Cada vez que te deitas, linda e nua,
Molemente ofegante sobre a cama,
E, refulges brilhante, à luz da lua,
Com o corpo incendiado em rubra flama;
A minha boca a pele te tatua
E ardente de desejos, cospe chama,
Com carimbos te marca a pele nua
E delirantemente geme e clama.
Quando o meu corpo ao teu provoca sombra,
A paixão que me invade é tão intensa,
Que entre delírios minha mente assombra.
E enquanto nós vivemos a loucura,
Nossa linguagem se transforma em crença,
Que até nosso sussurro é terna jura.
19.11.1996
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11 de março de 2013
Juras em Sussurros
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2 de junho de 2010
A MINHA HISTÓRIA
Como velho fantasma peregrino,
Moldo no chão da velha e antiga estrada
Os passos que procuram um menino
Que viveu bela história abandonada.
De velhas amizades me ilumino
E por elas, a força é renovada.
Tantas se unem num único destino,
Que a Vida se renova em alvorada.
Como errante Poeta moldo os passos,
Que vão buscando cúmplices abraços
Velhos fatos retidos na memória.
A cada encontro os versos vou compondo,
Se aos anseios de luz não correspondo,
Não esqueço, jamais, a minha História.
15.06.2006
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SONHOS DOENTES
Somos todos doentes, de maneira,
Que iremos falecer um certo dia.
Pois não há descoberta uma alquimia
Que deixe a Vida nossa prisioneira.
A certeza da Morte é verdadeira.
E o porvir, pode ter curta valia.
A Esperança é uma bruxa, assaz vadia,
Entanto é nossa eterna prisioneira.
E vivemos sonhando – enlevo doce! –
Enquanto vamos vendo bons amigos
Partindo sem retorno da viagem.
Sonhar longo futuro é um tredo alcouce.
Porque no cemitério mil jazigos
Estão nos esperando com voragem.
11.06.2005
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SONETO SEM FIM
Todo Soneto tem quatorze versos,
E deve ter as rimas bem cuidadas.
Rimas pobres, assim como as em “adas”,
Devem ser evitadas. Bem diversos
Os temas devem ser. Boas tiradas
Dão ao Soneto glórias. Mas se a rima
Por exemplo quebrar abaixo e acima,
Ele será atirado nas calçadas.
São os ossos do ofício do Poeta!
E se a rima também for imperfeita,
Não haverá no mundo borboleta
Que ao Soneto dê luz pura e direta,
E nele só verei falta e defeito.
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25.05.2006
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ANA MARIA
É uma pequena flor cheia de graça
Que vive me encantando dia a dia.
Em honra desse encanto eu ergo a taça
E teço um brinde em timbres de Poesia.
Ana Maria um nome que adelgaça
E penetra-me n’alma e me extasia.
Nome de flor é flor e a flor me enlaça
Para viver comigo em fantasia.
Uma flor no jardim da minha vida
Não pode ter a vida de abandono
Pois que senão desmaia e jaz ferida.
Uma Rosa fulgura em meu Outono,
Muda-me em Primavera colorida,
Desta Rosa mulher passo a ser Dono!
12.05.2006
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31 de maio de 2010
POÇO DA DERROTA
Ás vezes a saudade me apavora
E planta desesperos em meu peito.
De tal maneira que minh’alma chora
E eu este pranto amargo não aceito.
Pouco importa se é justo e se é perfeito
O pranto que me fere e me devora.
Esse pranto me deixa insatisfeito
Essa mágoa em meu peito já não mora.
Penso já ter vivido o suficiente
E penso ter controle da saudade
Mas ela assim do nada à vida brota.
Fere e castiga o coração que sente,
Nos deixa presos na perpétua grade
Cavando em nós o poço da derrota.
10.05.2006
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LEMBRANÇA
Relembro com saudade o velho sítio
Onde passei minha dourada infância.
E à minha Mãe que hoje me diz: “Visite-o!
Que ele há de ainda ter mágica fragrância!”
Digo não com firmeza. Embora cite-o
Em mil recordações e cheio de ânsia
Aquele sonho azul do velho sítio
É uma lembrança apenas de constância.
Lá vivi alegrias, com certeza,
Pés descalços, feliz eu contemplava
Mil espetáculos da Natureza.
Viver era a esperança mais dourada,
Que minha mente ainda treme escrava
Se ouve um galo a cantar na madrugada.
10.05.2006
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ETERNA DAMA
Distante estás porém nossa distância
Não pode ser de léguas de deserto.
Deverias tomar o rumo certo
Para viver o amor em cada Estância.
Mesmo distante sinto-te a fragrância
Que me chega com timbres de concerto.
Distante estás, porém te quero perto
Para tudo te dar com mais constância.
Mas foges e te escondes... e te escondes...
Patéticos chamados não respondes
E ignoras o teu Dono que te chama.
Vem que te espero e tanto e tanto e tanto!
Quero-te rima para um novo canto,
Vem deste Poeta ser a eterna Dama!
08.05.2006
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LUZ ETERNA
Essa dor tão insana que maltrata
E ao coração traz mágoa e penitência,
Como dói essa dor chamada ausência
Essa dor que nos vem de forma ingrata.
Sonolenta ela vem, traz resistência,
Mil castelos construídos desbarata,
Sentinela redige lívida ata
E fere, fere, fere, sem clemência.
Releio o velho livro da memória
E ao ver a sua dor doendo tanto
Também recordo a minha triste história...
A mesma dor da solidão paterna
Que molda máscaras de angústia e pranto,
Em minh’alma também tem luz eterna.
02.05.2006
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