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10 de dezembro de 2009

MARTELO - Martelo Agalopado



Martelo Agalopado

No martelo o meu verso é agalopado
Que é a forma correta de compô-lo.
E não há desconforto ou desconsolo
Escrever neste jeito cadenciado.
O bom verso jamais se torna errado
Na cadência e no ritmo que o condiz.
E o poema jamais se contradiz
Se lhe bate no peito a inspiração.
Pois a voz que lhe fala é o coração
E o Poeta é na vida um ser feliz.


No martelo perfeito ajusto o passo
Para ser entendido por cantores.
E se exalto nos versos meus amores,
A canção eu conduzo no compasso.
Aos amores eu dou um forte abraço
Pois em cantos no peito a alma me diz.
E jamais me recurvo à cicatriz
De um amor que foi falso e teve adeus.
Sou do amor mais sublime a voz de Deus,
E o Poeta é na vida um ser feliz.


No martelo os amores sempre canto
Na maneira mais justa e mais correta.
Sou Orpheu, na guitarra sou poeta,
Sou Davi, com a Lira tudo encanto.
Com certeza jamais derramo o pranto
Nem na face carrego a dor matiz.
Se, bimbalho mil sinos na matriz
Exaltando um amor pleno de luz.
Sou o amor que na vida o amor conduz,
E o Poeta é na vida um ser feliz.


Pouco importa que seja o mês de agosto,
Pois o inverno antecipa a primavera.
Não me prendo a momentos de quimera,
Não me aqueço com raios de um sol-posto.
Não há lágrimas frias em meu rosto
E nem traço caminho a pó de giz.
Os meus sonhos são livres dos ardis,
Vivem soltos, alegres pelo ar.
Amo a luz das estrelas, do luar,
E o Poeta é na vida um ser feliz.


A galope caminho a céu aberto
E aos delírios do amor canto e suspiro.
Meu amor é na vida o ar que respiro
Meu amor de minh’alma vive perto.
Não existe sequer um passo incerto
Nem abismo onde a dor crie raiz.
Eu invento um amor, crio um país
Pois o amor para amar requer amor.
O meu mundo na vida tem mais cor,
E o Poeta é na vida um ser feliz.


26.02.2008


Esio Antonio Pezzato


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MARTELO - Martelo dos meus antepassados



Martelo dos meus antepassados

Fico sempre a pensar de madrugada
Quem eu sou, de onde vim, o que aqui faço,
Contemplando esquecido o largo espaço
Não consigo chegar a quase nada.
Tudo é muito esquisito nesta estrada
E os mistérios os sinto fragmentados.
Nem consigo deixá-los clareados;
Mas defino em verdades quase eternas::
Que descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

Todo o espaço contém milhões de estrelas
É o insondável mistério do Infinito.
Muitas delas tem vidas – acredito,
Mas, tais vidas, também não posso vê-las.
Como posso tais coisas entendê-las
Já que a História tem rumos sepultados
E os enigmas são todos enterrados
Em bebidas nas noites das casernas?
Se eu descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.

Alighieri, talvez, seja meu tio,
Com Petrarca talvez criei sonetos.
Mas não posso encontrar os amuletos
Que sepultam meus sonhos num vazio.
É demais para mim o desafio
De querer desvendar tempos traçados,
Se eles são verdadeiros ou errados
São verdades de luz justas, eternas,
Mas descendo dos homens das cavernas,
Muitos deles são meus antepassados.
11.01.2005


Esio Antonio Pezzato



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MARTELO - Martelo mais que profano



Martelo mais que profano


Teço versos e sonhos interpreto
As razões disso tudo que acontece.
Tudo feito misturo no concreto
Para ter pensamento mais correto,
Para ter sinfonias como prece.
E galopo meu sonho muito louco
Na amplidão do martelo agalopado,
Na algibeira do verso canto rouco
Sempre achando que o tempo é sempre pouco
Para tem quem o peito apaixonado.


O martelo produz seu canto surdo
Estalando monótona oferenda.
Mais parece um soldado na contenda
A lutar pelo que acha vago e absurdo.
Com os versos que agora em transes urdo;
Teço tramas de sonho mais nefasto,
No bater do martelo agalopado
Os meus sonhos, com ânsias eu arrasto
E sou mil quando penso que fui pasto
Para quem tem o peito apaixonado.


Sordidez mais hipócrita e mofina
Não existe talvez, quem tenha feito.
E se a mente profana foi cretina,
Atolei a esperança tão menina,
Fui idiota de todo e qualquer jeito.
O perdão que ora peço não mereço
E me fere o martelo agalopado.
Se o desprezo recebo eis que agradeço
Pois é duro demais tão alto preço
Para quem tem o peito apaixonado.


A entoar tal martelo o som estala
E repete cruel epifania:
És Poeta, és cruel – o som me fala
E o suor que teu corpo agora exala
É o suor que te cobre na agonia.
Não mereces o amor do mundo aberto,
Nem mereces o som agalopado,
Mas mereces os dias no deserto,
E o viver sempre ingrato e sempre incerto
Para quem tem o peito apaixonado.


E o refrão mais profano e mais macabro
Ainda fere meu cérebro profano.
Frente a frente cintila um candelabro
A luzir o terrível descalabro
Que te fiz com a mente de um insano.
Dói-me o peito, fui ímpio e foi vileza
Não mereço sequer ser inspirado.
Um Poeta com tanta atroz crueza
Não merece respeito, com certeza,
Para quem tem o peito apaixonado.


Dize tudo o que quero que te escuto,
A vergonha nas faces ora trago.
E que o peso de enorme viaduto
Caia em mim já no próximo minuto
E me arraste nas sombras – negro mago.
Se eu puder levantar-te deste lodo
Para ter um momento iluminado,
Se eu puder por os pés fora do engodo,
Serei luz e esperança nesse Todo,
Parar quem tem o peito apaixonado.


12.01.2004


Esio Antonio Pezzato


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MARTELO - Martelo Justo e perfeito



Martelo justo e perfeito


Eu desejo escrever, dia após dia,
Os meus versos de formas diferentes,
Com martelos, com foices e correntes,
E em baladas compor minha poesia.
Necessário uma dose de alquimia
Para o verso sair de qualquer jeito,
Se precisar cavar dentro do peito
Um buraco maior que o próprio mundo.
E buscar lá do fundo, bem do fundo,
O meu verso mais justo e mais perfeito!


A poesia não pode ser contida
Quando brota, inspirado, dentro d’alma.
Coração nesse instante não se acalma,
E parece abalar a própria vida.
Nesse instante a explosão deixa florida
A alegria que vem sem preconceito
No martelo não pode haver defeito,
Na cesura, na métrica e na rima.
Deve sempre brilhar de forma opima,
O meu verso mais justo e mais perfeito.


Cada verso é coluna sustentada
Nas viagens que dão Sabedoria.
Eis a Força, e a Beleza da Poesia
Trabalhando incansáveis na jornada.
É momento de glória ilimitada
Na razão mais sublime do conceito.
Se outras glórias existem não aceito,
E nem posso aceitar que um’outra exista.
É por isso que deixo nesta pista,
O meu verso mais justo e mais perfeito!


27.07.2007


Esio Antonio Pezzato



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