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28 de fevereiro de 2010

SAMANTHA RIOS - 009




009


Eu trago ainda na memória viva
Os nossos mais frenéticos desejos,
Quando trocávamos ardentes beijos
E misturávamos nossa saliva.

Dos êxtases noss’alma era cativa
E para o amor cantávamos festejos –
Como dois passarinhos nos realejos
Cantam sua esperança afirmativa!

O nosso amor teve energia elétrica...
Iluminava quem vivesse perto
De forma clara, simples e simétrica.

O nosso amor iluminava com
Ternura quem andasse no deserto
Como se fosse facho de néon.

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 008





008


–“Hoje nós vamos é ficar em casa”,
Dizias. E no mesmo instante – amantes
Passávamos a ser – corpos em brasa
Em emoções sublimes e constantes...

Ouvia sinos a tocar distantes,
E teu amor me punha a lírica asa
Da ternura e do afeto, nos instantes
Que juntos, nós ficávamos em casa.

Deitada nos almofadões, cansada,
Após árdua batalha, onde vencidos
Não tínhamos vontade para nada.

Entre declarações de amor eternas,
Reatávamos a luta, decididos,
Cruzando pernas, línguas, sexo e pernas.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 007





007


Se alguém dissesse que a vulgaridade
Cerceava o nosso amor, o que me importa,
Se nosso amor hoje é paisagem morta
Assolado por negra tempestade?

Se tudo o que me resta hoje é saudade
Por que ficar chorando atrás da porta?
Se minha estrada é sinuosa e torta,
Irei segui-la com tranqüilidade.

Se acabou todo o amor que nos unia
E todo o sonho reduziu-se a nada,
É natural que eu fique aqui chorando.

Porém, irá raiar um novo dia,
– Com a mágica varinha a minha Fada
Irá deixar meu coração cantando.

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 006





006


Na displicência de um amor vivemos,
Pensando que jamais ele acabasse,
Mas como tudo tem os seus extremos,
Foi natural que um dia, ele findasse.

Se o pranto triste rola em minha face,
Lembro o momento que nos conhecemos.
E se alegria juntos nós vivemos,
E natural que essa alegria passe...

A dois viver uma felicidade
É muito lindo no fulgor de um sonho
Mas bem distante desta realidade.

Se pões no coração um bem amado
E eu em meu coração também o ponho,
É natural que fique separado.

Samantha Rios




Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 004





004

Vivemos juntos com as bugigangas:
Shorts, bermudas, velhas camisetas,
No mar somente usávamos as tangas
E roupas que não tinham etiquetas.

Na penúria choramos às pitangas...
E vezes mil vimos as coisas pretas.
E então, no artesanato, áureas miçangas
Vendíamos sentados nas sarjetas.

Trago ainda, pendurado nas orelhas,
Um par de brincos de metal barato
(O primeiro presente que ganhei...)

E entre quinquilharias simples, velhas,
O nosso amor viveu sem artefato
Onde rainha fui – e foste rei.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato


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SAMANTHA RIOS - 005





005


Mal chegavas sorrindo à minha sala
Assobiando uma canção qualquer,
Meu coração subia em alta escala
E eu me sentia a mais feliz mulher..

Outras vezes, com teu olhar de opala,
Em meus ouvidos, vinhas me dizer
Numa sublime e sussurrante fala
Que eu existia para teu viver!

Hoje, o vaso na sala, onde tu punhas
Lindas braçadas líricas de rosas,
Está vazio como a minha vida...

Tristonha, vivo só, roendo as unhas,
Recordando em manhãs maravilhosas,
Quem fez minha existência colorida.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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26 de fevereiro de 2010

SAMANTHA RIOS - 003




003

Cinco sentidos teve o nosso amor:
Olhei. Olhaste. E nosso olhar cruzamos –
Pegaste em mim como se pega aos ramos
Da mais cheirosa e perfumada flor.

Senti teu cheiro de força e vigor,
A tua voz ouvi – juntos cantamos.
Depois ardentes beijos nós trocamos
E o gosto nos deixou todo em torpor.

Mas mais sentidos juntos descobrimos:
Choramos juntos, juntos nós sorrimos
E o amor cantamos numa mesma voz.

E apesar deste amor assim completo,
Eu não entendo como tanto afeto
Deixou-nos tristes, fatalmente sós!

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS - 002




002

Ele me disse:–”Chega, vou-me embora,
Mulheres como tu acho às dezenas...
Não é preciso, não, armares cenas,
Pois bem sei que é chegada a minha hora.

“Espera-me vestir, não há demora,
Não quero ouvir de ti frases obscenas,
Eu já vou indo, adeus... espero apenas
Que não me mostres um olhar que chora...

“Eu não agüento mais ver-te ao meu lado,
Esqueça que já fui o teu amado
E que o meu coração te pertenceu...”

– Assim falou, depois bateu a porta...
Desde esse dia tenho a vida morta
E, sem ele, nem sei quem mais sou eu...

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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SAMANTHA RIOS 001




001

Antes que o sono venha e me entorpeça
Quero deixar gravada a louca história
Que foi o nosso amor... Se, teve glória
Eu não posso dizer... ela começa

Numa tarde qualquer, leda e travessa,
(Não consegui guardar bem na memória...)
Sei, porém, que cantei alta a vitória
De tê-lo conquistado... A história é essa...

Nosso amor foi sem pé e sem cabeça;
Porém sei que era coisa obrigatória,
Como uma coisa assim, meio possessa.

O nosso amor que teve louca glória...
Deixe-me então lembrar... ele começa
E termina na forma de uma história.

Samantha Rios



Esio Antonio Pezzato

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COMENTÁRIOS DO AUTOR - SONETOS DE SAMANTHA RIOS




Uma pequena explicação


Samantha Rios surgiu de uma pura e simples brincadeira. Certa noite em casa, pensei em fazer um soneto dentro do universo feminino. Nada mais do que isso. Pensei um pouco e menos de cinco minutos depois havia composto tal soneto. Ainda por mera brincadeira publiquei o soneto no Jornal de Piracicaba. Depois meio que esporadicamente, perpetrava esse universo, compondo como se fosse mulher. Era coisa de gozação.
Porém, certa noite compus num período de mais ou menos duas horas, uns 30 sonetos dentro dessa linha. Achei interessante e naquela mesma semana, era outubro de 1988 creio, fiz perto de 80 sonetos. Juntando aos que anteriormente havia composto, havia uma série com 120 deles. Datilografei tudo e guardei. Fui fazendo outros e publicando o que gerou alguns fatos engraçados, que passo a narrar:
Certa manhã encontrei com o professor e Poeta Nélio Ferraz de Arruda, que inclusive foi prefeito em nossa cidade no segundo semestre de 1968 e como éramos amigos, ele veio me perguntar sobre a nova poetisa que estava publicando seus sonetos no Jornal, uma tal de Samantha Rios. Disse que eram bons seus sonetos, embora numa linha que beirava, às vezes, a pornografia. Conversamos um bom tempo falando dos sonetos de Samantha Rios, sobre seu erotismo e sua forma de poetar. Claro que ele sequer percebeu que o verdadeiro autor dessa farsa era eu.
Depois ainda uma amiga da Ana Maria veio perguntar a ela se eu, como poeta, conhecia a Samantha Rios, pois ela colecionava todos os seus sonetos, que se via neles, que adoraria conhecer a poetisa. Como diversas pessoas já sabiam da farsa, e eu nunca fiz questão de ocultar que Samanha Rios era apenas um pseudônimo, e ela ficou sabendo que eu era o autor dos Sonetos. Depois veio brigar comigo, dizendo que eu a iludira, que era fã da Samantha Rios e ela era eu... Virou depois motivo de gozação.
Certa feita coloquei num concurso de poesias dois trabalhos da Samantha Rios, e uma delas venceu o concurso. Claro que não apareci para receber o prêmio, embora presente no local.
Depois ainda invertia e colocava o pseudônimo de Samantha Rios e como autora dos versos, minha mulher. Também houve confusão, pois certa feita os versos publicados depois em livro eram para lá de eróticos, beirando mesmo a pornografia. E até queriam saber quem era a verdadeira autora dos versos. Mas me calei.

Em 1999 decidi por publicar os versos de Samantha Rios em livro, e com 150 sonetos sob o mesmo título: HISTÓRIAS DE UM AMOR, ele veio à luz. Alguns amigos queriam até uma noite de autógrafos, mas apenas distribui o livros entre amigos e algumas livrarias o colocavam à venda.
Continuei a compor sob o pseudônimo de Samantha Rios mas acredito que fiz não mais de outros 50 sonetos, que continuaram a ser publicados na imprensa de Piracicaba, mas ficaram inéditos em livro.
Hoje Samantha Rios foi esquecida por mim. Não mais uso esse artifício, embora na mesma linha eu tenha feito e publicado, com mais de 20 outros pseudônimos, outros versos... nem eu mesmo sei dizer quantos deles fiz.
Sei que em 1999 quando publiquei o livro, tive o cuidado em não colocar o ano de sua publicação, assim ele ficaria sendo sendo atual e a Samantha Rios não envelheceria nunca. Oras, um livro publicado, depois de vários anos, quem o fosse ler saberia que a jovem Samantha Rios deveria ter envelhecido e quebraria o encanto. Para mim Samantha Rios deve ter sempre 25 anos, não mais. Tais sonetos envelhecidos, seriam anacrônticos. Teriam o cheiro de flores fanadas.
Mas enviei o livro da Samantha Rios para o Poeta Glauco Mattoso, grande Poeta brasileiro, e ele, em seu blog, fez constar perto de duas dezenas deles e me colocando como o verdadeiro autor de Samantha Rios. Houve ainda uma tarde que recebo um telefonema da famosa escritora Cassandra Rios, pois havia lido meus sonetos. A conversa durou mais de uma hora, e versou sobre seus livros, belíssimos e eróticos/pornofráficos e os Sonetos da Samantha Rios, que eu havia composto. Foi muito engraçado.
Agora minha Amiga Mara Bombo, faz este meu blog e pede meus versos para colocar no mesmo. Fica assombrada quando descobre a Samantha Rios. Pudera, nas páginas dos sites da internet o nome de Samantha Rios sempre vem ligado a mulheres e sexo. Mais dizer seria não acrescentar nada... melhor que Samantha Rios fale por ela.
Sem mais palavras, abaixo os sonetos de Samantha Rios, como foram publicados em livros... os outros inéditos, constam da série de Sonetos compostos ao longo da minha viagem poética....

Esio Antonio Pezzato.
Samantha Rios;





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SONETOS IMPERIAIS - PARA O FUTURO II




Para o futuro II


Nossa busca é incessante: dia a dia
Brilha o sol para nova caminhada.
E levamos, ao longo da jornada,
O embornal de fagulha e fantasia.

Queremos descobrir numa alquimia
Os mistérios que estão além da estrada.
Mas tanto estudo não nos leva a nada,
O embornal não produz tanta magia.

Sangram os pés descalços no caminho
E o homem vai solitário, vai sozinho,
Para um fim que ele mesmo desconhece.

Quando seus olhos forem dois espelhos,
Poderá ver o Mundo de joelhos
E irá fazer a sua última prece!

07.06.2002




Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - PARA O FUTURO I



Para o futuro I


É uma história sem fim nossa Existência...
Teve início há milênios já passados,
Quando havia outros Mundos, outra Ciência,
Fatos ocultos nunca revelados.

O Homem sobreviveu à persistência
Na luta com mistérios encontrados.
Amoldando seus passos com prudência,
Construiu belos mundos encantados.

E a luta imersa em transe continua.
Cada vez, mais constantes os perigos
E a alma se mostra totalmente nua.

Sem fim também, os dias do futuro.
E onde acharemos nós tantos abrigos
Se na estrada o homem torna-se um impuro?

07.06.2002



Esio Antonio Pezzato

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24 de fevereiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS - ATO DE CRIAÇÃO




Ato de Criação

Às vezes ponho as mãos no pensamento,
Para a idéia florir em minha mente
E concentro-me em transe, no momento,
Para fazer brotar uma semente.

Mas este labirinto é como o vento:
O olhar não vê, porém minh’alma o sente.
Parece enclausurado num convento
E se esconde do sol como serpente.

Assim, às vezes, passo distraído,
Olhar distante – pensamento vago –
E ele aflora na luz e o vácuo rasga...

O corpo treme, solta-se um gemido
E, do profundo azul de etéreo lago,
Explode a inspiração e a voz engasga!

10.01.2002




Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - MOMENTO INÚTIL




Momento Inútil


Brota que brota, em luz, do fundo poço,
A idéia cristalina que borbulha.
O pensamento explode de alvoroço
Como que despertado por patrulha.

Nest’hora o pensamento está no fosso
E pérolas de luz ele vasculha,
Pensando construir áureo colosso,
Com sílabas pinçadas por agulha.

No mais das vezes, desta garimpagem
A bateia carrega só limagem,
Água suja composta de cascalho.

Rimas pobres, uns versos misturados,
Uns sonhos em delírios indomados,
E um inútil momento de trabalho.

10.01.2002



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - PRISÃO PERPÉTUA




Prisão Perpétua


Esta loucura extrema que me invade
E me entorpece o espírito é a loucura
Que atravanca minh’alma sem piedade
E minha inspiração deixa insegura.

As minhas mãos seguram férrea grade
E, às costas, peso ingente me tortura.
Sobre a cabeça, atroz ferocidade
E, na boca, o silêncio da secura.

Nada posso fazer, pois me sei preso,
Sequer o pensamento está liberto.
Impossível sair de tudo ileso.

Além floresce o campo a céu aberto,
Porém, da vida, sou inerte peso,
No dorso de um camelo no deserto.

10.01.2002





Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - LABOR POÉTICO




Labor poético


Sonetos... À medida que os componho
D’alma sinto sair enorme peso.
Às suas regras rígidas sou preso
E, a escrevê-los sem máculas eu sonho.

Se, uma sílaba a mais às vezes ponho
O galopar do metro torna teso.
E à luta de sair por fim ileso
É trabalho feroz, cruel, medonho.

Tão pequeno na forma: eis o Soneto!
E ao insano labor me comprometo
Em fazê-lo na técnica perfeito.

E ao tentar desvendar os seus segredos
Contando suas sílabas nos dedos,
É impossível compô-lo sem defeito.

27.08.2003





Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - PESSIMISMO


Pessimismo


Vou desenhar um sol dentro de mim
Assim não viverei triste e nublado.
Com o sol, ficarei iluminado
Como as variantes cores de um jardim.

Às negações da vida direi sim
E deixarei de ser, em tal estado,
Este que vive só, desesperado,
Aguardando chegar o eterno fim.

E brotarei em flores, na varanda,
Perfumarei meus sonhos com lavanda
E, nos olhos, porei fulgor e luz.

Assim, a todos, passarei a imagem
De ser feliz fazendo esta viagem
E não curvar-me ao peso de uma cruz.

10.01.2002



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - ROTINA





Rotina

O Poeta cansado da rotina
Após um longo dia de trabalho,
Tece com rimas mantas de agasalho
E acende a inspiração na lamparina.

O Poeta na noite se ilumina
Após regar seus versos com orvalho
E apanha das roseiras cada galho
Onde sangra uma rosa purpurina.

Mas eu, que sou Poeta por acaso,
Traduzo, em rimas pobres, o meu canto,
Pois não bebo nas Fontes do Parnaso.

De quanto faço só traduzo em pranto
E, de tanto escrever, estou no ocaso
Do meu dia sem sol, sem riso e encanto.

14.11.1995



Esio Antonio Pezzato

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22 de fevereiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS - SONOLÊNCIA




Sonolência


Os meus poemas dormem esquecidos
À sombra arroxeada dos ipês,
Enclausurando amores já vividos
Que choram de precoce viuvez.

Meus poemas de tempos já floridos
Vivem hoje a certeza de um talvez...
Pois já foram amados e queridos
E foram galanteios, certa vez...

Como as flores caídas – não perfumam
E murchos rolam ao sabor do vento,
Desfolhando-se em rimas, pelo chão.

Esquecidos, porém, não se acostumam
E como versos soltos num lamento,
Mais lembram um sofrido coração!

17.09.96



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - MEUS SONHOS




Meus Sonhos


Os meus sonhos – plantei-os no passado,
Num tempo que era cheio de esperança.
Trazia o coração apaixonado
E, nos olhos, o brilho da bonança.

E cada sonho foi, por mim, plantado
Para que eles me dessem segurança.
Mas o rígido inverno atormentado
Deu-me galhos desnudos por herança.

Hoje não há mais tempo nem ternura,
Para volver a terra ressequida
E prepará-la para a semeadura.

O sonho é transformado em pesadelo;
Uma réstia de sol resta da vida;
Sinto nas mãos a rigidez do gelo.

28.12.1994



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - MANCHA



Mancha


Existe, com certeza, alguma luz,
Para nortear os passos desta vida;
Ou seguimos insanos na corrida
Atrás de qualquer coisa que seduz?

Que estrada sinuosa nos conduz
E nos leva num beco sem saída?
Quem aciona o botão para a partida
Da fantasia que nos leva a Ormuz?

Esta ânsia incontrolada aonde nos leva?
O ápice é apenas pálida ilusão
Que em podium com espinhos nos entreva...

E a coroa de louros da razão
Está manchada de excremento e treva.
Há uma nódoa de pus no coração.

17.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - SONHO MACABRO




Sonho Macabro

Para isto nós sonhamos: para termos
Momentos de esperança e de magia,
E que transformem em verdade um dia
Os nossos sonhos em concisos termos.

Para isto trabalhamos: para sermos
Respeitados após tanta porfia,
Ou esperar às horas de agonia,
Comunhões de novenas aos enfermos...

Para isto nós mantemos nosso verbo:
Embora não ouvindo, o eco reboa
E denuncia ao mundo nossa sorte.

Para isto, ao fim do dia, existe o acerbo:
A palavra retorna e apenas soa
O macabro do sonho – a crua Morte!

26.03.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - AGONIA




Agonia


O sonho que se quer e que se busca
Nem sempre se transmuda em realidade;
Não podendo trazer felicidade,
Nossa esperança, de sofrer, chamusca.

À realidade nosso olhar se ofusca
E o pesadelo o nosso sonho invade.
Não podendo com tanta insanidade,
Atra tortura chega em forma brusca.

A realidade é o sonho – dia e noite!
Se um quer carinhos – fica pesadelo,
Se outro quer risos – tange-se à utopia.

Assim, não tendo, não, quem nos acoite,
Nossa voz geme em fórmula de apelo
E o futuro transforma em agonia.

22.08.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - SOL INTERIOR




O sol que esparge luzes nos caminhos,
Pondo brilhos nas folhas orvalhadas,
Vergastando de luz as madrugadas,
Com raios aquecendo os flóreos ninhos...

O sol que planta sombras nas calçadas
E orquestra nossos sonhos com carinhos,
Que brinca dentre as nuvens arruivadas
E brilhos põe nos corações sozinhos...

Vejam só: tão soberbo e exuberante,
Também dá brilhos para a lua cheia
Que cintila num sonho de marfim.

E eu, com meu coração cantando amante,
Sinto, querida, desde que encontrei-a,
Que há um enorme sol dentro de mim!

22.09.2001



Esio Antonio Pezzato

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20 de fevereiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS - PAÍS ENCANTADO




País Encantado


Existe, além do sol que tanto brilha,
Uma nesga de sombra que esmaece.
O olhar que busca achar um rumo à trilha
Onde vislumbre a mais faustosa messe.

Além da própria vida existe uma ilha
Onde o Espírito fulge e não padece.
Encantado país da maravilha,
Que se abre entre mil sóis, a quem merece.

Por certo este é o recanto que procuro
Para ter a certeza do futuro
Onde tantos estão à minha espera.

É o País onde estão os meus queridos
O dos ódios que foram esquecidos
– Paraíso de plena Primavera!

03.01.2002



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - LEGADO




Legado


Às vezes chego à triste conclusão
De que este meu legado de Poesia,
Irá trazer angústia e decepção.
No mundo, as rimas – não contêm valia.

Se o ouro é que faz pulsar o coração,
Os meus versos de pura simetria,
E música, e cadência, e melodia,
Com certeza, valor nenhum terão.

Que irão fazer com livros publicados
E milhares de inéditos guardados
Se para os versos não se dá valor?

Ah! Que trabalho ingrato é tal ofício!
Se, além da Arte, o escrever é puro vício,
Este vício me faz um Sonhador.

02.01.2002


Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - O AMOR




O amor


O amor, dentro da vida é uma quimera...
Vive ao nosso redor, em mil anseios;
Floresce, às vezes, como primavera;
Parte depois, tornando os sonhos feios.

E a alma, que num jardim ridente o espera,
Quando o vê, canta à luz dos devaneios.
Ele ferido assume-se pantera,
Cravando os dentes e ferindo seios.

Assim, quem tanto o busca não o encontra,
Pois ele, assemelhando-se a uma lontra,
Aparece e submerge na corrente...

E, sendo uma quimera, o amor sem trono
Busca logo encontrar um novo dono,
Onde brote florido e recendente!

27.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - VÍCIO





Vício


Em minh’alma a saudade é como um vício
Do qual eu necessito a cada instante.
Mais que um vício, a saudade é minha amante,
O meu supremo altar de sacrifício.

Em mim sua morada é sem início,
Vem de um tempo, por certo, eqüidistante...
Sorrateira, de forma anavalhante,
Existe para me causar suplício.

Esta Senhora ingrata me entorpece
E não há juras, nem por certo prece,
Vive em mim como fosse um amuleto.

E tanto a sinto na minh’alma presa,
Que, para confirmar esta certeza,
Imortalizo-a neste meu Soneto

27.04.2001




Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - PRISÃO




Prisão


Coletâneo de angústias, meus armários
Têm gavetas que estão abarrotadas...
Os casos são diversos e contrários
Nas pessoas que estão apaixonadas.

Estas solfejam trinos de canários,
Eu, porém, ranjo em fúrias, a dentadas.
Assim nosso viver segue por vários
Caminhos e por cúmplices estradas.

Mas temos em comum iguais arroubos.
Ambos somos passivos em tais crenças
E sujeitos, também, somos aos roubos...

Às angústias, quem ama vive preso,
E, como sofre com fatais sentenças,
De tal viver também não sai ileso.

27.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - SENECTUDE




Senectude

O ânimo contém freios... à ansiedade,
A razão ponderada a acalma e a doma.
Já não se pensa um gladiador de Roma
E a cautela prevê a adversidade...

A força vive presa na redoma,
E a glória paga pena em férrea grade.
Nubla-se o céu azul da mocidade
O amigo de ontem está preso ao coma...

Melhor medir os passos do trajeto.
O dourado sonhar de áureo projeto,
Talvez não chegue à aposentadoria...

Assim, à força, sobressai a calma,
Dos pecados da carne, eleva-se a alma,
Pois este pode ser o último dia...

27.04.2001




Esio Antonio Pezzato

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18 de fevereiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS - FOGO-FÁTUO




Fogo-fátuo

Azul é o sonho quando a mocidade
Esbanja cores nos jardins da vida...
A estrada se revela colorida,
E a amplidão não contém tanta ansiedade.

Tudo é possível, a emoção invade
O coração e não se vê vencida...
Percalços são vencidos na corrida
E domar os anseios, oh, quem há de?

Os passos seguem firmes e confiantes,
Não existem lugares nem distâncias
Sequer encruzilhadas em tais rotas...

Mas, como a rapidez de tais instantes,
Na vida vão chegando as inconstâncias
E a série incontrolável das derrotas...

27.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - ÂNIMO




Ânimo


Os percalços que surgem de repente,
No decorrer da imensa caminhada,
Conseguem aumentar n’alma da gente
O sonho de travar esta jornada.

Não podendo parar na madrugada,
Necessário se faz seguir em frente.
Os entraves que surgem pela estrada
Precisamos vencer herculeamente.

Não devemos parar! Jamais devemos
Induzir ao desânimo, ao cansaço,
Ou, no alto mar, abandonar os remos...

A tempestade chega e também passa,
O cansaço transforma-se em fumaça
E o ânimo volta com um novo passo!

18.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - IDEAL





Ideal

A vida se repete dia a dia,
Nos sonhos que plantamos no passado.
Sempre existe um desejo irrealizado
Por aquilo que ansiamos ter valia.

Sempre existe o fantasma da euforia
E sobre o solo um passo já marcado.
À frente o louco sonho incontrolado
E o retorno ao início – que crucia.

O nada feito e um dia a mais vivido,
E o sonho continua reluzente
Como um farol que, na distância, brilha...

Sempre, contudo, o coração ferido
Por desejar o que está mais à frente,
Na longa estrada onde inexiste trilha.

18.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - ILUSÃO




Ilusão

A distância eu contemplo, extasiado,
Mundos cheios de cor, jardins floridos,
Vales de luz, repuxos coloridos,
Suntuoso amanhecer iluminado...

Vejo caleidoscópios estendidos
Nas amplas várzeas... passa um bando alado
De pintassilgos. Fico apaixonado
Com tudo o que extasia os meus sentidos!

Rápido tomo a decisão confiante:
“– Vou para lá e ponho os pés adiante...”
E parto a toda – qual corcel sem freio...

Porém, de perto, imperfeições tamanhas:
Contemplo com o olhar coisas estranhas
E este mundo se mostra muito feio!

17.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - SONHOS




Sonhos


A conquistar temos à frente um mundo
Que se abre indefinido e contagiante
Com seus segredos de teor profundo,
Umas vezes cruel e anavalhante.

Mudado em sonhos, torna-se fecundo
E mora sempre em um local distante...
E de tais sonhos meu viver inundo
Para deles tornar-me um ser amante.

Marujo venço os mares sorrateiros
E, às vezes, com o denodo dos romeiros,
Conquisto, a passos, insondáveis léguas...

Somente para ter, ao fim do dia,
No Altar da Natureza, uma Poesia,
Onde as rimas de luz, feliz, entrego-as!

17.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - PESSIMISMO





Pessimismo


Atrapalhado vou catando os cacos
Das minhas esperanças. Ser poeta
Faz que a tristeza seja mais concreta
E os sonhos – de ilusão – se tornem fracos.

A alma sempre caminha irrequieta
E os olhos, ao prazer, estão opacos...
Nos atalhos, desvio dos buracos
Para chegar de forma mais discreta.

Inofensivo a ataques e conchavos,
Busco sempre o trabalho dos escravos,
Para alcançar em luz a liberdade.

Mas sempre a perseguir-me o pessimismo:
Os pés caminham margeando abismo
E, frente ao sonho, sempre existe a grade.

17.04.2001




Esio Antonio Pezzato

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16 de fevereiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS - PIRATARIA




Pirataria

Quebro o silêncio, solto a lira ao vento,
E contamino o céu com minha voz.
Desencadeio idéias do retrós,
E ponho os pés no próximo momento.

Das palavras retiro meu sustento,
E fico forte, firme, sou feroz!
Frente ao espelho, em frente a mim, sou nós
Para amarrar a noite e o Firmamento.

Coloco a idéia que me vem sangrando
Frente à necessidade, indago o quando.
Suicido-me no mar da noite nua.

Espírito – vagueio como errante
E ao sentir-me soturno navegante,
Estendo velas e saqueio a lua.

27.01.1999



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - DOR CONCRETA




Dor Concreta

Sofre o Poeta e mesmo assim procura
Formalizar em cantos sua crença.
Porém, em tudo existe a indiferença
E o homem sofre, e o homem chora e se tortura.

À longa estrada longa da Ventura
Cabisbaixo o Poeta sofre e pensa
Que a amizade é a maneira mais intensa
Para viver a sua vida pura.

Porém, a solidão paira nos ares,
E o Poeta, sofrido em seus pesares,
Repete a rima básica que existe

Na ordem concreta em que o amor lhe fala.
Mas a esperança é posta numa vala
E a vida é triste, e seu viver é triste.

05.12.2001





Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - ENGANO




Engano


Há muitos anos esta dor insiste
De forma a me ferir intensamente.
Parece até que a dor é uma semente
Que brota dentro de minh’alma triste.

E a vida a este sofrer já não resiste,
Pois ela anseia ser feliz somente.
Se é ilusão na vida ser contente,
Como é que para mim ela inexiste?

O pensamento ferve, me atormenta!
Neste torpor o cérebro fermenta
E parece explodir de forma insana.

Oh, alegria, que só penso tê-la,
Se fores pelo céu alguma estrela,
Vê se teu rebrilhar também me engana.

05.12.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - ESTUDO




Estudo

Para a Poesia, além da inspiração,
Necessita-se técnica apurada.
Uma rima com brilhos engastada
– Rubi que pulse como um coração!

E o verso, como lírica oração,
Entoado por alma apaixonada,
Numa seresta em noite enluarada,
Tece a rir, para o amor, uma canção.

Mas precisa ser feito com carinho,
E o verso deve ser puro e perfeito
Para agradar o amor que se conquista.

Pois a Poesia, ao longo do caminho,
Deve, do coração, tomar o jeito
Para mostrar o amor de todo artista.

Gramado RS, 18.10.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - FINADOS




Finados

Finados se apresenta novamente
Da sua forma lacrimosa e triste.
Traz a saudade, que não mais resiste,
De uma presença que se faz ausente.

Consuma o pranto e o coração em riste
Reserva a dor que fere insanamente.
E cada lágrima é uma tocha ardente
A iluminar o que já não existe...

Vejo tumbas ao longo das calçadas
Onde fotografias desbotadas
Recordam um passado triste e morto...

Mesmo o meu coração, todo ansiedade,
– Mar de lágrimas cheio de saudade, –
Está sem pressa de adentrar o Porto!

01.11.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - VELHA LEMBRANÇA




Velha lembrança


No tempo de meu Pai, este quintal
Tinha curiós, papa-capins, canários,
Que emolduravam líricos hinários,
Usando etérea escala musical.

Era mesmo um sublime festival
Das tantas aves com seus cantos vários.
Parecia que um mago Stradivárius
Ensaiava um concerto magistral!

Hoje as rolinhas, com suaves danças,
Da minha Mãe com suas mãos crianças,
Chegam para a quirera que as atrai...

As gaiolas, porém, estão vazias
E, contemplando-as no escaldar dos dias,
Sinto enorme Saudade de meu Pai!

01.11.2001



Esio Antonio Pezzato

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14 de fevereiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS - DISFARCE



Disfarce


Tu que ouves os meus versos e procuras
Neles achar razões de sofrimento
Deves saber que posso, num momento,
Ocultar minhas tristes desventuras...

Portanto não irás achar agruras
Nem a alma amofinada no tormento;
Faço, sim, o meu próprio mandamento
De só me revelar em coisas puras.

Disfarço muito bem: leve sorriso
Representa “estou bem”, “oi, belo dia”,
Diz que deixei a minha dor em casa.

De angústias o meu verso é sem aviso.
Se intimamente vivo na agonia,
Até meu coração mostra-se em brasa.

17.03.2001




Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - PARA O MEU AMOR



Para o meu amor


O meu amor merece (em êxtases eu digo)
O melhor que possuo e posso dar... merece
Dentro em meu coração aveludado abrigo
E minha voz num canto a adormecê-la em prece.

Mil canções de ninar, e cantigas de Amigo
Dos tempos medievais, beijos de minha messe,
Violinos a planger quando segue comigo
Por campos de luar onde Vênus floresce.

Merece ter em paz, calma e serenidade,
Meu sorriso sincero e meu olhar que brilha
Quando a buscá-lo vai, nas ruas da cidade.

E feliz por lhe dar do que possuo tudo,
A vida para mim é eterna maravilha,
Quando num beijo ardente – eu permaneço mudo!

10.08.1998




Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - DESEQUILÍBRIO



Desequilíbrio

Na balança em que Deus pesa montanhas,
Pus-me um dia a pesar os meus amores:
Num prato coloquei vasos de flores
E noutro coloquei minhas entranhas.

Então pus-me a pesar profundas dores,
Depois minhas visões fundas, estranhas.
E revi minhas sombras, minhas sanhas
E os caminhos que vi de várias cores.

E não houve equilíbrio entre os dois pratos,
Total desequilíbrio a cada instante.
Tentando, num só nível, ver um todo,

Até meus pés usei como artefatos,
Mas foi desequilíbrio tão constante,
Que meus pés afundaram-se no lodo.

Gramado, RS, 19.10.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - TEU CORPO





Teu corpo
(cântico de Salomão)

Teu corpo, na moldura de uma cama,
É o delírio maior que há neste mundo.
A ele me entrego com amor profundo
E o possuo no dogma de quem ama.

Teu corpo entre delírios se esparrama
E eu o devasto em meu amor fecundo.
Com sementes de vidas, eu o inundo
Dele sentindo toda a ardente chama.

Teu corpo, meu amor, é minha crença,
O meu delírio da paixão imensa
Que tanto me alucina e me entorpece.

Teu corpo é meu altar e tanto o quero
Que, em transe, de joelhos, o venero
E apaixonado teço a minha prece!

27.09.2001


Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - SOMBRA DA SAUDADE



Sombra da Saudade


Dói a saudade... e ela dói tanto, e tanto,
Quando vai transformada numa ausência,
Que tudo se transmuda em mar de pranto
E, ao coração, não vale a condolência...

Dói a saudade... e tudo, em cada canto,
Parece remoer na consciência...
E este sofrer nos cobre com o manto
Da solidão em forte persistência.

E tudo dói com tanta intensidade
Que enfim nos vemos presos da agonia
Numa prisão de intransponível grade.

Mas tudo se transforma em certo dia
E até a imensa sombra da Saudade,
No coração, explode em melodia.

24.04.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - FINAL DE AGOSTO



Final de Agosto

Este rosto que a mim se mostra feio,
Rugas na testa, faces encovadas,
Comediante das longas madrugadas,
Lábios cerrados, sem nenhum anseio,

Sisudo, austero, de expressões geladas,
A contemplar perdido devaneio,
Já teve outrora o palpitar do seio
E já teve paixões desenfreadas...

Este sou Eu! No espelho me contemplo
E assim me vendo mostro ser o exemplo
Daquilo que não fui sonhando ser.

E, ao sentir que a esperança não existe,
Sequer a sombra de um sorriso triste
Consigo dar para sobreviver!

31.08.2001



Esio Antonio Pezzato

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12 de fevereiro de 2010

SONETOS IMPERIAIS - DEFEITO



Defeito


O Poeta, na sua insanidade,
Procura que procura – em transe imerso –
Uma palavra para que seu verso
Seja um hino de Amor e de Verdade.

Às vezes voa às vagas do Universo
Para compor a sua realidade.
Por outras vê-se preso em férrea grade,
Enquanto o pensamento vai disperso...

Nem sempre ele consegue em sua busca
Encontrar o vocábulo perfeito
Para erigir o Sonho que arquiteta.

Porém, nunca o desânimo o chamusca.
Quanto mais em seu verso vê defeito,
Mais aguça o prazer de ser Poeta!

29.08.2001



Esio Antonio Pezzato

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SONETOS IMPERIAIS - CAPÍTULO



Capítulo


Cada dia que passa é tão-somente
Um capítulo apenas da existência...
De nossa vida – um elo da corrente
Que às vezes nem nos chega à consciência.

Cada dia que passa é uma semente
Que contém os mistérios da ciência...
Porém, rápido passa e, insanamente,
Mal percebemos sua consistência...

E a vida é feita assim de tantos dias
Na reprise monótona que avança
Para um final que a gente não conhece.

Ao fim de tantas tramas e utopias,
No último ato, sequer resta a esperança
Para fazer a derradeira prece.

23.08.2001


Esio Antonio Pezzato

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Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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