Flores secas III
Sonetos Alexandrinos
Flores secas... mais um punhado de versos, novos sonetos que escrevi nos últimos tempos. Como sempre, a mesma técnica, a mesma formação. Nada de invencionices. Preferível, dentro do Soneto, repetir-se a tentar alguma coisa nova. É sempre assim. Desde Petrarca, Miguelangelo, Camões, Bocage, Bilac, Alberto Oliveira, Raimundo Correia, Machado de Assis, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos, grandes sonetistas, nada surgiu de novo. Melhor então é ficar tentando fazer algo de bom enquanto o tempo passa. A vida passa. O tempo passa. E nós, obviamente, passamos também.
Nesta nova coleção estão apenas versos alexandrinos. Parece que eles se tornaram importantes dentro da minha poética. Creio mesmo que depois que compus “O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot” todo em versos alexandrinos, ficou mais fácil, para mim, lidar com o verso longo.
É uma coleção de sonetos inéditos. Apenas alguns foram publicados em nossa Imprensa, o restante mesmo todos inéditos.
O mais antigo deles, datado de 1973, quando eu tinha apenas 20 anos. Encontrei alguma coisa ainda mais antiga, mas era ruim demais. Mexer nos versos seria tirar o mérito que eles ainda tem: o trescalar da juventude. Esses ficarão guardados comigo apenas como lembrança. Bem como os versos que compus com 16 para 17 anos. Era apenas a vontade de escrever e a falta profunda de técnica e conhecimento. É minha pré-história poética, que já tem mais de 40 anos...
Mas voltemos aos alexandrinos: sempre os fiz. Desde meu primeiro livro, “Luzes da Aurora”, alguns versos alexandrinos em sonetos e em outros tipos de versos, já se faziam presentes. Depois o mesmo se repetiu em “Semeadura”, 1991 e nos demais livros os alexandrinos sempre estiveram presentes. Podemos mesmo dizer que o Verso Alexandrino é um clássico. Grandes Poetas foram seus afeitos, sendo mesmo que Olavo Bilac praticou-o à exaustão. Castro Alves e Fagundes Varella, passearam pelo mesmo, mas na grande maioria das vezes, fizeram o Alexandrino arcaico, não divisíveis em dois hemistíquios de seis. Foram compostos como faziam os espanhóis. Apenas em Machado de Assis, Pedro Luís e alguns outros, o Clássico passou a imperar. Hoje raramente encontramos o estilo antigo... raramente. E quando isso ocorre é puro desconhecimento da técnica, ou ainda um deslize do Poeta. Eu mesmo possuo alguma coisa assim ao longo de tantos versos... um deslize... mas falemos agora da técnica do verso alexandrino:
Embora haja alguns segredos, o verso alexandrino parece mais pomposo. Revendo hoje versos que compus na mocidade, quando com 19 ou 20 anos, lá estavam os alexandrinos, mas eram esparsos. Alguns sonetos, alguns versos mais e ponto. Mas nesses 40 anos nunca deixei de praticar os tais alexandrinos. Raramente também, muito raramente, deixei que os mesmos não fossem clássicos, ou seja, divisíveis em dois hemistíquios de seis, com cesura na sexta e na décima segunda sílabas. Assim sendo a sexta sílaba sempre acentuada, deve ser paroxítona e não seguida de consoante e a próxima palavra do verso, sempre começando com vogal. Ou sendo a sexta sílaba oxítona, a sétima independe como seja.
Mesmo assim, às vezes acontece do verso sair terciário, com cesuras na 3a., 6a, 9a e 12a sílabas. Não creio haver dentro dos meus sonetos versos com cesuras nas 4a, 8a e 12a sílabas. Vez ou outra a sexta sílaba sai tanto átona, mas mesmo assim não o mudo.
É isso que meus amigos leitores dos meus versos irão encontrar: versos técnicos e um misto de muitos assuntos. Espero que a aceitação seja a mesma de sempre.
Esio Antonio Pezzato
Piracicaba, 25 de julho de 2009














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