Alucinação
(Para Augusto dos Anjos)
Ah! Não sou eu que digo tantas cousas
Só decifro os enigmas posto em lousas
Que um Vate morto mostra para mim.
Talento falta para ser Poeta
Embora exista uma ambição secreta
De eu mesmo semear neste jardim.
Que seja Antero, Nobre, Sá, Cesário,
Nos labirintos faço o itinerário
Para escrever o que me fere em luz.
Todos eles povoam os meus sonhos,
Além-mar meus sentidos são risonhos
E um etéreo caminho me conduz.
Viajo então, nas asas do passado,
Cada vez fico mais apaixonado
Pelas ruas antigas de Lisboa.
Já não há mais o Cólera e a Febre,
Com os olhos vermelhos de uma lebre
Olho tudo e acho a vida muito boa.
Viajo à Itália e sou Renascentista!
Com Miguelangelo me faço artista
Pelos tetos ovóides da Sistina.
O Juízo Final é minha tela,
Com Raphael a Virgem é mais bela
E meu Jesus tem expressão Divina.
Para a imaginação eu abro a rédea...
Com Dante escrevo versos da Comédia,
E com Petrarca eu ando a vida a sós.
Decifro a Esphinge e todos os enigmas,
Com Édipo urdo enormes paradigmas
Com Marco Pólo ando milhões de nós.
Vou à China comprar papel de seda,
Na Índia busco canela e essência azeda
E compro nós-moscada, cravo e mel.
Na África encontro Adamastor gigante,
Mas encontro também a minha amante
Brincado num enorme carrossel.
Na Grécia encontro o Monte do Parnaso,
E as Musas dizem-me que é um mero acaso
Escrever versos como e quando quero.
Mas num mourão de estrada abandonado,
Encontro um homem cego e muito amado
Que para mim diz se chamar Homero!
Num labirinto, louco me atrapalho,
Jogo Runas com as cartas de um baralho
E elas me ditam transparente Norte.
Mas não entendo a sorte e em vão me irrito,
Vou olhar as Pirâmides do Egito
Num albatroz que tem o corpo forte.
Caio de novo numa terra estranha...
Estou na mais exótica montanha
Onde o branco da neve lhe reveste.
Frio é intenso, porém, tenho uma blusa,
O termômetro o frio não acusa,
Mas bem sei que estou no alto do Everest!
Mas novamente vou quebrar a cara,
O calor lembra as terras do Saara
E derrete em impacto, todo o gelo.
Agora, aos solavancos vou seguindo,
Mas eu não sei para onde que estou indo
Montado nas corcundas de um camelo.
Se não foi tudo sonho, estou é louco,
Mas para a insanidade falta pouco
Dês que do amor perdi a rubra chama.
Ah! Diabos, o que estou fazendo em casa?
Vejo que o sonho me arrancou um’asa,
E aflito vejo que caí da cama.
02.06.1995
(Para Augusto dos Anjos)
Ah! Não sou eu que digo tantas cousas
Só decifro os enigmas posto em lousas
Que um Vate morto mostra para mim.
Talento falta para ser Poeta
Embora exista uma ambição secreta
De eu mesmo semear neste jardim.
Que seja Antero, Nobre, Sá, Cesário,
Nos labirintos faço o itinerário
Para escrever o que me fere em luz.
Todos eles povoam os meus sonhos,
Além-mar meus sentidos são risonhos
E um etéreo caminho me conduz.
Viajo então, nas asas do passado,
Cada vez fico mais apaixonado
Pelas ruas antigas de Lisboa.
Já não há mais o Cólera e a Febre,
Com os olhos vermelhos de uma lebre
Olho tudo e acho a vida muito boa.
Viajo à Itália e sou Renascentista!
Com Miguelangelo me faço artista
Pelos tetos ovóides da Sistina.
O Juízo Final é minha tela,
Com Raphael a Virgem é mais bela
E meu Jesus tem expressão Divina.
Para a imaginação eu abro a rédea...
Com Dante escrevo versos da Comédia,
E com Petrarca eu ando a vida a sós.
Decifro a Esphinge e todos os enigmas,
Com Édipo urdo enormes paradigmas
Com Marco Pólo ando milhões de nós.
Vou à China comprar papel de seda,
Na Índia busco canela e essência azeda
E compro nós-moscada, cravo e mel.
Na África encontro Adamastor gigante,
Mas encontro também a minha amante
Brincado num enorme carrossel.
Na Grécia encontro o Monte do Parnaso,
E as Musas dizem-me que é um mero acaso
Escrever versos como e quando quero.
Mas num mourão de estrada abandonado,
Encontro um homem cego e muito amado
Que para mim diz se chamar Homero!
Num labirinto, louco me atrapalho,
Jogo Runas com as cartas de um baralho
E elas me ditam transparente Norte.
Mas não entendo a sorte e em vão me irrito,
Vou olhar as Pirâmides do Egito
Num albatroz que tem o corpo forte.
Caio de novo numa terra estranha...
Estou na mais exótica montanha
Onde o branco da neve lhe reveste.
Frio é intenso, porém, tenho uma blusa,
O termômetro o frio não acusa,
Mas bem sei que estou no alto do Everest!
Mas novamente vou quebrar a cara,
O calor lembra as terras do Saara
E derrete em impacto, todo o gelo.
Agora, aos solavancos vou seguindo,
Mas eu não sei para onde que estou indo
Montado nas corcundas de um camelo.
Se não foi tudo sonho, estou é louco,
Mas para a insanidade falta pouco
Dês que do amor perdi a rubra chama.
Ah! Diabos, o que estou fazendo em casa?
Vejo que o sonho me arrancou um’asa,
E aflito vejo que caí da cama.
02.06.1995
Esio Antonio Pezzato
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