XXII
A Palavra contém sons e segredos
E enigmas recheados de mistérios.
Muitas vezes, conduz para degredos,
Em outras vezes, para cemitérios.
Deixam os sonhos de prazer azedos
E sorrisos nos lábios ficam sérios.
Traumas, delírios, desesperos, medos,
E falta de atitudes e critérios.
A Palavra é mordaz, solene, forte,
Em seus delírios, desvairada impera,
Sabendo conduzir a Vida e a Morte.
Oculta-se nas ramas da tapera,
Em seu azar transmuda a sua sorte,
Em seu imenso brilho – em primavera.
22.04.2003
XXIII
A Palavra fulgura em minha mente
Depois valseia como brisa leve.
E cai no chão, transforma-se em semente,
E vai brotando de maneira breve.
Rompe as paredes frígidas de neve
E se transmuda em lava efervescente.
Chega às mãos que em desenhos a descreve
Passando a ser mensagem num repente.
No correr dos delírios dos minutos,
Freme em folhas e flores, fulge em frutos,
E cascateia em versos de prazer.
A Palavra na força que me doma
Faz-me invencível gladiador de Roma
No intrépido desejo de vencer!
23.04.2003
XXIV
Posta à língua a Palavra é pura brasa
Que espíritos e sombras incendeia.
Porém, com ela teço lírica asa,
Para alcançar o sol e a lua cheia.
Resplendor de ilusão é minha casa.
Sobre a mesa a Palavra é minha ceia.
Após é desespero que me arrasa
Armadilha tramada em tênue teia.
Sou voraz à perfídia que me doma,
A solidão da noite é-me loucura,
E a alma na insanidade atroz assoma.
Confundo idéias de maneira impura,
E como os Césares da antiga Roma
Encontro enfim a minha sepultura.
23.04.20003
XXV
A língua lambe o cerne da Palavra
E sente seu sabor amargo e doce.
E dentro da minh’alma queima e lavra
Como se em combustão um ferro fosse.
No silêncio eis que tímida azinhavra
E se transforma num medonho alcouce.
Por isso sou amiga da Palavra
Que desenhos arábicos me trouxe.
Qual fiel escudeiro – olhar de lince,
Domo-a aos tentáculos de cinco dedos
Para que suas letras eu as pince.
E sem traumas domar os seus segredos,
Para me retratar como da Vinci,
Com o sangue de todos os meus medos.
23.04.2003
XXVI
As Palavras são mágicas, traiçoeiras,
Agem como profanas armadilhas.
Iludem nas felizes brincadeiras,
Depois conduzem às mais falsas trilhas.
As Palavras inventam maravilhas,
Fábulas ou histórias verdadeiras.
Mas provocam ataques de matilhas
E atiram flechas finas e certeiras.
As Palavras induzem comandados.
Perfilam homens rudes e sombrios
Impondo ânimos, força de vontade.
E há de deixar os sonhos exilados.
Os dias de calor pálidos, frios,
Até que se extermine a Humanidade.
24.06.2003
A Palavra contém sons e segredos
E enigmas recheados de mistérios.
Muitas vezes, conduz para degredos,
Em outras vezes, para cemitérios.
Deixam os sonhos de prazer azedos
E sorrisos nos lábios ficam sérios.
Traumas, delírios, desesperos, medos,
E falta de atitudes e critérios.
A Palavra é mordaz, solene, forte,
Em seus delírios, desvairada impera,
Sabendo conduzir a Vida e a Morte.
Oculta-se nas ramas da tapera,
Em seu azar transmuda a sua sorte,
Em seu imenso brilho – em primavera.
22.04.2003
XXIII
A Palavra fulgura em minha mente
Depois valseia como brisa leve.
E cai no chão, transforma-se em semente,
E vai brotando de maneira breve.
Rompe as paredes frígidas de neve
E se transmuda em lava efervescente.
Chega às mãos que em desenhos a descreve
Passando a ser mensagem num repente.
No correr dos delírios dos minutos,
Freme em folhas e flores, fulge em frutos,
E cascateia em versos de prazer.
A Palavra na força que me doma
Faz-me invencível gladiador de Roma
No intrépido desejo de vencer!
23.04.2003
XXIV
Posta à língua a Palavra é pura brasa
Que espíritos e sombras incendeia.
Porém, com ela teço lírica asa,
Para alcançar o sol e a lua cheia.
Resplendor de ilusão é minha casa.
Sobre a mesa a Palavra é minha ceia.
Após é desespero que me arrasa
Armadilha tramada em tênue teia.
Sou voraz à perfídia que me doma,
A solidão da noite é-me loucura,
E a alma na insanidade atroz assoma.
Confundo idéias de maneira impura,
E como os Césares da antiga Roma
Encontro enfim a minha sepultura.
23.04.20003
XXV
A língua lambe o cerne da Palavra
E sente seu sabor amargo e doce.
E dentro da minh’alma queima e lavra
Como se em combustão um ferro fosse.
No silêncio eis que tímida azinhavra
E se transforma num medonho alcouce.
Por isso sou amiga da Palavra
Que desenhos arábicos me trouxe.
Qual fiel escudeiro – olhar de lince,
Domo-a aos tentáculos de cinco dedos
Para que suas letras eu as pince.
E sem traumas domar os seus segredos,
Para me retratar como da Vinci,
Com o sangue de todos os meus medos.
23.04.2003
XXVI
As Palavras são mágicas, traiçoeiras,
Agem como profanas armadilhas.
Iludem nas felizes brincadeiras,
Depois conduzem às mais falsas trilhas.
As Palavras inventam maravilhas,
Fábulas ou histórias verdadeiras.
Mas provocam ataques de matilhas
E atiram flechas finas e certeiras.
As Palavras induzem comandados.
Perfilam homens rudes e sombrios
Impondo ânimos, força de vontade.
E há de deixar os sonhos exilados.
Os dias de calor pálidos, frios,
Até que se extermine a Humanidade.
24.06.2003
Esio Antonio Pezzato
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