IV
A palavra me faz mordaz e forte,
Com ela suo em gotas de veneno.
E as almas sorrateiras eu gangreno,
Prendo, julgo, condeno e induzo à morte.
A Palavra conduz a minha sorte.
Crio versos de amor com tom ameno.
Teço a Lira, urdo o Som calmo e sereno
E indico em sons o mais provável Norte.
A Palavra está pronta para usá-la!
Se às vezes a comparo a fina seta,
Da minh’alma ela, faz a sua sala.
Assim minha razão torna completa:
Se em silêncio a Palavra vibra e fala,
No Ofício do Silêncio – sou Poeta.
04.07.2002
V
Sonho contigo no escaldar das horas
Que passo solitário em desvendar-te.
Bailas no espaço com um estandarte
A tremular impávida... E me ignoras.
Decifro-te os enigmas – parte a parte
E tornas-te crepúsculos e auroras,
Assim quanto mais forte tu clangoras,
Mais sinto o peso crucial destarte.
Oh! Mistério infernal que me crucia,
Vejo-te fulgurante e brilhas tanto,
E não consigo traduzir-te a lavra.
Abstenho-me de abrir esta magia,
E de maneira mórbida este canto
Fica frente ao mistério da Palavra.
04.07.2002
VI
Dentro dos livros a palavra é morta
E não produz sabedoria alguma.
Porém, se alguém abrir do livro a porta,
Irá vê-la fervendo em densa espuma.
A exóticos países nos transporta
Em cavalos alados de alva bruma.
Forte e firme abre os diques da comporta,
E mostra pérolas de luz, uma a uma.
Porém, dentro dos livros a Palavra,
Fria e extática lembra tão-somente
O ouro da mina que não teve lavra.
Mas se lábios em sons derem-lhe Vida,
Quente e ofegante ela será polida
E deixará de ser simples semente!
04.07.2002
A palavra me faz mordaz e forte,
Com ela suo em gotas de veneno.
E as almas sorrateiras eu gangreno,
Prendo, julgo, condeno e induzo à morte.
A Palavra conduz a minha sorte.
Crio versos de amor com tom ameno.
Teço a Lira, urdo o Som calmo e sereno
E indico em sons o mais provável Norte.
A Palavra está pronta para usá-la!
Se às vezes a comparo a fina seta,
Da minh’alma ela, faz a sua sala.
Assim minha razão torna completa:
Se em silêncio a Palavra vibra e fala,
No Ofício do Silêncio – sou Poeta.
04.07.2002
V
Sonho contigo no escaldar das horas
Que passo solitário em desvendar-te.
Bailas no espaço com um estandarte
A tremular impávida... E me ignoras.
Decifro-te os enigmas – parte a parte
E tornas-te crepúsculos e auroras,
Assim quanto mais forte tu clangoras,
Mais sinto o peso crucial destarte.
Oh! Mistério infernal que me crucia,
Vejo-te fulgurante e brilhas tanto,
E não consigo traduzir-te a lavra.
Abstenho-me de abrir esta magia,
E de maneira mórbida este canto
Fica frente ao mistério da Palavra.
04.07.2002
VI
Dentro dos livros a palavra é morta
E não produz sabedoria alguma.
Porém, se alguém abrir do livro a porta,
Irá vê-la fervendo em densa espuma.
A exóticos países nos transporta
Em cavalos alados de alva bruma.
Forte e firme abre os diques da comporta,
E mostra pérolas de luz, uma a uma.
Porém, dentro dos livros a Palavra,
Fria e extática lembra tão-somente
O ouro da mina que não teve lavra.
Mas se lábios em sons derem-lhe Vida,
Quente e ofegante ela será polida
E deixará de ser simples semente!
04.07.2002
Esio Antonio Pezzato
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