ALMA DA PALAVRA
Parte I
I
Das Palavras confesso-me um intruso,
Pois todas elas trazem seu segredo
Que às vezes deixam o homem no degredo
Quando faladas com maléfico uso.
Usando-as para o mal causam abuso
E proferidas vêm provar o medo.
Por vezes deixam o sentido azedo
Se para atalhos a dizer conduzo.
Eis a Palavra sorrateira, fria,
Condutora de enganos e agonia,
Que trago presa dentro da algibeira.
Eis a Palavra que profana tudo!
E é preferível ter papel de mudo
Que fazê-la de nossa prisioneira!
03.07.2002
II
Eis a Palavra, e ela se mostra fria,
Quando verbete em velho dicionário.
Porém, falada, envolve-se em magia,
Tomada de vigor extraordinário.
Transmuda-se feroz nesta alquimia
Sai do apogeu ao fúnebre Calvário!
Vigorosa, fatal, densa, vazia,
Eis a Palavra em seu itinerário!
São sete letras – fortes como o aço!
Três vocálicos sons – no estardalhaço
Ferem e matam, dão Poder e Glória!
De tudo o que se pensa e se escalavra
Resta somente, a pálida Palavra,
Para contar o que ficou na História!
04.07.2002
III
A Palavra é uma faca pontiaguda
Pronta para atacar, para a defesa,
Arma que fere a própria natureza
Que aos ataques profanos fica muda.
Pode, às vezes, conter fulgor, leveza,
Mas num instante apenas – se transmuda.
E se torna feroz, ferina, aguda,
Carregada de babas na vileza.
Da Palavra provém meu artifício,
Com ela moldo a rima, moldo o verso,
E com estrofes urdo um edifício.
Dobo com ela o instante mais perverso,
E a Inspiração que a tantos é suplício,
É a Razão para mim neste Universo!
04.07.2002
Parte I
I
Das Palavras confesso-me um intruso,
Pois todas elas trazem seu segredo
Que às vezes deixam o homem no degredo
Quando faladas com maléfico uso.
Usando-as para o mal causam abuso
E proferidas vêm provar o medo.
Por vezes deixam o sentido azedo
Se para atalhos a dizer conduzo.
Eis a Palavra sorrateira, fria,
Condutora de enganos e agonia,
Que trago presa dentro da algibeira.
Eis a Palavra que profana tudo!
E é preferível ter papel de mudo
Que fazê-la de nossa prisioneira!
03.07.2002
II
Eis a Palavra, e ela se mostra fria,
Quando verbete em velho dicionário.
Porém, falada, envolve-se em magia,
Tomada de vigor extraordinário.
Transmuda-se feroz nesta alquimia
Sai do apogeu ao fúnebre Calvário!
Vigorosa, fatal, densa, vazia,
Eis a Palavra em seu itinerário!
São sete letras – fortes como o aço!
Três vocálicos sons – no estardalhaço
Ferem e matam, dão Poder e Glória!
De tudo o que se pensa e se escalavra
Resta somente, a pálida Palavra,
Para contar o que ficou na História!
04.07.2002
III
A Palavra é uma faca pontiaguda
Pronta para atacar, para a defesa,
Arma que fere a própria natureza
Que aos ataques profanos fica muda.
Pode, às vezes, conter fulgor, leveza,
Mas num instante apenas – se transmuda.
E se torna feroz, ferina, aguda,
Carregada de babas na vileza.
Da Palavra provém meu artifício,
Com ela moldo a rima, moldo o verso,
E com estrofes urdo um edifício.
Dobo com ela o instante mais perverso,
E a Inspiração que a tantos é suplício,
É a Razão para mim neste Universo!
04.07.2002
Esio Antonio Pezzato
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