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5 de abril de 2013

O Vidente


(Este poema de 1983 é uma lembrança do poema do mesmo título do grande Poeta Castro Alves. Apropriei-me do texto de Isaías, que também encima o poema como o verso final de algumas estrofes.  O poema original é simplesmente lindo. O meu uma cópia mal feita. Vale o esforço apenas. Também muitos alexandrinos são irregulares mas isso não invalida o poema. Esio)

(Virá o dia da felicidade e Justiça para todos.)
                                              Isaías

(E o vácuo se povoa de tua sombra, oh, Deus!)
                                               Castro Alves



Às vezes, quando sinto a alma de amores cheia,
Uma canção de Amor meu coração anseia
Em cantar, e na luz desta visão sagrada
Caminho – à luz do sol, ou densa madrugada
Para encontrar o Altar da enorme Natureza
E rezar a canção de singular beleza:
– “Senhor! Ao ver que Tu – Santo, Poeta, Artista,
Com os dedos de luz, na forma de alquimista
Criaste com fervor labirintos, entranhas,
Mares, rios e céus, precipícios, montanhas,
Aves voando no ar, animais pela terra
E nas águas, e a luz que pelo Universo erra
E as árvores olhando os céus em uma crença
Lembrando exclamações da forma oculta e intensa,
No chão, ajoelhado e olho para os Céus,
E o vácuo se povoa de tua sombra, oh, Deus!”

Eu vejo os campos onde o Homem colhe o que planta
E novamente eu sinto haurir-me na garganta
Teu imenso Poder: vales férteis de trigo
Para o Homem preparar o pão sagrado e amigo!
Pomares, cafezais, aveia, milho, cana,
Arroz, feijão, batata e em força soberana
O rude lavrador que, resignado aceita
Os milagres de Deus para a nova colheita!
Vejo gados no pasto e em novas esperanças
Talhas de leite para amamentar crianças!
Vejo ovelhas coma lã que aplacam nosso frio
E nos teares velho a vida além de um fio...
Com os olhos descubro em amoreiras densas,
Bichos da seda e nos casulos as imensas
Larvas, que vão ficando aos poucos, inquietas,
Até se transformarem em lindas borboletas...
Mais além, um zumbido e o enxame das abelhas
Que à procura do mel, beijam bocas vermelhas.
Novamente ajoelho e vejo a Terra e os Céus
E o vácuo povoado de tua sombra, oh, Deus!

Depois descanso o olhar – creio que não existe
Penso, motivo algum para se viver triste...
Em tudo as mãos de Deus estão presentes, tudo
Vibra num dom de Amor, então eu fico mudo
E após começo a trabalhar com o pensamento
E impávido a mim vem um terrível tormento: –
O Homem que Deus criou à Sua semelhança
Constantemente brada um grito de Vingança,
E tudo, num pavor, num desespero infindo
Macabramente e horrivelmente a mim vem vindo!
Guerras, destruições, crimes, assassinatos,
Surgem-me num teatro onde os nefandos atos
São cheios de terror, são cheios de cobiça,
E o perfume do Amor, transforma-se em carniça!

Desesperos fatais, sepulturas sem nome,
Crianças a chorar estão passando fome
E ao redor dos canhões fazem suas cirandas
E se esquecem das belas e fantásticas bandas
E as estradas de flores morrem e ficam feias,
Pois os homens, ali, tramam negras ideias 
Com o pensamento preso às mortes, às torturas,
E cavam com as mãos, as próprias sepulturas.
Senhor! Vendo nos céus aviões e foguetes
E na terra os fatais e negros aríetes
Devastando com fúrias a Natureza, eu sinto
Que em cada coração o Amor está extinto...
Não mais existirá o afeto meigo e puro
Nem mesmo existirá, para nós, um futuro
Onde a Esperança e a Paz sejam cantos sublimes
Pois os Homens estão presos a negros crimes,
A crimes sem perdão e todos condenados
Hão de seguir ao fogo eterno e massacrados
Hão de gemer, gritar e clamar a Esperança,
Mas o eco tão somente irá gritar – Vingança!

Vingança, irão clamas todos os oprimidos,
Os duendes da guerra, os soldados vencidos
Pela dor, pela fome e a ausência de carinhos,
Pois nos vales da dor estiveram sozinhos
Lutando pela vida e pelos seus direitos
Que os Homens do Poder tiraram com proveitos!

Tudo desolação, desesperança imensa,
Mais ainda resta em tudo uma pequena crença
Que o Homem irá mudar seus instintos de guerra;
E em plena Paz e amor viverão nesta Terra!
Os campos voltarão a florescer, quem dera!
Após passar o Inverno e vir a Primavera!
Nos céus, as aves soltarão cantos sagrados,
E os homens, para ouvi-las, estarão ajoelhados;
A fartura estará presente em toda a mesa,
Porque assim reza a Lei da Santa Natureza;
Os imensos quartéis servirão para Escolas,
Também não haverá ninguém pedindo esmolas; 
Os museus guardarão fuzis, metralhadoras,
E os tiros ecoarão para anunciar auroras;
As mulheres serão esteios aos maridos,
Quando eles, do trabalho, voltarem deprimidos;
As famílias terão seus filhos e raízes,
E não existirão as tristes meretrizes;
As grávidas terão seus filhos e seus peitos
Irão dar de mamar com todos os direitos;
Os hospitais irão curar sem cobrar nada,
Pois a Irmandade em Deus irá ser respeitada;
Todo médico irá, em consultas à noite,
Mesmo que a chuva caia e o vento em rijo açoite;
As cadeias terão suas portas abertas,
Pois elas, de ladrões, irão estar desertas;
Todos irão viver pela Fraternidade
E juntos, vão gozar mares de Liberdade;
As Igrejas irão estar sempre repletas
E nas Praças irão declamar os Poetas
Os seus cantos de Amor, de Paz e de Esperança
Quando virem, a rir, uma doce criança!
As casas não terão mais grades nas janelas
Para que as trepadeiras possam entrar por elas!

Os jardins estarão sempre lindos, floridos,
E os ipês deixarão canteiros coloridos;
Também não haverá gaiolas para as aves,
Pois aos bandos irão, em cânticos suaves,
E sem medo de tiros, brincar com as crianças, 
Pois o mundo será de Eternas Esperanças!
Não haverá no Céu troares de trombetas,
Muito menos na Terra, envenenadas setas;
E todos, de joelhos, numa oblação imensa,
Em nome do Senhor farão sublime crença! 

Enfim a Terra irá viver livre, liberta,
E a paisagem da guerra será toda encoberta;
Fachos de luz virão iluminar o mundo
E eu após tanta luta irei, num dom profundo,
Com a voz num turbilhão, rasgar a Terra e os Céus,
E o vácuo povoado de tua sombra, oh, Deus!

22.04.1983

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