X
A Palavra é minha arma no combate,
É minh’alma que sangra enquanto luta.
Com tentáculos de aço, é um alicate,
Que golpeia na fúria da disputa.
Raivosa, às vezes, como um cão que late,
Estraçalha com verbos e executa.
Abre imensos salões em atra gruta,
Depois faz rendilhados, no arremate.
Sangro com ela na batalha imensa!
Por ela suo estrofes e poemas,
Dela tiro em soluços, minha crença.
É alma que pulsa em mim e dá-me Vida:
Dá-me paixões e glórias tão supremas,
Que percebo sequer a alma ferida.
05.11.2002
A Palavra é minha arma no combate,
É minh’alma que sangra enquanto luta.
Com tentáculos de aço, é um alicate,
Que golpeia na fúria da disputa.
Raivosa, às vezes, como um cão que late,
Estraçalha com verbos e executa.
Abre imensos salões em atra gruta,
Depois faz rendilhados, no arremate.
Sangro com ela na batalha imensa!
Por ela suo estrofes e poemas,
Dela tiro em soluços, minha crença.
É alma que pulsa em mim e dá-me Vida:
Dá-me paixões e glórias tão supremas,
Que percebo sequer a alma ferida.
05.11.2002
XI
A Palavra é meu cárcere diário:
A ela estou preso com fatais algemas.
É minha cruz nos passos do Calvário,
É minha luz nas glórias mais supremas!
Com ela teço o longo itinerário
Para seguir as vastidões extremas.
É treva ao longo do caminho vário,
E claridade para as minhas gemas!
Dia após dia, instante após instante,
Sei-me dela um profano prisioneiro
E sou cruel, feroz, e doce amante.
Se busco defini-la, atroz se ofusca,
Depois brilha no céu como luzeiro
E jamais dá final a minha busca.
05.11.2002
XII
Se tento definir tua presença
Dizes que nada dizes, nada dizes.
Mas plantas na minh’alma cicatrizes,
Partes depois em plena indiferença.
E voltas novamente sem reprises
Embaralhando em cartas minha crença.
Retornas gorda – com vontade imensa,
E, magra, voltas para as minhas crises.
Quem te moldou primeiro o som metálico
Te desenhando as arabescas formas,
– Signos e hieróglifos, Pedra Roseta,
Primiu-te a Vida com seu gesto fálico,
E, deu ao Mundo as incontáveis normas,
Foi mais que gênio – foi um Deus asceta!
05.11.2002
Esio Antonio Pezzato
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