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29 de agosto de 2011

CRÔNICA - LEÔNIDAS ANDRADE FOGAÇA

Imagem Google

Leônidas Andrade Fogaça

A Revolução Constitucionalista de 1932, onde São Paulo ergueu sua voz e mostrou sua Força contra a ferrenha ditadura getulista, já foi contada e cantada magistralmente em prosa e em versos pelo Poeta Pracinha Guilherme de Almeida e outros tantos escritores.
Tal data magna de São Paulo não pode, não deve ser esquecida, pois ela mostra e lembra a bravura de um Povo. Mas não é propriamente da Revolução que vou tecer comentário aqui. Acredito que além de tantas histórias registradas por penas brilhantes, outras tantas ficaram esquecidas, relegadas, apenas contadas por familiares de boca em boca e com o tempo estarão mortas e esquecidas, pois tal efeméride completou nesse 09 de julho exatos 79 anos e poucos são os heróis que ainda estão entre nós.
Eu que não tenho pena tão brilhante, principalmente na crônica, vou recordar aqui uma história de beleza tanta, que um dia, quando a História for novamente re-escrita, deverá fazer parte no capítulo sobre heroísmo.
Dela consta o nome de Leônidas Andrade Fogaça, paulista de Mineiros do Tietê, ali nascido em 25 de novembro de 1904. Cedo veio residir em Piracicaba, no casarão ainda existente na Rua Luiz de Queiroz, esquina com a Rua 13 de Maio, com sua família.
Leônidas nessa época, moço, menos de 30 anos, já sofria com forte deficiência visual, mas quando São Paulo conclamava seus Filhos para engrossar fileiras contra a ditadura popular getulista, não tomou outra atitude que não fosse a de se alistar no Batalhão Paulista, e chegando em sua casa, avisou seu Pai João Fogaça (Jango):

– Pai, me alistei na Revolução, ao que recebeu como resposta paterna:

– Você não fez nada mais do que sua obrigação! (emociona contar esse fato acontecido há 79 anos!)

Em sua deficiência o jovem Leônidas foi servir no Batalhão Paulista e Piracicabano na cidade de Queluz, onde depois de um tempo, com o avanço das tropas getulistas, e a traição que São Paulo recebeu de Minas e Rio Grande do Sul, estados que apoiaram nas Palavras, mas se refugiaram entre as pernas quando o apoio se fez necessário e o sanguinário Getúlio mais mostrava sua gana contra o povo do Planalto de Piratininga.
Foi dessa forma que o Batalhão no qual servia o jovem Leônidas se viu afastado e sem comunicação com os demais e os dias correndo, e as necessidades básicas de sobrevivência começaram a se mostrar...
Assim que o Comandante do Batalhão pede um voluntário para ir buscar comida, e à frente se colocou Leônidas. O Comandante disse:

– Senhor Leônidas Fogaça, respeito e muito a sua valentia, mas sua deficiência visual aliada a perigos, fatalmente o levará à morte. Ao que respondeu Leônidas Fogaça:

– Que adianta ficar aqui e morrer de fome? Melhor morrer buscando comida. Isso baixou a resistência do Comandante e Leônidas, acompanhado de outro soldado, partiu na aventura de trazer víveres para o Batalhão.

Se arrastando entre urzes e espinhos, pedras e percalços, Leônidas entre os dedos sente algo diferente: no meio do mato, dentro do nada, numa Revolução e ele encontra uma medalha de nossa Senhora Aparecida! E diz ao companheiro: vamos em frente, vamos buscar nossa ração! Se a Mãe de Deus está aqui com a gente, ela não pode querer a nossa morte! Tal Medalha guardada como relíquia, é patrimônio da Família até hoje!
Dizer mais seria alongar o texto de uma história muito emotiva. Leônidas Andrade Fogaça anos depois se casou com Anna Morales Raya e teve três filhos: Edu Fogaça, Walfrido Fogaça e Ana Maria, minha mulher.
Faleceu em 13 de julho de 1969, aos 64 anos, estimado, respeitado por Piracicaba que homenageia tal homem não por esse fato narrado, mas por sua integridade moral e cívica; por ter uma vida justa e perfeita junto ao Grande Arquiteto do Universo, com seu nome numa Rua no Jardim Primavera. O escritório fundado por ele há mais
de 70 anos, hoje é comandado pelo seu filho Walfrido Morales Fogaça, no mesmo local. Leônidas fez também parte da Maçonaria na Loja “Piracicaba” durante décadas, até sua partida para o Oriente Eterno.
São histórias como essa, que fazem do Nove de Julho uma data inesquecível em todos os sentidos.

Esio Antonio Pezzato

24 de agosto de 2011

CRÔNICAS CAIPIRAS - BRUNO BISCOITEIRO

Foto by Diogo Pereira da Silva

Bruno Biscoiteiro

Piracicaba teve seus tipos populares através dos tempos. Hoje ainda os tem. Não me deixa negar o Carlão que vive pela praça, senta-se no banco fronteiriço ao Banco do Brasil, diz que domina raios, que tem uma aura espetacular, que vai aparecer na televisão... Ah, Carlão, a quem conheço desde sempre, não vou ainda falar de você. Temos também o Saponga, torcedor símbolo do XV... Também não vou falar do Saponga...
Hoje quero lembrar outro personagem. Outra pessoa que entrou nos anais da Saudade de quem tem mais de 50, com certeza... Ou ainda mais...
Seu nome era conhecido por todos, nas ruas, nas casas, nas famílias. Esquisito mas amado. Meu pai dizia que eram amigos quando jovens, um ia dançar na casa do outro e que ele possuía uma irmã muito bonita...
Seus gritos ainda ecoam nas ruas piracicabanas, de modo peculiar, musical, sonoro, vibrante... biscoito... bis-coi-to... bis...coi...to... to... to...to.
Era ouvir esses gritos e a molecada sabia que era o Bruno Biscoiteiro que estava a vender os deliciosos biscoitos de polvilho. Ele aparecia com uns sacos enormes, mas enormes mesmo, cheios de biscoitos empacotados. Parava numa esquina qualquer e punha-se a esgoelar...
– Biscoito! Biscoito! Biscoito!
E sua voz fazia eco aos seus gritos...
Depois nas noites invernais e Bruno já não vendia tantos biscoitos. Preferia sair para vender pinhão que punha para cozinhar numa lata de 20 litros cheia de pó-de-serra que aquecia a água e deixava os pinhões quentes, molinhos, para a gente comprar uma dúzia, e os mesmos vinham embrulhados no cartucho de jornal e descascávamos com os dentes para saborear os deliciosos pinhões.
Era assim. Bruno aparecia na noite fria assim do nada. A gente tava na rua numa rodinha e ouvia de uma esquina qualquer sua voz esgoelando:
– Pinhão! Pinhão! Pinhão! E o eco de sua voz repetia o final dos ãos...

Bruno Tegon. Para nós todos moleques de um tempo romântico, Bruno biscoiteiro, Bruno dos pinhões. Bruno que esgoelava a voz e parecia que ia perder o fôlego de tanto gritar para alardear seus quitutes. Bruno que ficava vermelho como pimentão e atendia a todos com requintes de simpatia, e raramente falava mais do que lhe perguntavam.
Bruno Tegon foi um dos últimos tipos populares românticos de nossa cidade, que teve, talvez, em Nhô Lica, seu maior representante.
Piracicaba rica de tipos populares não dá valor aos seus mitos. Esquece-os com uma facilidade ímpar. Bruno é saudade, Nho Lica é saudade, tantos, tantos hoje são saudades.
Eu não os esqueço. E lembrando-os faço reviver em minha alma na chama ardente da saudade. E assim fazendo, faço também que muitos acendam em suas almas, a chama da saudade de um tempo lindo, de um tempo que se podia andar na rua sem preocupações de assaltos. Um tempo que andávamos a pé de madrugada sonhando serenatas.
Piracicaba ficou um tanto estrangeira e isso machuca. Pessoas sem estirpe da Raça dos Caipiras, chegaram, tomaram conta, meio que nos contrariando pensam que podem namorar a Noiva da Colina. Não podem, não.
Piracicaba vai tendo brutamontes e esquisitices sem fim e fantasmas ditando normas, leis, mudando o que não gosta e mata a história de um povo lentamente, lentamente, lentamente.
Não temos mais Nho Lica, Bruno Biscoiteiro, Elias dos Bonecos, Zico Coimbra entre outros, contudo Carlão, Madalena, Caetano Provenzano e Saponga são mais lembrados na gozação, quando deveriam ser mais ouvidos, amados, queridos e respeitados. Ganhe uma hora de seu vazio tempo, vá à Praça e busque um dedo de prosa com o Carlão e saia um pouco mais culto de nossa cidade.
Não deixe o progresso matar a cultura, os tipos populares e a história de nossa rica Piracicaba. Não seja um simples caipira com ares de estrangeiro a matar a tradição e a cultura tricentenária de nossa cidade. Os brutamontes devem ser estirpados urgentes.
Biscoito... biscoito... biscoito... saudade dos biscoitos do Bruno.

 
Esio Antonio Pezzato

13 de agosto de 2011

BARCOS DA ESPERANÇA

Imagem Google

Barcos da esperança


Os barcos da esperança em largo mar aberto
Vencem as solidões e o amplo espaço vazio.
Soltam as velas no ar num imenso alvedrio,
Procurando encontrar algum porto por perto.

Os barcos da esperança estão em rumo certo,
Vencem as amplidões, vencem noites de frio,
Acendem luzes no ar provocando arrepio,
Procurando aportar no inóspito deserto.

E com certeza sou piloto desse barco!
O verde vibra em mim qual pendão da esperança
Que tremula no céu escandalosamente.

Avante! Ao largo! À vida! O sonho é nosso marco!
Sou vida e denso amor distribuindo bonança,
Aos corações de bem – a fé como semente!



08.10.2010

Esio Antonio Pezzato

11 de agosto de 2011

BRANCA MOTTA DE TOLEDO SACHS - CRÔNICA

Imagem Google

Branca Motta de Toledo Sachs

Quando a História de Piracicaba do século XX for contada, um nome que deverá encabeçar um capítulo, com certeza, é o de Dona Branca Motta de Toledo Sachs.
Como sempre vivo dizendo Piracicaba esquece seus vultos. Por exemplo: dando nome ao Hospital Regional que vai ser inaugurado ainda ano que vem uma Senhora que NADA fez por Piracicaba, vai ter seu nome ali imortalizado. Homenagem que nada nos diz respeito, embora tenha sido uma grande pessoa Zilda Arns, o nome escolhido pela nossa Câmara Municipal.
Fôssemos analisar friamente os dados, D. Branca deveria ter então seu nome ligado ao Hospital Regional. Mas isso agora não adianta. Não vou dizer mais sobre o assunto aqui, já que quero lembrar D. Branca.
Eu a conheci ainda na barriga da minha Mãe, com certeza, pois se uma era a idealizadora da Escola de Mães denominada Doutor Álvaro Guião, outra era Madrinha desde sua fundação, em 1939.
Essa história da Escola de Mães que hoje tem o nome de sua idealizadora, precisa e necessita ser contada. Nomes como o dela, Dr. Alcides Aldrovandi, Mário Ângeli, Paulo Falanghe, e tantos, tantos, tantos outros, precisam ser reverenciados com respeito, com afeto, com ternura, com dignidade, em pé e fazendo continência.
D. Branca foi idealizadora e Presidente durante sua vida toda, isso de 1939 até seu falecimento. Se tantos e tantos bebês em nossa cidade nasceram com saúde, tiveram o primeiro enxoval, médico pediatra, leite em pó e todo o carinho isso Piracicaba deve ao espírito altruísta dessa Senhora. Se o ditado aqui pode ser invertido, atrás de um grande homem, existe sempre uma grande mulher, atrás de uma grande mulher existiu um grande homem, que foi o professor Alberto Vollet Sachs, esposo de d. Branca. Hoje nem vou dizer dele, pois o espaço já é curto, enxertar o professor Alberto aqui seria muito. Mas não poderia ser aqui esquecido. Como não será d. Branca quando eu for recordar do professor Alberto.
Dizia que eu a conheçi desde o ventre materno, não é mentira não. Minha Mãe, hoje com quase 88 anos trabalhava de babá do filho mais novo de D. Branca, o Tatau, que faleceu agora em 2011. Tinha seus 15 anos, quando a Escola de Mães foi criada. Hoje minha Mãe, com certeza, é a única das fundadoras que ainda podem contar essa história.
Os anos passaram e d. Branca depois que minha Mãe se casou e teve seus filhos passou a ser amiga e era presença frequente em nossa casa.
Foi quando eu desandei a fazer poesia, isso em 1972, que D. Branca ficou então minha poetisa favorita, juntamente com Lino Vitti. Ela fazia uns sonetos inspirados, justos e perfeitos que me deixavam maluco. Eu lia, relia, tornava a ler e cada soneto dela publicado era mais lindo que o anterior. Eu babava de inveja.
Era recebê-la em casa para uma visita e ao invés de falar da Escola de Mães com minha Mãe, dos chás beneficentes e eu roubava um pouco de seu precioso tempo para mostrar a ela meus versos. E ela carinhosa “com o filho da Maria” que desandava a fazer versos, me dava toda a atenção.
Depois ela passou a elogiar meus versos e em retribuição lhe dediquei um Soneto e ela me retribuiu o presente. Mas isso faz quase 40 anos já...
Alguns anos após D. Branca já havia falecido e o Albertinho, seu filho, me liga dizendo que quer homenagear sua Mãe, publicando seus versos e eu, todo feliz e afeito ao pedido, selecionei os versos, digitei todos, fiz a revisão, coloquei tudo numa ordem cronológica e os Sonetos de Branca foram impressos para engrandecer e enobrecer a Poesia brasileira com sonetos da mais alta estirpe e mais nobre e pura inspiração.
Dona Branca, amiga de minha Mãe, amiga de todas as Mães de Piracicaba entre 1939 e 1995, Mulher Piracicabana, nascida em Lorena, mas isso nem importa, era mais Piracicabana do que tantos aqui nascidos. D. Branca Poetisa, essa sim, minha amiga de sonhos, de versos, de carinhos.
D. Branca Motta de Toledo Sachs revive hoje na minha memória, na minha saudade, nessa pequena crônica ditada pelo coração. É isso. A Senhora se foi, e aninhos com asas ainda não crescidas, aquecidos com cueiros e fraldajs e gorrinhos da Escola de Mães, foram ensinados a voar com seus ensinamentos, com seus carinhos, com sua dedicação, com seu afeto.
Piracicaba deveria erigir em praça pública seu busto com algum dizer assim: d. Branca, a mais nobre Mulher que residiu nessa cidade!
Isso nós bem sabemos, não vai acontecer. Quando digo que estamos perdendo a identidade, sou criticado. Enquanto isso vereadores desinformados vão importando nomes sem importância para nossa cidade, para ser gravados com bronze em prédios públicos. Dói muito.



Crônica de Esio Antonio Pezzato




7 de agosto de 2011

PARQUE DA ESALQ

Imagem Google

Parque da ESALQ

(Para meu amigo Antonio Roque Dechen)

Fazenda São João. Escola Agronomia.
Nos verdes campos onde os meus passeios faço,
Vou colhendo sem pressa as flores da Poesia
Enquanto o olhar se perde, em êxtase, no espaço.

Verdes de verdes mil! Fantástica magia!
Estupor! Frenesi! Prazer! E passo a passo
Na mistura do encanto há um sonho que alumia
A alma que sente o ardor de caricioso abraço.

Trinados vão ao céu, há delírios alados,
Sombras mancham a terra e os musgos esverdeados
Parecem pintalgar esperanças sem fim.

E nesse divagar eu fantasio tudo,
Chegando a imaginar nesse passeio, mudo,
Luiz de Queiroz feliz, passar perto de mim.



24.09.2008

Esio Antonio Pezzato

2 de agosto de 2011

HISTÓRIA/MEMÓRIA - JP DE 30 DE AGOSTO DE 1997



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MEMORIAL DE PIRACICABA IDEALIZADO PELO POETA ESIO PEZZATO
QUE SERÁ ABERTO NO ANO DE 2.197

1 de agosto de 2011

REVIVER

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Reviver


Todos, em nossa vida acumulamos
Os sonhos mais variados e sortidos.
– Árvore – somos tronco e somos ramos,
E entre folhas mostramo-nos floridos.

Mas vem a tempestade em mil reclamos
E leva nossos sonhos coloridos.
E após ventos e chuvas nos quedamos
Por ver os nossos sonhos destruídos.

Assim o álgido inverno e a ventania
Parece nos levar à atra agonia
E a fé se vai, em frígidos minutos.

Mas novamente fulge a primavera!
E nossos sonhos nas parreiras de hera
Perdendo as flores trazem novos frutos.



16.10.2009

Esio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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