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27 de janeiro de 2011

INSPIRAÇÃO

Tela Salvador Dali


Inspiração


O pensamento rompe os diques. Da montanha
Um estrépito se ouve em borbotões violentos.
Fogo em fúria feroz atiça os elementos,
Há um furor de vulcão estremecendo a entranha.

Límpida e clara a ideia em claros movimentos
Vai desenhando sóis de forma única e estranha.
A água em onda suave o pensamento banha
Logo após o estridor dos mais sanhudos ventos.

A pauta musical tem cadência e tem ritmo;
A onda vai, a onda vem num balanço marítimo,
E naufraga-se densa e é tímida e feroz.

A vida sangra pus, estilhaçam-se os músculos,
E palavra se esgarça e ao fogo dos crepúsculos,
A boca se abre a medo e regurgita a voz.



24.07.2010


Esio Antonio Pezzato

24 de janeiro de 2011

CALOR - DO LIVRO ALEGORIAS


Calor


Aleluia do sol singrando o espaço aberto!
Meio dia. Verão. Um calor escaldante.
A luminosidade absorve contagiante.
Árido e seco o chão mais parece um deserto.

Os pássaros pelo ar, num revoar incerto
Procuram se esconder do ar seco e sufocante.
Matam, na mina d´água a sede e num instante
Procuram uma sombra existente por perto.

Tórrido, o asfalto queima e parece ser brasa.
A sonolência chega e adentro minha casa
– Busco me refrescar desse brasido que arde.

Logo, porém do céu, cai uma chuva intensa
Refrescando o calor a água é sentida bença
Que faz amenizar o sufoco da tarde.



24.07.2010

Esio Antonio Pezzato

20 de janeiro de 2011

TRAGÉDIAS



Tragédias


O homem na fúria imensa e desmedida,
Agride a Natureza, os rios emporcalha,
Contamina a água pura onde germina a vida,
As florestas dizima a golpes de navalha!

Desertifica a terra até vê-la ferida,
O próprio ar contamina a fétida limalha.
Constrói diques, ateia a chama suicida,
E a tênebra da morte em negra sanha espalha.

Porém a Natureza, em seu ciclo transporta
As montanhas de terra apodrecida e morta
E sua força mostra em pus, em asco, em lama.

Faz desatar na terra as águas em dilúvio,
Faz vomitar em fogo as gosmas de um Vesúvio,
E assim a Natureza o seu revide trama.



19.01.2011


Esio Antonio Pezzato

19 de janeiro de 2011

ANTONIO HENRIQUE CARVALHO COCENZA



ANTONIO HENRIQUE CARVALHO COCENZA


O ano velho fechou a sua velha porta
Antes, porém, rangeu num estrido gorgêneo.
O sorriso morreu e a presença hoje é morta

Antonio

A chuva despendou em rebuliço imenso
E a lágrima levou o nosso sonho a pique.
Rugiu o vendaval e com saudade penso:

Henrique

Forte o tronco ruiu e foi beijar a terra,
E descansou a voz que bradava em farfalho.
O olhar procura em vão pela saudade que erra

 Carvalho

Das palavras doutor e mestre do sorriso,
Que a terra cristinense o teu corpo hoje benza.
Por que te foste assim sem nos dar um aviso,

Cocenza?


05.01.2011


Esio Antonio Pezzato












18 de janeiro de 2011

DEUS - LIVRO ALEGORIAS



Deus


Em tudo nesta vida eu sinto as mãos sagradas
E benditas de Deus: é Dele este projeto
De criar as manhãs, as noites encantadas,
As estrelas, o sol e o minúsculo inseto.

As montanhas, os céus, as belas madrugadas,
Tudo é Dele e vem Dele esse sonho concreto.
Foi Ele quem deixou almas apaixonadas,
E ao homem ensinou números e alfabeto.

É Deus o nosso Pai e Senhor disso tudo.
O cósmico infinito ante Ele é uma fagulha
Sem Seu sopro de Vida e o homem seria mudo.

Deu-nos o dom de amar e além desta áurea sorte,
Entregou-nos a Fé que nos ronda e patrulha,
E fez-nos ser iguais perante a Vida e a Morte.



23.07.2010

Esio Antonio Pezzato

16 de janeiro de 2011

PAINEL - DO LIVRO ALEGORIAS



Painel


Lusco fusco. No espaço as nuvens arruivadas
Pelos fachos de luz que o sol ainda golfeja,
Refletem mil painéis de telas esmaltadas
Num cromatismo etéreo e de paz benfazeja.

Extasiado contemplo essas telas pintadas
Pelo Pintor maior que mil cores bafeja
Sobre o etéreo dossel que as cores concentradas
– Fagulhas de ouro em pó! – sobre a terra despeja.

Sinto o sopro de Deus sobre a densa ramagem
E pareço fitar um oásis no deserto
Enquanto os ventos bons entre as roseiras agem.

Respiro um cheiro bom de alecrim e canela,
E frente a esse cenário imenso, largo e aberto
Cuido em tudo ver Deus da terra sentinela.



23.07.2010


Esio Antonio Pezzato

7 de janeiro de 2011

CONTEMPLAÇÃO



Contemplação


A distância contemplo o contorno da Serra
Onde se deita o sol apagando arandelas.
E logo a noite traz a lua-cheia que erra
Mostrando ao seu redor um carrossel de estrelas.

Assim o largo espaço abre-se em passarelas
E em miríades de luz põe brilhos sobre a terra.
Nas noites hibernais límpidas, claras, belas,
O Cruzeiro do Sul brilho maior descerra.

Em êxtase maior com meus olhos contemplo
A Via Láctea estender-se em milhões de anos-luz
Sobre nós colocando a abóboda de um Templo

Onde o Grande Arquiteto e Senhor do Infinito
Paira acima de tudo e firme nos conduz
Para um Amor maior, mais puro e mais bendito.


23.07.2010

Esio Antonio Pezzato

3 de janeiro de 2011

PORTA DO FUTURO



Porta do futuro

A vida é um labirinto enorme, turvo, escuro,
Onde dia após dia abrimos uma porta
Que por nós é chamada a porta do futuro,
E nos mostra uma estrada infinita, ampla e torta.

Às vezes frente à porta e meu pego inseguro,
E a dúvida cruel minha razão transporta
A um chão árido, negro, espinhoso e tão duro,
Que a esperança aparece e ela é pálida e morta.

E no correr da estrada os nossos passos pomos
Buscado acalentar insensatos projetos
E procurando, em vão, pelos durados pomos.

Porém a maldição em negros alfabetos,
Fustiga a nossa vida em luminosos cromos,
E impropérios fustiga em infernai dialetos.



23.07.2010
 
Esio Antonio Pezzato


1 de janeiro de 2011

MENTIRA CINTILANTE


Mentira cintilante


À luz de uma ilusão, firmes, tolos e cegos,
Incautos, vamos nós em busca da mentira.
Subjugamos os céus, inflamos nossos egos,
E atinamos a voz no clangor de uma lira.

A ilusão ilumina em brilhos de safira
Põe veludo em seu timbre amortecendo os pregos.
Seu caminho atapeta encobrindo a lezira,
E num bote fatal todos nós somos pegos.

A luz de uma ilusão anima nossos passos,
Estiramos em febre os músculos dos braços
A canseira inexiste e ela mais nos ilude.

Porém um dia chega e velhice sanhuda
Quando não temos mais a quem pedir ajuda,
E na vala se foi a nossa juventude.



23.07.2010



Esio Antonio Pezzato

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