Sonetos Imperiais
Eis mais uma coleção de meus versos. Novamente sonetos. Há mais de trinta anos buscando aperfeiçoar-me à sua técnica, aos seus segredos, aos seus mistérios, impossível deixar de tentar descobrir os seus meandros. Sempre em meus livros os sonetos pontearam e em duas ocasiões fiz-me publicar em sonetos apenas. A primeira quando da “Oficina de Sonetos”, em 1998, com cinqüenta sonetos, e outra, em 1999, quando publiquei “História de um amor”, com cento e cinqüenta sonetos. Porém, desta vez, ocultei-me no pseudônimo de Samantha Rios, já que os sonetos foram escritos dentro de um universo totalmente feminino.
Somente em “caiPIRACICABAnos”, poema em oitava rima e “O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot”, eles não aconteceram, já que tais livros formavam uma unidade seqüencial: o primeiro em 512 estrofes em sua primeira edição, em 1993, aumentada em 2002 para 1000 e o segundo mais de 700 versos alexandrinos.
Mas desde meu início no mundo da poesia, nos idos dos anos 70, ponteei o soneto. Certo que perdi a conta de tudo que já produzi, publiquei e perdi, mas já em 1978, quando estreei no mundo do livro, com “Luzes da Aurora”, depois em 1991, com “Semeadura”, 1997 em “Romaria”, 1998 “Viagem Poética”, 2000 “Portal dos Sonhos” e 2002 “Colcha de Retalhos”, os Sonetos sempre foram parte importante e imprescindível dentro de minha poética.
A técnica por mim utilizada não foge aos cânones: decassílabos ou alexandrinos. Aos decassílabos busco sempre os versos sáficos, com cesuras nas 4as., 8as. e 10as. sílabas, pouco me importando os acentos secundários. Também nos heróicos, com cesuras nas 6as. e 10as. e praticamente desprezando as demais acentuações. Já nos alexandrinos, tento o clássico: cesuras nas 6as. e 12as. sílabas, e buscando as oxítonas nas sextas ou, sendo paroxítonas, as próximas sempre se iniciando por vogais. Às vezes, no alexandrino ocorrem versos terciários, mas isto sempre por acaso.
Com as rimas também sou cuidadoso nas quadras sempre o esquema ABAB ou ABBA, sendo que por vezes, inverto os esquemas ou mesmo chego a misturá-los no próprio soneto. Já nos tercetos chego a ser mais flexível: CCD EED, CDC DCD, CDC EDE, CCD EDE e ainda outros esquemas, porém, jamais usando, quer nas quadras, quer nos tercetos, rimas parelhas. Muito menos nas quadras, uso rimas diferentes. Foi assim que aprendi.
Por este motivo, às vezes, o verso ou a idéia, por causa das rimas, saem meio duros, mas sacrifico a idéia em louvor à Forma. Dentro do esquema rimário, contudo, não chega a causar-me preocupações rimas com sons diferentes: abertos ou fechados, como por exemplo: estrela e singela, deserto e concerto, e outros casos. Uso também rimas átonas e agudas, às vezes esdrúxulas, isto tudo dentro do mesmo soneto e creio que isto não lhe faz mal.
Quanto ao título: SONETOS IMPERIAIS, a idéia brotou-me ao ver as Palmeiras Imperiais da ESALQ. A mim os Sonetos, dados ao seu porte, à sua altivez, à sua beleza, ao seu poderio, à sua grandiosidade, parecem ser imperiais, soberbos, soberanos. Assim juntei as idéias e dei título a este livro. Também cuidei para que a ilustração da capa não escapasse tal detalhe: são 14 troncos de palmeiras, numa analogia real aos 14 versos do Soneto.
Também os temas: estes são variados, já que foram feitos em diversas ocasiões e nos mais diversos estados de espírito. Alguns têm seqüência, e por isso foi que decidi dividir este livro em quatro partes. ALMA DA PALAVRA, SONETOS SOBRE O MISTÉRIO, onde todos saíram em pouco mais de 20 minutos, os SONETOS CASEIROS, falando de minha casa junto à Ana Maria, em início de nossa vida e depois a parte maior, e totalmente livre de temas. Aí são perto de noventa sonetos que dão título ao volume: SONETOS IMPERIAIS.
Gosto de imitar meus poetas preferidos, sendo assim é natural que alguém identifique algo cheirando plágio, mas o propósito é natural, principalmente quando os versos trescalam no vocabulário de Augusto dos Anjos, que dado ao seu aberratório jeito de poetar, faz que qualquer imitação cheire a pastiche.
No mais as outras considerações não me parecem ser importantes. Importa, sim, que meus versos possam ser lidos, entendidos, analisados e que tragam satisfação aos leitores.
É esta a paga que o Poeta busca. Somente esta.
Esio Antonio Pezzato
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