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30 de março de 2011

SOLIDÃO



Solidão


Na palidez da noite os meus passos sozinhos
Buscam a solidão para ter companhia.
Abandonado estou ao léu desses caminhos
Sentindo em mim bater a rija ventania.

A alma sem ilusões cambaleia vazia
Já não sente o calor e o farfalhar dos ninhos.
Silêncio, solidão e a noite arde vadia
Entorpeço-me frente às garrafas de vinhos.

Sem ti é bem maior, por certo, esta agonia.
Sem ti a solidão grita como demente
E sente a sensação de forma densa e nua.

E tu não chegas nunca. A cada novo dia
Eu visto a solidão dessa ausência presente
Que me acompanha à noite e minh´alma tatua.



02.11.2010

Esio Antonio Pezzato

28 de março de 2011

NA CONTRAMÃO


Na contramão


Na contramão da vida a gente põe os passos
Procurando encontrar os melhores atalhos.
Em turbilhão a ideia abre os pés dos compassos,
E busca transferir ao tempo os atos falhos.

Ignora o esquadro e o prumo e às cartas dos baralhos
Tenta em vão encontrar, apoio em fúteis traços.
Cada vez mais idiota aos ares de paspalhos,
Buscamos encontrar desculpas aos fracassos.

O destino da vida é longa estrada reta,
Ignoramos, porém cada preciosa seta
Que quer direcionar nossos errantes pés.

Tentamos apalpar com as mãos o mundo todo,
Mas a vida é somente areia fina e lodo
Que escorrem pelos vãos dos dedos num viés.


01.11.2010

Esio Antonio Pezzato

26 de março de 2011

SABER E NÃO SABER


Saber e não saber


Quem muito sabe quando pouco fala
Ensina muito; e a multidão atenta
Fica em silêncio, não se movimenta,
Ouvindo a foz que só saber exala.

A voz do coração jamais se cala!
A tal busca de luz nos alimenta.
E a alma procura, sempre mais sedenta
Conhecer ao saber, maior escala.

A própria vida muito nos ensina,
Pois do saber a vida é enorme usina
Onde a vivência à vida faz mais rica.

Porém quem pouco sabe quando fala
Quando mais fala atola-se na vala
Mais se complica quanto mais se explica.



30.10.2010



Esio Antonio Pezzato

24 de março de 2011

LAR


Lar


Pátria é colo de Mãe, é abraço forte e amigo
De Pai, é atravessar a rua conhecida,
É achar em qualquer casa um poderoso abrigo,
E encontrar no jardim, a roseira florida.

Pátria é a amizade pura, adorada e querida,
É à mesa um bom café, bolo, doce de figo,
A conversa informal, a breve despedida,
E o passo desviar da trama e do perigo.

Pátria é o doce sonhar com um breve retorno,
É poder assar pão no mesmo velho forno
É ver roupa quarando ao vendo no quintal.

É a Sagrada Família, a Mãe e o Pai por perto,
É a foto na parede, o riso franco e aberto,
É poder saborear a vida ao natural.



30.10.2010


Esio Antonio Pezzato

22 de março de 2011

TOLA ILUSÃO


Tola ilusão

A vida é uma ilusão, a morte é a realidade,
E o que sonhamos nós é apenas fantasia.
A mentira uma cruz coberta de verdade
Onde brilha a Razão de um Deus que me extasia.

A vida é sensação de suposta vaidade,
É pesadelo atroz que nos fere e crucia.
A verdade é uma luz que reflete a ansiedade
Onde explode em paixão o sol de um novo dia.

Ó delírio fatal dessa vida traiçoeira,
Hoje ela a nós oferta e no amanhã nos rouba
E tira o que nos deu e nos cobra com juro.

Não adianta promessa... a vida é passageira,
Com ares de carneiro é perigosa loba,
Tira nossa visão e nos deixa no escuro.



19.10.2010


Esio Antonio Pezzato

20 de março de 2011

DICIONÁRIO



Dicionário


Fria, insensível, morta, a palavra aparece
Destacada em negrito em velho Dicionário.
Abaixo, ao consulente, o mestre Aurélio tece
As considerações para o seu uso diário.

Em longas variações lembra uma estranha prece
E como alguém já usou para um outro cenário.
– Poder! Revolução! Amor! Guerra! Quermesse!
Como pode variar o longo itinerário.

Pesquisando a palavra encontro um novo mundo!
Decifro-lhe a raiz, sua forma correta,
E no transe supremo em delírios me afundo.

Ar que respiro, fogo a moldá-la concreta,
Terra a moldar-me os pés em desejo profundo,
Água a lavar-me a Alma e a fazer-me Poeta.



16.10.2010

Esio Antonio Pezzato

18 de março de 2011

LUGAR



Lugar


Minha Pátria é o quintal da minha casa,
Onde existe pomar, viceja a horta.
Onde do imaginário eu abro a porta
E abro para a amplidão a minha asa.

Pátria é meu quarto ardente como brasa,
Meu coração ligado à veia aorta,
Minha família que meu verso exorta,
O amigo que na festa não se atrasa.

Pátria é falar o idioma sacrossanto
É transformar no doce o gosto amargo,
E traduzir qualquer palavra em canto.

Pátria é o estar aqui na despedida,
E conquistar o mundo sem embargo,
É estar aqui quando findar a vida.

15.10.2010


Esio Antonio Pezzato

16 de março de 2011

TRAMAS - LIVRO A BUSCA PELO SILÊNCIO



Tramas


Vivemos nossa vida envolta em sonhos densos,
Enigmas decifrando e bordando esperanças.
Em delírios febris, imaginários, tensos,
Atiramos ao léu envenenadas lanças.

 
Nossos doidos ideais às vezes são suspensos
Pois coisas sem razão mordem nossas lembranças.
Em martírios sem fim, aloprados, intensos,
Despencamos do céu as sombras das vinganças.

Num desespero insano os nossos passos pomos
Numa estrada sinuosa e coberta de limos
Patinamos no lodo e tramas ardilamos.

Mal, porém, surge o sol a cintilar em cromos,
Perdemos mais um dia e na curva sumimos
Sem colher a esperança a florescer nos ramos.



11.10.2010


Esio Antonio Pezzato

14 de março de 2011

OLHAR ABSTRATO - LIVRO A BUSCA PELO SILÊNCIO



Olhar abstrato

Essa ilusão de pedra eu com as mãos esmigalho
E transformo-a no pó plasmado de fuligem.
Pois nesta vida sou paupérrimo espantalho
Que dos sonhos espanta os sonhos que me afligem.

Doida e vaga é a ilusão que me torna um paspalho!
E não sei decifrar de tal enigma a origem.
Sou apenas na estrada um velho e seco galho
Ao sol esturricado e sentindo vertigem.

Muita luz, pouco sol, a ilusão é isso tudo.
E doida a mão escreve um calendário mudo,
Sem luas e estações e sem nada de aviso.

Por isso é esse silêncio e este olhar rude e absorto.
Por isso é que caminho ansiando por um porto
Onde possa encontrar meu antigo sorriso.


Esio Antonio Pezzato

12 de março de 2011

DISSILÁBICO



Dissilábico


Prazer:
Voar
Amar
Viver!

Sofrer:
Odiar
Chorar
Morrer!

Assim
Sem mais
Sem fim

Pois é
Sem paz,
Sem fé.



09.10.2010

Esio Antonio Pezzato

10 de março de 2011

BARCOS DA ESPERANÇA - LIVRO A BUSCA PELO SILÊNCIO



Barcos da esperança


Os barcos da esperança em largo mar aberto
Vencem as solidões e o amplo espaço vazio.
Soltam as velas no ar num imenso alvedrio,
Procurando encontrar algum porto por perto.

Os barcos da esperança estão em rumo certo,
Vencem as amplidões, vencem noites de frio,
Acendem luzes no ar provocando arrepio,
Procurando aportar no inóspito deserto.

E com certeza sou piloto desse barco!
O verde vibra em mim qual pendão da esperança
Que tremula no céu escandalosamente.

Avante! Ao largo! À vida! O sonho é nosso marco!
Sou vida e denso amor distribuindo bonança,
Aos corações de bem – a fé como semente!



08.10.2010



Esio Antonio Pezzato

8 de março de 2011

IMAGINAÇÃO DO SONHO - LIVRO A BUSCA PELO SILÊNCIO


Imaginação do sonho


Procuramos sonhar. Dentro de cada dia
Vivemos a cumprir a dura realidade
Imposta sobre nós de maneira ímpia e fria
Na engrenagem da vida e em sua insaciedade.

Procuramos sonhar, recriando a magia
De conseguir sorrir frente à necessidade
E de seguir buscando a etérea fantasia
Sob um dia de sol, ou rija tempestade.

Procuramos sonhar imaginando Oasis,
Uma praia deserta onde desnudaremos
Porque dentro do sonho enfim somos capazes

De vencer a intempérie e o caminho de lodo,
Onde os barcos da vida afundam os seus remos
Porque somos, por certo, os pedaços de um Todo.



Esio Antonio Pezzato

6 de março de 2011

PÁTRIA CAIPIRA



Pátria caipira

Pátria é o foco da luz, solo denso e sagrado
Onde plantamos pés e pendemos em frutos.
É nossa rude voz num canto apaixonado,
E fincamos raiz e tecemos tributos.

Pátria é onde brilha o sol nas horas, nos minutos,
É onde colhemos mel mais puro e adocicado.
Nosso sonho febril, nossos modos astutos,
Doce sabor do sal e torrão abençoado.

Pátria é o canto maior de interesse supremo,
As horas de viver o sonho mais supremo,
Os dias do porvir e um sonho soberano.

Pátria é esse Rio em luz a causar sobressalto,
Piracema a luzir nas encostas do Salto,
É a glória de cantar: – sou piracicabano!



12.10.2010

Esio Antonio Pezzato

2 de março de 2011

FÉ - LIVRO A BUSCA PELO SILÊNCIO



A fé – bênção divina! – estandarte supremo
Em nossos corações, pilar e dura viga;
Nosso sonho sustenta ante o delírio extremo,
Quando nossa razão em frêmitos – periga!

Pendão miraculoso é a força frente ao Demo,
É a Beleza a suster nossa raiva inimiga,
Pura Sabedoria. Ante a fé nunca temo,
É pilar da confiança à angústia que castiga.

Proveniente de Deus quem tem fé nunca verga,
Pois sempre uma esperança à frente em luz enxerga
No delírio febril, na lúcida miragem.

Tudo pode vencer quem a fé tem ao lado,
E ela se faz maior para o desesperado
Na ânsia de prosseguir essa longa viagem!



11.10.2010


Esio Antonio Pezzato

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