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17 de junho de 2014

Festa Junina

Neste mês de Junho, quando comemoramos Santo Antônio, São João e São Pedro, nada melhor que um poema de época. Esses versos escrevi em 1996,  a pedido de meu saudoso amigo Amadeu Provenzano. Lembro-me que ele me pediu e quinze minutos depois eu liguei a ele dizendo o que havia composto. Ele adorou. Decorou o poema e em suas apresentações dizia que ele demorava mais tempo para declamar do que eu havia demorado para compor esses versos.
Gostei do resultado e publiquei o mesmo em meu livro Romaria, de 1997. Espero que gostem...
Esio


                                       Festa Junina



Soa a marvada viola
E ela a minha arma consola,
– Consola o meu coração.
Pois hoje – aqui na cidade,
Vivo preso na saudade
De uma noite no sertão.

Enquanto os versos rascunho
Recordo... era o mês de junho,
Muito frio, cerração...
Mas numa aberta clareira
Ardia imensa fogueira,
– Era Noite de São João!

A lembrança me apaixona,
Pois quando o Zé da Sanfona
Mesmo antes da procissão
Tocava lindos dobrados,
Já deixava apaixonados
Os moços da multidão.

E o baile então começava,
Eu a Rosinha flertava
Como quem quer nada não...
E ela – fagueira e formosa,
Com as faces cor-de-rosa
Mantinha a mesma intenção...

O balão no céu subia,
E uma garoinha fria
Embaçava os lampião;
E a gente então, bem sapeca,
Tomava cheia a caneca
De um delicioso quentão.

Logo o céu, todo entrevado
Se tornava iluminado
Com o brilho do balão.
E cada estrela cadente
Deixava ainda mais quente
Dentro da alma o coração.

O amor passeava sorrindo
O foguetório tão lindo
Causava admiração.
– “Mas quem foi que teve ideia
De soltar traque de veia
No improvisado salão?”

A criançada sapeca
Sempre levada na breca,
Sempre numa danação
Solta busca-pé somente
Pra ver as moça demente
Erguer a combinação.

E o alvoroço é completo,
Mas eu, em meu canto, quieto,
Dizia com inspiração
Para Rosinha catita
Uma trovinha bonita
Do fundo do coração.

E o rojão no céu estoura
E a noite a esperança doura
Na nossa imaginação.
Chabum! Chabum! E a poesia
Toma conta da alegria
E a bomba estoura no chão.

Rosinha come pipoca,
E eu lhe tasco uma beijoca,
– Beijo roubado é tão bão!
E ela abanando-se ao leque,
Mordeu meu pé-de-moleque
E não faz contestação.

No céu a chuva de prata
Faz de luzes serenata
No poema da sedução.
Rosinha fica acanhada,
Diz estar apaixonada
E me oferta o coração.

D. Maria, coitada,
Chega toda atrapaiada
E pergunta pro Tião
Se não é este o momento
De fazer o Sacramento
Das reza e da procissão...

– “Ainda é cedo, comadre,
Pois já convidei o Padre
Pra vir fazer o sermão.
Mas antes será levado
Pra no rio ser lavado
Nosso querido São João!...”

Enquanto isso no terreiro
O veio Zé Sanfoneiro
No arrasta-pé e no baião
Mais animava a festança
E o povo todo na dança,
Era só animação.

E na noite tão bonita
A alegria era infinita
E causava sensação...
E um outro, num arremedo
Gritava: –“viva São Pedro!
Santo Antonio! E São João!”

E havia um calor bem terno,
Que nem parecia inverno,
Bem parecia verão...
Pudera... D. Maria
Vendo a caneca vazia
Nela punha mais quentão.

Mas eu, com a alma quentinha
Ficava oiando Rosinha
Numa traje chita-fustão.
Eu a oiava... ela me oiava,
E nossa alma tava escrava
De um amor feito paixão.

Mas logo D. Maria
Manda parar a folia
Que o padre, de um carroção,
Para a multidão acena,
Quer o início da novena
E também da Procissão.

E todos ficam rezando,
Mas, disfarço e fico oiando
A minha Flor do sertão.
E sou um tanto atrevido
Quando faço o meu pedido
E ela atenta, me ouve então.

E digo todo brejeiro,
Que quero ser o Padroeiro
De uma festa de São João,
Para – aos dobrados da orquestra,
Dar a minha própria festa
E a Rosinha – a minha mão.

E sou bastante atrevido,
Faço ali o meu pedido
Aos pais de Rosinha então...
E ela me ouve e não diz nada,
Mas com as faces rosada
Fica a sorrir de emoção.

Bem maneiro tiro linha,
E peço para Rosinha
Com amor e devoção,
Que me aceite seu amado,
Pois lhe digo apaixonado
Que é dela o meu coração.

E então no mesmo momento
É marcado o casamento
Com grande satisfação.
– Minha alma é um céu que se doura
Pois dentro da noite estoura
Mais um festivo rojão.

Hoje, distante de tudo,
Na cidade vivo mudo
Na minha recordação.
E o meu céu todo entrevado
Já não fica mais dourado
Com o brilho de um balão.

Tudo se perde a distância,
Rosinha é um sonho da infância,
Apenas um sonho vão...
E me resta a intensidade
De uma palavra – Saudade!
De uma festa de São João.
 

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