Pairou dentro da noite o espírito do fogo
E o bólido cruel tirou a tua vida.
A vida que viveste em pleno ardor do jogo
Sucumbiu ante a fera implacável, vencida.
E a tua voz calou e levou o teu canto
Restando, tão-somente, um hino de esperança.
– Quem outrora cantou hoje vive de pranto,
Pois de tanto cantar, a voz também se cansa.
Te envolveste com o mundo e sonhaste com a glória,
Com a força de um leão, lutaste contra a guerra,
E a desgraça total hoje se faz história
E tu não fazes mais parte da negra terra.
Calou-se a tua voz dentro da noite escura
E não restou, sequer, o verso de um poema.
Baixou teu corpo frio à fria sepultura,
Teu ideal de paz ao mundo se fez lema!
A mús’ca do silêncio em desespero aflito
Tenta ainda cantar um verso de esperança.
Mas este canto sai na forma de atro grito,
Que o verso mais parece um verso de vingança.
Não mais irás cantar teu desesperado hino
Pedindo aos homens bons, Paz e Fraternidade.
A luz da redenção encontrou o destino
Onde existe ironia, ódio e ferocidade.
Em tudo vibra o horror em negro cadafalso
E o desespero aflito em gotas de veneno
Mostra que o mundo hipócrita é tenebroso e falso,
E por isso calou a tua voz, John Lennon!
25.05.1981
Esio Antonio Pezzato
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