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31 de março de 2010

CANTIGA DE QUALQUER DIA - TEMPO DE COLHEITA




Cantiga de qualquer dia


Novamente estou sozinho
De frente para o caminho
Onde mora a solidão
Calada ela me acompanha
E todo o meu corpo banha
E me deixa na aflição

Outra vez ela me fita
Grita, grita, grita, grita,
Que vai ficar sempre em mim
Mas não a quero comigo
Não quero ser seu amigo
E nem seu abrigo enfim

E ela com sua risada
Fica em meu corpo agarrada
Pois assim lhe dá prazer
Porém dela faço pouco
Porque não sou nenhum louco
Para com ela viver

Ela é mesmo sem vergonha
Se a minh'alma em ânsias sonha
Ela tenta me impedir
Se alguém vem em companhia
Ela safada e vadia
Tenta estancar meu sorrir

Porém eu bem a conheço
Sei de cor o seu apreço
E a falsidade que tem
Fingindo-me abandonado
Num instante trago ao lado
Um outro precioso bem.

17.07.1995



Esio Antonio Pezzato

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SAUDADE - TEMPO DE COLHEITA




Saudade

Hei de cantar um dia esta saudade
Que brota em mim com força e intensidade.

Hei de cantar a dor que ela me causa
De uma só vez e sem nenhuma pausa.

Mas enquanto não canto e apenas penso,
Torna-se meu delírio mais intenso.

Às vezes penso mesmo em esquecê-la,
Mas dentro de meu céu – torna-se estrela.

Acompanha meus passos dia a dia,
E permuta comigo esta poesia.

Se, exalto-a, diz a mim que vai embora,
Então calo meu canto na mesm’hora.

Porque não mais eu sei viver sem ela,
Tanto que em meus ouvidos tagarela...

E tanto me sei dela prisioneiro,
Que meu viver, é dela o dia inteiro.

14.05.1997



Esio Antonio Pezzato

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ALUCINAÇÃO - TEMPO DE COLHEITA





Alucinação
(Para Augusto dos Anjos)



Ah! Não sou eu que digo tantas cousas
Só decifro os enigmas posto em lousas
Que um Vate morto mostra para mim.
Talento falta para ser Poeta
Embora exista uma ambição secreta
De eu mesmo semear neste jardim.

Que seja Antero, Nobre, Sá, Cesário,
Nos labirintos faço o itinerário
Para escrever o que me fere em luz.
Todos eles povoam os meus sonhos,
Além-mar meus sentidos são risonhos
E um etéreo caminho me conduz.

Viajo então, nas asas do passado,
Cada vez fico mais apaixonado
Pelas ruas antigas de Lisboa.
Já não há mais o Cólera e a Febre,
Com os olhos vermelhos de uma lebre
Olho tudo e acho a vida muito boa.

Viajo à Itália e sou Renascentista!
Com Miguelangelo me faço artista
Pelos tetos ovóides da Sistina.
O Juízo Final é minha tela,
Com Raphael a Virgem é mais bela
E meu Jesus tem expressão Divina.

Para a imaginação eu abro a rédea...
Com Dante escrevo versos da Comédia,
E com Petrarca eu ando a vida a sós.
Decifro a Esphinge e todos os enigmas,
Com Édipo urdo enormes paradigmas
Com Marco Pólo ando milhões de nós.

Vou à China comprar papel de seda,
Na Índia busco canela e essência azeda
E compro nós-moscada, cravo e mel.
Na África encontro Adamastor gigante,
Mas encontro também a minha amante
Brincado num enorme carrossel.

Na Grécia encontro o Monte do Parnaso,
E as Musas dizem-me que é um mero acaso
Escrever versos como e quando quero.
Mas num mourão de estrada abandonado,
Encontro um homem cego e muito amado
Que para mim diz se chamar Homero!

Num labirinto, louco me atrapalho,
Jogo Runas com as cartas de um baralho
E elas me ditam transparente Norte.
Mas não entendo a sorte e em vão me irrito,
Vou olhar as Pirâmides do Egito
Num albatroz que tem o corpo forte.

Caio de novo numa terra estranha...
Estou na mais exótica montanha
Onde o branco da neve lhe reveste.
Frio é intenso, porém, tenho uma blusa,
O termômetro o frio não acusa,
Mas bem sei que estou no alto do Everest!

Mas novamente vou quebrar a cara,
O calor lembra as terras do Saara
E derrete em impacto, todo o gelo.
Agora, aos solavancos vou seguindo,
Mas eu não sei para onde que estou indo
Montado nas corcundas de um camelo.

Se não foi tudo sonho, estou é louco,
Mas para a insanidade falta pouco
Dês que do amor perdi a rubra chama.
Ah! Diabos, o que estou fazendo em casa?
Vejo que o sonho me arrancou um’asa,
E aflito vejo que caí da cama.

02.06.1995



Esio Antonio Pezzato

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30 de março de 2010

TRÊS CANTOS - TEMPO DE COLHEITA




– I –

Este é o caminho
Onde sigo à toa
A procurar os sonhos
De sempre estar sozinho.
A vida é muito boa
A vida é muito má,
Porém, além da vida,
Quantos mistérios há?
Estou portanto aqui
A esperar um bem
Que surja e me apareça
No caminho do além.

– II –

Irei me alimentar
De badalar de sinos
De sonhos de meninos
Para poder cantar
E ficarei aqui
Sonhando o que mais quis
– Horas de ser feliz
Horas de ser amor
E verão multicor
O meu mundo de cor
Pois é feliz quem vê
Na vida o seu amor.


– III –

Abasteço-me de sonhos
E muita fantasia
E deixo mais risonhos
Os sonhos do meu dia.
Espero que me vejas
Com olhos que desejas
Pois eu te quero ver
Na sombra do caminho
Que assim jamais sozinho
Terei porque sofrer.

03.11.1993



Esio Antonio Pezzato

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28 de março de 2010

NA NOITE - TEMPO DE COLHEITA




Sonhos dispersos,
Milhões de versos
Componho ao léu...
Olho as estrelas
Louras e belas
Que estão no céu.

Escuto o vento
Que lento, lento,
Um som produz...
Quanta harmonia!
Pura poesia
Que me seduz.

Nos largos campos
Mil pirilampos
Estão no ar...
E o pisca-pisca
O céu rabisca
Como um placar.

Olhando o espaço
Dou mais um passo
Sem perceber
Que tenras flores
Multicolores
Me dão prazer...

Sozinho sigo...
Penso comigo:
– Doce pensar! –
Serão as flores
Com suas cores
Sob o luar

Que estão me dando
O prazer brando
Desta emoção
Ou vaga-lumes
Que com seus lumes
Na imensidão

Igual poesia
Dão-me a alegria
Do bem-querer?
– De alma extasiada
Na madrugada
Sinto prazer!

Minh’alma explode!
A voz em ode
Solto nos céus!
Sinto na lua
Que além flutua,
O olhar de Deus!

25.06.1993



Esio Antonio Pezzato

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A MINHA POESIA - TEMPO DE COLHEITA




A minha Poesia – de braços abertos –
Procura em desertos florir e dar frutos.
Ao som de mil liras, em rimas modestas,
Faz ecos de festas em ternos tributos.

A minha Poesia traz sonhos ridentes,
– Preciosas sementes de amor e carinhos
Qual ave canora com trilos e encantos,
Estala em mil cantos à beira dos ninhos.

A minha Poesia tem ecos de sinos,
– Recorda meninos brincando na rua
Festivas cirandas de alegres crianças
Cantando esperanças em noites de lua.

A minha Poesia, num hino de vida,
A todos convida – com cantos e sonhos –
A termos nos lábios, um terno sorriso,
Que é marca de aviso de dias risonhos.

A minha Poesia traduz-se em ternura,
Na rima mais pura, no sonho mais puro.
E assim eu espero, que as minhas Poesias,
Perdurem nos dias de todo o Futuro!

25.10.1995



Esio Antonio Pezzato

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JOÃO PAULO - TEMPO DE COLHEITA



João Paulo
(e para todos os ex-oratorianos)



Dorme, criança, dorme o sono eterno;
Por certo Deus já preparou o Inferno
A quem te fez dormir assim tão cedo...
– Eras ainda uma criança apenas,
Para topares com as bestiais hienas
Que te deram pavor sinistro e medo...

Hoje que já não brincas, nem divertes,
Que tens o coração e olhos inertes,
E não podes falar, pois estás morto,
Eu sinto que lembrança atroz me fere,
Como a ferrugem na minh’alma adere,
Pois teu sonho ancorou em frio Porto!

Quem te matou não sei... quem sabe cala...
Mas enquanto tu jazes numa vala
Teu assassino corre para o embosco...
– Dentre os homens jamais será julgado,
Mas quando ele também for enterrado,
Irá acertar as contas com Dom Bosco!

Saías a brincar... jogavas bola,
Tinhas amigos mil... ias à Escola,
Eras uma criança muito esperta...
Porém, em teu rostinho de inocente
Dois olhinhos brilhavam docemente
A cada fantasia descoberta...

Tão pertinho de casa tu moravas
E eu nem te conhecia... pois andavas
Com quem tinha igualmente a tua idade...
Mas deixa eu te contar: quando eu criança
Também corria cheio de esperança
Para encontrar-me com a felicidade...

No mesmo quarteirão fomos vizinhos
Em tempos diferentes – e os caminhos
Por nós pisados foram semelhantes...
– Frequentaste o Dom Bosco! – a minha Infância
Perdida já num sonho de distância –
Também ali viveu – sonhos constantes!

Geniais lembranças a minha Alma guarda:
– Cada padre era nosso Anjo da Guarda
Padre Modesti, Nery, Adolpho... e tantos
Tantos outros que a mente ainda recorda
E as festas eram tantas... Sursum Corda!
E nas missas cantávamos mil cantos...

Havia procissões e as Vias-Sacras,
– Ai, lembranças! Me feres, me massacras –,
E a saudade meu peito descortina...
– Novenas à Senhora Auxiliadora,
Missas às 6as. Feiras e a canora
Voz do Sermão com o Padre de batina.

A diversão ali era completa!
Cada Padre com ares de Profeta
Contava lindos Sonhos salesianos...
Domingos Sávio junto a nós vivia,
Nosso mundo era pleno de Poesia,
Nossas vidas, jamais tinham enganos...

Viviam nossas Mães despreocupadas...
Lições de Catecismo eram tomadas;
Sempre a gente encontrava um novo amigo...
O Dom Bosco era enfim a nossa casa!
Sempre que algum de nós batia a asa,
Era para ir brincar no doce abrigo!

Tinha escorregador, tinha balanço,
– Hoje que o pensamento aos ares lanço
Uma saudade me sufoca o peito...
O Oratório fechou para as crianças,
Que já não podem mais ter esperanças
Porque o passado é morto e está desfeito...

As Madrinhas – beatas comungantes
Diárias – que cuidavam dos Infantes,
Umas – morreram! Outras – se cansaram!...
Nesse tempo também fomos crescendo,
Os Padres bons foram envelhecendo
E nossos sonhos se desmoronaram!...

A Capela tão linda, tão formosa,
Foi para um canto, pois ficava ociosa
Muitas horas por dia... só os beatos
Frequentavam enfim as suas missas...
Sem atrativos tínhamos preguiças,
E ninguém constatou tão tristes fatos.

Veio o capitalismo em eitos rudos...
Os pobres já não têm bolsas de estudos
E o sonho de Dom Bosco vai-se ruindo...
Hoje é Colégio feito para rico!
E com saudade louca ainda fico
Lembrando um sonho que foi puro e lindo.

02.02.1992



Esio Antonio Pezzato

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DIA DE SOL - TEMPO DE COLHEITA





Chove aqui dentro. Densa e fria, a chuva
Chora lágrimas tristes de viúva
De uma amargura que não tem consolo...
Órfão de meus amores – a esperança
Patética e sinistra um baile dança
O balé de quem n’alma traz o dolo.

Relâmpagos fulminam de meus olhos;
Meu quarto abarrotado enfrenta escolhos
Daquela que não mais mostra presença...
Raios chispam de mim por toda a parte –
Meu coração em partes se reparte
Com angústia, com tédio e indiferença...

A enxurrada em meu rosto, densa, corre...
Apavorado vejo, enquanto escorre
A enxurrada sinistra no meu rosto,
Desesperanças, desesperos, cismas,
Meus olhos, no reflexo de mil prismas,
Refletem fundas mágoas do desgosto.

Além, pela janela, fulge a vida!...
E eu aqui, com a esperança carcomida
Procuro um sonho que morreu distante...
Brilha o sol e aqui dentro a chuva invade
Meu coração que chove de saudade
E troveja em relâmpagos, ebriante.

Que contraste! Que mundo de amargura...
Lá fora a vida corre ampla e segura,
A vida brilha e a brisa as folhas move...
Aqui dentro, minh’alma assaz soluça
E em pandemônios lágrimas aguça
E de meus olhos densa chuva chove...

21.12.1991



Esio Antonio Pezzato

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26 de março de 2010

DESESPERANÇAS - TEMPO DE COLHEITA




Esperançosas desesperanças
Tênues caminhos de atras lembranças
Quem dera fossem utilidades.
Mas uma curva sempre aparece
E o descaminho seu rumo tece
Enovelando tolas saudades...

Desesperanças esperançosas.
Nas alamedas tufões de rosas
São úteis para florir em Eras
Tolas saudades opacas, turvas,
Que se dissipam nas tolas curvas
Do tempo... e trazem as primaveras...

08.09.1995



Esio Antonio Pezzato

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AOS INVISÍVEIS - TEMPO DE COLHEITA



Aos invisíveis
(Para Raya e Petrin)



O Espírito da Noite entra em meu corpo. Entra. Entra,
E minh’alma, na luz, tomada se concentra
Enquanto que um a um – fantasma após fantasma,
Pedem para eu gravar, seus nomes no que escrevo!
Fogos-fátuos em mim! Tenho medo, e se devo
Ao pedido ceder, a Idéia fica pasma.

Quero eu mesmo ser Pai dos versos que componho!
Não quero, ao acordar, após, tomado em sonho,
Ver o Verso completo e as páginas já cheias.
Quero eu mesmo buscar a minha própria rima,
Eu mesmo me inspirar e que eu próprio me exprima
Tendo meu próprio mar, minhas próprias Sereias!

Minha Musas, talvez, se é que as Musas existem!
Minhas Inspirações todas elas resistem
Ao que de fora vem soprando no ar da noite!
Emanuel talvez me seja mais constante...
Rápido, quando vem, fica um simples instante,
Após entra na Luz e fica de pernoite.

Mas Ele pode vir... eu primeiro chamei-o
E fui seu porta-voz, fui seu pombo-correio,
E com prazer cantei a sua Liberdade.
E fui com Ele em mim, ver o meu velho Rio,
(Lembro-me bem, fazia um cavernoso frio!)
Ele não quis ficar para ver a cidade.

Outras vezes voltou... Deitado em minha cama
Rabiscou nos lençóis, mudou o panorama
De todo o meu passado e me fez diferente...
Fez-me ver o Porvir. Arrepiei. Senti medo...
Porém, só para mim guardei este segrego
E tudo aconteceu em seu Tempo presente!

Outros vieram após (E eu pensei que inventava
Os nomes um por um, mas minha mente, escrava
De todos, não sentia o Poder da mensagem).
Cada um por mim falou como se fossem vivos,
E estivessem aqui – foram todos cativos
E eu de todos compus a mais perfeita Imagem.

Hoje eu ainda os tenho ao meu lado e em minha ânsia
De rápido compor sempre em maior constância,
Não dá tempo a seguir de todos um conselho –
As ideias entranço, entravo pensamentos,
Às vezes estou só – nos próximos momentos
Penso como criança e dou ordens de um velho.

Tenho medo me ver no espelho refletido
E ele então me mostrar alguém desconhecido
Pois sinto até mudar as feições de meu rosto.
Sinto tudo mudar do modo mais convulso,
Aceleram demais os toques em meu pulso
E eu mesmo chego a ser um Poeta composto.

Fico desesperado. Outras vezes me espraio...
Sinto-me flutuar – no mesmo instante caio
Para ser gladiador em épocas remotas...
Depois sou jardineiro e amo todas as flores,
Após sou D. Juan, quero ter mil amores,
Por fim sou Armador e comando dez frotas!

Amigo! Como estou fluindo nas idéias...
É que meu corpo está travado em epopéias
Em tempos que não sei, num País não sei onde...
Insensível estou a tudo e a todos. Grito.
E meu grito, porém, rebate o Infinito
Volta dentro de mim, dentro de mim se esconde.

Pareço uma fornalha, uma enorme fornalha
Produzindo aço gusa e entre tanta limalha,
Por três turnos trabalho ininterruptamente.
– Sou Eu! – Não sou! – Não sei! – Quem por mim ora fala?
– Se eu gritar para o céu a minha voz se cala
Em mim eu não estou nesse tempo Presente!

Penso ser um Corsário, ou serei um Pirata?
Um Cavaleiro antigo? Um Quixote de lata
Com mil fitas azuis amarradas à farda?
A mancha de meu corpo é o Original Pecado?
Ah, será que terei meu tempo terminado?
Atrás do céu azul que Mistério me aguarda?

Respostas não conheço e não sei o que sinto.
Parece que o Vulcão dentro de mim é extinto
E eu não sei contornar tudo o que me acontece.
Todos venham a mim! Mostrem-me suas faces!
Oh, Sobrenaturais, surjam em brancos passes
Vamos juntos rezar nossa bendita prece!

Apareçam por fim! A idéia está completa.
Quem foi que agora veio e me deixou Poeta?
Quem foi que veio em mim? Apareçam, respondam...
Não podem se mostrar? Pois bem, findo o meu verso
Podem todos partir para a Luz do Universo
Mas todos, por favor, nunca de mim se escondam.

28.02.1989



Esio Antonio Pezzato

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DENTRO DA NOITE I - TEMPO DE COLHEITA



Novamente estou eu na madrugada fria
Buscando a solidão para ter companhia...
No céu, a lua gorda e grávida de luz,
Com seu brilho sensual meu coração seduz.
Quero encontrar Paloma, a loira feiticeira,
Quero-a sim, para ser a minha companheira.
Será que a encontrarei como ela me encontrou?
Com este pensamento ao seu encalço vou...
Tanta coisa ficou sem ter resposta alguma...
Impossível, meu Deus, que ela da noite suma.
Somos iguais em tudo e queremos a paz
Que não podemos ter... oh, Paloma, virás
Esperar-me esta noite? estou à tua espera,
Não me deixes sofrer... o acaso é uma quimera
Que pode novamente, agora, acontecer.
Se ontem tu me ofertaste instantes de prazer
E eu tolo não os quis, hoje, loira Paloma,
Embriagado, estou lembrando o teu aroma.
Pomba loira da noite, aqui a te esperar,
A noite passarei na ânsia de te encontrar...

12.08.1986




Esio Antonio Pezzato

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DENTRO DA NOITE - TEMPO DE COLHEITA





Dentro da noite imensa, a madrugada vibra...
No céu – brilhante e doida, a lua se equilibra,
E colore de prata os meus parcos cabelos...
Dentro da noite vago imerso em pesadelos,
Sem rumos a seguir para encontrar abrigo.
Caminho triste e só... ninguém segue comigo –
– Talvez a solidão me espere n’algum canto.
Não carrego ilusões, n’alma não trago o encanto,
Com que outrora sonhei de conquistar a vida...
Toda a minha esperança hoje está resumida
Entre os becos sem luz deste longo caminho.
– Dentro da noite estou como sempre sozinho...

Na esquina um cão vadio olha bem em meu rosto;
(Eu não o temo embora o mês seja o de agosto)
Sabe ele que estou só dentro da noite fria
E que meu coração, como o dele vadia...
– Sai ele em disparada atrás de uma cadela
Pois farejou-lhe o cio... agora está com ela
E o desejo animal aguça os seus instintos.
– Dentro da noite estou com meus sonhos extintos...

Vejo agora uma luz, já que dobrei a esquina;
Ouço vozes, porém, embaçada, a retina,
Dos meus olhos não prende os vultos que se agiram...
Dentro de um velho bar homens conversam, gritam,
Jogam bilhar, baralho, e no balão recebo
Um copo de aguardente... Angustiado o bebo,
Fico vermelho, cuspo a intragável cachaça...
Todos riem de mim e todos acham graça
Deste boêmio tolo, imbecil, lorpa, idiota,
Que não sabe beber... Dizem uma anedota

Para bêbado rir, porém, não dou risada.
Saio do bar e encontro a densa madrugada
Que de mim se apodera... A noite vai passando,
Encosto-me num poste e tenho um sonho brando...

Uma linda mulher da vida se aproxima
E insiste e quer ficar, quer ser a minha rima,
Já que dois passos dou em fuga da abordagem.
Ah, não quero embarcar nesta errante viagem
Dentro de um lupanar que nem sequer conheço...
Ela teima em fazer para mim um bom preço
E quer me dar o amor que diz ser voluptuoso,
Porém, distante estou da delícia do gozo,
Quero apenas passear dentro da noite imensa
E sozinho fazer a minha própria crença.

Mas a mulher insiste e me faz companhia
E quer que eu lhe ofereça esta minha Poesia
Que agora estou compondo... está bem, oh, Paloma!
O seu nome aí vai, fica-lhe bem? O aroma
De seu perfume exala uma forte fragrância;
Oh, Paloma, vem cá, perdoa-me a arrogância,
Vamos ficar aqui dentro da noite... logo
O dia surgirá de seu portal de fogo...

Vamos curtir a noite enquanto a noite existe,
Já não estamos sós dentro da noite triste,
E se estamos a dois, a solidão é morta...
Oh, graciosa Paloma, oh, pomba, me conforta,
Que te confortarei... juntos existiremos
– Se a vida é um barco então sejamos nós os remos!

– Não, eu não quero ouvir fatos de teus amantes...
Também não quero ouvir sonhos mirabolantes...

– Vem, fala-me de ti, fala de seus anseios,
Vamos matar o tempo em longos devaneios...

– Vês, oh, linda Paloma, a linha do horizonte,
Já se tinge do sol – soberbo mastodonte! –
E ainda estamos aqui confusos, sonolentos...
Brincando de soltar folhas aos ventos...
Fomos dentro da noite errantes solitários,
Nos parecemos como os peixes dos aquários
Que circundam sem fim seu limitado mundo.
Nada tenho a dizer no silêncio profundo;
– Nada tens a dizer? Vamos, Paloma, embora,
Que a noite se acabou e vem surgindo a aurora!...

09.08.1986



Esio Antonio Pezzato

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24 de março de 2010

Soneto(Acróstico para uma Amiga)


A migos - nesta vida eu encontrei-os tantos!

M uitos hoje, porém, de mim se vão distantes...

I nvisíveis estão, do coração errantes,

G orjeando nos jardins, vivendo mil encantos.

A migos - nesta vida, achei-os pelos cantos


M aravilhosos, onde a vida, em sons constantes,

A rmavam sonhos mil, plens, mirabolantes,

R everenciando a paz e os sorrisos mais santos.

A migos - nesta vida (e a vida é muito ingrata!)


B raveja a solidão, o coração maltrata,

O nde o sorriso existe, ela a tristeza planta:

M as a Amizade pura e santa, permanece,

B ata um simples olhar, e os lábios, numa prece,

O ram por este Amigo e a alma, no peito, canta.


25.02.2010



Esio Antonio Pezzato

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JOHN LENNON - TEMPO DE COLHEITA



Pairou dentro da noite o espírito do fogo
E o bólido cruel tirou a tua vida.
A vida que viveste em pleno ardor do jogo
Sucumbiu ante a fera implacável, vencida.

E a tua voz calou e levou o teu canto
Restando, tão-somente, um hino de esperança.
– Quem outrora cantou hoje vive de pranto,
Pois de tanto cantar, a voz também se cansa.

Te envolveste com o mundo e sonhaste com a glória,
Com a força de um leão, lutaste contra a guerra,
E a desgraça total hoje se faz história
E tu não fazes mais parte da negra terra.

Calou-se a tua voz dentro da noite escura
E não restou, sequer, o verso de um poema.
Baixou teu corpo frio à fria sepultura,
Teu ideal de paz ao mundo se fez lema!

A mús’ca do silêncio em desespero aflito
Tenta ainda cantar um verso de esperança.
Mas este canto sai na forma de atro grito,
Que o verso mais parece um verso de vingança.

Não mais irás cantar teu desesperado hino
Pedindo aos homens bons, Paz e Fraternidade.
A luz da redenção encontrou o destino
Onde existe ironia, ódio e ferocidade.


Em tudo vibra o horror em negro cadafalso
E o desespero aflito em gotas de veneno
Mostra que o mundo hipócrita é tenebroso e falso,
E por isso calou a tua voz, John Lennon!

25.05.1981



Esio Antonio Pezzato

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MAR - TEMPO DE COLHEITA



Mar! Belo mar azul!
Que mistérios contêm? Amedrontas, seduzes!
Quando na praia fito o reflexo das luzes
E refletes sorrindo o Cruzeiro do Sul,
Imagino que Tu
Dentro do abismo enorme, imenso que tu sondas,
Provocas-nos a nós com intérminas ondas
E não te mostras nu... e não te mostras nu...
Quando emites teu som,
De frenética guzla, um silêncio profundo
Sinto nascer do céu abençoando o mundo
O mundo que é Senhor e és Puro, e és Terno e és Bom!
Mar! Infindável Mar,
Onde me levas tu dentro de teus segredos?
Responde, velho Mar... eu tenho tantos medos
Que frente a frente enfrento a fúria me forçar!
Teu silêncio me diz
Que choras por alguém. Espero que respondas,
Mas teu pranto de sal escorrendo das ondas
Não tem resposta alguma e só te contradiz.
Por certo, meu Senhor,
Tu guardas do passado uma infindável mágoa,
E quando vens à praia acariciá-la d’água,
Tentas mostrar a terra o teu imenso amor?

06.10.1988






Esio Antonio Pezzato

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À MARIA LAVÍNIA MACHADO - TEMPO DE COLHEITA





À Maria Lavínia Machado
(Quando de sua volta do Exílio, na Suécia)


I

No infrene desejo de um negro protesto
Sepulto o meu verso que diz o que pensa.
O medo da morte que ao mundo eu atesto,
Provoca em meu peito uma pútrida crença.

Não digo o que quero... o pavor me domina...
A podre censura não livra os apelos...
Se canto a Esperança que a mim se destina,
Encontro um Calvário de mil pesadelos.

Amiga! O que importa um País tão gigante,
Se nele não temos o Lar desejado?
Que importa vivermos num mundo distante
Se em nós a saudade é de um tempo passado?

Que importa a Família, os Amigos, os Filhos,
E o Estudo que pode salvar tantas vidas,
Se estamos andando em caóticos trilhos,
Com tantos desejos e esp’ranças perdidas?

Que importa outros povos, se temos um Povo?
Que importa outra língua, se a nossa já temos?
Que importa um País velho, se temos um novo?
E um barco, que importa, se nos faltam remos?

II

É tempo de lutar...
Vamos soltar um grito aos céus abertos.
Vamos gritar que nós estamos certos,
Pois é chegado o tempo de lutar!

É tempo de viver...
Esquecer as algemas e as correntes,
Vamos gritar os gritos conscientes,
Pois é chegado o tempo de viver!

É tempo de agredir...
Com Martelos, com Foices e com gestos,
Com atitudes e com manifestos,
Pois é chegado o tempo de agredir!

É tempo de vencer...
Vencer os homens do Ideal errado,
Cantar vitória estando derrotado,
Pois é chegado o tempo de vencer!

É tempo de avançar...
Avançar derrubando mil barreiras,
Dar de comer aos homens das trincheiras,
Pois é chegado o tempo de avançar!

É tempo de poder...
Poder fazer um jogo certo e quedo,
Que não leve ninguém para o degredo,
Pois é chegado o tempo de poder!

III

Amigos das correntes, é chegado
O momento da glória e da justiça:
O mal hoje faz parte do passado
– Não haverá mais cheiro de carniça!


Chega de podridão e tanta lama,
Chega de um ideal tão putrescente;
Se um Poder viver e este Poder no chama,
– Marchemos, meus Irmãos, vamos em frente!

Vamos cantar aos céus nossa vitória,
Mostrar ao mundo que é nossa a verdade.
– Este dia será o dia de glória,
Pois estamos em “plena liberdade!”

IV

Marchemos!
Cantemos!
Ao mundo mostremos os nossos valores!
Mostremos os brios que temos nas faces,
Pois homens existem com múltiplas faces,
Que viram de amigos – a negros traidores.

Marchemos!
Cantemos!
A luz da Alvorada já luz no horizonte
E um dia de sonhos enfim ´e chegado!
– E vós que voltastes, mostrai vossa fronte:
Mostrai que esquecestes do negro passado.

Mostrai para nós que ainda existe a Esperança,
E “a luz da Alvorada de um dia melhor!”
Mostrai que não tendes nenhuma vingança,
Mas sim o desejo de um cálido Amor!

27.03.1979



Esio Antonio Pezzato

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PROTESTO - TEMPO DE COLHEITA





I

Antigamente era o Salto
Que num sobressalto
Lançava mil flocos de espumas flutuantes!
As águas lutando com fúria dantesca,
– Visão pitoresca
Da luta fremente em duelar de gigantes!

Antigamente era o Rio
Que num alvedrio
No assombro soberbo ruflava ecoando...
Combates sublimes nas longas maretas
Iguais borboletas
Que as flores silvestres invadem em bando.

Antigamente era a Vida
Risonha, florida,
Que ali declamava um poema de glória:
– A paz, a ventura, o sossego, a esperança,
– Mimosa criança
Que tinha no peito uma cálida história.

Antigamente era o Vento
Audaz, violento,
Brigando com as águas no impávido embate;
E em gládios de ferro lançavam espumas,
Simbólicas brumas,
– Suor de cansaço de eterno combate!

II

Antigamente era o Rio
Que marulhava a cantar,

Com as águas em alvedrio
Que rolavam sem parar...
Eram as águas – no salto,
Que desciam num assalto
Levando tudo em roldão...
E num combate sem tréguas
Levava léguas e léguas
De terra em seu coração...

Piracicaba! O teu Rio
Que nos deu tanto prazer,
Hoje está insolente, frio,
E vive eterno a feder!
Já escrevi um protesto
E para todos atesto
Com a força do coração,
Que é chegada a hora da luta;
– Escuta, Cidade, escuta,
Meu canto de devoção!

III

Desperta, Cidade! O progresso te acorda,
Clamando em mil brandos... não podes dormir...
– Nem mesmo o gigante o passado recorda,
Desperta, Cidade, e abraça o porvir!..

Desperta o teu sono de noiva que sonha
E olha o futuro impiedoso que tens...
– Teu Rio é esgoto que expele vergonha,
Corsários roubaram teus mágicos bens!


Desperta, Cidade! Desperta os soldados,
– Valentes soldados que lutam com fé!
Grita por justiça em homéricos brados,
Pois mesmo sem armas, lutamos de pé.

Desperta, Cidade! Que o sono hoje é findo
E vence a batalha quem sabe lutar!
É morto o passado formoso e tão lindo,
É vivo o presente que faz feder o ar.

Oh, Noiva, desperta teus níveos amantes,
Teus virgens tesouros despertam ladrões,
Que mesmo vivendo em cidades distantes,
Em ti encontraram reais ambições!

Amantes da Noiva, despertem do sono,
Cruéis forasteiros aqui vêm pousar.
Não deixem a Noiva ao supremo abandono,
Que os sonhos dourados não podem findar.

IV

É chegado hoje o momento
De erguermos a nossa voz!
De criarmos um Mandamento
Que seja rude e feroz!
Não mais podemos dar margem
A esses corsários que espargem
Tamanhas destruições...
Não temos mais esperanças
No peito temos vinganças,
E fúrias nos corações!

Estou pedindo Justiça,
– Justiça vinda dos céus,
Para quem planta a carniça
No mundo feito por Deus.
Dão fim à pátria beleza,
Depredam a Natureza
Que Deus criou com Amor.
Matam Rios e Florestas,
E em negros ritos de festas,
Plantam no mundo o horror.

Nosso Rio fede à morte
Da negra poluição.

Se existe no mundo a sorte,
Federá o coração
De quem mata a Obra Divina
E planta a carnificina
Com ódio, rancor e desdém.
– Se nos tiram a Esperança,
Brademos pela vingança,
Que a vingança um dia vem!...

Mas hoje, meu pobre Rio,
É um córrego a feder
Imundo, insolente, frio,
Sem forças para viver.
Foi ingrata a tua sorte,
Os homens deram-te a morte
Profana, negra, fatal...
E nessa tragédia imensa
Não mais dizes tua crença
No teu Salto colossal!

V

As águas desciam contentes, sorrindo,
Trazendo em seus seios cardumes de peixes
Que vinham em feixes
Da altura caindo...

Nas brancas muralhas do velho Mirante
Anzóis se enroscavam em mil lambaris;
E o velho sorrindo no assombro inconstante,
Ficava contente, ficava feliz!

Tarrafas traziam nas suas lançadas
Pintados, dourados e curimbatás...
– Mas isso é visão de miragens passadas
Do velho pesqueiro, dos dois Tangarás!

VI

Tangará, Tangará! Onde estás?

Não vês o que fazem com o Velho gigante
Que está agonizante
Num leito de pedras imundo, poluído?
Não vês a maldade que impera em teu rio
Que corre sombrio
Qual velho imponente que tomba ferido?

Não vês o que é feito do Rio soberbo
Que abria o seu verbo
Na infrene caída do Salto sublime?
Não vês que o Progresso – demônio invencível! –
Qual ferra terrível
Matou-O na fúria de intrépido crime?

VII

Que resta do Rio formoso, espumante,
Com as águas fazendo infernais escarcéus?
– Um leito de pedras imundo, inconstante,
Pedindo de esmolas, as águas dos céus!

E o homem profano, com a máquina forte,
A tudo destrói sem razão, sem piedade!
Destrói a Natura com ânsias de morte,
E põe no presente um passado em saudade.

VIII

Os homens foram traiçoeiros
Profanando as Leis de Deus...
Desgraçados Timoneiros,
Profetas falsos e ateus!
Vamos soltar nossos brados,
Somos valentes soldados,
Temos fé no coração.
E nós pedimos justiça,
– Contra tamanha carniça,
– Contra tamanha traição!

E tremulando nos ares
Este negro Pavilhão,
Poe o pesar nos pesares,
Luto em nosso coração!
– Põe um fim às Esperanças,
Mil desejos de vinganças
No peito de todos nós...
Se nos tiram desta Vida
Esta paisagem florida,
Ergamos a nossa voz!

X

Que é de Direito – que ouça o que digo:
– Eu quero somente a verdade e a justiça,
Eu quero o meu Rio com as águas rolando,
E não vê-lo morto, cheirando a carniça.

Eu quero o meu Rio com as águas rolando
Mostrando cardumes de mil lambaris!
Eu quero o meu povo às margens cantando
A ode infinita de um dia feliz!

Eu quero as crianças felizes de outrora
Nadando contentes, pescando mandis.
Eu quero que surja ao meu Rio uma aurora:
– Os sonhos dourados de um dia feliz.

Eu quero que os homens compreendam que a vida
Do Piracicaba é sublime e sagrada.
Pois ele é o Decano da longa jornada
De uma Era passada que ainda é vivida!

Façamos protestos, ergamos as vozes
Aos filhos do Inferno, profanos, ladrões!
Parentes de feras, de horríveis algozes,
Que não têm nem alma, não têm corações!

Sou muito pequeno, mas mesmo assim luto,
E tudo o que escrevo em verdade eu atesto:
E junto ao meu Povo também estou de luto,
E em versos escrevo meu negro Protesto!

15.10.1978

Este poema foi por mim declamado quando da Noite de Autógrafos do meu primeiro Livro Luzes da Aurora, no CCR Cristóvão Colombo.,
Em 19 de outubro de 1978



Esio Antonio Pezzato

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22 de março de 2010

CREPÚSCULO - TEMPO DE COLHEITA



No horizonte distante, o fogo dos crepúsculos
Tinge as nuvens de sangue e o vermelho clarão
Mais parece um gigante a retesar seus músculos,
Tentando derrubar o Templo igual Sansão!

O espetáculo rubro é uma visão homérica
Que o nosso humano olhar que vê, jamais traduz!
É o ato singular neste torrão da América,
Que outrora se chamou – Terra de Santa Cruz!

Quem foi que assim o fez... essas telas tão quérulas,
O Homem tenta emplacar entre os mistérios seus.
Mas vendo sol jorrar seus turbilhões de pérolas,
Ouço, dos Céus reboar, uma palavra – Deus!

E trava-se o duelo entre as visões plutônicas:
A densa treva e a luz qual forte Mirabeau!
E entre a grande explosão dessas forças biônicas,
Eu vejo Napoleão entrando em Waterloo!

Crepúsculo faiscante, explosão soberba e única
Concede a Terra o dom de vestir-se de luz!
E todo o Espaço é um véu da mais radiante túnica,
Que cintila, borbulha, alvoroça e seduz.

E chega a noite... A treva entre visões poéticas
Esborrifa no céu densas constelações...
E ao longe julgo ver, em formas esqueléticas,
Fantasmas irreais... frutos de mil visões...

As pérolas de luz são as estrelas pávidas
Entre as constelações de mágico esplendor.
E o castiçal que brilha em noites lindas e ávidas,
Faz o Bardo cantar lindas canções de amor.

E eu fico a recordar os fantásticos ídolos,
Que iam, em alta noite, atrás das ilusões...
– Flamígeras visões que com altos estrídulos,
Buscavam encontrar a paz nos corações.

13.02.1979


Esio Antonio Pezzato

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NA NOITE - TEMPO DE COLHEITA



... E sempre quando a Noite – enclausurada desce
Que em mim, a inspiração palpita como prece
E meus versos componho...
E tal felicidade encontro neste instante
Que fico triste, quando o sol mirabolante,
Vem me tirar o sonho.

A mim, compor é luz! mas minha luz é treva!
Sinto o espírito leve enquanto ele me leva
Aos insondáveis mundos
Onde não penso estar – mas espiritualmente
Fios de luz prateada alceiam minha mente
Aos espaços profundos.

E é gostoso viver fora da realidade,
De mãos dadas vai a Alma além da Eternidade
Que o homem tenta e busca.
Mas quem n'alma não tem o bafejar dos Deuses,
Na hora em que a Noite desce embroma-se em adeuses
E o olhar na luz ofusca.

20.08.1987



Esio Antonio Pezzato

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SONHAR... AMAR... - TEMPO DE COLHEITA






Pode haver sonho mais lindo,
Sonho mais encantador,
Do que teus lábios sorrindo
Depois de um beijo de amor?

Não pode haver neste mundo
Outro mais lindo sonhar.
Porque em meu sonho profundo
Eu conjugo o verbo amar.

Amar – sentir a alegria
Dominar o coração,
E ver, no palco do dia,
O mundo feito canção.

Sentir no peito a esperança
Florir como um rosicler,
E sentir-se uma criança
Nos braços de uma mulher.

Cantar uma ária divina
Em hinos vindos dos céus!
E ouvir, em voz argentina,
As satisfações de Deus...

Olhar o céu estrelado
E uma só estrela escolher,
Pois no peito apaixonado
Só reside uma mulher.

Viver sorrindo e cantando
Numa alegria sem fim...
Ver borboletas em bando
Revoando no jardim

Cultivar um Paraíso
De flores angelicais,
Porque na voz do sorriso
Conquista-se muito mais!

Por isso, minha querida,
O meu sonho é encantador,
Porque valem minha vida
Os teus sorrisos de amor.

03.03.1978



Esio Antonio Pezzato

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EVOHÉ, MOMO! - TEMPO DE COLHEITA





Carnaval! a voz do samba
Do alto do morro descamba
Para no asfalto vibrar...
O povo esquece a desgraça.
Vendo a folia de graça,
Por que não aproveitar?!

Esquece mágoas e dores,
Procura novos amores
Olha corpos seminus...
O samba invade a avenida
Que está toda colorida
Pelos efeitos da luz...

Nos salões, corpos suados,
Entre abraços apertados
Procuram se libertar...
A orquestra está de vigília...
E o folião deixa a família
Que não pode sustentar...

O bumbo marca o compasso,
O folião ajeita o passo
Numa nova evolução...
A bebida é consumida
E consumida a bebida
Eis mais um ébrio no chão...

A bebida é o lenitivo
Para o ano de cativo
Que o folião tem que viver.
Com seu pequeno salário
O ano inteiro é um calvário
Que tem de sobreviver!

Por isso bebe a cerveja,
Olha o corpo que deseja
Porém, não pode comprar.
Inveja a alta sociedade,
Tem desejos e vontade
De nela também entrar.

Com o coração bufando ira
Vê que o amor é mentira,
E é desgraça o carnaval...
E sua alma que é tão pura
Quer esquecer da loucura
Desta desgraça total...

Sai feito um doido varrido,
Com o coração reprimido
Sente ódio de ser assim...
E quando o dia amanhece,
Seu corpo, frio, padece,
Em um banco de jardim...

15.02.1978


Esio Antonio Pezzato

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21 de março de 2010

MISTÉRIO - TEMPO DE COLHEITA






A noite vem chegando. Abro a janela e vejo
O sol lançando à terra um último bocejo.
Ergo os olhos ao céu e vejo, qual magia,
Uma estrela a brilhar em cálida poesia.
Eis o mistério que eu procuro desvendar
E não consigo nunca, uma resposta dar:
– Por que o Sol, como um Rei, soberano e sublime,
É golpeado sem dó num horroroso crime?

25.05.1977


Esio Antonio Pezzato

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CONTRASTE - TEMPO DE COLHEITA




Malditos homens que na fúria imensa
Em vez de proclamarem uma crença
Bradam à terra, um crime sem perdão.
Será que não existe nesta Terra
O pavor pela dor que nos aferra
E em nossas vidas só nos dá aflição?

Por que os homens bons não fazem nada?
Não vê do herói a farda esfarrapada
Mas vê as medalhas que no peito traz.
Meu Deus! esta medalha nada importa,
No lar tem a família toda morta,
E em vão, aos superiores, clama paz!

É a lei da guerra hipócrita, maldita,
Misérrima, fatal, negra, infinita,
Que nos caminhos, mata por prazer!
É o fuzil que à rajada nunca falha...
Fica o herói – que ferido, não trabalha,
E a família sem ter o que comer!

E ainda bradam aos céus – Fraternidade!
Falta água, falta pão, oh! quem não há de
Sofrer, chorar, clamar numa oração,
Que a guerra – no futuro – fique lenda,
E ao recordar esta visão horrenda,
Tudo não passe de imaginação!

17.11.1976



Esio Antonio Pezzato

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ENTARDECER - TEMPO DE COLHEITA





A tarde aos poucos
Em raios loucos
De luz
A mim convida
Viver a vida
A flux!

Tenho a esperança
De ser criança
A olhar
No instante apenas
Meigas falenas
No ar.

Cheio de encanto
Eu faço um canto
De amor.
E fico mudo,
Esqueço tudo
Que é dor.

Nesta magia
Que me extasia
No além,
Eu sinto na alma
Morar a calma
Do bem...

E em ternos brados
Apaixonados
De luz,
A noite chega
E em mim se apega
– Seduz!...

E nesta hora
Que o amor vigora
No chão,
A minha Lira
Sublime inspira:
– Paixão!

12.05.1977



Esio Antonio Pezzato

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LIRA - Tempo de Colheita




Harpas e sinos
E violinos,
Luar...
Cantos, solfejos,
Milhões de beijos,
Amar...

Um meigo riso,
Um paraíso
De luz.
Preces aladas,
Apaixonadas,
A flux.

Beijos maternos,
Cantos eternos
De amor.
Pura amizade,
Fraternidade,
Fulgor.

Tudo esperança,
Doce bonança,
– Perdão!
O fim da guerra,
A paz na terra,
Canção.
A loura lua
Que me insinua
Prazer.
Sinto que a vida
A mim convida:
Viver!

10.10.1975



Esio Antonio Pezzato

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20 de março de 2010

SAMANTHA RIOS - 068





068


Ele chega com ar de apaixonado
E sorridente, fica rente à porta.
Mas tem nos olhos a esperança morta,
No peito – um coração amargurado.

As horas passam e ele não se importa –
Às insinuações me olha calado.
Depois me diz um triste adeus magoado
E contorna silente, a rua torta.

Eu, com meu desespero não impeço
Dele seguir os seus errantes passos,
Mas com a voz do meu silêncio peço

Que ele tire a rijeza dos seus braços,
Para sobrar após tanto tropeço,
Forças para apertar-me em seus abraços!

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 067





067


Na folha branca de papel escrevo
Frases da minha vida cor-de-rosa.
E como sempre sou meticulosa,
Em tudo tento pôr alto relevo.

Porém, no amor, eu fico melindrosa,
De meus romances o contar não devo,
E solitária, vivo meu enlevo
De uma maneira pura e religiosa.

E assim, nem sempre nos meus versos narro
A realidade da paixão que bate
Nos meus anseios, mas em meus anseios

O corpo amado – num delírio agarro,
Como uma louca o meu sussurro late
E geme com carícias em meus seios.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 066





066

Após a correria da faxina
O forte cheiro não desaparece.
Assim, é necessário que a creolina
Mate o cheiro que a gente não esquece.

O Amor é assim – pois ele ensina
A louvá-lo na forma de uma prece –
Nos marca como a agulha de vacina
E outras mil artimanhas ele tece...

Põe tudo fora do lugar... revira
O nosso coração e vai embora
– Deixa marcas de funda cicatriz...

Depois... até parece uma mentira,
Como gás ele rápido evapora,
Mas deixa um forte cheiro no nariz...

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 065




065



Minhas amigas dizem:– “É loucura
Este caso de amor... tu bem mereces
Algo melhor. Torturas e padeces
E masoquista, gostas da tortura.”

Minha vida, porém, triste e insegura,
Está repleta de desinteresses...
Meus caminhos, tortuosos, lembram SS
Onde jamais encontro uma ventura!...

Nas tardes tristes, pálida, eu amuo...
Ante o desconhecido vem-me o medo
E o amanhã para mim é sempre incerto.

Frente a problemas simples, eu recuo,
De meu mundo interior faço segredo;
Sozinha, vivo a vida num deserto.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 064





064

Chove lá fora, meu amor. Parece
A chuva lágrimas que vida chora.
Meu coração faz uma triste prece
Por nosso amor que não tem mais aurora.

Tristonha, a angústia na minh’alma cresce
E teu regresso minha vida implora...
– Se eu pudesse colher a loura messe
Do amor que agora está em plena flora...

Não serei eu que irei colher o fruto
Que em tempo certo irá amadurecer,
Pois nesse tempo eu estarei de luto...

A mim somente restarão sementes,
Que plantadas em solos condizentes,
Me darão novas formas de viver...

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 063





063


Há no meu coração tantas histórias
Para serem ouvidas, sê contadas,
Que eu passaria longas madrugadas
Cavoucando meu fundo de memórias.

Muitas delas, seriam de vitórias,
Outras tantas, de lutas derrotadas...
Umas seriam bem apaixonadas,
Outras, por mil razões – lacrimatórias...

Mas guardo para mim essas lembranças...
Quem vai se preocupar com esses fatos
Que a mim somente têm algum valor?

Essas histórias são minhas heranças,
Que guardarei num álbum de lembranças,
Como fossem Histórias de um Amor!

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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18 de março de 2010

SAMANTHA RIOS - 062





062


Não foi preciso muita inspiração
Para de nosso amor contar a história.
Pois trago ainda viva na memória
Tudo o que me causou terna emoção.

Se no peito me sofre o coração?
Ora, isso é uma pergunta merencória.
Só quem no mundo teve a imensa glória
De viver um amor e uma paixão

Igual a minha (e penso são bem poucas...)
Pode viver retida entre lembrança
Mesmo que tudo agora cause dor.

Passamos juntos, tempestades loucas...
Se nosso barco não achou bonança,
Não foi por falta de Carinho e Amor.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 061




061


Ontem te vi, estavas triste e só...
Também triste e sozinha eu caminhava...
Se nosso amor foi reduzido a pó,
Por que este amor deixou minh’alma escrava?

Eu sei que na garganta deu-me um nó
E uma vontade de chorar da brava...
Ver-te partir sozinho deu-me dó,
Porém meu coração a mim falava:

–“Deixa, esquece este amor, um outro amor
Virá preencher as tuas noites frias,
Outro amante virá encher de cor

Tuas noites cinzentas e vazias...”
Mas enquanto não vem um novo ator,
Quem vai cuidar das minhas agonias?...

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 060




060

Uma vez fomos juntos ao cinema
Para assistir a um filme de terror.
E Hichcock – o mestre do teorema,
Em nossas almas colocou pavor.

Após o filme te causei problema
O que serviu para te dar humor.
Agora neste meu simples poema
Eu quero agradecer-te, meu amor!

O filme foi de fato, no suspense,
Uma obra-prima e agora, no meu canto,
Não há forma que em outra coisa eu pense...

Se cá estivesses como aquele dia,
Somente para simples companhia,
Não estaria assim sofrendo tanto.

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 059




059


Lembras quando nós fomos à fazenda
Naquele mês de Julho, mês de férias?
Esquecemos de tudo e as coisas sérias
Somente eram tratadas na merenda...

Fazia frio. Entre lençóis de renda
Nossas divagações eram etéreas...
Quem se preocupava com as misérias
Assistidas num filme de legenda?!...

Corria a solta a nossa fantasia...
De manhã, bem cedinho, as maritacas
Berravam anunciando um novo dia...

Íamos nós tirar leite das vacas,
No céu havia um cheiro de poesia
E nós dois de olhos baços de ressacas...

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 058





058


Agora ele está n’algum motel
Divertindo-se à custa da agonia
Que dentro d’alma, nesta noite fria,
Faz minha vida ser triste e cruel.

Entorno mais um cálice de fel...
E ele com outra em mágica alegria...
Sozinha, curto a minha fantasia
De nunca mais enfim, ser-lhe fiel!...

Não consigo admitir que ele me traia...
Que outros mares visite, que outra praia
Receba a sombra que seu corpo faz.

Ele é só meu, de mais ninguém no mundo,
Vou procurá-lo e com amor profundo
Fazer que nosso amor retorne à paz!

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 057





057

Nossos presentes eram cacarecos...
Barquinhos e balões de dobraduras,
Revistas velhas cheias de aventuras,
Inesperadas noites em botecos...

Uma vez nós trocamos os jalecos,
Uma outra vez, um par de ferraduras
(Para dar sorte...) e até velhas molduras
Trocamos, e do Elias, dois bonecos...

Se fôssemos falar de nossas trocas,
Dariam para encher enciclopédias,
Porém, como faziam mil fofocas,

Pusemos nos presentes, curtas rédeas...
Assim o nosso amor foi às barrocas,
Lembrando as gregas e fatais tragédias...

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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16 de março de 2010

SAMANTHA RIOS - 056



056


Fui procurar num velho dicionário
O significado de – trasflor! –
Pensei que fosse o nome de uma flor
Que não houvesse em meu vocabulário.

Mas – trasflor! – meu amor, sabe, é lavor
De ouro sobre esmalte, é como um canário
Amarelo, pintado em ouro vário;
É só isso, só isso, meu amor...

Assim, querido, é nosso amor – pintado
Com as tonalidades da ternura
Contidas em cerâmica chinesa.

– Trasflor! – querido, é um sonho apaixonado,
Um sonho de viver linda aventura
No real paraíso da beleza!

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 055



055


Agora, abandonada na quietude
E no silêncio desta solidão,
Vejo o amor findo em plena juventude
Quando tanto sonhava uma ilusão...

O mal e o bem combatem a virtude
Contra balas de impávido canhão.
E se a alegria meu viver ilude
A tristeza me fere o coração...

Se outra alegria a vida me trouxer,
Não deixar que ela de mim se afaste,
– Este é meu juramento de Mulher! –

Irei fazê-la minha, minha só;
Como uma flor que eternamente n’haste,
Guardada n’algum livro – vira pó.

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 054




054


Se outrora no passado eu fui feliz
E soube ser feliz o quanto pude,
E tinha ao lado a minha juventude
– De alegria a minh’alma era atriz! –

Se aos sonhos loucos eu pedia bis
– No sonho a alma patética se ilude –
– Hoje que do prazer perco a saúde,
De meu passado tiro Raio X.

Vejo os acertos, vejo os erros, vejo
Um coração pulsante de desejo,
E as esperanças que tiveram fim...

Um coração chorando na agonia,
A alma de invernos fria, fria, fria,
– Sem ti minh’alma e tu também sem mim...

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 053





053

“Samantha, tanto e tanto te desejo,
Que penso em ti – minh’alma alegre canta.
Meus lábios só desejam o teu beijo
Que me dá vida, afeto e me acalanta.

“Em outras faces tuas faces vejo,
O teu corpo me serve como manta...
Teu nome é uma canção que canto e almejo,
O amor devia é se chamar – Samantha!...”

Assim dizias rindo em meu ouvido,
Pois esse era o teu canto preferido
E me embalavas com ternura e calma.

Mas desde que partiste, estou sozinha...
No canto a tua voz não me acarinha,
E em desesperos sinto então minh’alma.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 052


052


Na volúpia de abraços e de beijos
Me possuíste com fúria ardente e louca,
Beijavas meu pescoço e minha boca
E acendias-me todos os desejos.

A minh’alma em sinfônicos arpejos
Explodia em paixão sonora e rouca.
Se a fúria que me davas era pouca,
(Pensava), tu cobrias-me de ensejos...

Me agarravas, puxavas meus cabelos,
Marcavas-me com unhas e dentadas
E entravas no mais fundo de seu ser.

Vinhas com mais frenéticos desvelos,
E varávamos longas madrugadas
Perdidos na loucura do Prazer!

Samantha Rios


Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 051



051

Ontem, querido, fui à tua casa
E em teu quarto, mexi em teus guardados;
E fiquei com o coração em brasa
Quando bilhetes vi, apaixonados,

De outros casos de amor... e eles, marcados
Com beijos de batom, puseram-me a asa
Para a imaginação, que ainda se arrasa
Ao sentir que ora estamos separados.

Não mais os teus abraços, os teus beijos,
Os teus lábios gemendo, os teus desejos,
Tua loucura em me sentir Mulher!...

E hoje, querido, as dores me consomem,
Pois não consigo me entregar a um homem,
Sem lhe sentir que sou uma qualquer!

Samantha Rios


Esio Antonio Pezzato

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14 de março de 2010

SAMANTHA RIOS - 050





050

Amamos... nosso amor foi puro e lindo.
Se alguém me perguntar do nosso amor,
Direi que foi um sonho multicor
E direi sem estar sequer mentindo.

Porém, o nosso amor foi sucumbindo
Nas masmorras de um sonho destruidor,
E hoje me resta a mais pungente dor
Do amor que outrora, me deixou sorrindo.

Mesmo quando acabou o doce encanto,
Por vários dias soletrei o canto
Que me ensinaste com fulgor infindo...

Sei que agora, recordo o que foi doce,
E o amargo fel que sua ausência trouxe.
... Amamos, nosso amor foi puro e lindo!...

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 049




049


Ele me disse adeus... ele me disse
Que foi loucura o caso que tivemos...
Perde de tempo foi toda a crendice
Que juntos nós sonhamos e vivemos...

E o sonho, em seus capítulos extremos
Faz que eu me torne uma tristonha Alice...
Nas águas de meu sonho afundo os remos
E insisto em dar mais vida a essa tolice...

Mas penso mais um pouco e digo:– basta!
A cruz de angústias que meu ser arrasta
Nem Cristo carregou, pois sendo Deus,

Ele morreu por toda a Humanidade.
E eu não irei morrer só por saudade...
– Vais tarde, meu amor, adeus... adeus...

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 048





048

Quando chegas sorrindo à minha casa,
Sorridente, te espero no portão,
E sinto o coração arder em brasa
Na mais alta e mais forte combustão.

Enquanto espero, presa à lírica asa,
Minh’alma voa na imaginação...
Se tua vinda um pouco só se atrasa,
Meu sinto presa a enorme solidão.

Mas não deixas de vir... pois bem conheces
Os carinhos que estás por receber
E os beijos dados em ardentes preces.

Bem sabes que não podes mais viver
Sem as horas que tu jamais esqueces,
Sem as horas recheadas de prazer!

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 047




047


Inútil foi a espera... ele não veio...
Preparei-me de forma provocante
Para lhe ser a mais ardente amante
Mas... inútil a espera e meu anseio...

Meu cheiro não serviu-lhe de correio:
Nem a palpitação do peito arfante
Fez que ele me encontrasse e delirante
Beijasse meu pescoço, a boca, o seio...

Nós lençóis de cetim avermelhado,
– Cor de paixão! – amarfanhei-me toda
E perdida fiquei num devaneio.

Mas vazio na cama era o seu lado –
Planejei tão ardente a nossa boda,
Mas... inútil a espera... ele não veio.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 046








046


Não acredito, não, no que me dizes;
É brincadeira tola o que me falas.
Nervoso, andas batendo os pés nas salas
Tentando me enganar com falsas crises.

Podes desarrumar as tuas malas...
Se já tivemos dias tão felizes,
Ah, não serão esses veniais deslizes
Que irão esfacelar as nossas alas...

Vá para o quarto... irei junto contigo,
Esqueça das questiúnculas vividas,
Mais que um amor tu és o meu amigo.

A viver juntos temos muitas vidas...
Se u não brigas eu também não brigo,
E nossas existências são floridas.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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