VI
Não posso compreender, porém é certo,
Que além da morte algum mistério existe.
E este quebra-cabeça é que resiste
Quando dá morte, fica-se bem perto.
Não cremos, não, errar pelo deserto
Do infinito silêncio que persiste.
Fosse assim e o homem viveria triste
Sempre para o profano estando aberto.
Contudo em seu silêncio ele se fecha
E o receio é quem deixa à mostra a brecha
Para com o corpo iluminar su’alma.
E sempre que pratica algum delito
Alardeando remorso clama um grito
Para poder ter uma vida calma.
13.11.2001
23:49h.
VII
Percebo-me seguir um labirinto
E não percebo a porta de saída.
A entrada foi regada a vinho tinto,
Trôpegos pés tropeçam na corrida.
Mas quem soprou em mim o dom da Vida?
Quem me postou em pé sobre este plinto?
Se nada lembro como nada sinto,
Por que a memória faz-se de esquecida?
Como saber quem fui antes de ser-me?
Um rastejante e consumível verme
Depredador por típica excelência?
Se outros sofreram para o meu deleite,
Por que na fonte conspurcar o leite
Que bebo sem buscar sua Ciência?
13.11.2001
23:53h.
VIII
Estou aqui, os versos vou compondo
Na ânsia incontida de esclarecimento.
Com meus olhos abstratos mudo, rondo,
Procurando encontrar-me no momento.
Sou carvão, cálcio, gás, fósforo e vento,
Mas o cosmos, aflito, busco e sondo...
Tudo a distância mostra-me redondo
E encobre imperfeições no movimento.
Extática, a áurea luz tudo ilumina.
Os olhos foco sempre em linha reta
E o pensamento hipócrita rumina.
Recolho para mim, da luz, a seta
E a Palavra, que brilha purpurina,
Faz em mim sensações de ser Poeta.
13.11.2001
23:57h.
IX
Minha Palavra é feita de fumaça,
Baila no ar – basta apenas eu dizê-la.
Sem conteúdo ou forma, não embaça,
Também não brilha, por não ser estrela.
Eis a Palavra, mas não posso vê-la,
Pois, com o vento ao seu encalço, passa.
Assim que a falo, já não posso tê-la
E se torna ferina feito massa!
Se a pronuncio, vai rodando ao vento
E na metamorfose é monumento
E vira espada para o ataque pronta.
Tem o valor da prata por tesouro,
Porém, não dita, vale o peso em ouro
E o silêncio é que em transes amedronta!
13.11.2001
23:59h.
Não posso compreender, porém é certo,
Que além da morte algum mistério existe.
E este quebra-cabeça é que resiste
Quando dá morte, fica-se bem perto.
Não cremos, não, errar pelo deserto
Do infinito silêncio que persiste.
Fosse assim e o homem viveria triste
Sempre para o profano estando aberto.
Contudo em seu silêncio ele se fecha
E o receio é quem deixa à mostra a brecha
Para com o corpo iluminar su’alma.
E sempre que pratica algum delito
Alardeando remorso clama um grito
Para poder ter uma vida calma.
13.11.2001
23:49h.
VII
Percebo-me seguir um labirinto
E não percebo a porta de saída.
A entrada foi regada a vinho tinto,
Trôpegos pés tropeçam na corrida.
Mas quem soprou em mim o dom da Vida?
Quem me postou em pé sobre este plinto?
Se nada lembro como nada sinto,
Por que a memória faz-se de esquecida?
Como saber quem fui antes de ser-me?
Um rastejante e consumível verme
Depredador por típica excelência?
Se outros sofreram para o meu deleite,
Por que na fonte conspurcar o leite
Que bebo sem buscar sua Ciência?
13.11.2001
23:53h.
VIII
Estou aqui, os versos vou compondo
Na ânsia incontida de esclarecimento.
Com meus olhos abstratos mudo, rondo,
Procurando encontrar-me no momento.
Sou carvão, cálcio, gás, fósforo e vento,
Mas o cosmos, aflito, busco e sondo...
Tudo a distância mostra-me redondo
E encobre imperfeições no movimento.
Extática, a áurea luz tudo ilumina.
Os olhos foco sempre em linha reta
E o pensamento hipócrita rumina.
Recolho para mim, da luz, a seta
E a Palavra, que brilha purpurina,
Faz em mim sensações de ser Poeta.
13.11.2001
23:57h.
IX
Minha Palavra é feita de fumaça,
Baila no ar – basta apenas eu dizê-la.
Sem conteúdo ou forma, não embaça,
Também não brilha, por não ser estrela.
Eis a Palavra, mas não posso vê-la,
Pois, com o vento ao seu encalço, passa.
Assim que a falo, já não posso tê-la
E se torna ferina feito massa!
Se a pronuncio, vai rodando ao vento
E na metamorfose é monumento
E vira espada para o ataque pronta.
Tem o valor da prata por tesouro,
Porém, não dita, vale o peso em ouro
E o silêncio é que em transes amedronta!
13.11.2001
23:59h.
Esio Antonio Pezzato
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