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30 de dezembro de 2010

LABIRINTO



Labirinto



Labirintos de fogo e fumo e brasa densa
Abrem-se ao meu olhar e a minha frente vejo.
Os músculos concentro e tudo se condensa
Numa ânsia ainda maior que atiça meu desejo.

O tiro da partida a mim, de forma intensa
Mais parece a volúpia edênica de um beijo.
O corpo se contrai e busco a recompensa
E enquanto corro escuto o soar de um arpejo.

Nas léguas de silêncio em longos corredores
Percebo a solidão, as angústias, as dores,
Grudando em minha pele e tatuam-se em mim.

E ao fim dessa jornada angustiado sino
Perdido, triste e só, pois neste labirinto
Em que a vida perdi, já nem sei por que vim.



22.07.2010


Esio Antonio Pezzato

26 de dezembro de 2010

NUM CREPÚSCULO



Num crepúsculo


Fagulhas de ouro em pós iluminam o espaço,
E um sol tremeluzente arqueja no horizonte.
A minúcias atento, o olhar oblíquo e lasso,
Contemplo esse painel com a luminosa fronte.

O comum transeunte em seu lânguido passo
Não vislumbra essa luz fulmínea, esse desponte
Das vibrações de Deus e em seu lerdo compasso,
Abaixa seu o lhar, fecha-se atrás de um monte.

Sinto palpitações ao ver tais aquarelas!
O espetáculo rubro incendeia o poente
Enquanto uma araponga estridula harmonia.

Ah, soubesse eu pintar essas visões tão belas!
Se o espírito de um Dutra entrasse-me na mente...
– Só me expresso, porém, em pálidas poesias...



20.07.2010

Esio Antonio Pezzato

21 de dezembro de 2010

NATAL



NATAL

Na pobre, pequenina e humilde estrebaria,
O pequeno Jesus abre os olhos à vida.
O orvalho vai tecendo a longa noite fria,
Uma estrela no céu brilha forte e abrasida.

Serva humilde de Deus, a celestial Maria
Ao pequeno oferece uma terna acolhida.
Oferece-lhe o seio onde o leite em sangria
É sugado com força em maternal jazida.

José busca encontrar achas para a fogueira.
Vendo um brilho da luz vão chegando pastores
Pois sentem n´alma abluir estranhos escarcéus.

Nas chamas se aquecendo está a Família inteira.
E assim nessa pobreza é que brilha em fulgores
Os olhos de quem é Senhor da luz dos céus.



Esio Antonio Pezzato

20 de dezembro de 2010

CANTAR!




Cantar!


Talvez cantar não seja necessário
Para mostrar minha felicidade.
Mesmo assim canto e canto e quem é que há de
Impedir meu trinado de canário?

Nem tudo é flor. Nem tudo é alacridade
Nesta vida de longo itinerário.
Talvez por isso seja temerário
Mostrar do canto a sua densidade.

A rima de meu canto é sonorosa
E se a vida é somente um mar de rosa,
Natural que me espraie nessa praia.

Se acaso fores infeliz um dia,
Não esqueça da vida a sinfonia,
E se hoje é noite, um novo dia raia.

12.07.2010



Esio Antonio Pezzato

19 de dezembro de 2010

OTIMISMO




Otimismo


Ao longo da jornada ponho os passos
E, impávido prossigo longas trilhas.
Não temendo derrotas nem fracassos,
E mesmo perigosas armadilhas.

O mundo tem preciosas maravilhas!
Bilhões de astros brilhando nos espaços.
Tenho a bênção sincera das famílias,
De amigo tenho os mais febris abraços.

Por isso uma derrota não me trava
A ânsia suprema de seguir em frente
E conquistar os louros da vitória.

Minha alma da alegria vive escrava,
Não me vence jamais, o ímpio demente,
Pois da Verdade traço a minha história.

12.07.2010


Esio Antonio Pezzato

18 de dezembro de 2010

PARÔNIMOS




Parônimos



Palavras diferentes muitas vezes
Querem dizer a mesma coisa, entanto
As palavras iguais num mesmo canto
Trazem ideias cheias de revezes.

Muitas vezes o canto jaz num canto
Enquanto o jazz soluça alguns adeuses.
Há deuses numa chama e enfim há deuses
Na voz rouca perdida num recanto.

A hera em Eras floresce e já não era
A mesma flor que outra era cativa
Pendurada nos muros doce e branda.

A vera prazerosa primavera,
E embora ativa e muitas vezes viva,
Chorava debruçada na janela.

12.07.2010



Esio Antonio Pezzato

17 de dezembro de 2010

EXISTÊNCIA VADIA






Existência vadia


A vida é muito curta e nós, em nossos vícios,
Buscamos diminuí-la ainda mais em ânsias,
E desejos sem fim e tramando artifícios,
Para nos enganar misturando fragrâncias.

Muitas vezes, em vão, fazemos sacrifícios
Magoando nosso corpo, encurtando distâncias
Do tempo de repouso, acumulando ofícios
E trabalhos sem fim nas noites de inconstâncias...

E pouco nos importa a beleza do Ocaso,
Uma flor renascendo em paupérrimo vaso,
Ou num riso qualquer de uma coisa engraçada.

Buscamos com pavor acumular mais ouro,
Sem buscar compreender que esse nosso tesouro,
Na hora da extrema-unção vai servir para nada.

10.07.2010


Esio Antonio Pezzato

16 de dezembro de 2010

CÍRCULO




Círculo


Tenho apenas a Força por enquanto,
Mas ela me é bastante suficiente
Para arrancar das fendas o meu canto
E sou para isso forte e resistente.

No futuro a Beleza reluzente
Ao meu viver dará maior encanto.
Ao sol fulgurarei incandescente,
E cobrir-me-ei em raios de quebranto!

Porém maior é o sonho que ambiciono
E haverá de chegar por certo um dia
Que buscarei de Salomão, seu trono.

E após o sonho imenso e sempiterno,
De ter as glórias da Sabedoria,
Serei somente um Aprendiz eterno.

06.07.2010



Esio Antonio Pezzato

15 de dezembro de 2010

POESIA E MODERNIDADE





Poesia e modernidade


Em cada verso que componho, busco
Ser fiel ao ofício da Poesia.
No caldeirão das rimas me chamusco
Para ao verso estampar pura magia.

Um movimento desastrado e brusco
E o verso não estanca a hemorragia.
Com rimas ricas o defeito ofusco
E a métrica transforma em melodia.

Sinal dos tempos e a modernidade
A poesia vestiu com rudes trajes
Tirando-lhe a beleza da verdade.

Mas eu, à moda antiga e sem ultrajes
Sigo as lições que vêm da Antiguidade
Com Bilacs, Albertos e Bocages.

06.07.2010



Esio Antonio Pezzato

14 de dezembro de 2010

VIDA DE POESIA



Vida de Poesia


Definitivamente em minha vida existe
A Poesia que molda os passos onde piso.
Cada marca no chão é um verso que resiste
Ao medo, à angústia, à dor, à tristeza e ao sorriso.

Nos passos da Poesia eu jamais fico triste,
E destemido sigo a fitar seu aviso.
Sou navegante audaz com o olhar sempre em riste,
No desejo de achar seu flóreo paraíso.

Me conduz a Poesia ao mundo da beleza,
Onde as aves do céu cantando sinfonias
Dão vida, glória e fé à densa Natureza.

Faço as contas e são mais de quinze mil dias
Que sigo nesse mundo envolto em minha reza,
Rimando sem cessas minhas alegorias.



05.07.2010

Esio Antonio Pezzato

13 de dezembro de 2010

POETINHA


Teu nome hoje cintila igual a uma saudade
Nos coloridos céus da estrela da poesia.
Os teus versos de luz de intensa claridade
Fulguram na nossa alma em doce fantasia.

Teu sorriso sincero acalenta a amizade
Dos que te amavam tanto à luz de cada dia.
E tua inspiração de rija densidade,
Em nossos corações é sonora harmonia.

Pouco nos vimos nós nessa estrada florida.
Jovem cheio de amor buscava em tua fonte
Beber e me saciar para amar ainda mais.

Meu nome em tua letra é luz em minha vida!
E em meu viver és sol brilhando no horizonte,
Canção, poesia e amor – Vinícius de Moraes!


05.07.2010

Esio Antonio Pezzato

10 de dezembro de 2010

OÁSIS




Oásis


Conduzo o pela noite o pensamento errante
Para um lugar qualquer que ainda não conheço.
Oásis desconhecido, um vale cintilante,
Que alegra o coração e traz ternura e apreço.

E quem me traz aqui num voo amplo e rasante
É um espírito bom, e neste sonho aqueço
Pelo jorro de luz supremo, coruscante,
A mente que se alarga ao ver tanto adereço.

Diferentes de mim, todos têm largas asas,
E planam pelo céu muito acima das casas
Que brilham a ouro em pó com luzes de rubis.

Subitamente volto ao ponto de partida,
Se em outras vidas brilha um alguém desta vida,
Neste mundo de paz irei viver feliz.

03.07.2010



Esio Antonio Pezzato

9 de dezembro de 2010

COTIDIANO

Tela José Pereira


Cotidiano


Em meio à multidão que passa desvairada
No penoso labor de ter seu pão diário,
Também caminho assim, de forma atribulada,
Num cotidiano andar de tal itinerário.

No vermelho farol muita perna apressada,
Nas ruas e jardins é caótico o cenário.
Gente vai, gente vem, de forma incontrolada,
É a massa que se amassa em infernal calvário.

E muitas vezes sou empurrado na rua.
E se um descuido houver já surge a mão esperta
Que mete a mão no bolso e me leva a carteira.

Pois nesse desespero a alma insegura e nua
Por entre a multidão que se esbarra e se aperta,
Quer só chegar em casa e polir a canseira.

02.07.2010







Esio Antonio Pezzato

8 de dezembro de 2010

NOITE DE SAUDADE




Noite de saudade



Noite de lua-cheia. Inverno. O vento corta
Como navalha afiada em chicotadas frias.
Há densa cerração. Qual natureza-morta
Um nebuloso céu cobre as ruas vazias.

Uma lâmpada baça ilumina uma porta.
E nessa solidão, com minhas fantasias,
Meu velho pensamento uma saudade exorta
Enquanto de um sem-fim, ouço monotonias.

Um centenário ipê debrua-se em vermelho;
Atapetando o chão de flores já sem vida
E o pensamento ruge em me toma e me invade.

Um lago mais além, qual cintilante espelho
Reflete a lua-cheia e a árvore florida
E eu, espelho de mim, reflito uma saudade.

28.06.2010


Esio Antonio Pezzato

7 de dezembro de 2010

DESPERTAR




Despertar


Enquanto durmo, deixo de existir
Enquanto durmo, morre o pensamento
Que imerso no ostracismo de um convento,
Dorme o passado e acorda no porvir.

Nesse hiato de silêncio – entre o ir e vir,
Às vezes brilha o sonho sonolento.
Uma sombra, um deserto, um mar violento,
Um espectro a brilhar, a refulgir.

Enquanto durmo, sonho uma partida
E uma chegada para a nova vida
Que não passa de rápida ilusão.

Dentro de tal casulo horrendo e diário,
Dessa morte sem cruz e sem calvário,
Vibra a Aleluia da Ressurreição!

24.06.2010


Esio Antonio Pezzato

4 de dezembro de 2010

ESIOPOETA FALANDO DE POESIA NO SARAU DO COLÉGIO LICEU

ESIO, ALUNOS E PROFESSORES NO SARAU DO LICEU













3 de dezembro de 2010

FELIZ ANIVERSÁRIO POETA

Feliz Aniversário



2 de dezembro de 2010

MANHÃ INVERNAL - LIVRO ALEGORIAS


Manhã invernal


Acorda a madrugada um sol assustadiço.
Meu olhar ensonado olha pela vidraça
E fita a cerração densa como fumaça
– Que vontade enforcar um dia de serviço!

Esse frio danado é amigo da trapaça:
A fim de postergar da agenda um compromisso
O chefe vai dizer: “não tenho nada com isso!”
Pois bem, tiro da cama esta velha carcaça.

Agora a chuva fina a enregelar-me os ossos!
Este inverno é infernal. Treme o corpo de frio.
Na rua há um turbilhão de abismos e destroços!

Chego enfim ao serviço e é mais frio o ambiente.
Reina enorme silêncio e há por tudo um vazio.
– Quem me exigiu aqui faltou. Diz-se doente.



22.06.2010

Esio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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