I
Nas noites em que faz intenso frio,
O meu amor enrola-se na manta
E enquanto Gonzaguinha eterno canta,
Ela ao sofá se deita em calafrio.
Eu feliz a contemplo – isso me encanta!
Ela diz algo e distraído rio...
E para não perder do verso o fio,
Minh’alma em sonhos, nela se acalanta...
Eu à poltrona concentrado escrevo,
Ela fala, contudo não me tira
A inspiração que vem-me num enlevo...
São coisinhas caseiras o que digo,
Então sinto afinar-se a minha lira
Por ter este sereno e doce abrigo.
05.05.2001
21:31h.
II
O lustre com as lâmpadas brilhando
Ilumina esta sala por inteiro.
Eu fico minhas telas contemplando
Num sonho sem igual de prazenteiro.
De minha amada sempre companheiro
E sempre mais intensamente a amando,
Esqueço qualquer sonho aventureiro
Para ficar aqui num sonho brando...
Pois a sala está toda iluminada,
Minh’alma em brilhos fica apaixonada
E ilumino-me todo neste amor.
Fora faz frio, mas de nada importa,
Aqui na sala não existe porta
De onde possa escapar este calor.
05.05.2001
21:35h.
III
Janelas na parede são molduras
Por onde posso contemplar o mundo.
Quando debruço com prazer profundo
E vejo panoramas de aventuras...
Olho um homem passar meditabundo,
Duas crianças inocentes, puras...
Contemplo pássaros pelas alturas
E de outras alegrias eu me inundo...
Passa um carro, passa uma bicicleta,
Passam homens que voltam do serviço
E toda a rua está movimentada...
Súbito, em mim, acorda o ser Poeta,
E atendendo da Musa o compromisso,
Componho este Soneto à minha Amada.
05.05.2001
21:38h.
IV
O telefone toca, eu logo atendo;
É meu amor que fala todo aflito:
“ – Meu bem, de um favorzinho eu necessito,
Pode vir me buscar, está chovendo...”
Ai, o seu nervosismo é tão bonito...
– Pode esperar, já vou aí correndo...
Seu medo de trovão eu logo entendo:
Faz orações... promessas... solta um grito...
Vou correndo encontrá-la... está molhada...
Pois a chuva chegou sem dar aviso:
“ – Ai, amor, eu saí despreparada...”
Dou-lhe um abraço e solto o meu sorriso...
Vamos embora e em casa, apaixonada,
Faz-me sentir em pleno paraíso...
05.05.2001
21:42h.
V
Em casa os vasos são os ornamentos
Que embelezam com flores o ambiente.
Beleza tal me faz ficar contente
E, ao vê-los, me distraio em pensamentos...
As flores são de vários sortimentos
E todas, multicoloridamente,
Fazem brotar da paz cada semente
E com elas divago em mil momentos.
Cada flor foi regada com carinho
E tratada com zelo e muito gosto,
Para deixar bonita a nossa casa.
Entre tão belas flores, eu caminho,
Estampando sorrisos em meu rosto,
E, n’alma o amor, ardendo como brasa.
05.05.2001
21:45h.
Esio Antonio Pezzato
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