolto de saudade.
(Tu cantas, meu amor... ou é ilusão o canto?)
21.10.2004
v v v v v v v v v
Muitas vidas numa Vida
Se já vivemos nós mil vidas já passadas,
Ainda iremos viver mais mil vidas futuras.
Por estradas sem fim etéreas, perfumadas,
Iremos, sim, viver, em sonhos e em venturas.
Pois nosso amor nasceu ridente de aventuras,
Entre explosões de sóis clareando madrugadas.
E assim seguimos nós com as esperanças puras,
Sem passado e sem fim por todas as estradas.
Se, unidos somos nós – em uma duas almas –
Plasmados nesse amor nas carícias mais calmas,
Quando o porvir chegar trazendo novas vidas,
Iremos, sim, nos ter, pois a felicidade,
Haverá de ser nossa além da Eternidade
Por estradas de luz sublimes e floridas.
26.05.2005
v v v v v v v v v
Transformação
Sempre que a Inspiração brota em meu pensamento,
Procuro decifrar, da Musa, o seu chamado:
Às vezes é cantiga e traz bulício ao vento,
Tecendo em rima pura um canto apaixonado.
Outras vezes, porém, chega igual a um lamento,
Fazendo o coração bater desesperado.
E meu canto se torna ácido, num momento,
E nos meus olhos, denso é o pranto derramado.
Nada, porém, me trava o continuar do canto.
As lágrimas modulo, e disfarço o meu pranto,
Para tentar mostrar que nada me domina.
Sou apenas Poeta e ao compor minha Lira,
Consigo transformar em Verdade a Mentira,
Se, é o silêncio que vem – minh’alma em brilhos trina!
09.11.2005
v v v v v v v v v
Ocaso
O Ocaso vem chegando e com cores sombrias
O céu da minha vida aquarela de luto.
Se antes, a Primavera era a luz dos meus dias,
Hoje o Inverno glacial solfeja seu tributo.
Constelações no céu fulgem alegorias
Mas sem força interior não guerreio e não luto.
Antes o amor vibrava airosas melodias,
Hoje no Inverno busco um asilo, um reduto.
Fico extático a ver da Vida o seu remoinho,
Outrora tão vibrante eu nele entrava todo
E sabia buscar sempre um novo caminho.
Hoje, porém, contemplo os passos desse engodo.
A solidão chegou. Aqui fiquei sozinho.
E tenho os meus dois pés atolados no lodo.
18.11.2005
v v v v v v v v v
Divino Poder
Trazemos n’alma desde as mais remotas Eras,
O divino poder de transmudar em Canto
As palavras que ao tempo escorrem junto às heras
Ou de um grotão qualquer, escondido num canto.
É o dom de ser feliz, de espargir primaveras,
De espalhar pelo campo o riso aberto e o encanto.
E a Fé, alada à Esperança, aos sonhos, às quimeras,
Mostra da Caridade o que é sublime e é Santo.
E assim vivemos nós presos nesta corrente,
Os elos urdem nós, dobram sonhos felizes,
No canto a nossa voz o Amor supremo exprime.
Mas homem mau em sombra arde na nossa frente,
Transforma nosso canto em fundas cicatrizes,
E com desdém sorri frente a nefasto crime.
24.03.2006
Ésio Antonio Pezzato














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