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6 de janeiro de 2010

TRAGÉDIA FAMILIAR - Parte III



Para ter em minha vida
Este momento de dor?
Sempre fui uma devota
Sempre cri em Teu amor.
Mas agora, Deus, nest’hora,
A minh’alma sangue chora
E nela trago o rancor.

Rosinha a um canto chorava
Tamanha desilusão
Ao ver os seus irmãos mortos
Partia seu coração.
E a sós em sua agonia,
Brigou com a Virgem Maria
E lhe passou um sermão.

– Oh, minha santa querida,
Mãezinha que quero bem,
Por que não levaste a morte
Pelas estradas do além?
Mas trouxeste nesta casa
A dor que é pior que brasa
E tanta angústia contém.

– Veja só quanta desgraça
Nesta casinha reluz.
Parece que estão pregando
A minha mãe numa cruz.
Nest’hora de sofrimento
Também eu muito lamento
Pelo teu filho, Jesus!

– Mas minha mãe, coitadinha,
Veja só como ela vai
Tropeçando pelos cantos
Chorando e dizendo um ai ...
Mas de forças eu preciso
Para mandar um aviso
Ao meu adorado pai.

– Mamãezinha, fique calma,
Ai, não chores tanto assim,
Ao te ver sofrendo tanto,
A tua dor dói em mim.
Mas nesta angústia indigesta,
Eu preciso ir à floresta
Avisar papai, enfim... –

– Vai logo, filha adorada,
Vai dizer tudo ao papai
Que tragédia tão imensa
Em nossa vida hoje cai.
Vai logo, parte ligeiro,
Que o coração prisioneiro
Soluça um patético ai... –

Rosinha rapidamente
Partiu qual vento veloz,
Levava os olhos em pranto
– Embargada a sua voz.
E o vento disse à menina:
– Onde vais assim traquina
Com essa expressão atroz?

– Por que choras tão sentida,
Quem te fez sofrer assim?
Quem te magoa na vida
Há de ter um triste fim...
Mas Rosinha ia ligeira
Cortando a estrada, fagueira,
Com os olhos carmesim.

Rapidamente deixava
Quilômetros para traz...
Não corria – e sim voava
Igual a uma águia voraz.
E levava em seu desgosto
Profundas mágoas no rosto
No desespero sem paz.

Mas o seu pai concentrado
Com o machado lenhador
Em golpes duros, certeiros,
E de profundo vigor,
Feria a golpes de vândalo
Tronco que exalava a sândalo
Pondo no ar cheiro de flor.

Era uma árvore imensa
Pronta já para cair
Ferida em hora de morte
E começou a ruir...
Rosinha, precipitada,
Não percebia a cilada
Que sobre ela iria agir.

Quando o pai gritou “madeira!”
E a árvore tocou o chão,
Espremeu entre ela e a terra
A casta flor do sertão,
E sem um ai de agonia
Neste instante ali morria
Em seu desespero vão.

Ao pressentir a tragédia
Da árvore imensa a cair,
O lenhador com loucura
Começou gritar, zunir...
Ao perceber sua filha
Presa em ingrata armadilha,
Louco, começou a rir...

O pranto num desespero
A sua face tomou,
Invadiu sua garganta
Sua garganta engasgou.
Num desespero de morte
Praguejou a crua sorte
E contra Deus blasfemou.

E vendo Rosinha morta
Disse na sua aflição:
– Preciso tirar o tronco
Que a espreme contra o chão.
Está morta a coitadinha,
Matei a minha Rosinha,
Numa falta de atenção.

– Mas o que será que a trouxe
Aqui pra me visitar,
Será que era importante
O que ela vinha falar?
Com ela está seu segredo,
Oh, meu Deus, eu sinto o medo,
As minhas veias gelar!

E por mais de duas horas
O sofrido lenhador
Machadeou o enorme tronco
Com o coração em dor.
Para libertar Rosinha
Que estava morta e sozinha
E não tinha mais vigor.

Ao final de tanto empenho
De desespero e aflição
O lenhador tinha aos braços
A sua flor do sertão,
Mas ela já não sorria
Tinha as cores da agonia
A pintar seu coração.

Enquanto isso no casebre
Ao perceber Flor-de-Lis
Que Rosinha não voltava,
Ela em prantos, ao céu diz,
Que precisa, sem demora,
Calar su’alma que chora
E que está tão infeliz...

Evitar maior tragédia
Que sobre eles se abateu...
Talvez Rosinha na estrada
Noutro rumo se perdeu.
Se eu ficar aqui parada
Minh’alma desesperada
Não sabe o que aconteceu.

Foi ao quarto onde os dois filhos
Não podiam mais sorrir
E beijando-os com desvelos
Falou que iria partir,
Que eles ficassem quietos
Pois eram filhos diletos
E podiam se ferir...

Falou assim desta forma
Mas eles, na solidão,
Já não tinham sofrimentos,
Nem sentiam nada, não...
Pôs nos pés velhos chinelos,
No coração dois cutelos
– Partiu com disposição...

E deixou no chão da sala
O Armandinho de Jesus,
Que brincava sorridente
Com os ígneos raios de luz
Que perfuravam o teto
E o cobriam com afeto
Num carinho que seduz.

Ele em sua fantasia
Ficou brincando com o sol
Que faiscava em seu corpo
Como sublime farol,
Sem perceber que o perigo
Entrara pelo postigo
Daquele infando paiol.

Porém, a porta entreaberta,
Também não pôde antever
Que a desgraça ainda teria
Mais motivos a fazer.
Terrível porco-do-mato
Vindo das bandas do mato
Ali acha o que comer.

Um choro agudo, sentido,
Pedia socorro em vão,
Mas Flor-de-Lis ia longe
Se embrenhando no sertão.
E a fera, toda maldade,
Despedaçou sem piedade
A criancinha no chão.

Mas Flor-de-Lis pela estrada
Num desespero sem fim
Desencontrou o marido
E não pôde achá-lo enfim.
Mas na mata seresteira
Um sabiá laranjeira
Cantava alegre festim.

Porém, foi seguindo em frente,
E sua angústia aumentou
Ao ver a mancha vermelha
Do sangue que o sol secou.
O corote abandonado
O machado estava ao lado
Da marmita que rolou...

Um grito rude, agressivo,
Povoou a imensidão,
Flor-de-Lis deu meia volta
E partiu com decisão.
E cada passo que dava
Su’alma se via escrava
Da amargura e da aflição.

Tomé Luís bem cansado
Enfim chegou ao seu lar,
Porém, a voz do destino,
Mandou ir mais devagar.
Nos braços – morta a Rosinha,
Mas ao entrar na cozinha
Impossível não gritar.

Seu filhinho caçulinha
Estava morto no chão
E o esperto porco-do-mato
Debandou com precisão
À porta que estava aberta
Tomé com a vista alerta
Sentiu pior sensação.



Esio Antonio Pezzato

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