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29 de julho de 2010

PEDIDO DE DEMISSÃO DA APL


Pedido de demissão da APL

Fazendo parte da Academia Piracicabana de Letras desde 1993, até 2009, tempo esse em que ela viveu praticamente inativa, em junho de 2008 em conversa com seu ex-presidente dr. Antonio Henrique Carvalho Cocenza, ficou estabelecido que eu, Esio Antonio Pezzato, funcionário público municipal, em acordo com a Secretaria de Ação Cultural, passaria a dar expediente na Sede da mesma para uma revitalização que se fazia necessária.
E durante esse tempo em horário comercial estive presente em suas instalações, atendendo consulentes, ministrando aulas de literatura e até ajudando, parcamente, em sua re-estruturação, que tende (o verbo vai de presente do indicativo mas poderia ir de pretérito imperfeito do indicativo) a acontecer a partir de agora com a eleição de nova Diretoria.
Acontece que o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, Pedro Caldari, querendo deixar suas instalações livres de entulhos, atulhou as dependências da Academia com livros, papéis, móveis e outras coisas, e passou a proibir minha entrada em meu local de trabalho, para onde fui designado por ordem superiora.
Não tendo nada contra mim falado pessoalmente, sempre usando para seu mister apenas subalternos como a própria ex-funcionária da Academia, Eva, hoje locada no próprio Instituto, e a Senhora Odila, sendo que a primeira me agrediu verbalmente, por sua falta evidente de educação e cultura, tirou a chave que estava em meu poder, e quando tentei falar pessoalmente, apenas ficou nervoso, gritou, esperneou, sarabandou impropérios contra mim e contra o ex-presidente, que por diversas vezes teve que interferir, juntamente com os senhores Waldemar Romano e Elias Sallun a meu favor.
Agora com a eleição de nova Diretoria, pensei que fosse ter paz! Mas assim que retornei de minhas férias regulares fui novamente impedido de adentrar nas instalações da Academia pelo mesmo Senhor das Chaves, Pedro Caldari. Tentei argumentar mas contra a ignorância impossível palavra de bom senso. Ele sequer teve e não possui hombridade para falar comigo olhando em meus olhos e fazendo uso de sinceridade, que é um termo que ele desconhece. Apenas manda subalternos para atingir seus propósitos mais sórdidos, baixos e ignominiosos. E assim agindo traz vilipêndios também à Instituição que preside com seus mandos, desmandos e descalabros unilaterais. Age de maneira insana e mesquinha, típico de um ditador, passando por cima de outros membros da Diretoria, que ignoram o que essa mente doentia está fazendo. Chegou ao cúmulo de enviar à Titular da Secretaria de Ação Cultural um pedido em seu nome, para que eu não mais pusesse os pés na Academia Piracicabana de Letras, onde ele não tem e nunca teve superioridade alguma e impedindo meu sagrado direito de ir e vir.
Mas eu acreditava nas reais intenções da nova Diretoria da Academia em preservar um funcionário capacitado para exercer tais funções. Pensava eu (tola ignorância) que iriam interceder a meu favor. Mas o que foi que vi? O silêncio imperar por uma parte da Diretoria, que ficou sobre o muro e não intercedeu para salvaguardar sua autonomia, hoje seriamente abalada, que deveria ter agido de bom senso e intercedido de maneira peremptória para que eu voltasse a ocupar meu posto de fato e de direito.
E diversas reuniões foram feitas, quando nada disso havia necessidade. Levaram até o assunto à Titular da Secretaria de Ação Cultural, que a meu ver nada tinha com isso. Era coisa de foro interno, bastava, tão-somente, uma ordem de forma imperativa, tipo: (O Esio é nosso funcionário, capacitado para exercer tais funções, e o queremos como nosso funcionário) mas não, um jogou o assunto para outro, um levou a coisa adiante e hoje após dias de espera, tenho a resposta evasiva, que de forma alguma preenche meus anseios. Sem uma carta explicativa dos reais motivos, (sinceros) de minha não continuidade no cargo. Pior ainda saber, através de informações a mim chegadas que, há mais de mês, tal decisão já havia sido tomada, sendo mesmo que um membro dessa Diretoria alardeou sem papas na língua, que eu não iria permanecer prestando serviços na mesma. E ainda ouvir verbalmente que seria defendido para minha permanência. Lamentável. E eu ainda participando de reuniões e tentando me defender de tais absurdos.
Pois sou recusado por uma Diretoria que pensei tivesse poderes para agir, mas que começa de maneira confusa e atrapalhada a tratar com os Acadêmicos que congrega. Sou jogado de lado, de escanteio, como dizem por aí. Um alguém que nada teria, ou não deveria ter de poder, intercede, comanda, acusa, usa de artifícios sujos e rasteiros, para impedir meu trabalho. E consegue!
Não houve sinceridade e jogo limpo. Não houve a mínima tentativa para tentar reter como funcionário, um literato que sairia graciosamente cedido para exercer funções referentes à Literatura. Passando os olhos em meu currículo, vejo que sou altamente qualificado. Quarenta anos em ativa, trinta e sete anos de publicação em nossa Imprensa, com doze livros publicados, mais de trezentas premiações no Brasil e em Portugal, participante ativo em outras Instituições sérias da Cidade, sendo mesmo na atualidade, presidente de uma delas e guindado à Diretoria de outra. Reconhecido por especialistas como um dos mais qualificados Poetas do Brasil, considerado aqui em Piracicaba pelo Príncipe dos Poetas Piracicabanos, que foi eleito por esta mesma Academia, como o seu futuro e legítimo sucessor. Com palestras em diversas cidades do interior brasileiro, como exímio declamador e conhecedor profundo da Literatura Brasileira e Portuguesa. Alardeado pelo gramático Hildebrando André como possuidor de inúmeras qualidades e virtudes... e mais ainda... que não vale ficar aqui falando. Sou mesmo considerado um literato de qualidades. Mas para exercer função na Academia... sou barrado por alguém que de forma alguma reúne mérito e qualificação para exercer o cargo para o qual foi guindado. Estou falando do energúmeno Presidente do Instituto, claro.
Esta carta poderia se alongar em mais e mais páginas, mas melhor parar por aqui!
Desta maneira concluo que: se não sirvo para exercer um Cargo funcional para a Academia, bem entendo que também não sirvo para fazer parte do quadro associativo da mesma. De uma Academia que prefere ficar fechada e a quedar-se sob jugo estranho a ficar aberta todos os dias e mostrar que está viva e como Phöenix, poderia reviver.
Assim sendo peço, em caráter irrevogável, minha demissão, deixando aberta para que outro mais capacitado venha a ocupar a Cadeira Francisco Lagreca. Tantos ficaram de fora. Que ela seja preenchida com a escolha certa.
Vai ser difícil desejar sucesso a uma Instituição que começa de forma errônea a traçar seus caminhos. Vai ser difícil compactuar com sua maneira de atuação, que pende, perde e entrega as forças e as chaves ao primeiro entrave. E nada faz para valer seus direitos. Nem de um seu agora ex-acadêmico, em sua primeira manifestação de apoio. Vai ser difícil acreditar que no futuro, ela seja digna de crédito e louvor. Que terá sua história limpa e escorreita. Sem máculas, que já foi perdida agora.
Perdemos todos nessa primeira derrota fragorosa desta ainda não gloriosa e não histórica Instituição. O futuro haverá de pesar os fatos e decidir por quem estava certo. Hoje acredito que sou eu. Amanhã terei a certeza de tal convicção, assim como meus ex-pares quando souberem de tal descalabro. Lamentável em todos os sentidos.
Espero que esta carta seja lida em reunião da Diretoria, mostrada aos demais Acadêmicos, e que seja guardada para no futuro ser mostrada como foi vergonhosa tal atitude.
Cópias desta carta serão enviadas a quem eu achar que devo. Portanto não precisam fazer segredo da mesma, pois eu mesmo a tornarei pública.


Esio Antonio Pezzato


Excelentíssima Senhora
MARIA HELENA DE AGUIAR CORAZZA
Presidente da Academia Piracicabana de Letras



26 de fevereiro de 2010

COMENTÁRIOS DO AUTOR - SONETOS DE SAMANTHA RIOS




Uma pequena explicação


Samantha Rios surgiu de uma pura e simples brincadeira. Certa noite em casa, pensei em fazer um soneto dentro do universo feminino. Nada mais do que isso. Pensei um pouco e menos de cinco minutos depois havia composto tal soneto. Ainda por mera brincadeira publiquei o soneto no Jornal de Piracicaba. Depois meio que esporadicamente, perpetrava esse universo, compondo como se fosse mulher. Era coisa de gozação.
Porém, certa noite compus num período de mais ou menos duas horas, uns 30 sonetos dentro dessa linha. Achei interessante e naquela mesma semana, era outubro de 1988 creio, fiz perto de 80 sonetos. Juntando aos que anteriormente havia composto, havia uma série com 120 deles. Datilografei tudo e guardei. Fui fazendo outros e publicando o que gerou alguns fatos engraçados, que passo a narrar:
Certa manhã encontrei com o professor e Poeta Nélio Ferraz de Arruda, que inclusive foi prefeito em nossa cidade no segundo semestre de 1968 e como éramos amigos, ele veio me perguntar sobre a nova poetisa que estava publicando seus sonetos no Jornal, uma tal de Samantha Rios. Disse que eram bons seus sonetos, embora numa linha que beirava, às vezes, a pornografia. Conversamos um bom tempo falando dos sonetos de Samantha Rios, sobre seu erotismo e sua forma de poetar. Claro que ele sequer percebeu que o verdadeiro autor dessa farsa era eu.
Depois ainda uma amiga da Ana Maria veio perguntar a ela se eu, como poeta, conhecia a Samantha Rios, pois ela colecionava todos os seus sonetos, que se via neles, que adoraria conhecer a poetisa. Como diversas pessoas já sabiam da farsa, e eu nunca fiz questão de ocultar que Samanha Rios era apenas um pseudônimo, e ela ficou sabendo que eu era o autor dos Sonetos. Depois veio brigar comigo, dizendo que eu a iludira, que era fã da Samantha Rios e ela era eu... Virou depois motivo de gozação.
Certa feita coloquei num concurso de poesias dois trabalhos da Samantha Rios, e uma delas venceu o concurso. Claro que não apareci para receber o prêmio, embora presente no local.
Depois ainda invertia e colocava o pseudônimo de Samantha Rios e como autora dos versos, minha mulher. Também houve confusão, pois certa feita os versos publicados depois em livro eram para lá de eróticos, beirando mesmo a pornografia. E até queriam saber quem era a verdadeira autora dos versos. Mas me calei.

Em 1999 decidi por publicar os versos de Samantha Rios em livro, e com 150 sonetos sob o mesmo título: HISTÓRIAS DE UM AMOR, ele veio à luz. Alguns amigos queriam até uma noite de autógrafos, mas apenas distribui o livros entre amigos e algumas livrarias o colocavam à venda.
Continuei a compor sob o pseudônimo de Samantha Rios mas acredito que fiz não mais de outros 50 sonetos, que continuaram a ser publicados na imprensa de Piracicaba, mas ficaram inéditos em livro.
Hoje Samantha Rios foi esquecida por mim. Não mais uso esse artifício, embora na mesma linha eu tenha feito e publicado, com mais de 20 outros pseudônimos, outros versos... nem eu mesmo sei dizer quantos deles fiz.
Sei que em 1999 quando publiquei o livro, tive o cuidado em não colocar o ano de sua publicação, assim ele ficaria sendo sendo atual e a Samantha Rios não envelheceria nunca. Oras, um livro publicado, depois de vários anos, quem o fosse ler saberia que a jovem Samantha Rios deveria ter envelhecido e quebraria o encanto. Para mim Samantha Rios deve ter sempre 25 anos, não mais. Tais sonetos envelhecidos, seriam anacrônticos. Teriam o cheiro de flores fanadas.
Mas enviei o livro da Samantha Rios para o Poeta Glauco Mattoso, grande Poeta brasileiro, e ele, em seu blog, fez constar perto de duas dezenas deles e me colocando como o verdadeiro autor de Samantha Rios. Houve ainda uma tarde que recebo um telefonema da famosa escritora Cassandra Rios, pois havia lido meus sonetos. A conversa durou mais de uma hora, e versou sobre seus livros, belíssimos e eróticos/pornofráficos e os Sonetos da Samantha Rios, que eu havia composto. Foi muito engraçado.
Agora minha Amiga Mara Bombo, faz este meu blog e pede meus versos para colocar no mesmo. Fica assombrada quando descobre a Samantha Rios. Pudera, nas páginas dos sites da internet o nome de Samantha Rios sempre vem ligado a mulheres e sexo. Mais dizer seria não acrescentar nada... melhor que Samantha Rios fale por ela.
Sem mais palavras, abaixo os sonetos de Samantha Rios, como foram publicados em livros... os outros inéditos, constam da série de Sonetos compostos ao longo da minha viagem poética....

Esio Antonio Pezzato.
Samantha Rios;





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20 de janeiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS



Sonetos Imperiais



Eis mais uma coleção de meus versos. Novamente sonetos. Há mais de trinta anos buscando aperfeiçoar-me à sua técnica, aos seus segredos, aos seus mistérios, impossível deixar de tentar descobrir os seus meandros. Sempre em meus livros os sonetos pontearam e em duas ocasiões fiz-me publicar em sonetos apenas. A primeira quando da “Oficina de Sonetos”, em 1998, com cinqüenta sonetos, e outra, em 1999, quando publiquei “História de um amor”, com cento e cinqüenta sonetos. Porém, desta vez, ocultei-me no pseudônimo de Samantha Rios, já que os sonetos foram escritos dentro de um universo totalmente feminino.
Somente em “caiPIRACICABAnos”, poema em oitava rima e “O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot”, eles não aconteceram, já que tais livros formavam uma unidade seqüencial: o primeiro em 512 estrofes em sua primeira edição, em 1993, aumentada em 2002 para 1000 e o segundo mais de 700 versos alexandrinos.
Mas desde meu início no mundo da poesia, nos idos dos anos 70, ponteei o soneto. Certo que perdi a conta de tudo que já produzi, publiquei e perdi, mas já em 1978, quando estreei no mundo do livro, com “Luzes da Aurora”, depois em 1991, com “Semeadura”, 1997 em “Romaria”, 1998 “Viagem Poética”, 2000 “Portal dos Sonhos” e 2002 “Colcha de Retalhos”, os Sonetos sempre foram parte importante e imprescindível dentro de minha poética.
A técnica por mim utilizada não foge aos cânones: decassílabos ou alexandrinos. Aos decassílabos busco sempre os versos sáficos, com cesuras nas 4as., 8as. e 10as. sílabas, pouco me importando os acentos secundários. Também nos heróicos, com cesuras nas 6as. e 10as. e praticamente desprezando as demais acentuações. Já nos alexandrinos, tento o clássico: cesuras nas 6as. e 12as. sílabas, e buscando as oxítonas nas sextas ou, sendo paroxítonas, as próximas sempre se iniciando por vogais. Às vezes, no alexandrino ocorrem versos terciários, mas isto sempre por acaso.
Com as rimas também sou cuidadoso nas quadras sempre o esquema ABAB ou ABBA, sendo que por vezes, inverto os esquemas ou mesmo chego a misturá-los no próprio soneto. Já nos tercetos chego a ser mais flexível: CCD EED, CDC DCD, CDC EDE, CCD EDE e ainda outros esquemas, porém, jamais usando, quer nas quadras, quer nos tercetos, rimas parelhas. Muito menos nas quadras, uso rimas diferentes. Foi assim que aprendi.
Por este motivo, às vezes, o verso ou a idéia, por causa das rimas, saem meio duros, mas sacrifico a idéia em louvor à Forma. Dentro do esquema rimário, contudo, não chega a causar-me preocupações rimas com sons diferentes: abertos ou fechados, como por exemplo: estrela e singela, deserto e concerto, e outros casos. Uso também rimas átonas e agudas, às vezes esdrúxulas, isto tudo dentro do mesmo soneto e creio que isto não lhe faz mal.
Quanto ao título: SONETOS IMPERIAIS, a idéia brotou-me ao ver as Palmeiras Imperiais da ESALQ. A mim os Sonetos, dados ao seu porte, à sua altivez, à sua beleza, ao seu poderio, à sua grandiosidade, parecem ser imperiais, soberbos, soberanos. Assim juntei as idéias e dei título a este livro. Também cuidei para que a ilustração da capa não escapasse tal detalhe: são 14 troncos de palmeiras, numa analogia real aos 14 versos do Soneto.
Também os temas: estes são variados, já que foram feitos em diversas ocasiões e nos mais diversos estados de espírito. Alguns têm seqüência, e por isso foi que decidi dividir este livro em quatro partes. ALMA DA PALAVRA, SONETOS SOBRE O MISTÉRIO, onde todos saíram em pouco mais de 20 minutos, os SONETOS CASEIROS, falando de minha casa junto à Ana Maria, em início de nossa vida e depois a parte maior, e totalmente livre de temas. Aí são perto de noventa sonetos que dão título ao volume: SONETOS IMPERIAIS.
Gosto de imitar meus poetas preferidos, sendo assim é natural que alguém identifique algo cheirando plágio, mas o propósito é natural, principalmente quando os versos trescalam no vocabulário de Augusto dos Anjos, que dado ao seu aberratório jeito de poetar, faz que qualquer imitação cheire a pastiche.
No mais as outras considerações não me parecem ser importantes. Importa, sim, que meus versos possam ser lidos, entendidos, analisados e que tragam satisfação aos leitores.
É esta a paga que o Poeta busca. Somente esta.


Esio Antonio Pezzato


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6 de janeiro de 2010

TRAGÉDIA FAMILIAR - Literatura de Cordel



TRAGÉDIA FAMILIAR

Literatura de cordel


Pequeno Comentário


Li muita poesia nordestina, a popularmente chamada “Cordel”. Sempre me fascinou muito o estilo, as histórias, os causos narrados, históricos, fantásticos, sobrenaturais mesmo. Pensei em compor algo do gênero, precisava de uma história, um enredo e então me lembrei dessa história, que minha mãe conta ainda hoje. Não sei se é verdade, se é mentira, se é imaginação, mas minha mãe a conta e diz que quem a contava, era a minha nonna Virgínia. Essa minha nonna segundo minha mãe, contava essa história e se conformava com tal desgraça, após ter perdido duas filhas. Claro que os nomes aqui citados são invenção, criação apenas de minha mente. O desejo mesmo era compor algo do estilo Cordel. Se consegui ou não, isso já é outro assunto.


Esio Antonio Pezzato

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30 de outubro de 2009

UM PEQUENO COMENTÁRIO DO AUTOR



Flores secas III


Sonetos Alexandrinos

Flores secas... mais um punhado de versos, novos sonetos que escrevi nos últimos tempos. Como sempre, a mesma técnica, a mesma formação. Nada de invencionices. Preferível, dentro do Soneto, repetir-se a tentar alguma coisa nova. É sempre assim. Desde Petrarca, Miguelangelo, Camões, Bocage, Bilac, Alberto Oliveira, Raimundo Correia, Machado de Assis, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos, grandes sonetistas, nada surgiu de novo. Melhor então é ficar tentando fazer algo de bom enquanto o tempo passa. A vida passa. O tempo passa. E nós, obviamente, passamos também.
Nesta nova coleção estão apenas versos alexandrinos. Parece que eles se tornaram importantes dentro da minha poética. Creio mesmo que depois que compus “O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot” todo em versos alexandrinos, ficou mais fácil, para mim, lidar com o verso longo.
É uma coleção de sonetos inéditos. Apenas alguns foram publicados em nossa Imprensa, o restante mesmo todos inéditos.
O mais antigo deles, datado de 1973, quando eu tinha apenas 20 anos. Encontrei alguma coisa ainda mais antiga, mas era ruim demais. Mexer nos versos seria tirar o mérito que eles ainda tem: o trescalar da juventude. Esses ficarão guardados comigo apenas como lembrança. Bem como os versos que compus com 16 para 17 anos. Era apenas a vontade de escrever e a falta profunda de técnica e conhecimento. É minha pré-história poética, que já tem mais de 40 anos...
Mas voltemos aos alexandrinos: sempre os fiz. Desde meu primeiro livro, “Luzes da Aurora”, alguns versos alexandrinos em sonetos e em outros tipos de versos, já se faziam presentes. Depois o mesmo se repetiu em “Semeadura”, 1991 e nos demais livros os alexandrinos sempre estiveram presentes. Podemos mesmo dizer que o Verso Alexandrino é um clássico. Grandes Poetas foram seus afeitos, sendo mesmo que Olavo Bilac praticou-o à exaustão. Castro Alves e Fagundes Varella, passearam pelo mesmo, mas na grande maioria das vezes, fizeram o Alexandrino arcaico, não divisíveis em dois hemistíquios de seis. Foram compostos como faziam os espanhóis. Apenas em Machado de Assis, Pedro Luís e alguns outros, o Clássico passou a imperar. Hoje raramente encontramos o estilo antigo... raramente. E quando isso ocorre é puro desconhecimento da técnica, ou ainda um deslize do Poeta. Eu mesmo possuo alguma coisa assim ao longo de tantos versos... um deslize... mas falemos agora da técnica do verso alexandrino:
Embora haja alguns segredos, o verso alexandrino parece mais pomposo. Revendo hoje versos que compus na mocidade, quando com 19 ou 20 anos, lá estavam os alexandrinos, mas eram esparsos. Alguns sonetos, alguns versos mais e ponto. Mas nesses 40 anos nunca deixei de praticar os tais alexandrinos. Raramente também, muito raramente, deixei que os mesmos não fossem clássicos, ou seja, divisíveis em dois hemistíquios de seis, com cesura na sexta e na décima segunda sílabas. Assim sendo a sexta sílaba sempre acentuada, deve ser paroxítona e não seguida de consoante e a próxima palavra do verso, sempre começando com vogal. Ou sendo a sexta sílaba oxítona, a sétima independe como seja.
Mesmo assim, às vezes acontece do verso sair terciário, com cesuras na 3a., 6a, 9a e 12a sílabas. Não creio haver dentro dos meus sonetos versos com cesuras nas 4a, 8a e 12a sílabas. Vez ou outra a sexta sílaba sai tanto átona, mas mesmo assim não o mudo.
É isso que meus amigos leitores dos meus versos irão encontrar: versos técnicos e um misto de muitos assuntos. Espero que a aceitação seja a mesma de sempre.

Esio Antonio Pezzato
Piracicaba, 25 de julho de 2009

23 de outubro de 2009

UM PEQUENO COMENTÁRIO DO AUTOR



FLORES SECAS

Poemas de Forma Fixa

Resolvi colocar neste pequeno volume, um tanto de tudo o que já produzi durante 40 anos de Poesia.

Mas aqui vai um adendo: são os versos de forma fixa apenas, compostos de baladas francesas, pantuns malaios, e outras formas distintas de poesia. Algumas quase que totalmente esquecidas... Alguns possíveis leitores poderão ver pelas datas, que a grande maioria dos poemas foram escritos em poucos dias no ano de 2008. É que, quando decidi juntar tais formas de versos, verifiquei que poucos deles existiam. Então resolvi compor outros poemas a fim de que o volume ao menos pudesse ter um conteúdo, além da forma, é claro. Daí toque estudar, analisar, pesquisar e colocar as ideias no papel. Gostei do resultado. Claro que sei, mais que todos, que o que vai aqui não é Poesia pura, mas poesia estudada e pesquisada, já que a Forma não poderia fugir. Mas estudei muito a poesia portuguesa, a barroca, onde os exemplos de décimas são constantes e cheguei a esse resultado final.
Este pequeno volume contém apenas isso. Claro que, em se falando em poesias de forma fixa, o Soneto também deveria aqui estar inserido entre tantas outras formas de se poetar... Mas aqui o deixo de fora e me atenho apenas a essas outras formas mais esquecidas, pois o Soneto é por demais difundido e até quem não sabe o que é Poesia, conhece um Soneto.
Os poemas aqui seguem a tradição estrófica e rítmica. Busquei não inventar apenas criar sobre o já existente com algumas liberdades apenas. Se nas Baladas nossa Literatura traz muitos exemplares, com Martins Fontes e Gustavo Teixeira, Bilac possui apenas quatro Baladas e um Pantum apenas, em Alberto de Oliveira também a produção é pequena, em Machado de Assis outra pequena variedade, bem como Goulart de Andrade, as outras formas de se poetar são quase inexistentes, como o Pantum proveniente da Malásia, o Triolé, a Vilanela a Sextina, as Décimas, o Ritornelo, o Rondó, o Rondel, a Terza Rima, (cujo maior exemplo talvez seja a Divina Comédia, de Dante), e outras. No final deste Volume trago um Elucidário dizendo sobre a forma de se compor cada tipo de Poema, colhido principalmente no “Pequeno Dicionário de Arte Poética”, de Geir Campos. Serve de explicação, pois foi onde encontrei o necessário para tal empreitada.

Compus algumas baladas em versos de nove sílabas, altamente aceitáveis, mas a grande maioria mesmo é feita em versos de oito silabas, com as estrofes tendo oito versos cada. Nas baladas decassílabas, tanto compus estrofes de oito como de dez versos, que é a mais correta.

Quanto aos Pantuns, além dos versos decassílabos e da redondilha-maior, ainda compus no verso Alexandrino e fui além, criando um Pantum com rimas encadeadas. Não conheço outro.

A Sextina sei que está imperfeita quando à disposição das palavras finais, mas é irrelevante. Também as Glosas, em Décimas, algumas estrofes trazem o ponto final no quinto verso, o que não
deveria acontecer. Mas não me preocupei tanto com isso também. Oras, a interpretação de tudo no século XXI me dá tal liberdade. Os mais críticos poderão ver tais errinhos, tais falhas, mas as cito aqui para mostrar que, antes deles, eu já havia notado.
Dentro disso tudo explicado, falei acima do Soneto, e decidi por mostrar apenas dois. Deveria me ater mais a ele, como sendo a Poesia de forma fixa mais conhecida do mundo. Desde Petrarca, nos idos do século XV, o mesmo é cultuado, então eu deveria aqui ir além e deixar nestas páginas, uma Coroa de Sonetos, mas iria alongar o livro desnecessariamente em mais 15 páginas. Sendo assim coloco aqui uma invenção minha, a Poesia monossilábica, e então tais Sonetos aqui vão não como Sonetos em si, mas como exemplo de monossilabismo. Espero que entendam isso também.

Sou um afeiçoado à Escola Romântica, da qual sou seguidor; e entendo mesmo que essa Escola do Século XIX teve apenas início e seu fim ainda não chegou. A mesma, porém, não traz grandes exemplares. (Álvares de Azevedo tem uma Terza Rima) Apenas na Parnasiana, onde a Forma era altamente cultuada. Assim deixo para futuros leitores, um livro que deverá permanecer inédito. Que um dia, no futuro, esse pequeno volume de minhas obras possa ser lido e entendido.

Piracicaba, janeiro de 2009


Ésio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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