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30 de novembro de 2010

FRIO - LIVRO ALEGORIAS



Frio

O inverno se aproxima, o frio rijo e denso
Encalacra no corpo e provoca tremores.
Sob a fina neblina estremecem as flores,
E em fria solidão os meus sonhos condenso.

O fumo esbranquiçado é nebuloso, é imenso,
E a sinfonia branca é de variadas cores.
À gaze do luar em fúlgidos livores
Me deixa em solidão e nesse estado penso.

O pensamento em febre é voluptuoso e rijo,
Não consigo sair do frio esconderijo
Sem deixar pelo chão, rastos de caramujo.

Vomitam chaminés uma branca neblina;
Porém meu coração, na febre purpurina,
Em febre se debate e contra o frio estrujo.


22.06.2010


Esio Antonio Pezzato

26 de novembro de 2010

INSANA BUSCA - LIVRO ALEGORIAS


Insana busca

O poeta procura – em seu desejo imerso,
Que lhe seja de rima, uma gota de luz,
Para poder compor justo e perfeito um verso
Que ao sol fulgure em glória e em brilhos jorre a flux.

Porém, o pensamento arde em fogo disperso
E nada do que sonha em frêmitos traduz.
É ínfimo o seu sonhar frente ao largo Universo,
E o que sonha ser belo, é sânie e expele pus.

Degrada a inspiração, o verso morre à míngua,
Para cantar, na boca enrola e dobra a língua
E o vocábulo engasga e o pensamento é absorto.

E a febre continua e é maior o desejo.
Mas sequer a Palavra é espelho a tal ensejo,
E sua glória é morta e seu anseio é morto.

17.06.2010



Esio Antonio Pezzato

24 de novembro de 2010

CONTEMPLATIVO - LIVRO ALEGORIAS


Contemplativo



Contemplo da janela, em êxtase profundo,
O dossel do infinito em estrelas bordado.
Mundos por descobrir deste pequeno mundo
Onde vivo e divago e sonho apaixonado.

Busco encontrar o olhar de Deus santo e fecundo
Que espalhou pelo céu esse tesouro alado,
No equilíbrio perfeito onde de luz me inundo,
E em glórias penso vê-Lo em sonho não sonhado.

Existe, muito além, outras formas de vida
Que sonham como nós ou vivem diferentes
Olhando em outro céu e em outro Firmamento!?...

Filhos de um mesmo Deus de uma época escondida
Têm em seus corações os mesmos sonhos crentes,
Ou cultivam a fé no murmúrio do vento?


14.06.2010




Esio Antonio Pezzato

23 de novembro de 2010

POSSE - LIVRO ALEGORIAS


Posse

 
Quando chegares trêmula, ofegante,
No lânguido desejo do abandono,
E eu te mostrar o meu poder de dono,
Com firme olhar de posse anavalhante;

As horas que perdeste de teu sono,
Sonhando este momento delirante,
Farão de ti a mais submissa amante
E serei o teu rei diante do trono.

E não terás desejos nem vontades
Que não sejam os meus e a posse ardente
Te farás tão-somente – meiga escrava.

E presa às minhas ordens em tais grades,
Sorrirás ao sentir o sangue quente
Escorrendo-te n´alma como lava.



11.06.2010


Esio Antonio Pezzato

22 de novembro de 2010

PLANTAÇÃO E COLHEITA



Plantação e colheita

Enquanto conto as sílabas nos dedos
A metrificação corre perfeita.
Pois os versos são cheios de segredos,
– Se quebrados, a mente não aceita.

Se a plantação, um dia foi bem feita,
Os versos brotarão leves de ledos.
Dessa forma procuro, na colheita,
Desprezar versos pútridos e azedos.

Portanto tomo o máximo cuidado
Na métrica, na rima, na cesura,
No decassílabo e no alexandrino.

Jamais a inspiração deixo de lado.
Se com afeto foi a semeadura,
Posso flores colher nesse destino.



09.06.2010

Esio Antonio Pezzato

21 de novembro de 2010

PRÍNCIPE TIROLÊS



Príncipe Tirolês


Ao Príncipe Poeta eu faço uma visita
Em agradecimento a tudo o que lhe devo.
Entre nós a amizade é especial e infinita,
Coberta de ouro em pós relevo após relevo.

Do Príncipe recolho uma Ideia bonita
Mas imitar-lhe o dom no verso não me atrevo.
O seu olhar azul com ternura me fita,
E a ele meu coração se desfaz num enlevo.

Oh! Príncipe Imortal! tu´alma de Poeta
Rima sons e canções de harmonia secreta
E não sei de onde vem essa paz soberana.

Mas por certo ela vez da dupla de princesas
Que em ternuras lhe dão o amor em correntezas
E são dois corações – Santa Olímpia e Santana



08.06.2010


Esio Antonio Pezzato

SONHANDO COM A AMADA - LIVRO ALEGORIAS



Sonhando com a amada


O inverno se aproxima esbranquiçando o passo
E pintalgando o chão de orvalho reluzente.
Um sol assustadiço ilumina o amplo espaço
E o chão fumega à névoa em estado latente.

Encapotado saio em friorento compasso
E em cada passo deixo uma pista dormente.
Com movimento lerdo e com passadas de aço
Procuro me esquecer deste frio tremente.

Frias as minhas mãos são neve derretida,
Atolados na relva os pés trêmulos, frios,
Deixam ainda pior a fria sensação.

Com passos de pingüim atravesso a avenida.
E toda a sensação desses meus calafrios
Aquecem-se ao sentir pulsar teu coração.

 
08.06.2010


Esio Antonio Pezzato

19 de novembro de 2010

SURREALISMO - LIVRO ALEGORIAS



Surrealismo


Ponho o silêncio no meu colo e nino
A sua solidão que atroz me invade.
Silêncio é feito de sonoridade
Dos raios de luar que me ilumino.

Meu coração tem sonhos de menino
Que brinca o hoje sem horas de saudade.
Mas o silêncio em sua intensidade,
Faz eco de harmonia em meu destino.

Ponho agora o silêncio no casaco
E vou perambulando alegremente
Os becos da cidade onde flutua

Uma canção. Mas o silêncio ataco,
E ele descamba convulsivamente
Dando saltos mortais ri para a lua.



08.06.2010



Esio Antonio Pezzato

18 de novembro de 2010

NA PARTIDA - LIVRO ALEGORIAS


Na partida

 
Beijos, abraços, lágrimas furtivas,
E uma separação desesperada.
Quando do amor as almas são cativas,
Uma da outra não vive separada.

Por isso mesmo é longa a madrugada
Enquanto as solidões brotam esquivas.
E as dores e as angústias sempre vivas,
Latejam de maneirar inconformada.

Um bilhete, uma flor, um verso escrito,
E o silêncio palpita em febre e em frito
E noite adentro o tédio mortifica.

Dessa forma cruel vive a saudade:
Se a quem parte é menor a intensidade
Fica muito maior para quem fica.



04.06.2010


Esio Antonio Pezzato


17 de novembro de 2010

PARA MEU AMIGO CAIO - LIVRO ALEGORIAS



Para meu amigo Caio


Uma saudade, Caio, uma saudade.
Como saudade ficarás agora.
Em tua vida rompe em nova aurora,
Um novo sol de intensa claridade.

Cada sincero amigo triste chora
Porém, ris frente à nova realidade.
Agora achaste as luzes da verdade
Onde os sonhos florescem a cada hora.

Um Amigo sincero, isso é o que eras,
A lealdade morava em tua vida
Portanto é triste dar-te o triste adeus.

Mas que possam as novas primaveras
Deixar-te a vida, Amigo, mais florida,
No abrigo celestial de um grande Deus!



01.06.2010


Esio Antonio Pezzato

16 de novembro de 2010

BATISMO - LIVRO ALEGORIAS



Batismo


Essa beleza exótica e tamanha
Que magnetiza olhares a distância,
Veia a sangrar da terra em sua entranha,
Exala vida e cores em fragrância.

Essa beleza é fruto da montanha!
Vem das Minas Gerais, vem da abundância
Do Jaguari e do Atibaia e banha
O Porto antigo e segue imerso em ânsia.

Glória de um Povo é pura idolatria,
E singular delírio que extasia,
É paixão colossal que não se acaba.

Em tuas águas recebi num trismo,
Do Espírito Encarnado meu batismo,
Meu Rio amado, meu Piracicaba.



31.05.2010


Esio Antonio Pezzato

8 de novembro de 2010

NOITE EGÍPCIA - LIVRO ALEGORIAS



Noite egípcia


Com a alma de Ramsés contemplo o velho Egito
E as pirâmides olho atufado de orgulho.
Sob as águas do Nilo os meus sonhos mergulho
Procurando encontrar a altivez do Infinito.

Porém meu coração, embalsamado e pulho,
Num sarcófago velho, esquecido e maldito,
Traz a mágoa sem fim onde em frêmitos grito
Enquanto d´alma sai um pavoroso arrulho.

Os velhos Faraós de velhas dinastias
E as múmias espectrais travam o meu laringe
E minhas ambições neste Cairo de orgias...

Não sei me decifrar e me contraio todo.
Entanto ouço o atro esgar da milenária Esfinge
Que me devora o corpo e me vomita em lodo!



30.05.2010


Esio Antonio Pezzato

7 de novembro de 2010

SAUDADE INFANTIL - LIVRO ALEGORIAS



Saudade infantil


Éramos todos nós um bando de meninos
Que ansiávamos sonhando a leda mocidade.
Riscávamos a giz os mais belos destinos
Tínhamos um futuro, e nada de saudade.

Nas horas de voar, nós, ágeis bailarinos,
Escalávamos rindo os picos da cidade.
Nos galhos, nos cipós, num badalas de sinos,
Ríamos com prazer sorrisos de ansiedade.

O tempo foi moldando um sonho diferente:
As estradas sem fim vieram à nossa frente
Num requeimar de sóis que a alma não interpreta.

Pouco nos vemos nós, contudo n´alma abrigo
Um lugar especial a velho cada amigo
Recordando-os em verso enquanto sou Poeta.



29.05.2010



Esio Antonio Pezzato

6 de novembro de 2010

INVERNO SOBRE OS OMBROS - LIVRO ALEGORIAS



Inverno sobre os ombros


Na insensatez do tempo a vida vai passando,
Cavando solidões, ausências e feridas.
O incauto brada ao céu estar sempre esperando,
Tentando, numa brecha, encontrar novas vidas.

Assim o sonho passa e o pesadelo infando
À realidade traz molduras carcomidas.
O velho rosto novo olha o futuro brando,
E o novo rosto velho execra horas perdidas.

E o tempo – Coliseu abandonado e frio,
Não tem mais ovações de público e de feras,
E hoje queda-se inerte em múltiplos escombros.

Como velho leão eis o tempo sombrio...
E o tolo que sonhou eternas primaveras,
Tem hoje a carregar o inverno sobre os ombros!



28.05.2010

Esio Antonio Pezzato

5 de novembro de 2010

CARTAS SOBRE A MESA - LIVRO ALEGORIAS



Cartas sobre a mesa


Estendo sobre a mesa as cartas de baralho
Tentando decifrar o enredo que procuro.
A dama de vermelho é pálido espantalho,
E brilha um rei de paus além de meu futuro.

As cartas sobre a mesa e com elas me atrapalho.
Procuro por mais luz neste caminho escuro.
Com as cartas trapaceio (eu sou mesmo um paspalho!)
E as cartas volto à mesa em transe me aventuro.

Corto o baralho e prendo em transe o pensamento.
Um coringa aparece (é ele o meu destino!)
E as cartas volto à mesa e armo a minha armadilha.

Tola e chula ilusão – rápido como o vento
Ponho ponto final no doido desatino
Antes que me apareça uma inóspita trilha.



28.05.2010

Esio Antonio Pezzato

3 de novembro de 2010

PÁLIDA MEMÓRIA - LIVRO ALEGORIAS



Pálida memória


Delícia é decifrar o pensamento alheio,
Tido na solidão da madrugada fria.
– Um vinho tinto seco, um cálice ainda cheio,
A folha de papel branca, intacta e vazia.

Depois um vago olhar incerto em devaneio,
E a sórdida impressão de atroz melancolia.
Lâmina de punhal aguda sobre o seio,
Silêncio, solidão, o sol sangrando o dia.

E como definir o desespero todo
Se houve após outro dia e o que sangrava a lodo
Tornou a ser grafite e escreveu outra história?!...

Como entender por fim o alheio pensamento
Se a realidade muda e esvai-se como o vento
E o registro ora lido é pálida memória...



28.05.2010



Esio Antonio Pezzato

2 de novembro de 2010

DOMANDO PALAVRAS - LIVRO ALEGORIAS



Domando palavras

Com tinta nos pincéis a palavra desenho
E passo a decifrar os enigmas da mente.
Não sou pinto! Por isso em frêmitos me empenho
Para, do pensamento, eu pintar a semente.

Batalha colossal! Como arquiteto, engenho
A ideia ainda em pó; e o cimento aderente
Cria zumbidos, sons, nos andaimes me lenho
Para, aos beijos do sol, me reluzir fremente!

Palavras articulo uma a uma, uma a uma,
As arestas aparo e a lâmina ora lisa,
Não causa atrito algum em contato com a bruma.

E enfim o pensamento, igual luz no horizonte,
Como diamante brilha e de forma precisa,
Posso, na escuridão, atravessar a ponte!



28.05.2010



Esio Antonio Pezzato













1 de novembro de 2010

A CAPTURA DA POESIA - LIVRO ALEGORIAS



A captura da poesia


A poesia procura em sinuoso caminho
Visitar nossa mente em rápido momento.
Como pássaro tece um artífice ninho,
Depois, rápida voa e valseja no vento.

Às vezes ela chega e suplica um carinho,
Impávida, depois, em seu esgar violento,
Tece rimas de foto, embebeda qual vinho,
E tremeluz distante e solfeja um lamento.

Tudo pode a Poesia e eu atento a contemplo,
Um seu vacilo e pronto! a prendo em minha teia
Pois de versos construo um soberano Templo

E declamo-a depois a uma alma amante e amiga,
– Se essa alma a mim em sonhos devaneia,
Os nossos corações rezam uma cantiga.


27.05.2010

Esio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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