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8 de dezembro de 2009

FLORES SECAS - VERSOS DE FORMA FIXA (cont)



Triolé do merecimento


O nosso amor merece ter
Abraços, dengos e carinhos.
As horas plenas de prazer
O nosso amor merece ter.
Da vida imensa por viver
Jamais vivamos nós sozinhos.
O nosso amor merece ter
Abraços, dengos e carinhos.

28.03.2008


Triolé triste


Este silêncio que a alma me invade,
Silêncio triste de morte triste,
Se, é verdadeiro, se não existe,
Talvez mentira, talvez verdade,
Este silêncio que a alma me invade
Em minha vida cruel persiste.
Silêncio triste de morte triste,
Me traz arrulos de uma saudade
Este silêncio que a alma me invade.

01.04.2009

Glosas

Glosa

Não deixa de ser tolice
Trabalhar a vida inteira;
Quando se chega à velhice...
Sem tostão no algibeira!
(Maria Célia C. Roque – Portugal)


Mal o galo acorda o dia
Já dou um salto da cama.
Dou dois beijos em quem me ama
E parto para a porfia
Na mais penosa agonia...
No peito tenho a crendice
Que já nem sei quem me disse,
Que o trabalho é que enobrece...
E crer assim nesta prece,
Não deixa de ser tolice...

Mal vejo o crescer dos filhos
E a garrulice da infância...
De todos tenho distância
Pois nos olhos trago os brilhos
De apenas seguir os trilhos
De uma glória feiticeira...
E a vida corre faceira...
Mas carrego em minha mente
Apenas o sonho crente:
Trabalhar a vida inteira!

E o tempo – feito fumaça,
Enegrece meus projetos...
– Meu Deus! Vieram os netos!
E a vida como trapaça
Mais veloz que o vento – passa...
Se na juventude eu visse
Que obrar tanto é cretinice...
Não vale o arrependimento
Que se abre a mim no momento
Quando se chega à velhice...

E deste trabalho tanto
Resta-me por recompensa:
Tristeza, angústia, doença,
Um martírio em cada canto
E uma vida sem encanto...
Só tenho por companheira
Neste triste fim de feira
O tédio no fim do dia
E uma esperança vadia
Sem tostão no algibeira!...

15.03.1998


Décimas

Fui cruzando o mar da vida
Numa constante odisséia,
Como uma abelha perdida
Longe de sua colmeia.
(Clementino D. Baeta)



De meu barco alcei as velas
E me pus em mar aberto.
Vagando num rumo incerto
Guardei na retina as telas
De tantas paisagens belas.
Com vontade desmedida
Não foi minh’alma ferida,
Nem me venceu a inconstância.
Vencendo qualquer distância
Fui cruzando o mar da vida.

Vencendo clima diversos
Tracei então minha meta:
Fui trovador, fui poeta
Dos mais largos Universos
Nas batalhas destes versos.
Após tamanha epopeia
Consigo hoje ter a ideia
De tanta luta ofegante:
De todas eu fui amante
Numa constante odisseia.

Por vezes me vi singrando
Desconhecidos caminhos.
Fiquei distante dos ninhos
De quem ficou me esperando:
– Ave perdida do bando!...
Porém, levei de vencida
As artimanhas da vida
Nem me senti à quimera
Com o fim da primavera,
Como uma abelha perdida.

Colhi do chão os gravetos
E rimei minha poesia.
Traduzi em melodia
Os inspirados sonetos
Que tive por amuletos.
A alma não mais devaneia,
Foge dos bancos de areia...
No ocaso que se avermelha
Jamais me sinto uma abelha
Longe de sua colmeia

14.05.1998



Ésio Antonio Pezzato



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