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22 de julho de 2010

BALADA DO SOLITÁRIO




Balada do Solitário


Soluço versos de Dirceu
À minha doce e eterna amada.
Se seu amor não for só meu,
(Pobre de mim!) não sou mais nada.
Eu sigo só na madrugada
Sofrendo a dor de estar assim.
Minh'alma sofre agoniada
E eu sigo só meu triste fim.

Já fiz loucuras de Romeu
Ao elegê-la minha Fada.
Tomei da Lira... fui Orpheu,
Mas ela olhou-me e desprezada
Deixou minh'alma abandonada
Qual rosa triste num jardim.
– A minha noite está entrevada
E eu sigo só meu triste fim.

Se ela soubesse quem sou eu
E lesse um dia, esta balada,
Se desse vida ao que morreu
Abandonado em longa estrada...
Se ela com a voz apaixonada
Ao meu amor dissesse sim...
Mas ela passa e vai calada
E eu sigo só meu triste fim.

Oferta:

Oh! minha Musa idolatrada
Por que não vens junto de mim?
A noite é fria, atra, gelada,
E eu sigo só meu triste fim.


Esio Antonio Pezzato

BALADA DA PAIXÃO




Balada de Paixão

Airoso Sonho me envaidece
E faz cantar o coração
Uma sublime e doce prece
Numa balada de paixão.
Canto feliz esta canção
E paz imensa me inebria;
Vivo no mundo da Ilusão,
Vivo nos braços da Poesia!

E cada rima se parece
Com as lindas penas de um pavão
Que ao ver a fêmea um leque tece
Em sua doida exaltação.
Um sonho trago em cada mão
No reflorir de novo dia,
Vivendo tal contemplação
Vivo nos braços da Poesia!

E dia a dia em mim mais cresce
Este prazer como oração;
O amor dá frutos nesta messe
E se faz trigo e se faz pão.
Por isso nesta exortação
Minh'alma canta e se extasia.
E ao ter na vida esta emoção
Vivo nos braços da Poesia!

Oferta:

Oh! minha Amada, é com razão
Que a alma feliz, se contagia
E ao ter do amor esta explosão
Vivo nos braços da Poesia


Esio Antonio Pezzato

8 de maio de 2010

BALADA INSPIRADA




Balada Inspirada

Há na minh’alma a inspiração
De oferecer a ti, amada,
Aos sons do amor, uma canção,
Para mostrar que – apaixonada,
Ela anda em plena madrugada
A repetir este refrão:
– Sem ti, querida, não sou nada,
E a vida é apenas ilusão!
Por isso, em plena comoção,
Dentro da noite enluarada,
Vou aos teus pés – com devoção,
Oferecer-te esta balada.
És minha Musa, és minha Fada,
Hino de vida e de razão.
– Sem ti, querida, não sou nada,
E a vida é apenas ilusão!
Ardo de amor como o verão
Que deixa a vida incendiada.
E vivo sempre na estação
Que a vida faz iluminada.
Contemplo em luzes a alvorada
Que traz-me o sol com explosão.
– Sem ti, querida, não sou nada
E a vida é apenas ilusão.
Oferta
És minha fruta açucarada!
Provo-te o sumo em emoção!
– Sem ti, querida, não sou nada,
E a vida é apenas ilusão!


14.08.2002



Esio Antonio Pezzato

30 de janeiro de 2010

BALADA PARA MEU AMOR



Balada para meu amor




Nesta balada te ofereço

Meu coração e meu amor.

E neles não coloco preço

Pois inexiste um só valor

Que possa ter maior valia.

O meu amor, meu coração,

Vai todo cheio de poesia

Vai todo cheio de emoção.



De manhãs claras me abasteço

Colho do sol luz e calor.

Coloco flores de adereço

Do arco-íris colho cada cor

Para embalar na fantasia

A minha lírica canção.

Que meu viver, dia após dia,

Vai todo cheio de emoção.



O teu amor sei que mereço

Bordado a encantos de trasflor.
Preciso ter teu endereço

Para com pétalas de flor

Mostrar do amor toda a magia

E toda a sua exaltação..

Meu coração na melodia

Vai todo cheio de emoção.



Dedicatória:


Oh, minha amada Ana Maria,

Sem ti os dias longos são.

Meu coração nesta harmonia

Vai todo cheio de emoção.


22.01.2010


Esio Antonio Pezzato

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28 de novembro de 2009

BALADAS




Balada para um louco amor

De muito sonho, uma alegria,
Uma ventura, um esplendor.
A sensação para a poesia,
O coração com muita cor.
Um louco olhar na tarde fria,
Um sol friorento e sem calor.
Projeto nulo, alma vadia,
Uma loucura, um grande amor.

Uma quietude, ai, que agonia,
Vulcão, silêncio multicor.
Sinos tangendo à Ave-Maria,
Lírico abraço, num torpor.
Espasmos puros de alquimia,
Muito a fazer, nada compor.
Serenidade, fantasia,
Uma loucura, um grande amor.

Mormaço, sonho, fantasia,
Loucura vã, canto, louvor.
Tudo fazer à revelia,
De o mundo imenso ser senhor.
Um beijo ao céu, idolatria,
Por fim o encontro encantador.
Ecos no céu de sinfonia,
Uma loucura, um grande amor.

Envio:

Assim eu vivo noite e dia
Por tua causa, sou Ator.
Quem não viveu nesta folia
Uma loucura, um grande amor?

27.08.2001


Balada sôfrega


Longe de ti, meu coração
Sôfrego, sôfrego, padece.
Longe de ti toda a ilusão,
Toda a ilusão desaparece.
A companheira solidão
A meu viver se faz constante.
Perco meus sonhos e a razão
Se ausente ficas um só instante.

Quero-te sempre. A sensação
De tua ausência me entorpece
O espírito... Ouve esta canção
Que te ofereço como prece,
Meu doido amor. Na vida não
Posso viver se estás distante,
Perco os delírios da razão
Se ausente ficas um só instante.

Ah, meu amor, presta atenção:
Ah, minha amada, se pudesse
(Mas eu não posso, ai, ilusão,
Meu coração jamais te esquece!...)
Bem viveria na emoção
De ser o teu eterno amante,
Mas fico preso na razão
Se ausente ficas um só instante.

Dedicatória

Sem ti as horas longas são,
E a dor me fere anavalhante.
Esta é a loucura, esta é a razão
Se ausente ficas um só instante.

10.03.2009


Balada pitoresca


Café com pão, café com pão!
Que coisa incrível, oh, Bandeira.
Um mar de lama e podridão
É nossa Pátria brasileira.
Para onde vai essa enseada
Eu bem confesso que não sei.
Mas no Senado é uma barbada
As falcatruas de Sarney.

É o trem de ferro da ilusão
Nos trilhos dessa roubalheira.
Tudo em Brasília é corrupção,
É falcatrua, é brincadeira.
Depois com cara bem lavada
Sapo barbudo, nosso Rei,
Diz que não sabe nada, nada,
Das falcatruas de Sarney!

E a gente vive na ilusão
Com essa turma tão arteira.
Que num descuido mete a mão
Levando até nossa carteira.
Não tem mais jeito essa maçada,
Também sequer existe lei
E a gente brinca e faz piada
Das falcatruas de Sarney!

A inspiração vai na enxurrada
E um verso alheio até roubei.
Até Pasárgada encantada
Está temendo esse Sarney!

18.07.2009


Canto Real

Canto Real à Piracicaba

Este Canto Real que faço apaixonado
Ao meu Torrão Natal, é um canto que merece
Ter mil rimas de Amor andando lado a lado,
Como os duetos de fé de uma sagrada prece.
Tomo a lira a David, de Orpheu empresto o canto,
De nosso Padroeiro empresto o rude manto
E desafio incréus, que a paixão que me invade
Tem a voz de um coral com toda a alacridade,
Que a Imensidão azul em serenatas trina
Mil hosanas ao céu com toda a intensidade,
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Ouço o Rio cantar... não é canto, é dobrado,
A água do Salto cai, mil coloridos tece,
A catadupa ruge... há balé e há bailado
Que o Rio, com amor, à Cidade oferece!
Para a vida feliz ao ver tamanho encanto!
A água nas pedras rola em suave acalanto,
É música do céu, doce sonoridade,
A bruma da manhã veste toda a cidade!
É tamanho o esplendor a brisa cristalina
Que a alma canta feliz e canta em ansiedade
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Vejo o Engenho Central soberbo, iluminado,
É uma visão feliz que o olhar jamais esquece!
No chão reflete o sol o açúcar refinado
Coroando no céu esta bendita messe!
Olho a Rua do Porto, oh, bendito recanto!
– Paraíso Terrestre, onde há um terno quebranto
De alegria, de amor, que os corações invade!
Vejo, sonho feliz! a leda mocidade
Dizendo com prazer, ao fitar tal vitrina
O seu canto de amor da mais pura verdade:
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Ouço um Poeta cantando um canto enamorado
E entre rimas de luz, em seu colo adormece
Porque percebe que é pela cidade amado
E outro melhor postal no mundo não conhece...
A hora crepuscular é de sublime espanto!
O sol, mais parecendo um colossal helianto
Põe na cidade a luz com tal luxuosidade,
E a cidade rebrilha ao ouro e à majestade
Que parece que Deus, nesta hora vespertina
Também canta feliz em Sua Santidade,
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

O áureo Saber esplende em teu solo sagrado!
A Arte é puro fulgor onde tudo floresce!
Nas Escolas há luz, onde tudo é ensinado
E a Música que Deus, pelo céu enternece.
Quanta Luz do saber! Quanto desejo, quanto!
Este Solo é sagrado! É puro! É sacrossanto!
A vida brilha aqui com tanta claridade
E a cidade nos prende em sua etérea grade
Que a beleza sem paz a imensidão domina!
Por isso, o Poeta diz, num hino de vaidade:
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

Dedicatória:

Hoje canto feliz! A rima em unidade
Louva Piracicaba um hino de amizade.
Por isso, no cantar, a voz é genuína,
Tem recamos de luz e diz com divindade:
Glória à Piracicaba, à Noiva da Colina!

12.01.1996


Canto Real das
Meninas Prostitutas


Essas meninas pobres e esquecidas,
Muitas vezes de rosto assaz pintado,
Nos lábios marcas de batom borrado,.
Vão levando sem eira, as suas vidas.
Em velhas ruas, praças e avenidas,
Mostrando um triste olhar desesperado
Aos transeuntes fazendo mil gracejos,
Acenando com as mãos, jogando beijos,
Sempre à espera que passe um pretendente,
Mostram seus jovens corpos diariamente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas tristes, desvalidas,
Seminuas expõem-se a este mercado,
Exibindo um sorriso fabricado,
Mostram no rosto, as expressões sofridas.
Às vezes, com barrigas já crescidas,
(Onde o parto se faz sem ter cuidado)
Mais lembram periquitos dos realejos
Lançando a sorte em rápidos festejos
Para encontrar decerto outro cliente...
Tolas sonham e o sonho é contundente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas julgam-se queridas,
Na fantasia tem um namorado.
Sonham também viver junto ao amado
Com parcas esperanças coloridas...
Essas meninas lívidas, transidas,
São os frutos de um mundo depravado.
São a escória do mundo em seus arpejos,
São mendigas traçando vis cortejos
São a crença de um mundo já descrente!.
Pobres mostram um corpo repelente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas, umas – pervertidas,
Outras – com triste olhar n’alma marcado,
Podres mercadorias de atacado,
Tem as suas vontades prostituídas.
Da Sociedade sempre são banidas,
Porque trazem a marca do pecado!
São as flores dos charcos e dos brejos,
São os ratos de esgotos, aos rastejos,
Retratos de um país pobre e demente.
Todas tem um sorriso deprimente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Essas meninas – pobres margaridas,
Sem futuro, presente e sem passado,
Viciadas na bebida e no baseado,
De bares e de clubes são excluídas.
A muitos elas são jovens perdidas,
Passam doença em cada beijo dado,
São cacos de cortantes azulejos,
Motivos para motes sertanejos
Em canções de mau-gosto, inconsequente.
Passam rindo, escondendo o olhar doente
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

Oferta

A Beira-rio traçam seus motejos,
Mostrando dentes podres em bafejos,
Essas meninas são, em nossa mente,
A realidade de um Brasil dormente,
Vendendo seus gemidos, seus desejos.

30.01.2009

Nota: Conferir com a Balada das Meninas Prostitutas


Martelos


Martelo Agalopado

No martelo o meu verso é agalopado
Que é a forma correta de compô-lo.
E não há desconforto ou desconsolo
Escrever neste jeito cadenciado.
O bom verso jamais se torna errado
Na cadência e no ritmo que o condiz.
E o poema jamais se contradiz
Se lhe bate no peito a inspiração.
Pois a voz que lhe fala é o coração
E o Poeta é na vida um ser feliz.

No martelo perfeito ajusto o passo
Para ser entendido por cantores.
E se exalto nos versos meus amores,
A canção eu conduzo no compasso.
Aos amores eu dou um forte abraço
Pois em cantos no peito a alma me diz.
E jamais me recurvo à cicatriz
De um amor que foi falso e teve adeus.
Sou do amor mais sublime a voz de Deus,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

No martelo os amores sempre canto
Na maneira mais justa e mais correta.
Sou Orpheu, na guitarra sou poeta,
Sou Davi, com a Lira tudo encanto.
Com certeza jamais derramo o pranto
Nem na face carrego a dor matiz.
Se, bimbalho mil sinos na matriz
Exaltando um amor pleno de luz.
Sou o amor que na vida o amor conduz,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

Pouco importa que seja o mês de agosto,
Pois o inverno antecipa a primavera.
Não me prendo a momentos de quimera,
Não me aqueço com raios de um sol-posto.
Não há lágrimas frias em meu rosto
E nem traço caminho a pó de giz.
Os meus sonhos são livres dos ardis,
Vivem soltos, alegres pelo ar.
Amo a luz das estrelas, do luar,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

A galope caminho a céu aberto
E aos delírios do amor canto e suspiro.
Meu amor é na vida o ar que respiro
Meu amor de minh’alma vive perto.
Não existe sequer um passo incerto
Nem abismo onde a dor crie raiz.
Eu invento um amor, crio um país
Pois o amor para amar requer amor.
O meu mundo na vida tem mais cor,
E o Poeta é na vida um ser feliz.

26.02.2008


Martelo justo e perfeito


Eu desejo escrever, dia após dia,
Os meus versos de formas diferentes,
Com martelos, com foices e correntes,
E em baladas compor minha poesia.
Necessário uma dose de alquimia
Para o verso sair de qualquer jeito,
Se precisar cavar dentro do peito
Um buraco maior que o próprio mundo.
E buscar lá do fundo, bem do fundo,
O meu verso mais justo e mais perfeito!

A poesia não pode ser contida
Quando brota, inspirado, dentro d’alma.
Coração nesse instante não se acalma,
E parece abalar a própria vida.
Nesse instante a explosão deixa florida
A alegria que vem sem preconceito
No martelo não pode haver defeito,
Na cesura, na métrica e na rima.
Deve sempre brilhar de forma opima,
O meu verso mais justo e mais perfeito.

Cada verso é coluna sustentada
Nas viagens que dão Sabedoria.
Eis a Força, e a Beleza da Poesia
Trabalhando incansáveis na jornada.
É momento de glória ilimitada
Na razão mais sublime do conceito.
Se outras glórias existem não aceito,
E nem posso aceitar que um’outra exista.
É por isso que deixo nesta pista,
O meu verso mais justo e mais perfeito!

27.07.2007


Martelo dos meus antepassados


Fico sempre a pensar de madrugada
Quem eu sou, de onde vim, o que aqui faço,
Contemplando esquecido o largo espaço
Não consigo chegar a quase nada.
Tudo é muito esquisito nesta estrada
E os mistérios os sinto fragmentados.
Nem consigo deixá-los clareados;
Mas defino em verdades quase eternas::
Que descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

Todo o espaço contém milhões de estrelas
É o insondável mistério do Infinito.
Muitas delas tem vidas – acredito,
Mas, tais vidas, também não posso vê-las.
Como posso tais coisas entendê-las
Já que a História tem rumos sepultados
E os enigmas são todos enterrados
Em bebidas nas noites das casernas?
Se eu descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

Alighieri, talvez, seja meu tio,
Com Petrarca talvez criei sonetos.
Mas não posso encontrar os amuletos
Que sepultam meus sonhos num vazio.
É demais para mim o desafio
De querer desvendar tempos traçados,
Se eles são verdadeiros ou errados
São verdades de luz justas, eternas,
Mas descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

11.01.2005


Martelo mais que profano

Teço versos e sonhos interpreto
As razões disso tudo que acontece.
Tudo feito misturo no concreto
Para ter pensamento mais correto,
Para ter sinfonias como prece.
E galopo meu sonho muito louco
Na amplidão do martelo agalopado,
Na algibeira do verso canto rouco
Sempre achando que o tempo é sempre pouco
Para tem quem o peito apaixonado.

O martelo produz seu canto surdo
Estalando monótona oferenda.
Mais parece um soldado na contenda
A lutar pelo que acha vago e absurdo.
Com os versos que agora em transes urdo;
Teço tramas de sonho mais nefasto,
No bater do martelo agalopado
Os meus sonhos, com ânsias eu arrasto
E sou mil quando penso que fui pasto
Para quem tem o peito apaixonado.

Sordidez mais hipócrita e mofina
Não existe talvez, quem tenha feito.
E se a mente profana foi cretina,
Atolei a esperança tão menina,
Fui idiota de todo e qualquer jeito.
O perdão que ora peço não mereço
E me fere o martelo agalopado.
Se o desprezo recebo eis que agradeço
Pois é duro demais tão alto preço
Para quem tem o peito apaixonado.

A entoar tal martelo o som estala
E repete cruel epifania:
És Poeta, és cruel – o som me fala
E o suor que teu corpo agora exala
É o suor que te cobre na agonia.
Não mereces o amor do mundo aberto,
Nem mereces o som agalopado,
Mas mereces os dias no deserto,
E o viver sempre ingrato e sempre incerto
Para quem tem o peito apaixonado.

E o refrão mais profano e mais macabro
Ainda fere meu cérebro profano.
Frente a frente cintila um candelabro
A luzir o terrível descalabro
Que te fiz com a mente de um insano.
Dói-me o peito, fui ímpio e foi vileza
Não mereço sequer ser inspirado.
Um Poeta com tanta atroz crueza
Não merece respeito, com certeza,
Para quem tem o peito apaixonado.

Dize tudo o que quero que te escuto,
A vergonha nas faces ora trago.
E que o peso de enorme viaduto
Caia em mim já no próximo minuto
E me arraste nas sombras – negro mago.
Se eu puder levantar-te deste lodo
Para ter um momento iluminado,
Se eu puder por os pés fora do engodo,
Serei luz e esperança nesse Todo,
Parar quem tem o peito apaixonado.

12.01.2004




Ésio Antonio Pezzato




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8 de novembro de 2009

BALADA DAS MÃOS VAZIAS



Balada das mãos vazias


Todos os sonhos que nós trazemos
Acumulados em nossos dias,
Sendo verdades, nós já não cremos;
Que se transformem em alegrias.
Sonhos não passam de fantasias
Que em transe mexem com nosso sono.
Numa hora as mãos se tornam vazias,
A primavera se faz outono.

Aos nossos barcos faltam os remos
E a correnteza, em mil sinfonias,
Geme seus cantos tristes, extremos,
Como a anunciar ferais agonias.
Desesperadas, as ventanias
As aves levam num abandono;
As mãos se tornam frias, vazias,
A primavera se faz outono.

Com nossos olhos nós já não vemos,
As esperanças tremem vadias.
As nossas preces, em tons supremos,
Gemem angústias, melancolias.
Busco nas trevas as Três-Marias,
Mas nem dos sonhos sinto-me dono.
Não trago preces nas mãos vazias,
A primavera se faz outono.

Envio:

Oh, Sorte ingrata! Tu poderias
Trazer-me a glória de um lindo trono...
As minhas mãos acenam vazias,
A primavera se faz outono.

22.01.2009


Ésio Antonio Pezzato
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BALADA PARA THERESINHA



Balada para Theresinha
(Aos 80 anos de minha primeira Professora)
Theresinha do Canto Kraide)


Minha querida Professora
Esta balada te ofereço.
E que ela seja a portadora
De um grande amor, que não tem preço.
Se, sou Poeta, a culpa é tua!
Transmudo o verso em campainha.
E vou cantando, à luz da lua,
Oh, minha Santa Terezinha!

Rebrilha o sol em nova aurora,
O coração é todo apreço.
Tanta lembrança n’alma mora
E do passado não me esqueço.
Perambulando pela rua
Uma saudade burburinha,
E vou lembrando, à luz da lua,
Oh, minha Santa Terezinha!

Saudade chega sem ter hora
Com melodia o verso teço.
O tempo voa vida afora,
E a gratidão se molda em gesso.
Mas tanto afeto continua
A cadenciar de forma asinha,
E vou sonhando, à luz da lua,
Oh, minha Santa Terezinha!

Dedicatória:

Querida Mestra! De alma nua
Transformo o verso em ladainha,
E vou rezando, à luz da lua,
Oh, minha Santa Terezinha!

14.01.2009


Ésio Antonio Pezzato
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BALADA DO VÍCIO DE CANTAR



Balada do Vício de Cantar

Não deixarei o vício de cantar!
Em minha vida o canto está presente
De forma natural e reluzente,
Por isso esparjo rimas ao luar
Que o canto é minha luz para brilhar
Em todos os momentos desta vida.
Minha Esperança brilha colorida
Qual tocha pondo a noite iluminada.
Com fé vou percorrendo essa ampla estrada
E os percalços levando de vencida.

O canto chega em ondas pelo mar
E cada rima brilha incandescente.
Água pura vertendo da nascente
Que serve para a sede mitigar.
Cada estrofe dobada no tear
– Linho puro é paisagem mais florida! –
Lembra lenço acenando na partida,
Doce abraço festivo na chegada.
Com fé sigo vencendo essa jornada
E os percalços levando de vencida.

O vício de cantar me faz amar
E desse imenso amor me torno um crente.
Não sei se existe forma diferente
Que não seja essa forma milenar
De tal felicidade extravasar.
O canto deixa a alma incandescente
Deixa mais leve o fardo na subida.
Assim, dessa maneira apaixonada
Com fé sigo essa imensa caminhada
E os percalços levando de vencida.

Envio:

Por mais vida que possa ser vivida
Junto àquela a quem chamo de Querida,
Hei de seguir a vida entrelaçada
E juntos seguiremos nessa estrada,
E os percalços levando de vencida.

25.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

27 de outubro de 2009

BALADA DO SOLITÁRIO



Balada do Solitário


Eu não consigo acreditar
Que o riso transformou-se em pranto.
O que era um lírico sonhar
Perdeu de vez seu terno encanto.
Com frenesi o verbo amar
Iluminava nossas vidas,
Hoje sou barco em alto mar
E trago as velas recolhidas.

Na solidão vivo a vagar
E o mar solfeja um triste canto.
Com meu batel vou naufragar
Perdido nesse desencanto.
Sinto asfixia e falta de ar
A relembrar tais despedidas.
Hoje sou barco em alto mar
E trago as velas recolhidas.

Quanto me doi o recordar
De nosso sonho que foi tanto.
Estou perdido, estou sem lar,
Para acoitar não acho um canto.
Contemplo a lua a navegar
Por entre estrelas coloridas.
Hoje sou barco em alto mar
E trago as velas recolhidas.

Envio:

A nossa estrela tutelar
Já não cintila em nossas vidas.
Sozinho estou em alto mar
E trago as velas recolhidas.

22.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA CASAMENTEIRA



Balada Casamenteira


Badala o sino alegremente
Na Capelinha do povoado
Lili formosa está contente;
Vai se casar com um... safado!
O povo todo comparece
Ao lírico acontecimento.
No pátio para-se a quermesse
Na festa desse casamento!

Padre Jorjão, todo contente,
Com forte voz e rosto suado,
Fica esperando impertinente,
O noivo que já está atrasado.
Lili disfarça... desconhece
Que o noivo é filho de um jumento...
Mas vejam só o que acontece
Na festa desse casamento:

O noivo cheio de aguardente
Pegou num sono desgraçado.
E se esqueceu completamente
Do matrimônio já marcado.
Mas o destino sempre tece
As suas tramas num momento,
Lili não sofre nem padece
Na festa desse casamento...

Envio:

Moço bonito se oferece
E é realizado o Sacramento.
Padre Jorjão faz linda prece
Na festa desse casamento!

18.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA BANDEIRA II



Balada para Bandeira II


“Café com pão, café com pão!”
Retorno ao mote, Seu Bandeira.
O Trem-de-Ferro da Ilusão
Recheia a Pátria brasileira.
Com seus vagões abarrotados
Foram buscar o ouro na trilha
E nossos nobres Deputados
Do Rio foram à Brasília.

E cada um deles, em mansão
Fazem crescer a roubalheira.
E o Trem-de-Ferro, (eta trem bão!)
Do povo ri na bandalheira.
Todos com caras de safados
Só querem o dim-dim que brilha.
Políticos desempregados
Do Rio foram à Brasília.

Com as amantes lá se vão
Que a farra é mesmo prazenteira.
Um filho vem, outros virão
Pois a moral não tem bandeira.
Os cidadãos são humilhados
Que a safadeza traça trilha.
Pois nossos nobres Deputados
Do Rio foram à Brasília.

Desoferta:

Oh! Virgem Santa dos Pecados,
Mande ao Inferno os dessa Ilha,
E a corja desses Deputados
Expulse-as todos, de Brasília!

17.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA EMBALADA


Balada Embalada


Quero compor minhas poesias
Em versos próprios de Balada.
Criar milhões de alegorias
Com a alma límpida e inspirada.
Ficar olhando a madrugada
Cheia de estrelas e luar,
Até que em luz rompa a alvorada
E um novo dia para amar!

Na minha voz deito harmonias
Pois ela canta apaixonada,
E na razão longa dos dias
À tua – a minha mão vai dada.
Também com a alma apaixonada
Ficamos juntos a cantar,
Rompe a manhã, brilha a alvorada,
E um novo dia para amar!

Nas ramas cantam cotovias
Uma canção doce e sagrada,
Cantam aos céus Ave-Marias,
Numa harmonia inusitada.
És tu, Julieta, minha amada,
Sou teu Romeu... vamos voar...
Traz a manhã nova alvorada
E um novo dia para amar!

Envio:

Longe de ti já não sou nada,
És minha luz, meu céu, meu mar!
Traga-me tu nova alvorada
E um novo dia para amar!

17.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA BRANCA



Balada Branca


Morrem os sonhos e a Esperança
É posta numa cova fria.
Não há mais luzes no caminho
E a solidão geme sozinha.
É longa e triste a longa estrada
Aos dias negros que nos restam.
Passos tropeçam nos atalhos
E à vida se abre em negro Ocaso.

A crença morre na cobiça
E no silêncio ela se oculta.
A voz professa uma mentira
Que desvendar fica impossível.
Travam-se os passos da verdade
E o canto torna-se mentira.
O olhar desvia-se do foco
E a vida se abre em negro Ocaso.

Tudo se perde no momento,
Silêncio dita a voz do jogo.
Poder nefasto vibra e canta,
Porém, bem sei ser passageiro.
Enquanto sofro tais agruras,
Com versos lanço o meu repúdio.
Porém o tempo voa rápido
E a vida se abre em negro Ocaso.

Envio:

Eu vencerei as artimanhas
Da atroz mentira que hoje luz.
Irá surgir de novo a Aurora
Ao sol que agora está no Ocaso.

11.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PARA MANOEL I



Balada para Manoel I


“Café com pão, café com pão!”
Anda nos trilhos, Seu Bandeira.
Faça poemas de emoção
Glória da Pátria brasileira.
O poste passa, o pasto passa,
E passa o galho de ingazeira.
Mas a saudade, essa não passa,
Geme no peito prisioneira.

“Café com pão, café com pão!”
Manda o foguista por madeira
Para aumentar a combustão
Que a alma é da vida passageira.
Tudo na vida é uma ameaça,
E a estrada é longa e bem traiçoeira.
A minha angústia hoje não passa,
Geme no peito prisioneira.

“Café com pão, café com pão!”
Entrei num Beco de primeira.
Eu vou pedir é proteção
Da Aparecida Mãe Padroeira.
Ela dará por certo a graça
Que peço em reza a noite inteira.
Pois a maldade que não passa,
Geme no peito prisioneira.

Envio:

Manoel de glória e forte raça,
Cubra-me com tua Bandeira,
Tira-me a dor que nunca passa
Geme no peito prisioneira.

11.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

26 de outubro de 2009

BALADA FRIA



Balada Fria

A noite é fria, fria, fria,
O coração está gelado.
Geme feral melancolia,
O vento passa alucinado.
Sofrendo estou de angústia e dor,
Gemem os versos da poesia.
Gemem os laranjais em flor,
A noite é cheia de agonia.

A noite é fria, fria, fria,
Caminho só, desesperado.
Feroz do vento é a sinfonia
Que tecla notas no telhado.
O frio faz perder a cor
Roseira rubra que floria.
Do galho pende fria flor,
A noite é cheia de agonia.

A noite é fria, fria, fria,
Sozinho estou, meu anjo amado.
Sem ti a vida está vazia,
Vazio o sonho tão sonhado.
Não mais as noites de calor,
Porém as noites de agonia.
Da rama pende a fria flor,
A noite é cheia de agonia.,

Envio:

Sem ter na vida o teu amor
A vida sinto estar vazia.
Sem teu perfume, linda flor,
A noite é cheia de agonia.

10.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA NOITE FRIA



Balada da Noite Fria


Da noite o frio me acompanha
Gela-me o peito e o coração.
O gelo corre em minha entranha
Causando horrível sensação.
Estou deitado e agasalhado
Com cobertor, meias de lã.
O corpo treme, estou gelado,
A cerração cobre a manhã.

De gelo existe uma montanha
Que me sopesa, sem razão.
Na teia branca, negra aranha
Dorme na sua mansidão.
Agasalhado estou deitado
(Ai, do calor tanto sou fã!)
O corpo treme, estou gelado,
A cerração cobre a manhã.

A sensação é muito estranha
E o vento uivando lembra um cão.
O aço do gelo a voz arranha
Causa tremor e rouquidão.
O frio está por todo lado
A mim se prende como ímã.
O corpo treme, estou gelado,
A cerração cobre a manhã.

Envio:

Vem aquecer-me, anjo adorado.
Sem ti a vida é vaga e vã.
Sem teu calor vivo gelado,
A cerração cobre a manhã.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA FELIZ



Balada Feliz


Quando componho minhas baladas
Doida alegria em minh’alma infesta.
Gemem violinos com ar de festa,
Canários cantam nas madrugadas.
Estrelas brilham alcantiladas
Minha alma em cantos, doce, tressua,
E faz cirandas, rodeando a lua.
O ar se perfuma de áurea esperança,
Sei-me Poeta, me sei criança,
Canto nas praças, canto na rua.

As rimas brotam apaixonadas
E brilham luzes na minha testa.
Doida magia se manifesta
Canta parlendas pelas calçadas.
Sonhos carrego e vão de mãos dadas
Numa alegria que se insinua.
Minh’alma à frente jamais recua:
Toda sorrisos valseja, dança.
Mais que Poeta, me sei criança
Canto nas praças, canto na rua.

Gnomos, duendes, bandos de fadas
Espargem brilhos por qualquer fresta.
Quantos delírios! Que alegria é esta
Que em sonhos deixam almas aladas?
As rimas cantam – vão encantadas!
Cada uma delas se mostra nua
E nos delírios brilhante sua...
Na minha mente a estrofe balança
Um sonho lindo e eu sendo criança
Canto nas praças, canto na rua.


Envio:

Minha querida, na boca tua
Coloco um beijo. – No céu a lua
Com nossos sonhos trava aliança.
Sou teu Poeta e sendo criança
Canto nas praças, canto na rua.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PARA A AUSENTE I



Balada para a Ausente

Meu coração fica a sorrir
Quando se encontra com a amada.
Pois este amor é o elixir
Que mais me deixa a alma inspirada.
Por isso crio esta balada
Que é feita toda exaltação.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

No espaço-tempo que há de vir
– Quer seja dia ou madrugada! –
Sonho viver sempre a seguir
Junto de minha namorada.
Se houver alguma encruzilhada
Que ela não traga a solidão.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

A cada dia do porvir
Sonho viver com minha fada.
Tesouros de Golconda e Ofhir
Estão no fim da longa estrada.
Sigamos juntos na jornada
Cantando em paz uma canção.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

Envio:

Sem ti, querida, não sou nada.
De teu amor sou devoção.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA CHUVA



Balada da Chuva


Choveu. Choveu o dia inteiro.
A chuva era miúda e fria.
Não era, não, forte aguaceiro
Mas era a chuva da agonia,
Que lentamente, lentamente,
Traz solidão e em harmonia
Invade e molha a alma da gente
Numa sem fim melancolia.

Choveu. Meu sonho aventureiro
Olhava a tarde ampla e vazia.
Mais parecia um marinheiro
Num alto mar de calmaria.
Mas a enxurrada – ela somente,
No frio chão, fugaz, corria
Numa cadência inconsequente,
Numa sem fim melancolia.

Choveu. Meu coração – braseiro
Do frio ingente me aquecia.
Mesmo no sonho sorrateiro,
Deu-me calor – como magia.
E ele aqueceu a minha mente
Trouxe-me o amor todo poesia,
Matou a angústia atra e gemente
Numa sem fim melancolia.

Oferta:

Mas foi-se a chuva num repente,
Rebrilha o sol de um novo dia.
A solidão vai à corrente
Numa sem fim melancolia.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA SEM IMPORTÂNCIA



Balada sem Importância


Pouco me importa a rima pobre
Quando me chega a inspiração.
Se de ouro, prata, bronze ou cobre,
Riqueza está no coração.
Eu sou, portanto, um milionário,
Tudo o que tenho me irradia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

Essa riqueza que me cobre
Somente dá satisfação.
Que importa ao longe um sino dobre
Se o sonho está na minha mão?
Ser rico é um dom extraordinário,
Jamais ser rico me extasia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

Assim o verso é sempre nobre
Em seus delírios de paixão.
Que a inspiração sempre me sobre
Para compor, com devoção,
Neste sem-fim itinerário,
Versos de amor a cada dia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

Envio:

Musa divina, em teu sacrário
Bebo a hóstia santa da harmonia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

04.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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