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15 de agosto de 2013

Agricultura




                                       
                     Já que comemoramos neste Agosto o aniversário de Piracicaba, 246 anos,
                     coloco aqui o Canto V de meu Poema "Os Caipiras". Neste canto falo
                    da Agricultura que deu progresso à nossa cidade, desde os cafezais, até
                     a quebra da Bolsa em 1929 e falo, especialmente, de nossos canaviais,
                     que até hoje forram de verde nossas paisagens.
                       Após muita luta a queimada de cana teve fim, ou já deveria ter seu fim
                     decretado e nas estrofes finais deste canto, falo especialmente dela.
                      Espero que gostem dessas estrofes.
                       Esiopoeta


                               Canto V


Agricultura

  
                       I

Até mil oitocentos e cinquenta,
Canaviais dominavam nossos prados,
Depois os cafezais, de forma lenta,
Com esperança e fé foram formados...
Cana e café! Numa epopeia benta
Em nossos solos eram abençoados!
O café era o sangue que jorrava!
A cana era o suor da mão escrava!

                       II

Além da cana e do café havia
A cultura do arroz com muita gana,
O feijão de primeira serventia
Também vinha de forma soberana!
Porém, num amplo sonho de Poesia,
No idolatrado chão vibrava a Cana
Que forrava de verde os nossos prados
Deixando corações apaixonados! 
             
                       III

As vastas plantações dos fazendeiros
Exigem muitos zelos permanentes:
São colonos cuidando, prazenteiros,
De toda a agricultura... São sementes
Selecionadas, são os bons viveiros,
Com mudas especiais e se, inclementes,
Rudes geadas atacam a fazenda,
O prejuízo nota-se na renda.

                       IV

Por isso, os fazendeiros com cuidados,
De engenheiros da Escola Agronomia,
Evitam sempre os vales rebaixados
Para fugir à geada dura e fria.
Assim melhores frutos são formados
E alcançam sempre uma melhor valia,
Da maneira depois, justa e perfeita,
Tem início o trabalho da colheita.

                       V

Sob os pés-de-café faz-se a coroa
Para que nenhum grão fique perdido,
E o lavrador, com graças, abençoa,
O terreiro onde irá ser estendido
Todo o trabalho de uma safra boa.
Os grãos, sob o calor do sol brasido,
Pelo rodão vão sendo misturados
Para que todos fiquem ressecados.

                       VI

Depois a grandes tulhas conduzidos
Espera-se a época melhor de venda;
Os lucros são somados, divididos,
E uma parte é aplicada na fazenda.
Lavradores felizes são reunidos
Nos terreiros, em frente da vivenda,
E saudando a colheita que findou-se,
Tomam canecas de café bem doce. 
             
                       VII

Cafezais estendiam-se a distância
Forrando o chão de glóbulos vermelhos;
Era a riqueza que chegava em ânsia
Emoldurando sonhos com espelhos.
Sentindo as mansas aves a fragrância
Daqueles frutos, iam aos grupelhos,
Pousar naqueles líricos pomares
E ali mesmo teciam os seus lares...

                       VIII

Eram rolinhas que chegando aos centos,
Mil orquestras de arrulhos anunciavam;
A princípio de olhares bem atentos
Prontas para partir sempre ficavam...
Mas enquanto tiravam seus sustentos,
Distraídas, sequer elas notavam,
Que subia entre galhos, em manobra,
Sibilante, nefasta e horrível cobra...

                       IX

Nestas horas, meus Deus! – pleno alvoroço! –
As rolinhas fugiam assustadas.
A cobra – parecendo só pescoço –
Jamais falhava em suas atacadas.
Ai! neste canto ainda parece que ouço
O arrulho das rolinhas apanhadas
Debatendo-se em última agonia,
Logo após o silêncio... A calmaria...

                       X

As cobras eram os reais perigos
Para os colonos, para os fazendeiros.
As cascavéis faziam seus abrigos
Em velhos e esquecidos cupinzeiros...
– Crianças não fugiam aos castigos:
Brincando nos imensos capinzeiros,
Para elas – um lugar do paraíso! –
Logo se ouvia o sibilar de um guizo... 

                       XI

Dessa forma os colonos, em alerta,
Tomavam sempre o máximo cuidado:
Quando era alguma cobra descoberta
A colocavam num caixão lacrado
E o Butantãn era a pousada certa
Para que o réptil fosse aproveitado.
– O veneno que dava a morte em coro,
No Instituto era transformado em soro!

                       XII

Quando o café era o ouro da lavoura
E enriquecia nobres lavradores,
Um pandemônio sem igual estoura
Trazendo aos fazendeiros muitas dores.
Em vinte e nove, fúnebre tesoura,
Corta sonhos, decepa mil horrores:
Imensos cafezais são destruídos
Matando lindos sonhos coloridos.

                       XIII

O desespero invade amplas fazendas
Onde a safra colhida apodrecia.
Mais parecendo fantasiosas lendas,
Tétrica realidade acontecia:
Outrora o riso fácil das vivendas
Era trocado por melancolia;
O preço do café caíra tanto
Que ao fazendeiro até causava espanto!

                       XIV

Fazendeiros por fim alucinados,
Ao ver a safra toda apodrecida,
Passam a ter momentos aloucados:
Para enganar e a safra ser vendida
Esborrifam nos grãos tons esverdeados
Imitando que neles ainda há vida;
Mas nos celeiros sacas apodrecem
E o desespero nos senhores – crescem... 

                       XV

O comércio gerado foi suicida:
Para levar a safra até o Porto
Não valeria a pena tal corrida.
A exportação fazia o sonho absorto
E o desespero vinha sem guarida.
A esperança jazia em vale morto
E para não se virem arruinados,
Pés-de-café ao fogo eram lançados...

                       XVI

... Depois imensos campos dizimados,
Era a visão funesta que se via...
Novelos de fumaça avermelhados
Contrastavam co’o céu numa agonia.
Os ricos fazendeiros alquebrados
Não tinham esperanças em tal dia.
E para completar tão negra sorte,
Muitos foram buscar a própria morte...

                       XVII

E foi desta maneira desumana
Que teve fim o ciclo cafeeiro.
Em lugar de café plantou-se a cana
Que foi adocicar o mundo inteiro.
E esta nova cultura, soberana,
Glorificou o solo brasileiro.
E a garapa, a jorrar grossa da bica,
Deixou Piracicaba bem mais rica!

                       XVIII

Toda a cultura pródiga da cana,
Fazendo parte ativa do progresso
Da longa história piracicabana,
No século XVIII teve ingresso,
E a resoluta força interiorana,
Prevendo o largo veio de sucesso,
Estendeu canaviais, forrou de verde,
O solo que de vista além se perde... 

                       XIX

E surgiram depois grandes usinas...
Os canaviais forravam as fazendas.
Por fim, dando a impressão de mil narinas,
Todo o céu se cobria de legendas
Co’a fumaça formando serpentinas,
Para a população criar as lendas                                                    
De sonhos, de riqueza alvissareira,
Neste rincão da Pátria brasileira!...

                       XX

E os sonhos se tornavam realidade:
O gosto da garapa e do melado
Invadia de súbito a cidade;
E cada coração apaixonado
Sorria pleno de felicidade,
Por ver o próprio chão multiplicado.
E o caboclo cantava de alegria
Ao ver o seu trabalho ao fim do dia...

                       XXI

E nossa terra, a largos horizontes,
Ia sendo cantada e conhecida,
Nossos produtos eram como pontes
Ligando povos à paixão querida.
E nas várzeas, nos prados e nos montes,
(Onde entre flores é mais bela a vida!)
Nossas riquezas eram exportadas
Nas mais distantes vicinais estradas...

                       XXII

E quando estão em épocas de corte
Muda-se o movimento da cidade:
Caminhões são usados no transporte
Enquanto os bóias-frias, com vontade,
Neste labor cruel e muito forte,
Trabalham com insana intensidade.
As Usinas operam febrilmente
Produzindo o ouro branco reluzente!
  
                       XXIII

Porém, para aumentar o desespero,
É ver crianças pálidas de frio
Lutando na jornada com esmero
Num transe que nos causa desafio.
A elas esse trabalho é um exagero
E provoca o mais tétrico arrepio;
Co’a cabeça coberta por um xale,
O que produzem muito pouco vale!

                       XXIV

Muitas vezes não vão sequer à Escola,
Pois ajudam os pais nessa jornada.
Tal trabalho sequer vale uma esmola
À criança que está desamparada.
E com seus pés no chão, feitos de sola,
A pele toda fica enregelada.
Mas é esta a angústia que tal sonho vaza:
Precisam ajudar dentro de casa!

                       XXV

Assim, dessa maneira descabida,
Esse trabalho rende muito pouco.
O bóia-fria entrega a sua vida
Tendo o facão às mãos, num sonho louco,
De ver sua existência mais florida...
Às vezes, uma voz num canto rouco,
No denso canavial, triste e sozinha –
Murmura uma sofrida ladainha...

                       XXVI

São famílias inteiras no trabalho
De levar para casa o seu sustento.
Mas a cana não serve de agasalho
Quando, rude e impiedoso, ruge o vento.
Às vezes o facão nas mãos faz talho
Tornando-se maior o sofrimento.
E uma carreira – tendo a vez de quarto –
Serve para a Mulher fazer seu parto! 

                       XXVII

Outras vezes, de jeitos subumanos,
Esses trabalhadores bóias-frias,
Após trabalhos trágicos e insanos,
Sofrem as mais infaustas agonias:
Caídos em ciladas ou enganos,
São roubados ao término dos dias,
Para mais aumentar tanto calvário,
Também são despedidos sem salário!

                       XXVIII

E as usinas não param no trabalho;
A jornada é constante e ininterrupta.
Jorra a garapa como negro orvalho
Junto às moendas, que na força bruta,
Trabalham no estridor de forte malho
Como se houvesse colossal disputa
Entre a Máquina e o Homem... E há quem pense
Que nesta luta é a máquina quem vence!

                       XXIX

Embora faça parte do processo,
A queimada da cana causa medo!
Abre na terra um fundo e forte abscesso
E o espaço aberto fica imundo, tredo...
Parece que um demônio ímpio, possesso,
Despencando do inferno, num bruxedo,
Nos largos canaviais faz sua festa
Enquanto o fogo imenso a tudo cresta...

                       XXX

A terra ferve... Rolos de fumaça
Sobem ao céu num pandemônio imenso,
Fazendo mais crescer essa desgraça...
O ar pesado, poluído, grosso, denso,
Em toda a redondeza eclode, grassa,
– Parece que um turíbulo de incenso
Numa celebração de rito horrendo,
Célere passa em combustão, fervendo!... 

                       XXXI

As aves que fizeram os seus ninhos
Nas touceiras de canas verdejantes,
– Bicos-de-lacre, rolas, colheirinhos –,
Soltam pios sofridos, delirantes...
Não podendo salvar os filhotinhos,
Co’a chegada das tochas fumegantes,
No ímpeto de vencer feroz batalha,
Num voo vão de encontro co’a fornalha!...

                       XXXII

Nossa luta é maior do que supomos
Pois invisíveis são os inimigos.
Produzindo em surdina seus assomos,
Envolvem nossos sonhos em perigos.
A nós restam somente horríveis cromos
E os mais inaceitáveis dos castigos.
Quando o vento produz rajada forte,
As labaredas têm poder de morte.

                       XXXIII

O forte fogo foge do controle
E além dos canaviais, matas invade.
Éolo parece ter imenso fole
Para mais alastrar sua maldade.
A labareda infame tudo engole;
Para prendê-la não existe grade.
Com força colossal os campos mina
Pondo névoas na Noiva da Colina.

                       XXXIV

Fogo feroz... Assim os usineiros
Nos densos canaviais, fazem queimada –
A noite brilha imersa nos luzeiros
Tornando-se uma tocha avermelhada.
Mais parece Satã, de olhos morteiros,
Soltando pela boca escalavrada
Fúrias, blasfêmias, gritos de vitória,
Após uma batalha merencória. 

                          XXXV                                                                    

Piracicaba em frêmitos caminha,
Seus passos no futuro põe confiante.
Se nessa luta estóica está sozinha,
Mesmo sofrendo vai seguindo adiante.
A Palavra num grito vibra asinha
Mas a tocha de fogo fumegante
Crepita em canaviais e sangra vidas,
Deixando cicatrizes e feridas.

                       XXXVI

O deus do fogo de maneira insana
No vandalismo fere a fauna e a flora.
É a queimada maléfica da cana
Que faz chover carvão em plena aurora.
Assim a terra piracicabana
Desesperadamente sofre e chora,
Onde a angústia é maior do que se pensa,
Com o ar seco que traz dor e doença.

                       XXXVII

Mas mesmo assim Piracicaba luta
Para deixar seu céu mais claro e puro.
Porém, essa vontade resoluta,
Cava tumbas nos dias do futuro,
Pois a ganância, de maneira bruta,
Trava combate em campos de monturo
Vencendo com propinas e artimanhas,
Ardilando propostas e barganhas.

                       XXXVIII

Dessa luta cruel que se apresenta
Que tome parte o coração caipira.
Abra o peito à maneira mais sangrenta
Mostrando o pus que a morte insana atira
Com vontade voraz, viril, violenta.
Se o fogo do progresso é uma mentira
E ilude com veludos e brocados,
Que os caipiras-guardiões sejam soldados. 

                       XXXIX

Empobrecem assim a nossa terra
Que corre o risco de virar deserto.
Mas desvalida e insana é a negra guerra
Frente ao progresso que campeia incerto.
A Vida num espasmo, louca berra,
Mas é sempre maior o desacerto.
Porém, caminha e vai vivendo à míngua,
Já que para lutar, sequer tem língua.

                       XL

Terpsícore e Melpómene abraçadas
Tecem tragédia e traçam treda dança.
Ambas morrem por fim intoxicadas
Porque já não vislumbram a esperança.
As terras antes ricas e adubadas,
Hoje trazem a morte por herança;
A tênebra a ser vista é tão imensa,
Que desconheço o canto para a crença.

                       XLI

Oh! Musas, para vós não há consolo,
Pois a visão é trágica e medonha.
Quando o homem for comer o último bolo
Já não lhe restará sequer vergonha.
O homem é mau, cruel, porém, é tolo,
Somente co’o ouro fúlgido ele sonha,
Porém tanto devasta a Natureza,
Que um dia ele há de ter vazia a mesa.

                       XLII

Avançando trincheiras das batalhas
Mostrando férrea força destemida,
Que não lute buscando áureas medalhas,
Mas tão-somente o continuar da Vida.
Se tecem nossas leis cheias de falhas,
Onde existe uma porta de saída,
Que o coração caipiracicabano
Seja um soldado, um gladiador romano! 
             
                       XLIII

Eis que o progresso avança a passos largos
Ferindo campos, rios e florestas,
Desrespeitando as leis com seus embargos
E tornando as paisagens mais funestas.
Com sabores de morte acres e amargos,
A poluição penetra pelas frestas,
Envenena dos rios suas águas,
Em nossas vidas colocando mágoas.

                       XLIV

Eis o progresso estradas asfaltando!...
Mais parecendo imensos intestinos,
Dos nossos sonhos tudo vai matando
Engolindo de vez nossos destinos.
Dos pintassilgos já não há mais bando
Que outonos alegravam com seus trinos.
Sumiram as sabiás, os avinhados,
E espécies mil de pássaros dourados...

                       XLV

Eis o progresso salpicando em tudo
A fuligem da morte e da desgraça.
De belos cantos o presente é mudo
E é cada vez maior tão negra ameaça.
Ele nos cobre em colchas de veludo,
Oferecendo o brilho – por trapaça!
Com ares poderosos e sublimes,
Eis que o progresso vai ponteando crimes!

                       XLVI

Tudo pode o progresso na investida,
Tudo engole na sua insana fome.
Mata o sorriso dizimando a vida,
Mancha estradas com sangue por seu nome.
Nada o detém na fúria destemida,
Não existe também força que o dome.
Procissão cadavérica que avança
E tudo mata em nome da esperança.
                
                       XLVII

A ganância com garras assassinas
Assalta nossos sonhos mais ridentes.
Parecendo-se dóceis bailarinas,
Passa rangendo seus caninos dentes.
Soltando podridão pelas narinas,
É uma deusa de modos contundentes:
Mata a Esperança, nossos sonhos tolda,
E a impinge podre em nossa pele solda.

                       XLVIII

Tudo vence com suas fortes garras,
Tudo depreda com desgraça imensa.
Presa nos talabares das fanfarras,
Vomita, cavernosa, a sua crença.
Avança diques, centripeta amarras,
E deixa por nefasta recompensa,
Vales vazios, vasquejar da morte,
Na mais profana, hedionda e rude sorte.

                       XLIX

Mas a mão da justiça tudo encobre
Sempre tece razões aos assassinos.
O céu azul transmuda em cor de cobre
Qual festival de horríveis bailarinos
Numa dança macabra, podre, pobre...
Ouvem-se gritos tristes e ferinos,
No festival de tanta atrocidade
Onde a ofensa é de pus e de maldade.

                       L

... Depois que o fogo rápido, envolvente,
Destruiu o canavial e suas vidas,
A gente olhando, superficialmente,
Vai divisando pútridas feridas...
O ar se mistura a um gosto pestilente,
Covas de terra sangram desnutridas...
E para coroar tal desencanto,
                        Do céu caem lágrimas de um negro pranto!... 

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