BLOGGER TEMPLATES - TWITTER BACKGROUNDS »

1º PRÊMIO RECEBIDO DO VEJABLOG - MELHORES BLOGS DO BRASIL

VejaBlog - Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil BLOG ESIOPOETA

SEGUIDORES

ACESSOS

contador de acesso

ROMARIA PIRAPORA 2013 - ESIOPOETA E AMIGOS

CLIQUE PARA LER O NOVO LIVRO DE SONETOS DE ESIOPOETA- CONTEMPLAÇÃO

COQUETEL DE LANÇAMENTO DO LIVRO DE SONETOS APRENDIZ DA PALAVRA DO POETA ESIO

RECEBA ATUALIZAÇÕES NO SEU E-MAIL

Entre com seu e-mail:

Delivered by FeedBurner

28 de novembro de 2009

BALADAS




Balada para um louco amor

De muito sonho, uma alegria,
Uma ventura, um esplendor.
A sensação para a poesia,
O coração com muita cor.
Um louco olhar na tarde fria,
Um sol friorento e sem calor.
Projeto nulo, alma vadia,
Uma loucura, um grande amor.

Uma quietude, ai, que agonia,
Vulcão, silêncio multicor.
Sinos tangendo à Ave-Maria,
Lírico abraço, num torpor.
Espasmos puros de alquimia,
Muito a fazer, nada compor.
Serenidade, fantasia,
Uma loucura, um grande amor.

Mormaço, sonho, fantasia,
Loucura vã, canto, louvor.
Tudo fazer à revelia,
De o mundo imenso ser senhor.
Um beijo ao céu, idolatria,
Por fim o encontro encantador.
Ecos no céu de sinfonia,
Uma loucura, um grande amor.

Envio:

Assim eu vivo noite e dia
Por tua causa, sou Ator.
Quem não viveu nesta folia
Uma loucura, um grande amor?

27.08.2001


Balada sôfrega


Longe de ti, meu coração
Sôfrego, sôfrego, padece.
Longe de ti toda a ilusão,
Toda a ilusão desaparece.
A companheira solidão
A meu viver se faz constante.
Perco meus sonhos e a razão
Se ausente ficas um só instante.

Quero-te sempre. A sensação
De tua ausência me entorpece
O espírito... Ouve esta canção
Que te ofereço como prece,
Meu doido amor. Na vida não
Posso viver se estás distante,
Perco os delírios da razão
Se ausente ficas um só instante.

Ah, meu amor, presta atenção:
Ah, minha amada, se pudesse
(Mas eu não posso, ai, ilusão,
Meu coração jamais te esquece!...)
Bem viveria na emoção
De ser o teu eterno amante,
Mas fico preso na razão
Se ausente ficas um só instante.

Dedicatória

Sem ti as horas longas são,
E a dor me fere anavalhante.
Esta é a loucura, esta é a razão
Se ausente ficas um só instante.

10.03.2009


Balada pitoresca


Café com pão, café com pão!
Que coisa incrível, oh, Bandeira.
Um mar de lama e podridão
É nossa Pátria brasileira.
Para onde vai essa enseada
Eu bem confesso que não sei.
Mas no Senado é uma barbada
As falcatruas de Sarney.

É o trem de ferro da ilusão
Nos trilhos dessa roubalheira.
Tudo em Brasília é corrupção,
É falcatrua, é brincadeira.
Depois com cara bem lavada
Sapo barbudo, nosso Rei,
Diz que não sabe nada, nada,
Das falcatruas de Sarney!

E a gente vive na ilusão
Com essa turma tão arteira.
Que num descuido mete a mão
Levando até nossa carteira.
Não tem mais jeito essa maçada,
Também sequer existe lei
E a gente brinca e faz piada
Das falcatruas de Sarney!

A inspiração vai na enxurrada
E um verso alheio até roubei.
Até Pasárgada encantada
Está temendo esse Sarney!

18.07.2009


Canto Real

Canto Real à Piracicaba

Este Canto Real que faço apaixonado
Ao meu Torrão Natal, é um canto que merece
Ter mil rimas de Amor andando lado a lado,
Como os duetos de fé de uma sagrada prece.
Tomo a lira a David, de Orpheu empresto o canto,
De nosso Padroeiro empresto o rude manto
E desafio incréus, que a paixão que me invade
Tem a voz de um coral com toda a alacridade,
Que a Imensidão azul em serenatas trina
Mil hosanas ao céu com toda a intensidade,
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Ouço o Rio cantar... não é canto, é dobrado,
A água do Salto cai, mil coloridos tece,
A catadupa ruge... há balé e há bailado
Que o Rio, com amor, à Cidade oferece!
Para a vida feliz ao ver tamanho encanto!
A água nas pedras rola em suave acalanto,
É música do céu, doce sonoridade,
A bruma da manhã veste toda a cidade!
É tamanho o esplendor a brisa cristalina
Que a alma canta feliz e canta em ansiedade
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Vejo o Engenho Central soberbo, iluminado,
É uma visão feliz que o olhar jamais esquece!
No chão reflete o sol o açúcar refinado
Coroando no céu esta bendita messe!
Olho a Rua do Porto, oh, bendito recanto!
– Paraíso Terrestre, onde há um terno quebranto
De alegria, de amor, que os corações invade!
Vejo, sonho feliz! a leda mocidade
Dizendo com prazer, ao fitar tal vitrina
O seu canto de amor da mais pura verdade:
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Ouço um Poeta cantando um canto enamorado
E entre rimas de luz, em seu colo adormece
Porque percebe que é pela cidade amado
E outro melhor postal no mundo não conhece...
A hora crepuscular é de sublime espanto!
O sol, mais parecendo um colossal helianto
Põe na cidade a luz com tal luxuosidade,
E a cidade rebrilha ao ouro e à majestade
Que parece que Deus, nesta hora vespertina
Também canta feliz em Sua Santidade,
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

O áureo Saber esplende em teu solo sagrado!
A Arte é puro fulgor onde tudo floresce!
Nas Escolas há luz, onde tudo é ensinado
E a Música que Deus, pelo céu enternece.
Quanta Luz do saber! Quanto desejo, quanto!
Este Solo é sagrado! É puro! É sacrossanto!
A vida brilha aqui com tanta claridade
E a cidade nos prende em sua etérea grade
Que a beleza sem paz a imensidão domina!
Por isso, o Poeta diz, num hino de vaidade:
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Dedicatória:

Hoje canto feliz! A rima em unidade
Louva Piracicaba um hino de amizade.
Por isso, no cantar, a voz é genuína,
Tem recamos de luz e diz com divindade:
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

12.01.1996


Canto Real das
Meninas Prostitutas


Essas meninas pobres e esquecidas,
Muitas vezes de rosto assaz pintado,
Nos lábios marcas de batom borrado,.
Vão levando sem eira, as suas vidas.
Em velhas ruas, praças e avenidas,
Mostrando um triste olhar desesperado
Aos transeuntes fazendo mil gracejos,
Acenando com as mãos, jogando beijos,
Sempre à espera que passe um pretendente,
Mostram seus jovens corpos diariamente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas tristes, desvalidas,
Seminuas expõem-se a este mercado,
Exibindo um sorriso fabricado,
Mostram no rosto, as expressões sofridas.
Às vezes, com barrigas já crescidas,
(Onde o parto se faz sem ter cuidado)
Mais lembram periquitos dos realejos
Lançando a sorte em rápidos festejos
Para encontrar decerto outro cliente...
Tolas sonham e o sonho é contundente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas julgam-se queridas,
Na fantasia tem um namorado.
Sonham também viver junto ao amado
Com parcas esperanças coloridas...
Essas meninas lívidas, transidas,
São os frutos de um mundo depravado.
São a escória do mundo em seus arpejos,
São mendigas traçando vis cortejos
São a crença de um mundo já descrente!.
Pobres mostram um corpo repelente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas, umas – pervertidas,
Outras – com triste olhar n’alma marcado,
Podres mercadorias de atacado,
Tem as suas vontades prostituídas.
Da Sociedade sempre são banidas,
Porque trazem a marca do pecado!
São as flores dos charcos e dos brejos,
São os ratos de esgotos, aos rastejos,
Retratos de um país pobre e demente.
Todas tem um sorriso deprimente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas – pobres margaridas,
Sem futuro, presente e sem passado,
Viciadas na bebida e no baseado,
De bares e de clubes são excluídas.
A muitos elas são jovens perdidas,
Passam doença em cada beijo dado,
São cacos de cortantes azulejos,
Motivos para motes sertanejos
Em canções de mau-gosto, inconsequente.
Passam rindo, escondendo o olhar doente
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Oferta

A Beira-rio traçam seus motejos,
Mostrando dentes podres em bafejos,
Essas meninas são, em nossa mente,
A realidade de um Brasil dormente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

30.01.2009

Nota: Conferir com a Balada das Meninas Prostitutas


Martelos


Martelo Agalopado

No martelo o meu verso é agalopado
Que é a forma correta de compô-lo.
E não há desconforto ou desconsolo
Escrever neste jeito cadenciado.
O bom verso jamais se torna errado
Na cadência e no ritmo que o condiz.
E o poema jamais se contradiz
Se lhe bate no peito a inspiração.
Pois a voz que lhe fala é o coração
E o Poeta é na vida um ser feliz.

No martelo perfeito ajusto o passo
Para ser entendido por cantores.
E se exalto nos versos meus amores,
A canção eu conduzo no compasso.
Aos amores eu dou um forte abraço
Pois em cantos no peito a alma me diz.
E jamais me recurvo à cicatriz
De um amor que foi falso e teve adeus.
Sou do amor mais sublime a voz de Deus,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

No martelo os amores sempre canto
Na maneira mais justa e mais correta.
Sou Orpheu, na guitarra sou poeta,
Sou Davi, com a Lira tudo encanto.
Com certeza jamais derramo o pranto
Nem na face carrego a dor matiz.
Se, bimbalho mil sinos na matriz
Exaltando um amor pleno de luz.
Sou o amor que na vida o amor conduz,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

Pouco importa que seja o mês de agosto,
Pois o inverno antecipa a primavera.
Não me prendo a momentos de quimera,
Não me aqueço com raios de um sol-posto.
Não há lágrimas frias em meu rosto
E nem traço caminho a pó de giz.
Os meus sonhos são livres dos ardis,
Vivem soltos, alegres pelo ar.
Amo a luz das estrelas, do luar,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

A galope caminho a céu aberto
E aos delírios do amor canto e suspiro.
Meu amor é na vida o ar que respiro
Meu amor de minh’alma vive perto.
Não existe sequer um passo incerto
Nem abismo onde a dor crie raiz.
Eu invento um amor, crio um país
Pois o amor para amar requer amor.
O meu mundo na vida tem mais cor,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

26.02.2008


Martelo justo e perfeito


Eu desejo escrever, dia após dia,
Os meus versos de formas diferentes,
Com martelos, com foices e correntes,
E em baladas compor minha poesia.
Necessário uma dose de alquimia
Para o verso sair de qualquer jeito,
Se precisar cavar dentro do peito
Um buraco maior que o próprio mundo.
E buscar lá do fundo, bem do fundo,
O meu verso mais justo e mais perfeito!

A poesia não pode ser contida
Quando brota, inspirado, dentro d’alma.
Coração nesse instante não se acalma,
E parece abalar a própria vida.
Nesse instante a explosão deixa florida
A alegria que vem sem preconceito
No martelo não pode haver defeito,
Na cesura, na métrica e na rima.
Deve sempre brilhar de forma opima,
O meu verso mais justo e mais perfeito.

Cada verso é coluna sustentada
Nas viagens que dão Sabedoria.
Eis a Força, e a Beleza da Poesia
Trabalhando incansáveis na jornada.
É momento de glória ilimitada
Na razão mais sublime do conceito.
Se outras glórias existem não aceito,
E nem posso aceitar que um’outra exista.
É por isso que deixo nesta pista,
O meu verso mais justo e mais perfeito!

27.07.2007


Martelo dos meus antepassados


Fico sempre a pensar de madrugada
Quem eu sou, de onde vim, o que aqui faço,
Contemplando esquecido o largo espaço
Não consigo chegar a quase nada.
Tudo é muito esquisito nesta estrada
E os mistérios os sinto fragmentados.
Nem consigo deixá-los clareados;
Mas defino em verdades quase eternas::
Que descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

Todo o espaço contém milhões de estrelas
É o insondável mistério do Infinito.
Muitas delas tem vidas – acredito,
Mas, tais vidas, também não posso vê-las.
Como posso tais coisas entendê-las
Já que a História tem rumos sepultados
E os enigmas são todos enterrados
Em bebidas nas noites das casernas?
Se eu descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

Alighieri, talvez, seja meu tio,
Com Petrarca talvez criei sonetos.
Mas não posso encontrar os amuletos
Que sepultam meus sonhos num vazio.
É demais para mim o desafio
De querer desvendar tempos traçados,
Se eles são verdadeiros ou errados
São verdades de luz justas, eternas,
Mas descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

11.01.2005


Martelo mais que profano

Teço versos e sonhos interpreto
As razões disso tudo que acontece.
Tudo feito misturo no concreto
Para ter pensamento mais correto,
Para ter sinfonias como prece.
E galopo meu sonho muito louco
Na amplidão do martelo agalopado,
Na algibeira do verso canto rouco
Sempre achando que o tempo é sempre pouco
Para tem quem o peito apaixonado.

O martelo produz seu canto surdo
Estalando monótona oferenda.
Mais parece um soldado na contenda
A lutar pelo que acha vago e absurdo.
Com os versos que agora em transes urdo;
Teço tramas de sonho mais nefasto,
No bater do martelo agalopado
Os meus sonhos, com ânsias eu arrasto
E sou mil quando penso que fui pasto
Para quem tem o peito apaixonado.

Sordidez mais hipócrita e mofina
Não existe talvez, quem tenha feito.
E se a mente profana foi cretina,
Atolei a esperança tão menina,
Fui idiota de todo e qualquer jeito.
O perdão que ora peço não mereço
E me fere o martelo agalopado.
Se o desprezo recebo eis que agradeço
Pois é duro demais tão alto preço
Para quem tem o peito apaixonado.

A entoar tal martelo o som estala
E repete cruel epifania:
És Poeta, és cruel – o som me fala
E o suor que teu corpo agora exala
É o suor que te cobre na agonia.
Não mereces o amor do mundo aberto,
Nem mereces o som agalopado,
Mas mereces os dias no deserto,
E o viver sempre ingrato e sempre incerto
Para quem tem o peito apaixonado.

E o refrão mais profano e mais macabro
Ainda fere meu cérebro profano.
Frente a frente cintila um candelabro
A luzir o terrível descalabro
Que te fiz com a mente de um insano.
Dói-me o peito, fui ímpio e foi vileza
Não mereço sequer ser inspirado.
Um Poeta com tanta atroz crueza
Não merece respeito, com certeza,
Para quem tem o peito apaixonado.

Dize tudo o que quero que te escuto,
A vergonha nas faces ora trago.
E que o peso de enorme viaduto
Caia em mim já no próximo minuto
E me arraste nas sombras – negro mago.
Se eu puder levantar-te deste lodo
Para ter um momento iluminado,
Se eu puder por os pés fora do engodo,
Serei luz e esperança nesse Todo,
Parar quem tem o peito apaixonado.

12.01.2004




Ésio Antonio Pezzato




Gostou? clica abaixo em COMENTÁRIOS e deixe seu recado!

26 de novembro de 2009

SONETOS - LIVRO FLORES SECAS III



Sonhando
(2a. edição agora em versos alexandrinos, de 1973)

Neste momento, amor, neste exato momento,
Em que a treva, afinal, deixou meu coração,
E que o silêncio é como um santo sacramento
Que o envolveu numa doce e plácida oração;

E meu olhar fitando ansioso e mais atento
Este instante de louca e ébria exaltação,
Gostaria de ter um grande sortimento
De dias de calor mais longos do que são...

Nunca sinto o teu vulto amado tão presente,
Como quando percebo, em ânsias, que, realmente
És um sonho, és um fruto, uma doce ilusão!...

E muito mais feliz então me sinto quando
Tenho a certeza que acordado estou sonhando,
E este sonho faz bem para o meu coração.

30.08.1994


O passado

Nada mata o passado e nem a própria morte
Sorrateira e fatal, um dia, há de matá-lo,
Pois ele ataca como o ataque de um cavalo
Que coice distribui a toda e qualquer sorte.

O passado inexiste e é real – causa abalo
No coração e após, espúrio na alma, corte
Que o peito faz sangrar de um mendigo ou de um forte,
E invisível machuca e fere como um calo.

O passado é vingança a existir no futuro:
É cicatriz que sangra invisível na pele
É a atroz resignação que se vive calada.

É o murro que se dá de raiva, contra o muro,
É o pus que na agonia a nossa boca expele,
É a insônia que acontece em longa madrugada.

25.02.1995


Campanha da Fraternidade/1995


Eras tu, meu Senhor? Mas como eu poderia
Imaginar que aquele idiota, olhar de fera,
Arma nas duas mãos, com uivos de pantera
Era o Senhor testando a minha teimosia?

Impedia-me a fala e gritava. E grunhia,
Pegou minha carteira e de maneira austera
Disse que era ladrão, que tinha fome, que era
Resto de estercorácia a viver sem valia.

Eras tu, meu Senhor, eu devia sabê-lo
Assim não passaria horas de pesadelo,
Nem temeria, não, contigo, esse arcabuz.

Mas pensei se ladrão e tomei minha arma,
E bastou seu cochilo – atirei sem alarma...
– No chão tombou deixando uma sombra de cruz!

11.03.1995


Bepe
(José Micheletti)


Bepe aprendeu, um dia, a debulhar o trigo,
E o milagre aprendeu de fabricar o pão.
E como o bom Pastor, de todos, foi amigo,
E mais que amigo, foi de cada ser – Irmão!

Bepe fez de seu Lar o mais sincero abrigo
E a Família reuniu numa terna oração.
Não deixando, jamais, que um infausto perigo
Viesse destruir do amor – qualquer lição.

Hoje Bepe entre nós, é uma imensa saudade,
E aquele olhar de paz, de ternura e amizade,
Com certeza a cumprir está outra missão:

Pelos campos do céu, é lavrador amado,
Semeia a paz e o amor nesse solo sagrado,
E colhe o trigo bom para fazer o pão.

34.04.1995


Cismas


Fulge em sonhos a noite... a noite fulge em sonhos,
Amplos vales azuis, pássaros mil em bando,
Desencontros fatais e retornos tristonhos
"Ela não veio, mas virá por certo... quando?"

Não sei. Não sei dizer. Pesadelos medonhos...
"Amanhã vou falar-lhe. Estará me esperando?"
"Não fui porque não quis..." E nos lábios risonhos
Sorrisos de desdém... Mas por que estou chorando?

Ardem astros no céu, em febre também ardo.
"Vou tentar esquecer as angústias e os medos..."
Os sonhos vão-se além, e meu viver é tardo.

Além fulgura o sol em majestosas luzes.
E eu preso em mim estou com cismas e segredos,
Preso num pesadelo estirado entre cruzes!

13.05.1995


Portinari em exposição


Certa vez Portinari, em uma exposição,
(Onde de si fazia uma retrospectiva),
Mostrando com prazer a toda a multidão
Telas de toda a vida inspirada e ativa,

Elogios ouvia e com satisfação
Sorria aos parabéns de maneira cativa.
Até que alguém falou de um quadro do salão
E a face do Pintor ficou de luz mais viva!...

–“Mestre, por que o Senhor junto às telas abstratas,
Onde em cores compões naturezas e matas
Colocas esta tela acadêmica, fria?!..."

–“Eu pinto estes borrões pois faz parte do show,
Mas aquela Mulher retratada em poesia,
Aquela é minha Mãe!"
e depois silenciou...
01.06.1995


Meninos abandonados


Oh! meninos que andais vagando pela rua
Perguntando ao “doutor” se ele tem uns trocados...
Maltrapilhos vós sois, por todos, enxotados,
Tal qual os animais que ladram para a lua.

Em vós percebo, triste, uma alma rota nua
Vós somente quereis ser pelo mundo amado.
Porém, para o “doutor” pareceis desgraçados,
Quando um de vós humilde, ou órfão, se insinua.

Vejo, triste, na noite, uma criança pobre,
Com o frio cortante a penetrar-lhe a alma
E um coberto sequer este molambo cobre.

Porém, mal nasce o sol da gravidez do dia,
Novamente pedis com humildade e calma,
Para o mesmo “doutor”, trocados de alegria...

02.06.1995


Nossa Senhora agredida



Um homem – um ateu, hipócrita em excesso,
Quis a todos mostrar – com seu gesto cretino,
Que somente chutava uma imagem de gesso
E ela não lhe podia alterar-lhe o destino.

E a imagem agrediu... e entre os seus fez sucesso;
A agredida, porém, com seu olhar divino
Nas contas não levou todo aquele arremesso
E calada assistiu o ataque ressupino.

O homem, porém, não quis profanar tal imagem
(Que é gesso, tão-somente) ele quis mais pois quer
Não sei porquê, mostrar que Maria é miragem...

Mas foi Ela que um dia, em todo o seu receio,
Ao seu filho Jesus foi Mãe e foi Mulher
Dando ao pequeno Deus o leite de seu seio.

03.11.1995


Para Maria Cecília


Eu quero dedicar este Soneto à Amiga
Que nunca dedicou o teu tempo à riqueza;
Mas antes, se enfronhou na paz da Natureza,
– Sublime Atar de Deus que a Inspiração abriga!

Verdes mares de luz! Esta mensagem presa
Explode o coração que alerta diz – prossiga!
Pois a Poesia deve atrelar-se a esta viga
Que sustenta o Poeta em sua única reza.

O Poeta vê Deus! E Seu amor entende –
Em elos de ouro prende a rima fugidia
E com etérea luz nos mostra um sonho oculto.

E a Alma gêmea este Amor infinito compreende:
Vislumbra a Inspiração, rima nova Poesia,
Ergue um Altar a Deus e em prece faz seu culto!

13.11.1995


Pecado mortal


O pecado maior que pode haver na terra
É deturpar o amor com falsos moralismos...
O desejo enterrar em profundos abismos
E erguer dogmas de fé em trincheiras de guerra!

Deus em Seu dom maior que plenitude encerra
Ao homem deu o amor em fontes de batismos,
Mas os cegos, porém, em vis egocentrismos
Teimam toldar o amor que exulta, esplende, berra!

O amor em tudo vibra e os corações aquece;
Quem tem no coração o amor, quem na alma sente
O desejo de amar, tem nos lábios a prece

De dividir o amor com a pessoa amada,
Aventuras viver com a alma apaixonada,
E acreditar no amor e dele viver crente

28.02.1996


Funestas fantasias


Depois que te perdi procurei noutros passos
Meu futuro encontrar: no acumular dos dias
Tão-somente encontrei funestas fantasias,
Fatais desilusões, tropeços e fracassos...

Até tentei achar carinhos n’outros braços,
Numa pobre ilusão e falsas alegrias...
Que hoje somente tenho em minhas romarias
De tão sonhado amor, derrotas e cansaços...

Por isso, Amada, volto e peço novamente
Que coloques comigo os passos nesta vida
Pois da Árvore do Amor nós temos a semente.

É contigo que sonho a minha realidade,
Quero contigo ter minha felicidade,
Quero contigo ter a esperança querida!

07.05.1996


Soneto de um passado


Quando em silêncio estava a compor meus poemas
A Bem-amada em casa andava em pés de plumas,
Para que o Seu Poeta os versos em diademas
Domasse a Musa e a rima em cantigas de espumas...

Algumas vezes ela ofertava-me os temas
E exigia de mim bons poemas... algumas
Vezes eu lhe ofertava os versos como gemas
E ela dizia a rir: com versos me perfumas!...

Mas eu um dia, triste, abandonei as rimas,
E dos meus versos ela esqueceu os aromas
E fomos nós viver em diferentes climas...

Separados então vivemos nossos dramas,
Os seus sonhos de amor ela pôs em redomas,
E eu não mais me esqueci do seu amor – as chamas!

07.05.1996



Ésio Antonio Pezzato



Gostou? clica abaixo em COMENTÁRIOS e deixe seu recado!

24 de novembro de 2009

SONETOS DO LIVRO "OFÍCIO DE POETA IV "



Comparações

Inspiro-me em Marília de Dirceu
E vou ao campo, minha doce amada.
Se teu amor um dia não for meu,
A Moçambique irei de alma penada.

Mas podes ser Julieta, e eu, teu Romeu,
Lânguida, te verei numa sacada.
Sabes, porém, que foi que aconteceu,
A este casal com alma apaixonada?

Também podes, amor, ser Beatriz,
E posso ser teu florentino Dante
Mas que tragédia... ele não foi feliz.

Sendo eu mesmo contudo, meu amor,
Tenho n’alma essa angústia anavalhante,
Por tua ausência vivo imerso em dor.

15.01.2004


Apenas sonhos


Todos os sonhos são apenas sonhos
Povoando nossas imaginações.
Uns trazem seus vergéis amplos, risonhos,
E causam indeléveis sensações.

Outros opacos, túrgidos, medonhos,
Causam as mais horríveis decepções.
Deixam nosso viver pasmos, tristonhos,
Apegados a tolas orações.

Às vezes são castelos assombrados,
Vales, abismos, traumas, assassinos,
E momentos de dor desesperados.

Chegam das formas mais extravagantes,
E parecem mudar nossos destinos
E ferir-nos de modos contagiantes.

07.10.2001


Letargia

O pensamento vaga em devaneio.
Penso alhures, porém, em nada penso.
Letargia total, falta de anseio,
Idéias esfumadas por incenso.

Em tudo a solidão é um lago imenso.
A vontade é menor do que o receio.
O verbo na palavra fica tenso,
A verdade e a mentira estão no meio.

Penso falar e continuo mudo.
Existe um nada que preenche tudo.
Olho-me e não me vejo em tal instante.

Não sei para onde vou, nem de onde venho.
Sombrio olhar em meu olhar mantenho.
Perto de tudo sinto estar distante.

15.05.2004


Voragem


Se tanto te amo e tanto te desejo
E trago ao coração essa loucura
Se teu corpo é loucura para o beijo
Na razão mais sagrada e na mais pura

Emoção de viver essa aventura
A minha voz nos timbres de um arpejo
Quer de beijos fazer a semeadura
Para colher depois num terno ensejo

Os frutos mais sagrados e mais doces
Dessa posse carnal que me alucina
O coração pois se mais santa fosses

Iria profanar a tua imagem
Pois o desejo atroz me determina
A desfrutar teu corpo com voragem.

28.08.2003


Escravo da Poesia


Preciso que a Poesia me abasteça
De raios de luar, harpas e sinos.
Dos sonhos dos meus sonhos tão meninos,
Antes que a noite rígida aconteça.

Preciso que a Poesia-amor me aqueça
Com sons suaves, ternos, argentinos.
E que eu possa antever os meus destinos
Antes que a primavera refloresça.

Preciso que a Poesia ande em atalhos,
Onde as flores miúdas e esquecidas
Teçam mantas de líricos retalhos.

Preciso que a Poesia em mil cantigas
Perfume com carinho as nossas vidas,
E alegre nossas almas tão amigas.

23.06.2004


Tétrico cenário
(para Cesário Verde)


No estéril chão hei de plantar orquídeas
Para a Vida brotar de tanta morte.
Pois o homem – tenebroso e odiento Fídias! –
Talhou a guerra em sua insana sorte.

No desejo profano das insídias
O homem tudo matou de sul ao norte.
Vidas, vidas! Em transe o homem agride-as
E não existem sonhos que as conforte.

É tétrico o cenário disso tudo,
Até meu verso num soluço mudo
Tenta gritar, após tanta barbárie.

Porém, a voz estrebuchando em fúria,
Só canta a injúria após tamanha injúria,
Por ver no solo tão horrível cárie.

25.06.2003


Antagonismo


Se bem podemos nós, viver felizes,
Com o sorriso a estampar-se em nosso rosto,
Por que ansiamos viver dias de agosto
Trazendo em nosso olhar mágoas e crises?

A vida está coberta de matizes:
Um arco-íris no céu, a nosso gosto,
Um amor a viver no peito posto,
E sinos badalando nas matrizes...

Vamos na contramão de nosso enredo,
Ao doce procuramos ter o azedo,
À alegria a tristeza nós buscamos.

E ao fim do longo dia de trabalho,
À estrada azul – um sinuoso atalho,
É uma coroa de espinhosos ramos.

14.05.2003


Abrir a porta

Necessário, talvez, abrir a porta,
Para o sonho tornar-se realidade.
E o martírio deixar, qual coisa morta,
Na esquina escura e oculta da cidade.

Antes a estrada sinuosa e torta
Agora vibra o sol da suavidade.
Existes. E no canto a alma se exorta.
Bastas-me. Quero a azul felicidade.

Estás dentro de mim mesmo distante,
Teu nome é-me canção que agora canto
Tua presença em mim se faz constante.

Quero-te para ser feliz agora.
Se tanto te esperei e tanto, e tanto,
Nunca mais, nunca mais, irás embora.

27.05.2003


Frente ao grito

Preciso recompor o pensamento
Antes que a insanidade torpe o invada.
Tirar o nó do próximo momento
E encher de luzes minha madrugada.

Depois folhas colher ao vir do vento
E colocar os passos na ampla estrada.
Desencadear o próprio movimento
E frente ao grito a voz deixar calada.

O pensamento invade a madrugada,
Na estrada o vento gira em movimento
E no momento a voz torna calada.

Misturo após palavras repetidas,
E se a lei for contrária ao mandamento,
À própria vida pedirei mais vidas.

19.03.2002


Em meu silêncio


O teu silêncio grita, de maneira
Que posso ouvi-lo a séculos distante.
Dele, minh’alma fica prisioneira,
Meu espírito fica agonizante.

Teu silêncio ao meu corpo traz canseira
No abandono letárgico e constante.
Eu fico recordando a vez primeira
Que falaste de amor de forma ebriante.

Mas hoje teu silêncio invade tudo...
E sorrateiramente vivo mudo
Gritando salmos, mas a angústia é tanta,

Que no martírio caio-me de bruços.
Em meu silêncio solto mil soluços,
Sufocando meus gritos na garganta.

25.03.2004


Musa bailarina

Poeta – perambulo pela rua,
Buscando minha Musa bailarina,
Que há de surgir-me em luz clara, opalina,
Envolta em gazes linda, etérea e nua.

E ao vê-la, langorosa e loura a lua,
Hei de em meus braços ter esta menina:
E seu olhar que em êxtase ilumina,
Irá clarear minh’alma que tressua.

Tendo-a em meu colo iremos para casa
E a ela darei meu coração em brasa
Para dela, fazer o que quiser.

E abrindo-me seus braços num carinho,
Dirá esquecida nesse etéreo ninho:
“ – Sou tua Musa, faças-me Mulher!”

05.07.2004


Tecendo o silêncio


Tanto já te busquei num labirinto,
Tanto tentei moldar-te no laringe,
Mas teu segredo – silenciosa Esfinge! –
Tornou-me verde e amargo como o absinto.

No pensamento minha voz te cinge
E tento ser cruel por puro instinto.
Para fazer o mal – bem não me sinto,
E meu profano olhar não te constringe.

Desvario cruel da minha mente.
Teço o silêncio convulsivamente,
Agarro o sonho e não me prendo a nada.

Urdo as tramas com a hóstia purpurina,
Sangro-me em sol na tarde que declina,
E tanjo estrelas pela madrugada.

21.10.2004


(Entre parêntesis)


Tanjo a lira, urdo o som, ascendo o pensamento,
Vibro cordas em mim, teço milhões de tramas,
À pauta musical eu me pego violento,
(Eu te amo, meu amor... oh meu amor, tu me amas?)

Uso cores febris, pincéis à tela tento,
Desespero cruel, paisagens são meus dramas.
No campo aberto sou vencido pelo vento.
(Tu me chamas, amor. Meu amor tu me chamas?)

Sinto parte de mim às partes da loucura,
Procuro decifrar o enigma da Ventura.
(Onde estás, meu amor, por que demoras tanto?)

Teço o silêncio, só. Noite de eternidade.
Um passado sem fim envolto de saudade.
(Tu cantas, meu amor... ou é ilusão o canto?)

21.10.2004


Homens de Deus

Somos homens de Deus, somos por certo
Poeira cósmica advinda do Universo.
Grão de areia perdida no deserto,
De modo frio, insípido, diverso.

Somos homens de Deus, de peito aberto
Meu coração nas mãos carrego imerso.
Ao seu sopro, porém, vivo desperto,
De pensamento livre, amplo e disperso.

Somos homens de Deus, filho perdido
Ao longo dessa estrada tão distante
Que vai e vem num valsejar do vento.

Somos homens de Deus, de olhar ferido,
De tanta fé o meu viver é errante,
Que nem pressinto o próximo momento.

06.01.2005


Ciclo


Sem destino caminho sem destino
Num caminhar frenético e constante.
Cada vez mais de mim vejo distante
Os meus dourados sonhos de menino.

Com passos firmes vou seguindo avante
Porém, dentro de mim badala um sino.
Enquanto o rubro sol cintila a pino,
Me distancio do Oriente ebriante.

A tarde vem chegando lentamente,
O sol segue o caminho do poente
E traz a noite breve e breve em mim.

Meus sonhos de ontem morrem sem futuro,
À claridade exsurge eterno escuro,
E a passos lerdos sigo para o fim.

12.01.2005

Ervas rasteiras

Meu verso é simples. Como ervas rasteiras
Brota em terrenos e grotões baldios,
Não tem o porte altivo das paineiras,
São insípidos, tristes e vazios.

Não lembra árvores fortes, altaneiras,
Mas aguapés que correm pelos rios,
No máximo são tenras trepadeiras,
Que sobem postes alcançando os fios...

Suas rimas também são simples, pobres,
Não lembram colossais castelos nobres,
Ou brilhantes vestidos de cetim.

Mesmo assim são meus versos, meus somente,
E mesmo pobres trazem a semente
De um sonho lindo que jamais tem fim.

21.01.2005


Romance

Como posso entender-me nesta vida
Se a incompreensão divide meus sensores?
Há uma imagem na tela repartida
Entre cacos de poeira e frias cores.

O pensamento ruge nesta lida
Como o ronco de intrépidos motores.
Há uma porta de entrada e de saída,
Um jardim metafísico e sem flores.

A idéia brota, cresce e se avoluma,
Uma ilusão transmuda-se em capítulos
E não há como tudo se resuma.

Abro os olhos e a mente se ensimesma...
A vida é um livro com milhões de títulos,
E cada história é a mesma e sempre a mesma...

23.01.2005


Ésio Antonio Pezzato

22 de novembro de 2009

SONETOS DO LIVRO "OFICIO DE POETA III"



Eterno elixir

Às vezes tento pôr no verso que fabrico
Gotas d’ouro de mel de inspiradas abelhas.
E quanto mais escrevo eu me torno mais rico,
Que as palavras são luz brilhando iguais centelhas.

O verso é minha capa e as estrofes são telhas
Que protegem meu sono em locais onde fico.
As palavras reúno em rebanhos de ovelhas,
E com elas me aqueço e a Deus me glorifico!

Meu verso é puro, é claro, e é sonoro, e percebo,
Que se transforma em água e é doce e é cristalino,
Meu eterno elixir quando na fonte o bebo.

Bem mais que minha vida é o verso que ora teço,
Porque com ele em mim desvendo o meu destino,
E a quem eu quero bem, com amor o ofereço.

21.05.2002


Medo

Da vida, ao me sentir ameaçado,
Eu me fecho num círculo perfeito.
Assim desta maneira enclausurado,
Às intempéries sinto-me insujeito.

Sem rebarbas que possa ser tocado,
Oculto o coração dentro do peito.
Desta forma não posso ser domado,
A ataques de surpresa – vivo afeito.

Por isso às agressões estou imune,
Ao mundo ingrato sempre saio ileso
E a palavra de fogo não me pune.

Dou a volta ao redor de cada engodo,
Dos desejos que tenho sei-me preso,
E das minhas verdades sou um Todo.

21.05.2002


Caminhos e caminhos

Caminhos e caminhos e caminhos.
E eu aqui – frente a rumos a seguir...
Tantos passam por mim e vão sozinhos,
Que me atrevo a ir buscar o meu porvir.

Ouço além esfuziantes burburinhos:
São crianças que chegam a sorrir...
Todas elas cantando a voz dos ninhos,
– Impossível que possam me trair!

Apresso o passo e vou no rumo delas:
Todas com lindos sonhos, tagarelas,
Esperanças nas mãos... e lá vou eu...

Mas ao chegar de vez junto às crianças,
Percebo atrás de mim as esperanças,
E contemplo um passado... que morreu...

05.11.1996


No silêncio

No silêncio da minha solidão
Em vão procuro achar tua presença.
Nessa angústia minh’alma se condensa
Não acho lenitivo ao coração.

Murmuro a mais tristíssima canção
Buscando as rimas de esquecida crença.
Porém, no peito a dor é tão intensa,
Que à voz do canto fico sem razão.

Em labirintos de tristezas erro...
Num cárcere moldado a angústia e a ferro
Perpétua é a pena por saber-me só.

Sem ar, sem luz, sem fé, vago nas trevas...
Só tu, sofrida vida, é que me levas,
Para o deserto de tristeza e pó.

20.10.2004
00:10h.


Abandono

Foste a ilusão de um sonho simplesmente...
Um sonho que ruiu em tempestade.
Que transformou esperas em saudade,
Apodrecendo ainda na semente.

Foste um sonho feroz, cruel, latente,
Que do castigo fez a suavidade.
E que à alma escrava trouxe a liberdade,
Trazendo ao frio o referver mais quente.

Foste o Nada podendo ser o Tudo,
Tétrica noite a recobrir o dia,
Para o Poeta trouxe o canto mudo.

Abandonado neste imenso porto,
Morre-me o Verso, morre-me a Poesia,
E mesmo vivo sei que sou um morto.

21.10.2004

Sonhos de ilusão

Se existiu no passado ardente fantasia,
Neste presente vibra a dor, paira o abandono.
Dias atrás um sol de verão que fulgia,
Agora a solidão de um sepulcral outono.

Para ti dediquei versos numa poesia;
Primavera – sonhei na languidez do sono.
Hoje a noite que chega é letárgica e fria,
E sei que já não sou da tua mente – o dono.

Esquiva tu fugiste e me escondeste o rosto,
E eu – inverno glacial – sem trono e sem cajado,
Sou Senhor da Ilusão não impondo respeito.

Mordo o sonho e o sabor de amargo e ácido gosto
Desta batalha atroz me mostra derrotado,
E a lança desta Dor penetra no meu peito.

23.03.2004


Perfeição


À cadência do Verso mais perfeito
Eis que busco viver meu duro ofício.
E me ponho no altar do sacrifício
Para jamais compô-lo com defeito.

Ao cruel desafio estou afeito.
Chega-me a inspiração como um bulício.
Cada verso é um efêmero exercício
Que o Poeta procura satisfeito.

Mas assim que o poema está composto,
Tira, o Poeta, as bagas de seu rosto
E esquece a inspiração daquele instante.

Fica esquecido o verso na gaveta,
E ele parte buscando delirante,
Outra rima esquecida numa greta.

28.08.2003


Submissa


Eu te ofereço além dessa paixão extrema
A ânsia de dominar desejos e verdades.
Depois te conduzir à glória mais suprema,
Fazer-te sucumbir frente as minhas vontades.

Eu te ofereço mais... A mais preciosa gema
Que existe na palavra e prende em férreas grades.
Te ofereço grilhões e cristalino estema
Feito de etéreos nós, feito de insanidades.

Te ofereço o poder da submissão completa,
Tu sendo Musa-escrava, eu sendo o teu Poeta,
Para te contemplar na prisão do meu verso.

E estarás por prazer presa em tão ferrenho elo,
Que jamais poderás fugir deste castelo
Onde o Poeta-rei será teu Universo!

15.03.2006


Ésio Antonio Pezzato

20 de novembro de 2009

SONETOS DO LIVRO " OFÍCIO DE POETA II"



Segredos dos versos

Procuro, no concreto da cadência,
Decifrar os enigmas e os segredos
Dos versos que componho com freqüência,
Contando em transe, as sílabas nos dedos.

A metrificação é uma seqüência
Que tamborila sons cheia de medos.
Corre a cesura em danças e folguedos,
Sem sequer darmos conta de tal ciência.

Decassílabos ou alexandrinos!
Versos heróicos, sáficos, martelos,
Ou mesmo duplamente cesurados.

Mistérios que convergem os destinos!
Perfeitos tornam-se formosos, belos,
Num altar dever ser glorificados!

28.03.2003


Flores da saudade

Quero plantar ao longo dos canteiros
Sementes das espécies mais variadas,
Para deixar as noites perfumadas
E todos os meus sonhos prisioneiros.

Plantar as esperanças encontradas.
Dos canários seus cantos seresteiros.
Os meus sonhos azuis e verdadeiros,
Minhas insônias, minhas madrugadas.

Plantar a tua ausência tão sentida,
Que levo na sem-fim eternidade
E invade a solidão da minha vida.

Porém, na minha louca insanidade,
Só consegui, com a alma entristecida,
Fazer brotar as flores da saudade.

18.05.2004

Soneto de Natal I


Natal! Na terra há um hino de alegria
Anunciando a chegada de Jesus.
Em Belém, uma pobre estrebaria,
Envolve-se no brilho que seduz.

Tudo vibra de encanto e de harmonia,
A salvação do mundo jorra a flux.
Humilde serva – a celestial Maria! –
Sabe que a um Deus Divino deu a luz.

Num instante o Menino aflito chora,
E, Maria nos braços, sem demora,
Acolhe-O com carinho divinal.

Dá-Lhe o peito e, nos braços ela O aquece.
Logo após em silêncio Ele adormece
Inocente no colo maternal.

16.11.2004


Soneto de Natal II


Na mais humilde e pobre estrebaria
O menino Jesus ergue os bracinhos.
Aflita e inexperiente, eis que Maria,
O acolhe nos seus braços com carinhos.

Jesus chora mais alto... A noite é fria.
Ele e seus pais na noite estão sozinhos.
Um galo canta na amplidão vazia.
A um passo a neve cai pelos caminhos.

– “ Meu amado José, o que preciso
Fazer para o Menino não chorar?”
E José, com a voz do paraíso:

– “ Maria, minha esposa, o Deus-menino
Embora sendo Deus é pequenino
E está com fome. Dê-Lhe de mamar!”

22.11.2004


País do Sonho

Se é loucura sonhar, é bendita a loucura
Que à minha mente traz o delírio do sonho.
Nele, em frêmitos viajo ao país da aventura,
Onde posso trilhar um caminho risonho.

No sonho que idealizo a esperança é mais pura,
E meus passos, febril, na caminhada ponho.
Não há dias sem sol, e nem há noite escura:
Tudo brilha e tem cor – no próprio sonho – sonho!

Nele te encontro em mim, e ambos somos capazes
De viver o prazer que em segredos sonhamos
Num país do deserto em abismo de oásis.

Dentro deste país, Senhor da Eternidade,
Posso pomos colher dentre dourados ramos,
Como exigir de ti toda a minha Vontade.

12.07.2004


Incapacidade

Se somos nós o amor que existe em nós
Por que vivemos ardilando tramas,
Em tragédias, comédias, falsos dramas,
Amarrando ilusões em falsos nós?

Ocultamos no peito a própria voz
E acendemos na Vida falsas chamas.
Se o verbo é um só, e eu te amo e se tu me amas,
Por que esse desespero tão atroz?

O eco repete sempre o fim das frases,
Mas para o amor nós somos incapazes
E assim vivo sem ti, vives sem mim.

E toda a história que sonhamos juntos
Fará de nós misérrimos defuntos,
Numa história de amor que teve fim.

02.09.2003

Crença banal

Eu acredito que a felicidade
Nas coisas muito simples, ela mora.
Estar feliz cheira à banalidade,
E estar feliz não tem razão nem hora.

E ela arrebenta da tristeza a grade,
Que de alegria mesmo o peito chora.
Estar feliz beira à casualidade,
E estar feliz é bom estar no agora.

E estou feliz agora, por exemplo!
Uma notícia construiu o Templo
Onde canto em enorme alacridade.

E estou feliz, muito feliz... Quem dera
Esse instante de azúlea primavera,
Ser sublime na minha eternidade.

29.03.2004

Instinto

Se esta vida é de fato uma balada
Dentro de seu refrão imaginário,
Eu me transformo ao longo da jornada
Para fazer justiça ao meu salário.

Posso, é claro, cantar na madrugada,
Por instinto mudar o itinerário.
Também mostrar ter alma apaixonada
E soltar longos trinos de canário.

Posso tudo fazer preso à vontade.
Se às vezes no silêncio me apareço,
Busco ocultar a minha identidade.

No anonimato a vista ao longe alargo,
Mas se para cantar existe um preço,
O meu canto se torna duro e amargo.

17.05.2004


Semeadura variada

Passei a semear sementes de saudade
Desde que tua ausência em minh’alma alojou-se.
E aquele tempo bom, de alegria tão doce,
Pôs em meu coração da angústia a férrea grade.

Se o passado voltasse e florido me fosse,
Eu cantara feliz em terna suavidade.
No presente, porém, brota amarga maldade,
E sinto meu viver ardendo em tredo alcouce.

Pudesse eu plantaria as mais variadas flores,
Para multiplicar meu caminho de cores,
Para poder viver meus dias mais felizes.

Porém, dentro de mim brotam os pesadelos,
A angústia vai tecendo intrínsecos novelos,
E não posso curar tão negras cicatrizes.

17.05.2004


Companhia


Se parece loucura a insanidade,
A decisão tomada foi correta.
O não jamais se diz para um Poeta
Quando ele canta em rimas – a verdade.

A forma de atendê-lo é a mais completa
Para que possa haver felicidade.
Ocultá-la é ferir a liberdade,
É encher de curvas uma linha reta.

Se dois pontos de luz estão distantes,
Um não consegue ao outro ater-se ao brilho.
Separados não podem ser amantes.

Mas se juntos cruzarem os caminhos,
E seguirem do amor o mesmo trilho,
Dois corações jamais irão sozinhos.

06.06.2004


Percepção


No início a sensação é tanto estranha,
Não se consegue, não, lidar com isso.
Pesa no peito colossal montanha!
Fica-se devaneando no serviço...

Dorme esquecido velho compromisso,
Uma tocha de fogo arde na entranha!
A vida vibra em forte reboliço,
Na noite o pensamento faz campanha.

A palavra aparece poderosa,
Há uma explosão de dínamos profundos,
No jardim desabrocha rubra rosa.

No momento um farol brilha e projeta
Dentro do coração imensos mundos.
Nesse instante maior – nasce o Poeta!

18.03.2002


Sonâmbulo


Este meu coração que sonha tanto,
Por certo há de morrer por tanto sonho,
E a cada sonho invento um novo canto
Na ânsia de caminhar sempre risonho.

Em cada um deles busco um novo encanto
E, com firmeza, os pés confiante ponho.
Cada sonho me cobre com seu manto,
Feliz nesta clausura penso e sonho.

Mas acordo... Profana é a realidade:
Subitamente tudo é atroz miragem,
Fantasia cruel que em transe vivo.

E cada vez mais cheio de saudade
Busco encontrar no sonho a mesma imagem
Que tanto o coração deixa cativo.

14.04.2002


Solidão de Poetisa




– Eras tu o Poeta... E eu era tão-somente
Aquela que te ouvia os versos que compunhas.
Hoje, porém, partiste e tristonha e demente,
Com esta solidão vivo roendo as unhas.

Eras tu o Poeta... E puseste a semente
Dentro do meu viver do amor que não supunhas...
E este amor eu vivi escandalosamente;
– As flores do jardim são minhas testemunhas! –

Eu, atenta te ouvia os versos rendilhados...
Redondilhas azuis, baladas e sonetos,
Rimas da cor do sol, cantos apaixonados...

Hoje, sozinha estou, a solidão me avisa.
De tudo o que cantaste eu recolho os gravetos,
Mas não sei escrever... Eu não sou Poetisa...

23.10.2003
Porto de Galinhas, PE


Solidão


Essa vontade de não ter vontade
A angústia e o tédio fervem junto à mente,
Desânimo total e persistente
O pensamento preso em férrea grade.

Olhar perdido equidistantemente,
E essa falta constante de ansiedade.
Vago e perdido olhar, simples saudade,
Que apodrece e não passa de semente.

Frio, calor, pancadas, densa estiagem,
Uma vontade absurda de estar só
No deserto fugir-se da miragem.

Antecipar o fim e não ter medo,
Solitário partir com meu segredo,
Deixando sobre a estrada a angústia e o pó.

17.02.2004


Ésio Antonio Pezzato

18 de novembro de 2009

SONETOS DO LIVRO "OFÍCIO DE POETA I"



Soneto da Morte
(Para o meu amigo Dr. Alex Alves)

Para onde vai a Vida quando a Morte,
– Sorrateira e fatal, – num passo invade
O nosso Sonho de felicidade
Não deixando ninguém que nos conforte?

É muito azar ter essa ingrata sorte
Muito embora a ninguém no mundo agrade,
Mas ela veio com perversidade,
Mostrando à Vida o quanto tem de forte!

Sem ruído chega. Com seu passo manso
Aquieta o coração e deixa frio
O sonho de um futuro sem aurora...

Lembra um lago com ondas no remanso:
Embaça o olhar que fita o amplo vazio,
Planta a ausência e em silêncio vai embora...

29.04.2005


Rumo a esmo


Uma lua de imensa primavera
Floriu e perfumou meu céu de agosto.
E iluminado então ficou meu rosto,
Que dentre muros reflori-me em hera.

Agora não há mais tempo de espera.
Das flores – pétalas mastigo a gosto.
Engulo cores rubras de um sol posto,
Buscando achar encantos na tapera.

Tantos dentro de mim, me vejo agora,
E vou seguindo por um rumo a esmo
Pondo sementes pelo espaço afora.

E nessa diversão eu me ensimesmo.
Longo passado foi de mim embora,
E único sendo já não sou eu mesmo.

28.11.2003


Elogio funesto


Vivemos a contar nossas histórias
E somos sempre o artista principal.
Nelas vencemos grandes trajetórias
Com enredo perfeito e magistral.

Cavamos fundo, pálidas memórias,
E em lutas contribuímos contra o mal.
Querendo para nós todas as glórias,
– Fato este corriqueiro e até banal.

Somos Protagonistas de chanchadas.
Sempre descarregamos num pateta
A nossa fúria cômica a patadas...

E ainda queremos ter, por recompensa,
Nossos feitos nos versos de um poeta,
Nossas vitórias em nefasta crença...

10.10.2002

Saudade


Meu coração recorda ainda em sonho
O tempo das cantigas infantis.
Quando tudo era belo, era risonho,
E em êxtase eu vivia mais feliz.

Hoje que o tempo em embalar medonho
Da amargura plantou-me a cicatriz,
Aos ecos do passado ouvidos ponho
Quando dos versos era um aprendiz.

As cirandas ficaram esquecidas,
Os cantos são apenas ilusões
Daquelas noites líricas, floridas...

E ao recordá-las quantas sensações:
As esperanças brotam coloridas
E o coração se embala em tais canções.

29.08.2003


Soneto das trevas


O delírio da treva me revela
Cobras, lagartos, escorpiões e aranhas,
Uivos de cães em vibrações estranhas,
Mórbido medo ao qual meu ser se atrela.

Um pirilampo ao longe a noite vela.
Porém, sinto arrepios nas entranhas...
Tento fazer com o céu minhas barganhas,
Mas o frio da noite me enregela.

Ouço os pios soturnos das corujas.
Os sapos coaxam num desvão de brejo,
E uma cobra rasteja junto ao muro.

Olhos! Por que nas noites te enferrujas,
E, não consegues ver um só lampejo,
Para na vida eu não ficar no escuro?

27.12.2002


Alegria fugidia


O sorriso que molda este meu rosto
Já foi um dia franco e mais aberto.
Não trazia o desdém oblongo e incerto
Nem tamanha algidez de frio agosto.

Hoje cansado, amargo, decomposto,
Mostra rugas se olhado mais de perto.
Traz o ressequimento do deserto
E um profundo e sarcástico desgosto.

Esse meu riso insípido, vazio,
Ao invés de calor provoca frio
Num profano desdém negro e sem fim.

Todos vão, na vanguarda da Esperança,
Porém meu riso é a pálida lembrança,
De uma alegria que fugiu de mim.

14.01.2004


Abandonado


Ausente dos meus sonhos e desejos
Eis que palmilho só na longa estrada.
Mais longa por ter a alma abandonada,
E não ter teus abraços e teus beijos.

Sou estrangeiro nesta caminhada!
E do prazer sequer tenho lampejos!
É o cortejo mais triste dos cortejos
Para quem vai com a alma espedaçada.

Se eu conseguisse descobrir a ciência
De transpor mundos e seguir em frente,
E poder dominar toda a emoção...

O que mais dói não é a tua ausência,
Mas é tua presença permanente
Apenas dentro do meu coração.

28.06.2004


Soneto técnico
(para o Lino Vitti)


Quando crio meus versos sempre busco
Decassílabas formas de escrevê-los.
Nas heróicas cesuras me chamusco
Tentando não me ater em pesadelos.

E os versos vão saindo dos novelos
Cheios de inspiração... Com jeito brusco
Procuro decifrá-los, entendê-los,
Com seus brilhos, porém – o mundo ofusco.

Às vezes, duplamente cesurado
O verso corre solto na cadência,
Por outras vezes, sem querer, e o verso

Torna-se sáfico, mas não errado...
E ao perceber que o verso é mais que ciência,
Tento apenas achá-lo no Universo.

24.04.2002


Dúvida


O pensamento em febre é uma montanha:
Na coragem precisa ser transposta!
Se a solidão do instante me acompanha,
À pergunta é impossível ter resposta.

A dúvida cruel a alma me arranha
E a crença é verdadeira em tal aposta.
Na dívida jamais se faz barganha,
Não se leva o impossível sobre a costa.

Vencer o medo é dúvida constante.
Num eco sem retorno vibra a voz
Que num refrão me manda à frente! Adiante!

Contra o ímpeto é impossível ser feroz.
Em fogo o coração se faz amante,
E do delírio desentrança os nós.

06.06.2004


Medo e barganha


Velho vento voraz e vagabundo,
Que destelhas meus sonhos tão floridos
E ao relento me deixas neste mundo
Dentro de meus sofreres tão sentidos;

Assobios, funéreos sustenidos,
Em teu gemer tristonho e tão profundo,
Réquiem feito em delírios já perdidos,
Onde, entre angústias – meu viver afundo...

Sou árvore! Decepas minhas ramas.
Sou poesia! Revolves-me as entranhas!
Sou água! Em ondas lúgubres me envolves.

Com teu soar funesto é que me chamas,
Entre notas de medo e entre barganhas,
Levas meus sonhos e não mos devolves.

27.12.2002


Ésio Antonio Pezzato

16 de novembro de 2009

VERSOS ALEXANDRINOS



Prometo

Sou garimpeiro. Busco achar em cada mina
As pedras e os cristais do mais alto quilate.
Busco o rubi mais puro em vermelho escarlate,
A esmeralda mais bela e pura e cristalina.

Junto à minha bateia uma luz me ilumina.
E tréguas nunca ponho a esse denso combate.
Quero o sonho adornar num festivo arremate,
Que a ânsia de mais viver assim me determina!

Quero tudo encontrar neste airoso projeto,
Quero a luz da manhã, junto às cores da tarde,
Quero, à Sabedoria, unir Força e Beleza.

Junto aos olhos de luz de um grandioso Arquiteto
Sonho viver feliz sem provocar alarde,
Para encontrar de vez, a paz na Natureza!

25.09.2008

v v v v v v v v v

A própria luz

A Poesia requer da alma toda a nobreza
Que possa ela conter: requer paz e paciência,
Sonho, desejo, estudo, um pouco de destreza,
E força de vontade e muita persistência.

Quer ouvidos febris para, da Natureza,
Ouvir pequenos sons que brotam na Existência;
Boa imaginação, ter calma com a certeza
E ter olhos sutis frente a tamanha Ciência.

De mim Ela requer a minha própria Vida!
E a ela me doo inteiro em todos os momentos
E d’ela sou cantor dentro de cada dia.

Que a Poesia põe luz na estrada a ser seguida,
É mesmo a própria luz nos largos Firmamentos,
Da minha vida o Sol que em febre, me alumia.

26.09.2008

v v v v v v v v v

Painel ribeirinho

Beira-rio, a Avenida. Ali contemplo a glória
Sagrada e secular que tem a alma de um Povo.
Nesse imenso painel vou desfiando a memória,
Frente lembranças tais, em transe me comovo.

Cada relíquia guarda a imensa trajetória
E, a ânsia de progredir com êxtases eu louvo.
É o delírio da luz que grava a sua História
Entre fulgurações de ouro polido e novo.

Um velho pescador constrói a sua rede;
Na água pura do Rio ele mitiga a sede,
E de cardumes tira o familiar sustento.

E quando vejo um barco a cruzar seu destino,
Contemplo a exaltação à Festa do Divino,
E o Espírito Encarnado é luz nesse momento!

29.09.2008

v v v v v v v v v

Manhã Caipira

Principia a clarear. A luz a treva cobre
E, fulmíneo, febril, forte, fosforescente,
O Sol, como um Tritão em brilhos surge sobre
A fria madrugada irrompendo o Oriente.

O espetáculo lembra o referver do cobre!
Há uma explosão da luz brilhante, reluzente.
As aves, em zunzuns num canto vário e nobre,
Por entre capinzais cantam continuamente.

Do Rio a água se agita em fachos cristalinos.
Em santas oblações há sonoros arpejos,
Há rebrilhos da vida em solos de violinos.

E, à luz do Sol mais forte em constantes desejos,
Na ânsia de mais viver, na glória dos meninos,
Ao novo alvorecer lanço milhões de beijos.

29.09.2008

v v v v v v v v v

As Luzes do Poeta

O Poeta trabalha!... em sua faina imensa
Procura decifrar os enigmas da vida.
Na ânsia da Inspiração mil palavras condensa
Para a Ideia sair cinzelada e polida.

Os seus versos transforma em luminosa crença
E o mundo tenta ouvir numa estrada florida.
Se, por eles não busca a régia recompensa,
Para viver em paz o Homem ele convida.

Semeando os versos ele, em seu sonho festivo,
Urde e canta a Esperança, o Amor e a Caridade,
E, três luzes juntando eis que se faz mais vivo.

Frente ao dom da Beleza ele doma a vaidade,
Com os músculos da Força ele se faz cativo,
Frente à Sabedoria ele crê na verdade.

30.09.2008

v v v v v v v v v

Divina Paixão

Em ânsias te procuro em todos os lugares:
– És o divino amor que tenho em minha vida!
Por ti singro a amplidão das terras e dos mares,
Busco-te, meu amor, Estrela Prometida!

Nas noites em que o céu esborrifa luares,
A teu encalço saio e levo de vencida
Rochedos, vastidões, reinados milenares,
Na ânsia de te encontrar, minha Fada querida!

És meu sol interior! Minha estrada clareias!
Nas dunas do deserto és o oásis mais sonhado,
És meu sonho maior dentro de cada dia.

Princesa donairesca adarvada de ameias,
Por ti pulsa minh’alma e mais apaixonado
Vivo quando me encontro em teus braços, Poesia!

30.09.2008

v v v v v v v v v

Três Luzes

O estupendo painel da Trindade Suprema
Tem a luzir a Fé, a Esperança e a Caridade.
A França nos legou também a este diadema
Três joias de fulgor dentro da Eternidade.

Somos todos iguais! Nessa intensa verdade
Existe a Liberdade em sua glória extrema;
E, se somos Irmãos, não poderá a maldade
Neste mundo imperar num vil estratagema!

No triângulo da Vida, o Esquadro, o Prumo e o Nível
Deve tudo conter em puras plenitudes,
Junto ao Grande Arquiteto e Seu poder incrível.

Eis a Força, a Beleza e o Saber: três Colunas
Que sustentam a Vida em todas as virtudes,
Três almas numa só unidas plenas, unas!

01.10.2008

v v v v v v v v v

Tear do Tempo

À medida que o tempo em rudes teares tece
Os Sonhos e Ilusões que em nossa vida temos,
Desta louca existência eivada de quermesse
Vamos acumulando os desejos supremos.

Nossos sonhos – um barco! E nossas mãos – os remos!
As nossas ilusões – uma sentida prece!
Os dias do amanhã são sombras que não vemos,
E os dias do passado – a mente, insana – esquece!

Projetamos dobrar os séculos vindouros,
Tantos antes de nós visionaram mil louros,
E apenas hoje são num cemitério sombra.

Sonhamos ter mais vida e mais luzes sonhamos,
Nossos sonhos, porém, apodrecem nos ramos,
E no tear do tempo o sonho nos assombra.

01.10.2008

v v v v v v v v v

Renascer

Sangra o sol no Oriente, um novo dia vibra
Trazendo aos corações uma nova Esperança.
E o homem, no seu afã, na vontade se libra,
Seus músculos retesa e no labor se lança.

Trabalha a terra firme e forte; em faina e fibra
Sonha! Em êxtase santo a su’alma criança
Entre raios de luz fremente se equilibra,
Enquanto a vida passa e o tempo em febre – avança!

Primavera festeja essa glória festiva!
Num lírico esplendor multiplicam-se os sonhos,
A vida se renova em todos os minutos.

A alma se abraça à Terra em frêmitos cativa!
No peito os corações palpitantes, risonhos,
Cantam o renascer da Vida em novos frutos!

07.10.2008

v v v v v v v v v

Taça vazia

Está vazia a taça. O vinho foi sorvido
Nas comemorações diversas e variadas.
Hoje me pego aqui – cabisbaixo e vencido,
Vendo os brilhos febris das longas madrugadas.

Se devo ou não estar agora arrependido
Não pretendo pedir desculpas atrasadas.
A vida por viver já não contém sentido,
Os passos a seguir travam-me as caminhadas.

Já vivi, com certeza, a minha Última Ceia!
O vinho da Paixão entrou em cada veia
E agora só me resta um Calvário e uma Cruz.

Olho a taça vazia – e angústias, traumas, medos,
E os dias por viver trazem sonhos azedos,
A Poesia, porém, toda essa dor traduz!

03.11.2008

v v v v v v v v v

Crepusculário

Começo a entardecer. O sol deita no Ocaso
E as esperanças vão morrendo... vão morrendo...
A noite se aproxima e um velho bruxo horrendo
Passa por mim, a rir, mostrando pouco caso.

No céu brilha uma estrela e seu brilho estupendo
Paira em minha cabeça a denunciar um prazo.
Dentro de mim perlustro imagens ao acaso,
E às velhas ambições indomáveis me rendo.

Não é minha essa estrela entre tantas estrelas,
Nem é meu esse céu pintado de cobalto.
Outras constelações surgem no amplo cenário.

Quantas almas irmãs! Feliz estou por vê-las!
E essa estrada sem fim tem luzes por asfalto,
– Como anseio seguir por tal itinerário!

10.11.2008

v v v v v v v v v

Paris

Coração de Paris. A passos lerdos ando
Em êxtase de luz. Sinto a velha nobreza
De Luiz XVI oculta, se esgueirando,
Enquanto um batalhão entoa a Marselhesa.

Buscando alçar o céu, Dumont está brilhando:
Contorna a Torre Eiffel com pompa e com realeza.
A Vida corre lerda... há um jovem suspirando;
Nas Tulherias sonha airosa camponesa.

Canhões troam no céu que iluminado brilha!
São os fachos de luz que explodem a Bastilha
Enquanto Robespierre ruge como um canhão.

Há luzes em Paris e nas margens do Sena
Cuido ouvir de Jersey, também de Santa Helena,
Os Miseráveis de Hugo e a voz de Napoleão!

10.11.2008

v v v v v v v v v

Para um Príncipe

Poeta, Amigo, Irmão! Oh, Príncipe divino,
De joelhos aos teus pés receba a minha prece,
Quem vem no verso azul de um longo alexandrino,
Para, com gratidão, exaltar quem merece.

Sob os caipiras céus de inspiradora messe,
A benção me consagre, oh, grande Mestre Lino.
Da vida por viver minh’alma não e esquece,
Pois tu puseste a luz do verso, em meu destino.

De coração aberto eu e ofereço agora
Codornas e inhambus dos campos de Santana,
E um pintassilgo a rir nas sebes da campina.

Que brilhe sempre o Sol em tua vida afora,
Oh, Príncipe imortal dessa terra caiana,
Oh, Príncipe imortal da Noiva da Colina.

26.11.2008

v v v v v v v v v

Maria Lúcia Krügg

Dedilha com amor este nobre instrumento
Que apaixonado, Deus, moldou em teu destino.
No teu arco prendeste, Artista, o Firmamento,
Tal como Paganini em êxtase divino.

Faz que as cordas febris, num sonho palestino,
Anunciem a Luz num sagrado momento.
Prende a glória, a emoção e a vida ao teu violino,
Fazendo corações cirandarem ao vento.

Há um prelúdio de paz, um alegro cantante,
E a vida vibra, pulsa, explode, anseia, estua,
Numa paixão feroz no teu riso de astúcia.

A Musa pulsa em ti neste sagrado instante.
Delirantes paixões vibram à luz da lua,
Quando fazes ecoar o teu violino, Lúcia.

19.12.2008

v v v v v v v v v

Traição

Meus passos de fantasma erram na madrugada,
Tentando compreender com a mente em torvelinho.
À frente a Imensidão soturna, abandonada,
Sem um ramo sequer para construir meu ninho.

Atados – mãos e pés, não posso fazer nada!
É imensa a multidão, mas sinto-me sozinho.
A voz para falar está presa, travada,
Impedem-me também que siga meu caminho.

Ao longo da jornada eu semeava a Esperança;
Plantei a Paz e o Amor, a Bem-aventurança,
Mas inimigos maus, com o demo por apoio,

Fustigaram com fogo os meus sonhos dourados!
E hoje, por onde eu vá vejo em todos os lados,
Os sonhos que plantei encobertos de joio.

03.01.2009

v v v v v v v v v

No silêncio

Eis agora o silêncio, eis o silêncio frio,
Após densa, feroz e negra tempestade.
Agora a mansidão, o infinito vazio,
O olhar perdido além, abismal ansiedade.

Silêncio e solidão, o olhar longe, erradio,
Uma espera, talvez, absorta liberdade.
Sem ânsias para o voo, o desejo vadio,
O escuro, e a noite, e o nada, e o sonho atrás da grade.

Nada posso fazer. Há silêncio por tudo.
Descansa o pensamento e permaneço mudo.
O sol destila a luz mas na treva me oculto.

Chega a noite. Estou só. Eu e os silêncios juntos.
(– Se estivesses aqui quantos novos assuntos...)
Passa uma sombra. Nela imagino o teu vulto...

18.02.2009

v v v v v v v v v

Incógnita

Procuro decifrar nos versos que fabrico
O segredo que envolve o mundo da Poesia.
Imito a sabiá, imito o tico-tico,
Porém jamais decifro essa grande alquimia.

Dentro d’alma a Poesia em salmos glorifico,
Que Ela é a razão maior da minha fantasia.
Ela me faz feliz e me deixa mais rico,
Também me faz vencer os percalços do dia.

Sou súdito menor dessa razão da Vida!
Traço em versos meu mundo e dentro dele sonho
E firme ponho os pés nessa sem fim estrada.

Que a Poesia de fato é uma glória florida,
E em cada verso teço o tálamo risonho,
Onde irei descansar ao fim dessa jornada.

20.02.2009

v v v v v v v v v

Delírios supremos

Quarenta anos de estudo, análise e pesquisa,
Tentando compreender o mundo da Poesia.
Imensurável sonho, ofegante agonia,
E a Palavra bailando em concertos de brisa.

A métrica, a cesura, a rima e a atroz porfia
De arquitetar o verso em cadência precisa.
E o pensamento coeso, e de forma concisa,
A estrofe refulgindo, a ideia em melodia.

A obra se decompondo em delírios supremos,
Num insano sofrer de buscas estonteantes,
À frente – o imenso mar! e as Palavras – por remos!

E nos transes de luz mil sonhos ofegantes!
Mas o Poeta preso em esgares extremos,
Sente que os versos seus tem futuros errantes.

30.03.2009

v v v v v v v v v

Em nome da Poesia

Em nome da Poesia ao mundo hoje ofereço
Carinho, paz, amor, ternura, graça, afeto,
Um coração sincero envolvido no apreço,
Um olhar puro e bom à imperfeição discreto.

Em nome da Poesia os meus versos projeto
Na cadência da paz que em minha vida teço.
Um sorriso sincero em minh’alma arquiteto
E a quem eu quero bem, na vida não esqueço.

Em nome da Poesia urdo e tramo o meu verso,
Canto a Esperança azul que os olhos extasia
E procuro sorrir com o Amor no peito imerso.

Em nome da Poesia eu vivo cada dia,
E o Arquiteto Maior deste grande Universo,
As Musas me oferece – em nome da Poesia!

30.03.2009

v v v v v v v v v

Chama eterna

Quando pego a caneta e em transe e em sentimento
As palavras, em fogo, enchem a minha mente,
E em turbilhão de lava explodem num momento
Parecendo frigir de ferro fluorescente,

As ideias aprumo em febre, num repente,
E o verso toma forma e eclode como vento.
E em frenesi feroz, fantástico, fremente,
Consigo coordenar no instante, o pensamento.

Na folha em branco bordo as palavras que rugem
E no instante, Poeta, acordo as Divindades
Que descansam em Pindo em deleite profundo.

À Palavra moldada inexiste ferrugem.
Pois ela irá viver por mil Eternidades,
E em cada vida além que ainda não veio ao mundo!

31.03.2009

v v v v v v v v v

Eterna Primavera

Se recebi de Deus o Dom puro e divino
E a Arte da inspiração para compor meu canto,
É sagrado o dever de traçar meu destino
E domar a palavra em todo o seu encanto.

Por isso sou Poeta e não me causa espanto
Quando, dentro da mente, o verso purpurino,
Justo e perfeito brota e a estrada – flavo helianto,
Modulo na amplidão de um belo Alexandrino!

Sou feliz! cada verso amalgamado em ouro
Para mim tem luz própria e ilumina-me a vida
E os rumos para achar o largo ancoradouro

Onde o grande final desse prazer me espera.
E espero que essa estrada encontre-se florida,
E que ela me conduza à eterna Primavera.

15.04.2009

v v v v v v v v v

Um novo dia

Um novo dia surge. A Leste o Sol irrora
Em eflúvios de luz. Sombras claras, compridas,
Atapetam o chão para passar a aurora
Quem vem nos abraçar e à Vida dar mais vidas.

Límpido, o céu azul a imensidão explora:
Há brilhos de cristais em gotas coloridas.
Luzes, cores, mil sons... logo o orvalho evapora
E o soberano Sol traz explosões suicidas!

O homem trabalhador vai para a sua messe
E como Prometeu no Cáucaso, em su’ânsia
Acorrentado, sonha e faz a sua prece.

Em tudo jorra a luz... De distância em distância
O milagre da vida em glórias acontece
Enquanto pingam mel as flores em fragrância.

17.04.2009

v v v v v v v v v

O passado

O passado é passado, está enterrado e morto.
Se, traz recordação, tristeza ou alegria,
É barco que não mais retorna ao velho porto,
Navega em alto mar em sua fantasia.

O dia que se foi em seu caminho torto
É velho olhar mirando atroz melancolia.
E muitas vezes eu, calado, triste, absorto,
Busco dele encontrar uma ilusão vazia.

Aos dias que virão rebrilha uma esperança,
Planos fenomenais ardem em nossa mente
E atropelamos tudo o que nos atrapalha

Para alcançarmos logo esse sonho criança...
Porém, talvez não venha o amanhã refulgente,
E nem sintamos dele o seu fogo de palha.

17.04.2009

v v v v v v v v v

Glória suprema

Sou Poeta. Carrego às costas o árduo fardo
De cantar a Verdade e somente a Verdade.
E no canto feroz por muitas vezes ardo
Pois eu sinto faltar no canto suavidade.

À flor da pele vibra a emoção; à piedade
Não consigo fugir, que esta é a sina do Bardo!
Porém, para cantar falta serenidade
E o instante de Razão a mim não há resguardo.

Em honra desta vida ergo a taça espumante!
Porém vibra a Ilusão de maneira constante,
E nesse atroz dualismo eu me afogo num rogo.

Se é uma glória suprema a muitos ser Poeta,
A mim nada mais é do que uma glória abjeta,
Quando a deusa Satã me queima com seu fogo.

22.04.2009

v v v v v v v v v

Templo
(Aos Am:. Ir:. da A:. R:. L:. S:. Esplendor)

Eis me à porta do Templo, onde a Sabedoria
Junto à Força e à Beleza, alicerçam a Vida!
Onde o Grande Arquiteto ilumina o meu dia,
E a alma, qual pedra bruta, é limada e polida.

Eis me à porta do Templo, onde a Luz é alquimia!
Onde tantos Irmãos vivem a Paz florida.
O olhar que tudo vê é glória que irradia,
A orla dentada molda a força destemida.

Com passos de Aprendiz adentro nesse Templo,
A abóbada celeste a minha Alma ilumina,
Serenidade e paz com meus olhos contemplo.

E do centro da Terra à Imensidão celeste,
Do Norte ao Sul, da luz do Leste à sombra do Oeste,
Nesse Templo é que busco a Verdade divina!

24.04.2009

v v v v v v v v v

Juventude liberta

Esses jovens que vejo andando pobres, feios,
Usando velhos jeans rasgados, desbotados,
Falando palavrões, gritando desbocados,
Parecem não sonhar, também não ter anseios.

Com tatuagens no corpo e piercings como arreios,
Filhos de mãe solteira ou de pais separados,
Analfabetos quase, eles são uns coitados,
Vivem sem ilusões frequentando rodeios.

Vivem aqui e ali sem certo paradeiro,
Com gírias de mau-gosto inarticulam frases
Difíceis de entender em tal vocabulário.

São jovens do Brasil que sonham o estrangeiro...
Desfrutam no presente um enganoso oásis,
Para ter no futuro um viver proletário.

17.06.2009


Ésio Antonio Pezzato

14 de novembro de 2009

VERSOS ALEXANDRINOS


Tesouro Paulista

Contemplo este painel que em brilhos fere a vista!
Cintilação de luz divina e contagiante!
Nosso lendário Rio em marulhar vibrante
É uma paixão maior de beleza e conquista.

Vê-lo uma vez somente e o pensamento amante
Se eleva para Deus, que dele foi o Artista.
Seu eterno esplendor é um tesouro Paulista
Que está no coração de cada Bandeirante!

Meu velho Paiaguá guarda tantas histórias!
Conquistas imortais recobertas de glórias,
Tanta vida esquecer, não haverá quem finde-a!

E ao contemplar eu Salto extasiado de encanto,
Das pedras cuido ouvir magoado e triste canto:
– É o cântico de amor de melancólica índia!

16.09.2008

v v v v v v v v v

Inspiração

Única em seu momento, a Inspiração é fruto
De vibração divina e magia concreta.
Nesse instante de luz e em êxtase, o Poeta
Lembra um deus a criar o Mundo num instante.

E essas tais vibrações em delírios a escuto
E tudo quanto escuto a minh’alma interpreta.
O verso vai surgindo e em forma mais correta
Tento tudo fazer, e a Deus, teço um tributo.

Na magia que vibra, e esplende, e grita, e sua,
O silêncio domino e a febre me entorpece,
Frente às Palavras sinto a Vida que tressua.

Um delírio feroz nesse instante acontece:
Em frente à Eternidade a alma sinto estar nua,
E no Templo da Vida, o meu verso é uma prece.

16.09.2008

v v v v v v v v v

Sonhos azuis


Sonhos, sonhos azuis, sonhos que nós sonhamos
E queremos viver mil séculos num dia.
Mal rebenta a florada em desfolhados ramos
E ansiamos por comer o manjar de ambrosia.

Tudo queremos ter numa simples magia;
Se, se demora o tempo, infindáveis reclamos
Passamos a tecer em funda sinfonia
E queremos no agora, o que em ânsia esperamos.

Dentro dos sonhos nós um dia a mais vivemos,
E com tal ilusão eles são ágeis remos
Que nos levam ao Sol de um dia colorido.

Sonhos, sonhos azuis. Doida e vaga esperança,
Onde fazemos nós reviver a criança
Que fomos no passado hoje morto e esquecido.

17.09.2008

v v v v v v v v v

Painel Caipira I

Contemplo, no horizonte, o céu todo estampado
De violáceos vergões. É inverno. Venta. É agosto.
Pálido, o Sol é um Rei vencido e destronado,
Mas surge a Lua-cheia e lhe arrebata o posto.

Brilham faíscas e o céu fica todo estrelado.
Em delírio, fitando esse dossel exposto,
Lanço para o Infinito os olhos e extasiado
Sinto placas de luz moldando-se em meu rosto.

Lerdo, cordeia o Rio. O silêncio é profundo.
Na mansidão sem fim há espasmos e arrepio.
De tais cintilações me abasteço e me inundo.

Como audazes leões de tais alegorias,
Guardando com furor a alma de nosso Rio,
Vislumbro, em sentinela, os Bonecos do Elias.

18.09.2008

v v v v v v v v v

Revelação

Bordado no Infinito há um rosário de estrelas:
– Bilhões de olhos de Deus que nos contemplam mudos! –
São transubstanciações divinas, e eu, a vê-las,
O cérebro mergulho em secretos sentidos.

É o mistério maior esparramado pelas
Celestes amplidões de silêncios e escudos.
Fagulhas de ouro em pó, brilhantes sentinelas
Errando pelo espaço em broqueis e veludos!

E não há quem decifre essas luzes secretas!
Cientistas em furor tecem longos tratados
E em ogivas de luz lançam fulmíneas setas.

Deus, silencioso ri de tais estratagemas,
Aos Poetas, porém, em versos aureolados,
Segredos tais revela em mágicos poemas!

19.09.2008

v v v v v v v v v

Incerteza

Enquanto a Vida passa em frenéticas horas,
No insano acumular de dias, meses e anos,
Ignoramos que o Tempo é um suceder de auroras
Que traz um novo Sol a clarear nossos planos.

Voam as estações, revivem novas floras,
O fluxo das marés regurgita os oceanos,
Mistérios vão e vêm afeitos em escoras,
Enquanto a Vida passa em seu singrar de enganos.

Nós, cobaias do Tempo, os sonhos ardilamos,
O eterno acumular de ontens em nossas vidas
É um viver esquecido a apodrecer nos ramos,

Próximo passo o fim... No caminhar errante
Sonhamos ainda ter mil glórias coloridas,
Mas talvez inexista um passo a mais adiante.

19.09.2008

v v v v v v v v v

Painel Caipira II
(Para a historiadora, minha Amiga, Marli Terezinha Gernano Perencim)

Rua do Porto. Em tudo há um misticismo denso.
O Rio em mansidão corre em silêncio... o Rio
Parece carregar num lúcido amavio
A olhar de um pescador em seu silêncio imenso.

Olhando o casario à beira d’água, penso
Num velho Povoador que aqui chegou, num frio
E lacerante inverno, e ouço, como em cicio,
O sonho de um Tupi em seu viver intenso.

E penso distinguir entre tantos fulgores,
Num delírio infernal nas misturas das cores,
Os Dutras a pintar maravilhosas telas.

Numa pedra do Salto e Lagreca me encanta!
E ouço uma voz febril: é Cobrinha que canta
Lindas canções de amor sob um luar de estrelas.

22.09.2008

v v v v v v v v v

Prelúdio ao Sono

Todas as noites quando, à hora do sono ponho
A cabeça no velho e fofo travesseiro,
E espero por Morpheu, que às vezes é tardonho,
O pensamento voa e fico aventureiro.

Pego-me a arquitetar meu castelo de sonho.
E sinto o coração bater forte e ligeiro.
O dom de ser Poeta assim me faz risonho
E imagino-me herói, um soldado-guerreiro.

Porém chega Morpheu estendendo-me os braços.
E cambaleante vou, tropeçando nos passos
Onde a imaginação me leva a qualquer preço.

Rápido chega o transe e me embalo no sono.
E nesta letargia onde tudo é abandono,
Das minhas ilusões rapidamente esqueço

23.09.2008

v v v v v v v v v

Paixão Caipira
(aos de minha Terra)


Rua do Porto. Quando este Recanto fito,
Sinto no coração um quê sagrado e santo.
Definitivamente este Solo bendito
Faz que meu peito expluia em delírios e encanto.

Maravilhas sem fim de tão belo recanto,
São belezas sem par na tela do Infinito.
Súbito, a inspiração transmuda a voz em canto,
E penso ser Ramsés frente ao Nilo, no Egito!

Pirâmides de orgulho atufam minha Lira!
E com versos de brasa acendo a flâmea pira
Para louvar aos Meus sem cometer enganos!

E frente a esse painel de recônditos brilhos,
Uno-me a tantos mais, teus adorados filhos,
Pois somos todos nós, Caipiracicabanos!

24.09.2008

v v v v v v v v v

Bucolismo

No céu há um festival de lusco-fuscos de ouro.
– Parece que um pintor, a espanejar estrelas
Borrifa com pincéis emolduradas telas
A fim de esparramar esse belo tesouro.

O ouro em pó brilha no ar. E fico doido a vê-las
Buscando em ânsia achar algum ancoradouro
Para, numa bateia abrir-se em facho louro
Para as cores luzir das puras aquarelas.

As sombras vão chegando. Aves, em bandos vários,
Reproduzem nos céus fantásticos cenários
Em ziguezagues tais que se embaralha a vista.

A ouvir da Catedral os sinos, me arrepio.
E cuido ouvir no céu d’uma araponga um pio,
Enquanto atrás da terra o sol abaixa a crista.

24.09.2008

v v v v v v v v v

Parque da ESALQ
(Para meu amigo Antonio Roque Dechen)

Fazenda São João. Escola Agronomia.
Nos verdes campos onde os meus passeios faço,
Vou colhendo sem pressa as flores da Poesia
Enquanto o olhar se perde, em êxtase, no espaço.

Verdes de verdes mil, fantástica magia,
Estupor! Frenesi! Prazer! E passo a passo
Na mistura do encanto há um sonho que alumia
A alma que sente o ardor de caricioso abraço.

Trinados vão ao céu, há delírios alados,
Sombras mancham a terra e os musgos esverdeados
Parecem pintalgar esperanças sem fim.

E nesse divagar eu fantasio tudo,
Chegando a imaginar nesse passeio, mudo,
Luiz de Queiroz feliz, passar perto de mim.

24.09.2008

v v v v v v v v v

Velho fantasma

Eis o Engenho Central. Espectro de um passado
Que outrora alavancou esta nossa Cidade
Com fainas de progresso e de prosperidade
Num insano labor ferrenho e adocicado.

Eis o Engenho Central, a beira-rio armado,
Sonhos acumulando em luz e claridade;
Vomitando a garapa, o álcool em densidade,
E sacas, aos milhões, de açúcar refinado!

É um fantasma imponente a refletir no rio
Janelas e vitrais quebrados, retorcidos,
Numa visão de horror que provoca arrepio.

Eis o Engenho Central que se estende em destroços:
Tens apenas por glória – os dias já vividos,
Por presente, a sangrar, avermelhados ossos!

25.09.2008


Ésio Antonio Pezzato

12 de novembro de 2009

VERSOS ALEXANDRINOS



Momento de Saudade

Sempre que meu passado, em hinos de agonia
Os meus ouvidos fere em cantos de saudade,
No peito, o coração pulsa com ansiedade
Tentando reviver o que foi brilho um dia.

Cada nota febril vibra em tom de magia:
Sendo ilusão ou não bem parece verdade.
Parecendo viver em sua eternidade
Provoca-me pavor e atroz melancolia.

Recordo um fato e um filme em minha mente rola,
Cada cena é real e de novo revivo
Instante após instante esse instante medonho.

Que a Saudade é somente as migalhas de esmola
Que deixa o coração do passado cativo,
E à realidade mostra um pavoroso sonho.

02.06.2008

v v v v v v v v v

Súplica à Saudade

Instante após instante, instante após instante,
O tormento feroz em meu peito se instala.
Parece que minha alma é uma espaçosa sala
Que abriga com prazer, negra angústia constante.

A dor insana e vil, de forma anavalhante,
Tatua a minha pele e não posso domá-la;
E não posso também numa profunda vala
Ocultar seu furor, ou deixá-la distante.

O desespero é forte e abala os alicerces
Dos meus dias; a angústia em delírios invade
Os cômodos da casa e meu corpo ofegante

Treme de medo e frio. (Oh, tu, que tanto exerces
Teu poder sobre mim, tu, ingrata Saudade,
Vê se pode deixar meu viver um instante!)

02.06.2008

v v v v v v v v v

Cena da Idade Média

Um príncipe e um plebeu morreram certo dia
Carbonizados num incêndio pavoroso.
E restaram somente ante o quadro horroroso,
Alguns ossos dos dois após tanta ardentia.

Misturados, porém, quem é que poderia
Separar do plebeu o príncipe vistoso?
E os ossos ajuntando em um caixão suntuoso,
Tiveram, no Palácio, a fúnebre honraria!

Nas exéquias o Rei chorava e padecia;
Ao lado uma mulher com andrajos vestida
Padecia e chorava ao Rei unindo os ais.

E ambos no mesmo olhar nessa hora de agonia,
Souberam compreender que a morte une na vida
As almas numa só e as dores são iguais.

23.07.2008

v v v v v v v v v

Cosmos
(para meu grande amigo e Biólogo, Professor Wilson Paulino
após uma conversa que tivemos)


Se o Sol é uma laranja, a Terra é um grão de areia
No cósmico Universo, onde bilhões de estrelas
Maiores do que o Sol cruzam as passarelas
De um Mundo ainda maior que outro Mundo clareia.

Forças da Gravidade une-as nesta cadeia
E sonhos abissais espatifam-se nelas!
Ah! quem imaginou ou rascunhou em telas
Esse painel de Luz que gera uma Epopeia?

E o Homem julga-se forte e clama a Eternidade!
Buscando controlar o seu rumo disperso,
Porém, tão ínfimo é, que é um erro da Existência.

Em tudo brilha Deus em Sua claridade!
Arquiteto maior deste Grande Universo,
Onde não há saber que interprete essa Ciência!

01.08.2008

v v v v v v v v v

Meditação

Para mim, ser Poeta, é carregar o fardo
De angústia, desespero e algumas alegrias.
Desbasto as emoções e a inspiração aguardo
Com olhar de lince capto as imagens dos dias.

As rimas musicais se tornam fugidias,
E ponho-me a caçar como feroz leopardo:
Busco encontrar no verso os sons das melodias,
Cerzir a inspiração, e ser, de fato, um Bardo.

Dobo os meus sonhos nus! E nu também me pego!
O ouvido fica surdo, o olhar se torna cego,
A voz torna silêncio e a sós, meditabundo,

Erro ao redor de mim, tateio um rumo escuro,
Presente olho o Passado e à caça do Futuro,
No poço das paixões me arremesso e me afundo.

07.08.2008

v v v v v v v v v

Glória divina
Ao meu amigo, Monsenhor Jorge Simão Miguel

Sob um opaco céu Jerusalém espia
O corpo de Jesus pregado num madeiro.
Negreja a Sexta-feira e o Divino Cordeiro
Em Seu silêncio é só mágoa e melancolia.

E tanto padeceu nessa horrenda agonia
Aquele que Era o Filho único e verdadeiro
Do Pai que está no Céu, e agora, humilde obreiro,
Não sente mais a Luz nesta noite sombria.

Ferido, maltratado e coroado de espinhos,
Humilhado agredido em todos os caminhos,
Dos homens carregou tudo nos ombros nus!

No milagre da Fé de toda a Humanidade,
Eis que retorna à Vida em sua Majestade,
Mostrando-Se maior que sua própria cruz!

22.08.2008

v v v v v v v v v

Prudente de Moraes
(Aos Amados Irmãos da A:. R:. L:. S:. Prudente de Morais)

Prudente de Morais não pode ser, somente,
Uma glória maior à Pátria brasileira;
Da Força e da Beleza é a mais pura semente
E da Sabedoria é uma ave condoreira!

Sendo, como civil, primeiro Presidente,
Fez o nosso Brasil forte em cada fronteira.
Como pedra polida eterna e reluzente,
O País conduziu de forma rara e ordeira.

Como Pedreiro livre uniu o nosso Povo,
Com a argamassa do Amor, trouxe a Fraternidade,
Crendo num Deus maior, Dele foi seu exemplo.

Sendo um Filho da terra, em transes me comovo;
Seu nome há de brilhar além da Eternidade,
E em cada céu azul onde fulgura um Templo!

29.08.2008

v v v v v v v v v

Suposição

Existe, além da Vida (a qual hoje vivemos)
Uma desconhecida e ansiada Eternidade.
– Se nossa vida é um barco, os sonhos são os remos,
Que um dia mostrarão se é Mentira ou Verdade

Esses sonhos azuis que com alma tanto cremos,
Enquanto isso em nossa alma há uma certa ansiedade
E em laivos de explosão, chegamos aos extremos,
Que a descrença é uma crença em nula validade.

Uns juram existir vida além desta vida,
Outros sonham viver no Paraíso eterno.
Como crer ou descrer de tal suposição?

Melhor é contemplar a estrada a ser seguida,
Viver feliz, sonhar, ter na alma um sonho terno,
E ter um grande amor dentro do coração!

29.08.2008

v v v v v v v v v

O Ofício de escrever

O ofício de escrever é penoso e é sofrido,
Só traz desilusão, tenebrosa amargura,
Corre o tempo veloz e esse tempo é perdido,
E fica no papel nossa mensagem pura.

O ofício de escrever deixa desiludido
No peito o coração, que em transe, se aventura
Em seu desejo atroz, porém, incompreendido,
Sente o quão é cruel e esquisita essa agrura.

O ofício de escrever por certo deveria
Trazer a sensação de alívio e paz suprema
Ao fim de cada estrofe e de cada poesia.

O ofício de escrever, porém traz mágoa e espanto;
É ofício de sofrer, e de angústia suprema,
Que embarga a nossa voz no mais sentido pranto.

29.08.2008

v v v v v v v v v

Velhice

Agora que o Inverno em neve vem chegando
Trazendo Solidão e negros pesadelos,
Que as Esperanças vão-se ao largo céu voando,
E não podemos mais os sonhos revivê-los;

Agora que o amanhã se torna incerto e o bando
Das nossas Ilusões são surdos aos apelos
Que rogamos aos Céus e tudo vai ficando
Longe de nossas mãos já frias como gelos;

Agora que o Saber para nós faz alarde,
E que a Força e a Beleza em êxtases de luzes
Junto à Sabedoria é uma Luz colorida;

Percebemos, oh, Deus, que é tarde, é muito tarde;
O tempo por viver nos mostra essas três cruzes,
Onde brilha o Passado e já não há mais Vida!

11.09.2008

v v v v v v v v v

Além desta Vida

Enquanto houver luar, poderemos, querida,
Trocar juras de amor. Eternos namorados
Os nossos corações juntos e apaixonados,
Felizes viverão em paz por toda a vida.

Enquanto houver luar, nós dois, de braços dados,
Teremos por seguir, a estrada ampla e florida.
E a vida por viver, da vida já vivida,
Seremos sempre nós unidos e abraçados.

Enquanto houver luar, minha querida amada,
Poderemos passear na clara madrugada,
E em silêncio ouvirás os versos que te faço.

E quando acontecer do céu tornar-se escuro,
Ainda teremos nós mais vidas no futuro:
Iremos fulgurar como estrelas no espaço!

12.09.2008

v v v v v v v v v

Maria

Serva humilde de Deus, foi assim que Maria
Em seu ventre gerou o rebento Jesus.
Numa noite de frio, em velha estrebaria,
O mundo iluminou com tal facho de luz.

E dois mil anos faz que essa Luz irradia
Emanações de Amor num brilho que seduz.
Esse fecundo Sol é explosão de Poesia
Que em nossos corações traz a Verdade a flux.

Hoje, porém, Maria, é humilhada e agredida;
Em profanos sermões é atacada e ferida,
Como não fosse a Mãe do Deus do Firmamento.

Mas um dia virá, que, Senhora de Tudo,
Haverá de punir com vocábulo rudo
Quem hoje A ofende aqui na hora do julgamento.

12.09.2008

v v v v v v v v v

Confusão

O pensamento está confuso e embaralhado,
– Preciso coordenar e deleatur do arquivo
As ideias sem fim oriundas do passado
Que trazem confusão ao presente em que vivo.

Não cabem mais em mim um sonho outrora amado,
Nem da tristeza posso atar-me e ser cativo.
Um futuro ainda espero airoso e iluminado,
E à ânsia de mais viver no amanhã os passos crivo.

Condensar o que é bom, e fazer um resumo,
Necessário se faz polir as alegrias,
Também dar mais valor para o amor que há em nós.

Vaidades deverão ao céu subir em fumo,
Verdades deverão povoar os nossos dias,
Que a Vida é uma ilusão e passa tão veloz.

15.09.2008

v v v v v v v v v

Impotência

O Verso que se quer, o Verso que se busca,
É sempre o mais sonoro, o mais justo e perfeito.
Mas à nossa vontade há uma parede brusca
Que nossos sonhos trava e cala nosso peito.

O fogo do desejo a inspiração chamusca
E à vontade cumprir, já não existe jeito.
O sonho deste Ideal entre sombras se ofusca,
E o delírio final é cheio de defeito.

A luz de nosso sol que julgamos imensa,
É tão-somente luz de uma pífia lanterna
Que se obumbra ao fulgor de uma oura luz mais densa.

Nos sobra o desconforto ante impotência tanta.
Que nossa luz sequer clareia uma lanterna,
E nossa voz engasga ao chegar à garganta.

15.09.2008


Ésio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

ARQUIVO

PESQUISAR ESTE BLOG

..

ADMINISTRADORES