João Paulo
(e para todos os ex-oratorianos)
Dorme, criança, dorme o sono eterno;
Por certo Deus já preparou o Inferno
A quem te fez dormir assim tão cedo...
– Eras ainda uma criança apenas,
Para topares com as bestiais hienas
Que te deram pavor sinistro e medo...
Hoje que já não brincas, nem divertes,
Que tens o coração e olhos inertes,
E não podes falar, pois estás morto,
Eu sinto que lembrança atroz me fere,
Como a ferrugem na minh’alma adere,
Pois teu sonho ancorou em frio Porto!
Quem te matou não sei... quem sabe cala...
Mas enquanto tu jazes numa vala
Teu assassino corre para o embosco...
– Dentre os homens jamais será julgado,
Mas quando ele também for enterrado,
Irá acertar as contas com Dom Bosco!
Saías a brincar... jogavas bola,
Tinhas amigos mil... ias à Escola,
Eras uma criança muito esperta...
Porém, em teu rostinho de inocente
Dois olhinhos brilhavam docemente
A cada fantasia descoberta...
Tão pertinho de casa tu moravas
E eu nem te conhecia... pois andavas
Com quem tinha igualmente a tua idade...
Mas deixa eu te contar: quando eu criança
Também corria cheio de esperança
Para encontrar-me com a felicidade...
No mesmo quarteirão fomos vizinhos
Em tempos diferentes – e os caminhos
Por nós pisados foram semelhantes...
– Frequentaste o Dom Bosco! – a minha Infância
Perdida já num sonho de distância –
Também ali viveu – sonhos constantes!
Geniais lembranças a minha Alma guarda:
– Cada padre era nosso Anjo da Guarda
Padre Modesti, Nery, Adolpho... e tantos
Tantos outros que a mente ainda recorda
E as festas eram tantas... Sursum Corda!
E nas missas cantávamos mil cantos...
Havia procissões e as Vias-Sacras,
– Ai, lembranças! Me feres, me massacras –,
E a saudade meu peito descortina...
– Novenas à Senhora Auxiliadora,
Missas às 6as. Feiras e a canora
Voz do Sermão com o Padre de batina.
A diversão ali era completa!
Cada Padre com ares de Profeta
Contava lindos Sonhos salesianos...
Domingos Sávio junto a nós vivia,
Nosso mundo era pleno de Poesia,
Nossas vidas, jamais tinham enganos...
Viviam nossas Mães despreocupadas...
Lições de Catecismo eram tomadas;
Sempre a gente encontrava um novo amigo...
O Dom Bosco era enfim a nossa casa!
Sempre que algum de nós batia a asa,
Era para ir brincar no doce abrigo!
Tinha escorregador, tinha balanço,
– Hoje que o pensamento aos ares lanço
Uma saudade me sufoca o peito...
O Oratório fechou para as crianças,
Que já não podem mais ter esperanças
Porque o passado é morto e está desfeito...
As Madrinhas – beatas comungantes
Diárias – que cuidavam dos Infantes,
Umas – morreram! Outras – se cansaram!...
Nesse tempo também fomos crescendo,
Os Padres bons foram envelhecendo
E nossos sonhos se desmoronaram!...
A Capela tão linda, tão formosa,
Foi para um canto, pois ficava ociosa
Muitas horas por dia... só os beatos
Frequentavam enfim as suas missas...
Sem atrativos tínhamos preguiças,
E ninguém constatou tão tristes fatos.
Veio o capitalismo em eitos rudos...
Os pobres já não têm bolsas de estudos
E o sonho de Dom Bosco vai-se ruindo...
Hoje é Colégio feito para rico!
E com saudade louca ainda fico
Lembrando um sonho que foi puro e lindo.
02.02.1992
(e para todos os ex-oratorianos)
Dorme, criança, dorme o sono eterno;
Por certo Deus já preparou o Inferno
A quem te fez dormir assim tão cedo...
– Eras ainda uma criança apenas,
Para topares com as bestiais hienas
Que te deram pavor sinistro e medo...
Hoje que já não brincas, nem divertes,
Que tens o coração e olhos inertes,
E não podes falar, pois estás morto,
Eu sinto que lembrança atroz me fere,
Como a ferrugem na minh’alma adere,
Pois teu sonho ancorou em frio Porto!
Quem te matou não sei... quem sabe cala...
Mas enquanto tu jazes numa vala
Teu assassino corre para o embosco...
– Dentre os homens jamais será julgado,
Mas quando ele também for enterrado,
Irá acertar as contas com Dom Bosco!
Saías a brincar... jogavas bola,
Tinhas amigos mil... ias à Escola,
Eras uma criança muito esperta...
Porém, em teu rostinho de inocente
Dois olhinhos brilhavam docemente
A cada fantasia descoberta...
Tão pertinho de casa tu moravas
E eu nem te conhecia... pois andavas
Com quem tinha igualmente a tua idade...
Mas deixa eu te contar: quando eu criança
Também corria cheio de esperança
Para encontrar-me com a felicidade...
No mesmo quarteirão fomos vizinhos
Em tempos diferentes – e os caminhos
Por nós pisados foram semelhantes...
– Frequentaste o Dom Bosco! – a minha Infância
Perdida já num sonho de distância –
Também ali viveu – sonhos constantes!
Geniais lembranças a minha Alma guarda:
– Cada padre era nosso Anjo da Guarda
Padre Modesti, Nery, Adolpho... e tantos
Tantos outros que a mente ainda recorda
E as festas eram tantas... Sursum Corda!
E nas missas cantávamos mil cantos...
Havia procissões e as Vias-Sacras,
– Ai, lembranças! Me feres, me massacras –,
E a saudade meu peito descortina...
– Novenas à Senhora Auxiliadora,
Missas às 6as. Feiras e a canora
Voz do Sermão com o Padre de batina.
A diversão ali era completa!
Cada Padre com ares de Profeta
Contava lindos Sonhos salesianos...
Domingos Sávio junto a nós vivia,
Nosso mundo era pleno de Poesia,
Nossas vidas, jamais tinham enganos...
Viviam nossas Mães despreocupadas...
Lições de Catecismo eram tomadas;
Sempre a gente encontrava um novo amigo...
O Dom Bosco era enfim a nossa casa!
Sempre que algum de nós batia a asa,
Era para ir brincar no doce abrigo!
Tinha escorregador, tinha balanço,
– Hoje que o pensamento aos ares lanço
Uma saudade me sufoca o peito...
O Oratório fechou para as crianças,
Que já não podem mais ter esperanças
Porque o passado é morto e está desfeito...
As Madrinhas – beatas comungantes
Diárias – que cuidavam dos Infantes,
Umas – morreram! Outras – se cansaram!...
Nesse tempo também fomos crescendo,
Os Padres bons foram envelhecendo
E nossos sonhos se desmoronaram!...
A Capela tão linda, tão formosa,
Foi para um canto, pois ficava ociosa
Muitas horas por dia... só os beatos
Frequentavam enfim as suas missas...
Sem atrativos tínhamos preguiças,
E ninguém constatou tão tristes fatos.
Veio o capitalismo em eitos rudos...
Os pobres já não têm bolsas de estudos
E o sonho de Dom Bosco vai-se ruindo...
Hoje é Colégio feito para rico!
E com saudade louca ainda fico
Lembrando um sonho que foi puro e lindo.
02.02.1992
Esio Antonio Pezzato
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