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6 de janeiro de 2010

TRAGÉDIA FAMILIAR - Parte I



Esta história é bem antiga
Difícil de acreditar.
Pode parecer mentira
Porém, posso até provar;
Vou pedir à Musa ajuda,
Pois quero que ela me acuda
No que agora vou narrar.

Quem contou a mim a história
Bem merece toda a fé
Pois minha mãe nunca mente
E ela, sim, jura de pé,
Que este fato é verdadeiro
E abalou o mundo inteiro
E a verdade – santa é!

Minha mãe era criança
Tinha ainda os pés no chão,
Porém, guardou na lembrança.
Dentro de seu coração
Estes acontecimentos
Que foram tristes, violentos,
De terrível comoção.

Mas não posso, com certeza,
Dizer onde isto ocorreu
E se minha mãe não sabe,
Bem menos então sei eu.
Contudo sei que é verdade
E se não sei da cidade
Narro o fato que se deu.

... O patriarca da família
Era um mestre lenhador,
Trabalhava na floresta
Com denodo e com vigor.
Com seu robusto machado
Cada tronco derrubado
No chão fazia terror.

Cada braço parecia
Um tronco de guarantã,
Eram grossos, rudes, fortes,
Trabalhando com afã.
Quando então ele zunia
Até faísca saía,
No baque do tan-tan-tan!

Na sua velha casinha
Feita de barro e sapé
Havia muito carinho
E na Virgem muita fé.
Num oratório Maria
E José... E ainda havia
O Filho de Nazaré!

A mulher – cabocla simples –
Cuidava com muito amor
Dos filhos e do marido
Que a tratavam com ardor.
Modesta, sempre atuante,
Não parecia sitiante
Mais parecia uma flor!

Tinham dois filhos rapazes
De anos tinham dezesseis,
Pois ambos nasceram gêmeos
E viviam como reis
Naqueles prados divinos;
Eram soberbos meninos,
Libertos de rudes leis.

Tinham também uma filha
– Mimosa flor do sertão –
E seu nome era Rosinha
Pois parecia um botão
A sua face mimosa,
Que lembrava linda rosa
Nas cores de um coração.

No completar da alegria
Tinham um lindo bebê
Que vindo fora do tempo
Punha na casinha um quê
De sonho e muita alegria,
Um beija-flor parecia
Que a gente sonha e nem crê.

Assim vivia a família
Na mais perfeita união,
Todos viviam felizes
Neste mundo de ilusão...
E o sonho é pura bobagem,
Cidade grande é miragem
Gostoso mesmo – é o sertão!

Todos os fins de semana
Com roupas dominicais
Os seis iam para a missa
Em distantes arraiais:
Tinham distantes parentes
Que eram todos descendentes
Das longas Minas Gerais.

Tinham vindo até São Paulo
– Progresso de Capital! –
Para crescerem na vida
Num trabalho sem igual.
E com recursos minguados
Os sítios foram comprados
Com dom sobrenatural.

Fazia já quatorze anos
Que tinham chegado aqui,
Tanto que a linda Rosinha
Dizia:– eu aqui nasci.
– Somos todos brasileiros,
Mas meus irmãos são mineiros,
Minas – sequer conheci.

Também meu irmão mais novo
Aqui no sítio nasceu
Em uma noite sem lua
Tão escura como breu.
Era negro o seu cabelo
E dos meus irmãos a vê-lo
A primeira então – fui eu.

Era tão pequititico
Que nem pude acreditar
Que sendo assim tão pequeno
Pudesse o mesmo vingar,
Porém, era são e forte,
Que – ai, meu Deus! eu tive a sorte:
Ter alguém para brincar.

Diversas vezes na roça
Nas touceiras de bambus
Os dois filhos, à tardinha,
Iam caçar inhambus.
E depois, quando voltavam,
Na lagoa eles nadavam
Despreocupados e nus.

Nas tardinhas de dezembro
Quando dorme tarde o sol,
Com mais amigos reunidos
Iam com vara e anzol
Pescar algumas piavas
Que eram dentuças e bravas
E delas faziam rol.

O sítio era bem gostoso
E as almas eram cristãs,
Gostosos escutar à noite
No brejo o coaxar das rãs.
E nesses sonhos festivos
Era bonito ver vivos
Roseiras, dálias, romãs...

Como almas apaixonadas
Ao som de um velho violão
Cantavam lindas toadas
Altas noites de verão
E Catulo ressurgia
Na suave melodia
Do lindo Luar do Sertão...

Todo este ridente sonho
Parecia não ter fim
O mundo era amplo, risonho,
E rescendia a jasmim.
Rosinha, alegre, cantava,
Seu irmãozinho abraçava
Rindo um riso carmesim.

Mas era muito bonito
Ver tanta dedicação:
O marido trabalhava
Sempre com o machado à mão.
A mulher – num alvoroço,
Virava-se com o almoço:
– Arroz, batata, feijão.

Tinham também poedeiras
Sempre livres no quintal
E dúzias de ovos caipiras
Sempre tinham, afinal,
Junto de alguma fritura
Um ovo – é boa mistura,
É gostoso e não faz mal.

Tinham também duas cabras
Mansinhas como elas só,
Que davam litros de leite
E um bom galo carijó,
Que alto alarido fazia
E tinha – até parecia –
Despertador no gogó!

Mas como a história vai longa,
Não podemos esquecer
Os nomes dos dois rapazes
Pois isto se faz mister:
E terminando com “inho”
O Antoninho e o Zezinho
Depois nome de mulher.

Assim Antonio Maria
Seria um nome de fé!
E também José Maria
Era o nome de José.
Todos com nomes de santos
Já que o pai desses encantos
Tinha o nome de Tomé.

O lenhador se chamava
Além de Tomé, Luís...
Sua mulher atendia
Pelo nome – Flor-de-Lis.
Com o caçulinha Armando
De Jesus, não tinha quando,
Nem onde ser infeliz.

Quando dezembro chegava
Tudo explodia de luz,
Porque o sentimento puro
N’alma alegria produz.
E eles num canto de terra,
Armavam com pó-de-serra,
O presépio de Jesus!

Nestas noites natalinas
Era enorme a multidão
Que nas noites se juntava
Para fazer oração.
E com alegrias plenas
Rezavam suas novenas
Com a voz do coração.

Rosinha, alegre e catita,
Brincava como ela só
Que no terreiro da casa
Levantava imenso pó.
Ela com outras crianças
Todas cheias de esperanças
Faziam um quiprocó...



Esio Antonio Pezzato

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