I
Oh! Mistérios profundos! Oh mistérios
Existentes além da Inteligência,
Que não os sabem desvendar a Ciência
E tantos homens que julgamos sérios.
Vivemos a apalpar a inconsistência
Tentando descobri-los nos saltérios,
Mas quedamos a olhar os cemitérios
E eles, vetustos, são-nos a incoerência.
E divagamos sobre a hipocrisia,
Morrendo sem saber a cada dia
Acreditando numa Eternidade.
Porém, nada se faz por desvendar-se:
A própria vida serve de disfarce
Para ocultar seu lastro de Verdade.
13.11.2001
23:25h.
II
Oh! Mistério que está por toda parte,
Como posso viver sem resolvê-lo?
Como posso viver se, ao encontrar-te,
Penetro o mais profundo pesadelo?
Encontro-te na minha simples Arte
De reunir as palavras num apelo.
E vibras como exótico estandarte
Envolto em tênues fios num novelo.
Dobro a esquina e não sei o que me espera
Ao ato de escrever, a folha é branca.
Enquanto durmo, sei que morro um pouco.
Quem leva o inverno e traz a primavera?
Como a palavra pode ser tão franca
Se até na realidade sei-me louco?
13.11.2001
23:28h.
III
Para um próximo passo – eis o mistério:
Posso não existir quando o ponteiro
Terminar o seu ciclo rotineiro
E meu sorriso for ficando sério.
Talvez exista falta de critério
Neste sonho de vida alvissareiro,
Ou talvez seja mesmo corriqueiro
Levar uma carcaça ao cemitério.
Todos os dias nós fazemos isso:
Colocamos na agenda compromisso
Sem saber se podemos realizá-lo.
E quem vai cancelar a nossa agenda
Se foi extinto o tempo da contenda,
Se em vida somos menos que um vassalo?
13.11.2001
23:33h.
IV
Haverá de existir um outro dia
Para nós acordarmos novamente.
Se hemos de apodrecer por ser semente,
Em vida brotaremos em magia.
Por certo existe um Deus onipotente
Que faz acontecer essa alquimia,
E o espírito que há tempos não sorria
Tem vida e passa a ter novo presente.
Se, dizem que a carcaça é que apodrece,
E o impalpável retorna ao lar etéreo,
Quem é que explica como isto acontece?
Temos por isso o nome de Mistério:
Uma saudade fica como prece
Quando nos levam para o cemitério.
13.11.2001
23:37h.
V
Mistérios, e mistérios, e mistérios,
Desesperanças, e desesperanças.
A alma perdida em sonhos e lembranças
Por entre entardeceres tão cinéreos...
Os carneiros estão nos cemitérios
Para abrigar adultos e crianças.
Uns são levados cheios de esperanças,
Outros sem dentes vão, sisudos, sérios.
Delírios, e delírios, mais delírios,
E sombras obumbradas, brandas luzes,
E almas em gozos, e almas em martírios.
Um silêncio sinistro, um riso oculto,
Mãos espalhando ao corpo algumas cruzes,
Para espargir o medo de tal culto.
13.11.2001
23:43h.
Oh! Mistérios profundos! Oh mistérios
Existentes além da Inteligência,
Que não os sabem desvendar a Ciência
E tantos homens que julgamos sérios.
Vivemos a apalpar a inconsistência
Tentando descobri-los nos saltérios,
Mas quedamos a olhar os cemitérios
E eles, vetustos, são-nos a incoerência.
E divagamos sobre a hipocrisia,
Morrendo sem saber a cada dia
Acreditando numa Eternidade.
Porém, nada se faz por desvendar-se:
A própria vida serve de disfarce
Para ocultar seu lastro de Verdade.
13.11.2001
23:25h.
II
Oh! Mistério que está por toda parte,
Como posso viver sem resolvê-lo?
Como posso viver se, ao encontrar-te,
Penetro o mais profundo pesadelo?
Encontro-te na minha simples Arte
De reunir as palavras num apelo.
E vibras como exótico estandarte
Envolto em tênues fios num novelo.
Dobro a esquina e não sei o que me espera
Ao ato de escrever, a folha é branca.
Enquanto durmo, sei que morro um pouco.
Quem leva o inverno e traz a primavera?
Como a palavra pode ser tão franca
Se até na realidade sei-me louco?
13.11.2001
23:28h.
III
Para um próximo passo – eis o mistério:
Posso não existir quando o ponteiro
Terminar o seu ciclo rotineiro
E meu sorriso for ficando sério.
Talvez exista falta de critério
Neste sonho de vida alvissareiro,
Ou talvez seja mesmo corriqueiro
Levar uma carcaça ao cemitério.
Todos os dias nós fazemos isso:
Colocamos na agenda compromisso
Sem saber se podemos realizá-lo.
E quem vai cancelar a nossa agenda
Se foi extinto o tempo da contenda,
Se em vida somos menos que um vassalo?
13.11.2001
23:33h.
IV
Haverá de existir um outro dia
Para nós acordarmos novamente.
Se hemos de apodrecer por ser semente,
Em vida brotaremos em magia.
Por certo existe um Deus onipotente
Que faz acontecer essa alquimia,
E o espírito que há tempos não sorria
Tem vida e passa a ter novo presente.
Se, dizem que a carcaça é que apodrece,
E o impalpável retorna ao lar etéreo,
Quem é que explica como isto acontece?
Temos por isso o nome de Mistério:
Uma saudade fica como prece
Quando nos levam para o cemitério.
13.11.2001
23:37h.
V
Mistérios, e mistérios, e mistérios,
Desesperanças, e desesperanças.
A alma perdida em sonhos e lembranças
Por entre entardeceres tão cinéreos...
Os carneiros estão nos cemitérios
Para abrigar adultos e crianças.
Uns são levados cheios de esperanças,
Outros sem dentes vão, sisudos, sérios.
Delírios, e delírios, mais delírios,
E sombras obumbradas, brandas luzes,
E almas em gozos, e almas em martírios.
Um silêncio sinistro, um riso oculto,
Mãos espalhando ao corpo algumas cruzes,
Para espargir o medo de tal culto.
13.11.2001
23:43h.
Esio Antonio Pezzato
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