Chove aqui dentro. Densa e fria, a chuva
Chora lágrimas tristes de viúva
De uma amargura que não tem consolo...
Órfão de meus amores – a esperança
Patética e sinistra um baile dança
O balé de quem n’alma traz o dolo.
Relâmpagos fulminam de meus olhos;
Meu quarto abarrotado enfrenta escolhos
Daquela que não mais mostra presença...
Raios chispam de mim por toda a parte –
Meu coração em partes se reparte
Com angústia, com tédio e indiferença...
A enxurrada em meu rosto, densa, corre...
Apavorado vejo, enquanto escorre
A enxurrada sinistra no meu rosto,
Desesperanças, desesperos, cismas,
Meus olhos, no reflexo de mil prismas,
Refletem fundas mágoas do desgosto.
Além, pela janela, fulge a vida!...
E eu aqui, com a esperança carcomida
Procuro um sonho que morreu distante...
Brilha o sol e aqui dentro a chuva invade
Meu coração que chove de saudade
E troveja em relâmpagos, ebriante.
Que contraste! Que mundo de amargura...
Lá fora a vida corre ampla e segura,
A vida brilha e a brisa as folhas move...
Aqui dentro, minh’alma assaz soluça
E em pandemônios lágrimas aguça
E de meus olhos densa chuva chove...
21.12.1991
Esio Antonio Pezzato
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