VII
A Palavra em seu som é a densa lava
Que o vulcão regurgita em sua fúria.
Ríspida, a alma se torna dela escrava,
E deixa dos afetos – negra injúria.
O tesouro reduz a ampla penúria
E à Liberdade, o belo sonho trava...
Eis a Palavra e a tempestade espúria
Que nas rochas mais duras bate e cava.
Seus segredos não dizem os mais sábios,
Pois quando chega no tremer dos lábios
Torna-se labareda que extermina.
Em silêncio, porém, parece morta,
Mas quando bate em guizos sua porta,
Mostra todo o fulgor que lha domina.
05.07.2002
VIII
Busco ater-me ao axioma da Palavra
E da maneira que ela vem escrita.
E em ânsias a minh’alma se escalavra
Num transe de maneira ultra-esquisita.
É vão o ofício, perco o tempo à lavra.
A busca de vocábulo é infinita.
O papel de bolores se azinhavra
Com desesperos minha fala grita.
Tantos fizeram esta vã batalha,
Buscando derrota-la em luta inglória,
E a todos, ela impôs infausta falha.
Hoje retenho apenas na memória:
O seu fio cortante de navalha
Que decepa cabeças na vitória!
05.11.2002
IX
Bebo a Palavra na mais fina taça
Que às vezes de veneno me vem cheia.
Bebo-a de um gole só, tal como a idéia,
Que num repente chega e logo passa.
Faço com a Palavra uma Epopéia
E ponho-a em livros ao furor da traça;
Depois crio artimanhas e ameaça
E prendo-a forte dentro da colméia.
Sangro a Palavra e bebo-lhe a fuligem,
Procuro decifrar a sua origem
E seu segredo de maneira clara.
Mas quanto mais procuro em minha lavra
Descobrir o segredo da Palavra,
Ela se mostra sorrateira e rara.
05.11.2002
A Palavra em seu som é a densa lava
Que o vulcão regurgita em sua fúria.
Ríspida, a alma se torna dela escrava,
E deixa dos afetos – negra injúria.
O tesouro reduz a ampla penúria
E à Liberdade, o belo sonho trava...
Eis a Palavra e a tempestade espúria
Que nas rochas mais duras bate e cava.
Seus segredos não dizem os mais sábios,
Pois quando chega no tremer dos lábios
Torna-se labareda que extermina.
Em silêncio, porém, parece morta,
Mas quando bate em guizos sua porta,
Mostra todo o fulgor que lha domina.
05.07.2002
VIII
Busco ater-me ao axioma da Palavra
E da maneira que ela vem escrita.
E em ânsias a minh’alma se escalavra
Num transe de maneira ultra-esquisita.
É vão o ofício, perco o tempo à lavra.
A busca de vocábulo é infinita.
O papel de bolores se azinhavra
Com desesperos minha fala grita.
Tantos fizeram esta vã batalha,
Buscando derrota-la em luta inglória,
E a todos, ela impôs infausta falha.
Hoje retenho apenas na memória:
O seu fio cortante de navalha
Que decepa cabeças na vitória!
05.11.2002
IX
Bebo a Palavra na mais fina taça
Que às vezes de veneno me vem cheia.
Bebo-a de um gole só, tal como a idéia,
Que num repente chega e logo passa.
Faço com a Palavra uma Epopéia
E ponho-a em livros ao furor da traça;
Depois crio artimanhas e ameaça
E prendo-a forte dentro da colméia.
Sangro a Palavra e bebo-lhe a fuligem,
Procuro decifrar a sua origem
E seu segredo de maneira clara.
Mas quanto mais procuro em minha lavra
Descobrir o segredo da Palavra,
Ela se mostra sorrateira e rara.
05.11.2002
Esio Antonio Pezzato
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