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31 de julho de 2010

ALMA DA PALAVRA II




II


Eis a Palavra, e ela se mostra fria,
Quando verbete em velho dicionário.
Porém, falada, envolve-se em magia,
Tomada de vigor extraordinário.

Transmuda-se feroz nesta alquimia
Sai do apogeu ao fúnebre Calvário!
Vigorosa, fatal, densa, vazia,
Eis a Palavra em seu itinerário!

São sete letras – fortes como o aço!
Três vocálicos sons – no estardalhaço
Ferem e matam, dão Poder e Glória!

De tudo o que se pensa e se escalavra
Resta somente, a pálida Palavra,
Para contar o que ficou na História!




Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA - I




I


Das Palavras confesso-me um intruso,
Pois todas elas trazem seu segredo
Que às vezes deixam o homem no degredo
Quando faladas com maléfico uso.

Usando-as para o mal causam abuso
E proferidas vêm provar o medo.
Por vezes deixam o sentido azedo
Se para atalhos a dizer conduzo.

Eis a Palavra sorrateira, fria,
Condutora de enganos e agonia,
Que trago preso dentro da algibeira.

Eis a Palavra que profana tudo!
E é preferível ter papel de mudo
Que fazê-la de nossa prisioneira!


Esio Antonio Pezzato

29 de julho de 2010

PEDIDO DE DEMISSÃO DA APL


Pedido de demissão da APL

Fazendo parte da Academia Piracicabana de Letras desde 1993, até 2009, tempo esse em que ela viveu praticamente inativa, em junho de 2008 em conversa com seu ex-presidente dr. Antonio Henrique Carvalho Cocenza, ficou estabelecido que eu, Esio Antonio Pezzato, funcionário público municipal, em acordo com a Secretaria de Ação Cultural, passaria a dar expediente na Sede da mesma para uma revitalização que se fazia necessária.
E durante esse tempo em horário comercial estive presente em suas instalações, atendendo consulentes, ministrando aulas de literatura e até ajudando, parcamente, em sua re-estruturação, que tende (o verbo vai de presente do indicativo mas poderia ir de pretérito imperfeito do indicativo) a acontecer a partir de agora com a eleição de nova Diretoria.
Acontece que o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, Pedro Caldari, querendo deixar suas instalações livres de entulhos, atulhou as dependências da Academia com livros, papéis, móveis e outras coisas, e passou a proibir minha entrada em meu local de trabalho, para onde fui designado por ordem superiora.
Não tendo nada contra mim falado pessoalmente, sempre usando para seu mister apenas subalternos como a própria ex-funcionária da Academia, Eva, hoje locada no próprio Instituto, e a Senhora Odila, sendo que a primeira me agrediu verbalmente, por sua falta evidente de educação e cultura, tirou a chave que estava em meu poder, e quando tentei falar pessoalmente, apenas ficou nervoso, gritou, esperneou, sarabandou impropérios contra mim e contra o ex-presidente, que por diversas vezes teve que interferir, juntamente com os senhores Waldemar Romano e Elias Sallun a meu favor.
Agora com a eleição de nova Diretoria, pensei que fosse ter paz! Mas assim que retornei de minhas férias regulares fui novamente impedido de adentrar nas instalações da Academia pelo mesmo Senhor das Chaves, Pedro Caldari. Tentei argumentar mas contra a ignorância impossível palavra de bom senso. Ele sequer teve e não possui hombridade para falar comigo olhando em meus olhos e fazendo uso de sinceridade, que é um termo que ele desconhece. Apenas manda subalternos para atingir seus propósitos mais sórdidos, baixos e ignominiosos. E assim agindo traz vilipêndios também à Instituição que preside com seus mandos, desmandos e descalabros unilaterais. Age de maneira insana e mesquinha, típico de um ditador, passando por cima de outros membros da Diretoria, que ignoram o que essa mente doentia está fazendo. Chegou ao cúmulo de enviar à Titular da Secretaria de Ação Cultural um pedido em seu nome, para que eu não mais pusesse os pés na Academia Piracicabana de Letras, onde ele não tem e nunca teve superioridade alguma e impedindo meu sagrado direito de ir e vir.
Mas eu acreditava nas reais intenções da nova Diretoria da Academia em preservar um funcionário capacitado para exercer tais funções. Pensava eu (tola ignorância) que iriam interceder a meu favor. Mas o que foi que vi? O silêncio imperar por uma parte da Diretoria, que ficou sobre o muro e não intercedeu para salvaguardar sua autonomia, hoje seriamente abalada, que deveria ter agido de bom senso e intercedido de maneira peremptória para que eu voltasse a ocupar meu posto de fato e de direito.
E diversas reuniões foram feitas, quando nada disso havia necessidade. Levaram até o assunto à Titular da Secretaria de Ação Cultural, que a meu ver nada tinha com isso. Era coisa de foro interno, bastava, tão-somente, uma ordem de forma imperativa, tipo: (O Esio é nosso funcionário, capacitado para exercer tais funções, e o queremos como nosso funcionário) mas não, um jogou o assunto para outro, um levou a coisa adiante e hoje após dias de espera, tenho a resposta evasiva, que de forma alguma preenche meus anseios. Sem uma carta explicativa dos reais motivos, (sinceros) de minha não continuidade no cargo. Pior ainda saber, através de informações a mim chegadas que, há mais de mês, tal decisão já havia sido tomada, sendo mesmo que um membro dessa Diretoria alardeou sem papas na língua, que eu não iria permanecer prestando serviços na mesma. E ainda ouvir verbalmente que seria defendido para minha permanência. Lamentável. E eu ainda participando de reuniões e tentando me defender de tais absurdos.
Pois sou recusado por uma Diretoria que pensei tivesse poderes para agir, mas que começa de maneira confusa e atrapalhada a tratar com os Acadêmicos que congrega. Sou jogado de lado, de escanteio, como dizem por aí. Um alguém que nada teria, ou não deveria ter de poder, intercede, comanda, acusa, usa de artifícios sujos e rasteiros, para impedir meu trabalho. E consegue!
Não houve sinceridade e jogo limpo. Não houve a mínima tentativa para tentar reter como funcionário, um literato que sairia graciosamente cedido para exercer funções referentes à Literatura. Passando os olhos em meu currículo, vejo que sou altamente qualificado. Quarenta anos em ativa, trinta e sete anos de publicação em nossa Imprensa, com doze livros publicados, mais de trezentas premiações no Brasil e em Portugal, participante ativo em outras Instituições sérias da Cidade, sendo mesmo na atualidade, presidente de uma delas e guindado à Diretoria de outra. Reconhecido por especialistas como um dos mais qualificados Poetas do Brasil, considerado aqui em Piracicaba pelo Príncipe dos Poetas Piracicabanos, que foi eleito por esta mesma Academia, como o seu futuro e legítimo sucessor. Com palestras em diversas cidades do interior brasileiro, como exímio declamador e conhecedor profundo da Literatura Brasileira e Portuguesa. Alardeado pelo gramático Hildebrando André como possuidor de inúmeras qualidades e virtudes... e mais ainda... que não vale ficar aqui falando. Sou mesmo considerado um literato de qualidades. Mas para exercer função na Academia... sou barrado por alguém que de forma alguma reúne mérito e qualificação para exercer o cargo para o qual foi guindado. Estou falando do energúmeno Presidente do Instituto, claro.
Esta carta poderia se alongar em mais e mais páginas, mas melhor parar por aqui!
Desta maneira concluo que: se não sirvo para exercer um Cargo funcional para a Academia, bem entendo que também não sirvo para fazer parte do quadro associativo da mesma. De uma Academia que prefere ficar fechada e a quedar-se sob jugo estranho a ficar aberta todos os dias e mostrar que está viva e como Phöenix, poderia reviver.
Assim sendo peço, em caráter irrevogável, minha demissão, deixando aberta para que outro mais capacitado venha a ocupar a Cadeira Francisco Lagreca. Tantos ficaram de fora. Que ela seja preenchida com a escolha certa.
Vai ser difícil desejar sucesso a uma Instituição que começa de forma errônea a traçar seus caminhos. Vai ser difícil compactuar com sua maneira de atuação, que pende, perde e entrega as forças e as chaves ao primeiro entrave. E nada faz para valer seus direitos. Nem de um seu agora ex-acadêmico, em sua primeira manifestação de apoio. Vai ser difícil acreditar que no futuro, ela seja digna de crédito e louvor. Que terá sua história limpa e escorreita. Sem máculas, que já foi perdida agora.
Perdemos todos nessa primeira derrota fragorosa desta ainda não gloriosa e não histórica Instituição. O futuro haverá de pesar os fatos e decidir por quem estava certo. Hoje acredito que sou eu. Amanhã terei a certeza de tal convicção, assim como meus ex-pares quando souberem de tal descalabro. Lamentável em todos os sentidos.
Espero que esta carta seja lida em reunião da Diretoria, mostrada aos demais Acadêmicos, e que seja guardada para no futuro ser mostrada como foi vergonhosa tal atitude.
Cópias desta carta serão enviadas a quem eu achar que devo. Portanto não precisam fazer segredo da mesma, pois eu mesmo a tornarei pública.


Esio Antonio Pezzato


Excelentíssima Senhora
MARIA HELENA DE AGUIAR CORAZZA
Presidente da Academia Piracicabana de Letras



23 de julho de 2010

PRÍNCIPE TIROLÊS




Príncipe Tirolês


Ao Príncipe Poeta eu faço uma visita
Em agradecimento a tudo o que lhe devo.
Entre nós a amizade é especial e infinita,
Coberto de ouro em pós relevo após relevo.

Do Príncipe recolho uma ideia bonita
Mas imitar-lhe o dom no verso não me atrevo.
O seu olhar azul com ter nura me fita
E a ele meu coração se desfaz num enlevo.

Oh, Príncipe imortal! tua alma de Poeta
Rima sons e canç ões de harmonia secreta
E não sei de onde vem essa paz soberana.

Mas por certo ela vez da dupla de princesas
Em em ternuras lhe dão amor em correntezas
E são dois corações: Santa Olímpia e Santana!

15.07.2010


Esio Antonio Pezzato

22 de julho de 2010

BALADA DO SOLITÁRIO




Balada do Solitário


Soluço versos de Dirceu
À minha doce e eterna amada.
Se seu amor não for só meu,
(Pobre de mim!) não sou mais nada.
Eu sigo só na madrugada
Sofrendo a dor de estar assim.
Minh'alma sofre agoniada
E eu sigo só meu triste fim.

Já fiz loucuras de Romeu
Ao elegê-la minha Fada.
Tomei da Lira... fui Orpheu,
Mas ela olhou-me e desprezada
Deixou minh'alma abandonada
Qual rosa triste num jardim.
– A minha noite está entrevada
E eu sigo só meu triste fim.

Se ela soubesse quem sou eu
E lesse um dia, esta balada,
Se desse vida ao que morreu
Abandonado em longa estrada...
Se ela com a voz apaixonada
Ao meu amor dissesse sim...
Mas ela passa e vai calada
E eu sigo só meu triste fim.

Oferta:

Oh! minha Musa idolatrada
Por que não vens junto de mim?
A noite é fria, atra, gelada,
E eu sigo só meu triste fim.


Esio Antonio Pezzato

BALADA DA PAIXÃO




Balada de Paixão

Airoso Sonho me envaidece
E faz cantar o coração
Uma sublime e doce prece
Numa balada de paixão.
Canto feliz esta canção
E paz imensa me inebria;
Vivo no mundo da Ilusão,
Vivo nos braços da Poesia!

E cada rima se parece
Com as lindas penas de um pavão
Que ao ver a fêmea um leque tece
Em sua doida exaltação.
Um sonho trago em cada mão
No reflorir de novo dia,
Vivendo tal contemplação
Vivo nos braços da Poesia!

E dia a dia em mim mais cresce
Este prazer como oração;
O amor dá frutos nesta messe
E se faz trigo e se faz pão.
Por isso nesta exortação
Minh'alma canta e se extasia.
E ao ter na vida esta emoção
Vivo nos braços da Poesia!

Oferta:

Oh! minha Amada, é com razão
Que a alma feliz, se contagia
E ao ter do amor esta explosão
Vivo nos braços da Poesia


Esio Antonio Pezzato

MARINHA




Marinha

É noite de lua cheia –
Sozinho piso na areia
Do mar que lento, desliza...
Aspiro o ar da madrugada
Que veio sem dizer nada
Na suave essência da brisa...

Estou sozinho... o amplo espaço
É das estrelas regaço
Feito de tule e cetim.
Vai uma onda... vem outra onda...
O céu – brilhante Golconda! –
Brilha mais perto de mim.

Nuvens refletem na praia...
– Lembram lençol de cambraia
De meus tempos de criança...
Sozinho, a felicidade
Tem um gosto de saudade
De uma remota lembrança...

O mar – gigantesco espelho –
(Eu também nele me espelho!)
Reflete estrelas sem par...
E fico a contar estrelas
Pois enquanto posso vê-las
Eu bem sei que posso amar.

Confundo, entre brilhos tantos,
Poemas, versos e cantos
Que possuo dentro d’alma.
Faz silêncio. O mar me anima:
– Engasto o meu verso à rima
Em odes plenas de calma.

Vejo navios ao longe...
– Lembram procissões de monge
Com contas cheias de luz.
Há no ar um cheiro de incenso...
O mar é sublime, imenso,
Distante – o porto reluz...

Penso em buscar outros mundos
Onde sonhos mais profundos
Povoem a minha vida...
Quero amor e quero glória...
Quero fechar minha história
Numa concha colorida...

Mas na linha do horizonte
A vista faz uma ponte
E não consegue atracar...
Percebo que estou sozinho
E solitário caminho
Buscando alguém para amar.

Ouço vozes estrangeiras...
Desconhecidas bandeiras
Tremulam no céu aberto.
Avisto homens tatuados,
Corpos brilhantes, bronzeados,
Passam por mim, muito perto.

Para mim, que, penso absorto,
Olhando as luzes do porto
Nesta enorme solidão:
Tantas vozes diferentes,
Fariam eles contentes
Ouvindo minha canção?

Entenderiam meus versos;
Se ouvissem cantos diversos
Parariam o trabalho?
Ah, minha rima vadia
Somente em minha poesia
Consegue ter agasalho!...

Vou partir... sem esperanças –
Oh! Mar! Impávido lanças
Sem ouvir minha canção.
No silêncio me recolho
Com ferro faço um ferrolho
E prendo o meu coração...

25.08.1991


Esio Antonio Pezzato

21 de julho de 2010

A MINHA ÁRVORE



A minha árvore

Tenho nas mãos punhados de sementes
Para semear nos campos adubados,
E delas nascerão árvores esplendentes
Que irão povoar a terra em verdes reluzentes
Onde hoje existem vales ressecados.

Faço covas no chão, e em cada cova planto
As sementes que trago em minhas mãos nervosas.
Com o coração feliz, no peito – canto!
E com o adubo faço um régio manto
E sinto ao meu redor – um perfume de rosas!

Rego com água fresca a cova pronta
E espero advir, ansioso, dia a dia,
A terra arrebentar... e espero... em ânsia tonta,
Em êxtase, a minh'alma, em sonhos se amedronta
Ao ver surgir o início da alquimia.

Tenro, frágil, humilde e fraco, à vida exposto,
Às intempéries, rijo e forte, vai vencendo!
Seu futuro de folhas mostra o rosto,
E pelo espaço vai tomando gosto
Pelos beijos do sol há delírio tremendo!

E ei-la forte alcançando o azul aéreo
Abrindo em largo leque a sua rama!
Bandos de aves no céu, desvendam seu mistério,
E sentindo o calor de maternal império
Cada bico em allegros geme e clama!

Eis a árvore frondosa a espalhar pelo campo
Sua soberba luz com fulgores de verde!
Bela, sem par, no mundo largo, escampo,
Brilhando à luz azul do pirilampo
Na imensidão sem fim que por tudo se perde!

A árvore que plantei, hoje, altaneira,
No vale seco, pobre e desmatado,
É o mais lindo exemplar da flora brasileira,
É o asilo de sombra, – é esverdeada bandeira, –
– Oásis para quem se vê cansado.

Eu, em seu largo tronco, às vezes, num abraço,
Deste meu coração mostro a alegria imensa,
Depois, feliz, repouso em seu regaço,
E cada galho seu se mostra um braço
E tenta me embalar com baladas de crença!

Que jamais mãos profanas e impiedosas
Venham roubar a sua carne, um dia!
E ela contemple sempre, alvoradas preciosas!
E em primaveras vibre em flores majestosas
Numa explosão de luzes e magia!

20.09.1997



Esio Antonio Pezzato




Camping Casarão
(Itu)


Choveu a semana inteira,
Mas hoje – imenso farol! –
A manhã brilha faceira
Nos mais escondidos cantos,
E entre aleluias e encantos
Soberano brilha o sol!

As cores da Natureza
Revibram suas raízes...
Parece que há, com certeza,
Nesta paisagem tão bela,
Um pintor pondo na tela
Cores de várias matizes.

Nas árvores verdejantes
Numa explosão que seduz,
Aves em árias amantes
Solfejam seus cantos vários:
– Ticões, coleiros, canários
Ficam ciscando na luz.

O dia de sol é lindo!...
Os garrulos das crianças
Deixam o mundo sorrindo.
Num passo leve, perdido,
Ponho o passo distraído
Indo buscar esperanças...

A vida se faz mais bela
Numa conversa informal!
Como imensa caravela
A navegar no infinito,
A nuvens – no azul bonito! –
Levam Colombo ou Cabral!?

Com olhos abertos sonho
E a vista se contagia
Por este vale risonho.
Neste recanto de terra
A panorâmica erra
Nas rimas de uma poesia.

O espírito às vagas anda
E fora do corpo sai...
Perdidos pela varanda
Os olhos seguem captando
A imagem sem onde ou quando
Da tarde que lenta, cai...

E o som minh’alma consola
E para longe vagueia
Uma perdida viola
N’algum recanto escondida,
Parece que põe mais vida
Na tarde que devaneia.

Recorda uma cachoeira
Fazendo chuá, chuá...
Porém, no pátio de areia
Lerdo e tardo tico-tico
Faz o meu mundo mais rico
Onde mil riquezas há.

Na sua simplicidade
Come o arroz que lhe ofereço...
E traz-me a felicidade
Como se fosse preciso,
Pois aqui é o Paraíso
Onde a vida não tem preço.

Me tira deste revide
Deste acordado sonhar
O João Baptista Athayde,
Que chega em seu alvoroço
E me chama para o almoço
Só para depois – vadiar...

Vêm o Geraldo e a Thitaka,
O Eidi, a Naomi, o Adriano,
Simone armando a barraca
Vai fazendo enorme festa...
– É uma algazarra de orquestra
Em cada final de ano!

Eu mais a Ana Maria
Em meio a tanto prazer,
Passamos dia após dia
Na diversão mais completa:
Ela me faz mais Poeta
Com mais ânsias de viver.

Esio, meu Filho, sorrindo,
(Nada existe aqui que o queixe)
Com seu sorriso mais lindo
Vive preso na alegria,
Pois volta da pescaria
Sempre trazendo um bom peixe!

A alegria fulge n’alma
E a carrega de ilusão.
Do silêncio brota a calma
E o verso num rumo escampo
Brota nos vales do campo
Que é o Camping Casarão!

O Marcus, seu proprietário,
Neste recanto encantado
Põe luz ao nosso fadário
E então – Poeta em retiro, –
Passo os dias em suspiro
Completamente inspirado.

No restaurante a Francisca,
André, Zé Carlos, Gabriel,
E a turma toda petisca
Nesta alegria sonora:
– E no viver de cada hora
O prazer nos é fiel!

E a conversa solta corre
Nesta sem fim alegria...
O lerdismo aos poucos morre
Na tarde abafada, lenta...
E minh’alma sonolenta
Bota fim nesta poesia.

07.01.2000


Esio Antonio Pezzato

CANÇÃO DA NOITE




Canção da Noite


O silêncio da noite é uma canção antiga:
– Quanto mais toca mais parece minha amiga.

É uma canção de paz recheada de ternura,
Que me convoca para o mundo da aventura.

Brinca sem ter ninguém, transforma-se em soluços,
Enquanto, insone, varo o badalar de bruços.

É mera guardiã desta canção disforme:
– Soa soturna enquanto a alma em silêncio – dorme!

Às vezes se transmuda em rima de poesia,
Mas evapora assim que em brilhos raia o dia.

Coruja – passa o dia inteiro empoleirada
Num ramo de jasmim florido na sacada.

Brinca de bem-te-vi na metálica antena,
Porém, não vê ninguém – some e a distância acena.

Se chama solidão – anda em qualquer caminho,
Porém, não sei porquê fez em casa seu ninho.

Quer comigo morar, quer andar de mãos dadas,
Porém, para seguir, tenho milhões de estradas.

Com voz de violino esta canção antiga
Em rimas vem brincar, passando-se de amiga.

E eu poeta que sou e sabendo-me dela,
Vou me deitar, apago a luz, fecho a janela.

17.19.1998


Esio Antonio Pezzato

18 de julho de 2010

REVISÃO




Revisão




Revendo os meus amores na memória
Revejo que ficaram muitos fatos
Que deveriam ter melhor história
Pois no momento não lhes dei bons tratos.

Revendo então o que não teve glória
Nem merecesse ter porta-retratos,
E terminou de forma merencória
Como todas as peças de maus atos.

19.10.1997


Esio Antonio Pezzato

NAUS



Naus


Os destinos das naus são perscrutarem
Os desertos marítimos de sonhos
Para após dia após dia encontrarem
Portos desconhecidos – mas risonhos.

Eu – mar encapelado de ondas turvas, –
Acolho as naus que vagam seus destinos,
E nas montanhas da minh'alma – curvas! –
Embalo sonhos badalando sinos.

15.11.1997


Esio Antonio Pezzato

DESCONHECIDO




Desconhecido


Um dia a vida acaba e começa o Mistério
Que ninguém imagina, ao menos, como seja.
A alma voa ao Espaço amplo, Infinito e Etéreo,
Num invólucro azul de graça benfazeja.

Se se nasce outra vez para esta vida, penso
Que a Alma é uma sombra a mais, é uma luz que destila
Para outra vez nascer sob a nuvem de incenso
Entre beijos do sol numa manhã tranqüila.

Penso, às vezes, ser outro a viver minha vida,
Viajo sem parar e sempre permaneço
Sem dar um passo só do ponto de partida,
– Viagem que não tem final e é sem começo!

Vejo oásis de luz – desconhecidos mundos,
Que em noturno passeio, em transes, eu visito.
Fulgurantes visões e sonhos mais profundos,
Onde não se ouve a voz e tudo sai num grito!

12.03.1987


Esio Antonio Pezzato

16 de julho de 2010

PANTUM



Pantum


Ao ver a noite que me chega triste,
E que me cobre com seu negro manto,
Minha felicidade não existe
– Da vida só carrego desencanto.

E que me cobre com seu negro manto
Colocando a tristeza na minh’alma...
Da vida só carrego desencanto
E nada, nada o coração me acalma.

Colocando a tristeza na minh’alma
Lembro-me de meus trágicos amores.
E nada, nada o coração me acalma
E sofro com a lembrança destas dores.

Lembro-me de meus trágicos amores
Que rompendo a manhã iam-se embora.
E sofro com a lembrança destas dores
Todos os dias quando surge a aurora.

Que rompendo a manhã iam-se embora
E eu ficava sozinho com meus sonhos.
Todos os dias quando surge a aurora
Meus pensamentos tornam-se tristonhos.

E eu ficava sozinho com meus sonhos,
Sofrendo a angústia de um constante inverno.
Meus pensamentos tornam-se tristonhos
Sem ter quem me ofereça um sonho terno.

Sofrendo a angústia de um constante inverno
Eu busco a primavera colorida.
Sem ter quem me ofereça um sonho terno
Ao pesadelo atroz entrego a vida.

Eu busco a primavera colorida
Cheia de flores, com festões doirados.
– Ao pesadelo atroz entrego a vida
Pois meus sonhos estão desesperados.

Cheia de flores, com festões doirados
Vejo a vida seguindo seu destino.
Pois meus sonhos estão desesperados,
E n’alma só carrego desatino.

Vejo a vida seguindo seu destino
– Minha felicidade não existe!
E n’alma só carrego desatino
Ao ver a noite que me chega triste...


Esio Antonio Pezzato

AMOR FEITO LOUCURA




Amor feito loucura


A alma explode de amor e entre harmonias canta
O desejo sublime e estonteante de amar!
E notas musicais ferem minha garganta
Em desejos subtis, e tudo se agiganta
Na alegria sem par!

Amo! e é tamanho o amor que sinto no meu peito,
Que madrugadas passo olhando para os céus!
Conto estrelas a rir, caminho satisfeito,
E aos reflexos da lua o mundo todo estreito
Pois os sonhos são meus!

O coração palpita e em sonho desabrocha!
Versos de uma canção dizem que sou feliz!
Do mundo sei-me Deus! sou forte como a rocha,
Em cada olhar acendo uma brilhante tocha
E invento meu país!

Todo o Universo se abre e palpita em desejos,
E eu me sinto o Universo e palpito em prazer!
A cada estrofe mando esfusiantes beijos
E entre as constelações há brilho e festejos
Na glória de viver!

A ninguém interessa esta minha alegria...
E muito menos deve o meu supremo amor
Desconfiar que passei rimando esta poesia
Para lhe dar... pois ela, em sua fantasia
A lerá sem candor...

Por certo me dirá que mais pareço um louco,
Mas louco sei que sou e me sinto feliz!
Porém, se o meu amor lhe for errante ou pouco,
Ao mundo irei cantar, até que fique rouco,
O que o meu verso diz:

Amo! e é tamanho o amor que sinto no meu peito
Que madrugadas passo olhando para os céus!
Conto estrelas a rir, caminho satisfeito,
E aos reflexos da luz o mundo todo estreito
Pois nos sonhos – sou Deus!

17.09.1998


Esio Antonio Pezzato

LITURGIA DO TEMPO




Liturgia do Tempo



À alegoria rápida do tempo,
Contemplo, pensativo, o meu relógio,
Que avança rotineiro seus segundos
Numa cadência igual que se repete
Minuto após minuto após minuto.

Pronto. Outra vez completa o ciclo. Pronto.
E monótono passo contemplando
Sua agonia que se faz intérmina.

O calendário se divide em meses,
Mas para que risquemos um só dia,
Mil quatrocentas e quarenta vezes
Os segundos rodaram em seu eixo.

Ao espelho o meu rosto se reflete,
E uma dúvida paira em meus sentidos:
– Eu me vejo no espelho refletido
Ou a imagem no inverso é que me fita
E faz que em vice-versa nos vejamos?

Coloquemos atrás de nosso corpo
Um outro espelho para refletir-se,
E então veremos multifacetadas
A sucessão intérmina de nós
Em busca de infinitos pelo tempo.


Sou sempre o mesmo e sempre igual em tudo,
E ao avanço dos rápidos segundos
Não percebo que estou a envelhecer-me.
– Para o envelhecimento são inúteis
Espelhos, calendários e relógios.

O precoce das folhas e das flores
Dão-me a noção exata da vertigem
Frente à imortalidade que supomos
No frigir do que eterno nós pensamos.

Alucina pensar neste momento
Que os versos serão vivos no porvir
E serei tão-somente assinatura
A encabeçar o cimo dos poemas
Quando o futuro se fizer presente
E eu estiver morando no passado.

O que passa mais rápido na vida:
Uma flor que fenece em poucas horas,
As mariposas revoando lâmpadas,
A água dos longos rios tortuosos,
O fluxo das marés e seus refluxos,
O sol que nasce à Leste e morre à Oeste
E faz que de maneira muito estranha
O hoje seja amanhã lá no Oriente.
A longa liturgia dos segundos,
A obra que fica enquanto o artista passa;
– O que é mais importante e valioso:
A obra feita ou o artista que a compôs?
– Talvez o artista seja necessário,
Mas o fundamental é ter-se a obra.

Voltando à teoria relativa
O que passa mais rápido na vida?
– Um livro lido permanece vivo
E seus leitores passarão, um dia...
É tudo vã loucura, devaneios,
A mente em febre, em elocubrações,
Pondera, inquire, pensa, exsurge em medos,
E continuo a ser só um Poeta
Retendo decassílabas memórias
Nas histórias de todos os sonetos.

Vou à rua e contemplo, pensativo,
As nuances das horas vespertinas.

As fábricas apitam fim de turno.

Os carros passam apressadamente.

As crianças felizes vêm das aulas.

Todo o céu se colore com as pipas...

Os homens voltam sujos, cansativos,
Após árdua jornada de trabalho,
Esperando encontrar após o banho:
O jantar pronto sobre a mesa posta,
Televisão ligada na novela
E um gozo cotidiano sem prazer.

A noite chega iluminada em luzes...

Eu, Poeta, resumo tudo em versos
Na cadência de métricas sem rimas,
Despreocupado com a Eternidade
Que ao certo nem meu nome irá poupar.

15.08.1997


Esio Antonio Pezzato

15 de julho de 2010

PÓRTICO




Pórtico



Jamais pude conter a fúria de minh’alma
Que em versos extravasa a vida que me ensalma...
Sinto explodir em mim os anseios da Lira
E imensa inspiração de meus poros transpira.
E escrevo com ardor tudo o que me ilumina –
O desejo de paz, o amor que me domina,
A calma, o riso, a fé, que em meu peito palpita,
O pranto, a angústia, a dor e a saudade infinita...
A calma com que o tempo estuda as suas formas,
O sorriso que traz o amor com outras normas,
A fé – bênçao divina! – em esplendente prece
Que tanto me faz bem e tanto a gente esquece.
Porém, tudo em minh’alma em fúria animalesca
Faz que ressurja em mim a forma mais dantesca
Do rpanto – derradeiro anseio da piedade,
E da angústia e da dor que só me dão saudade.
Saudade – gosto amargo em minha doce boca,
Anseio de sentir numa esperança louca
O momento de amor sublime, delirante,
Que fazia de mim o mais sincero amante!
Mas tudo passa, passa, evapora e fenece:
E o que de bom foi feito a gente sempre esquece,
Nem se recorda mais... porém, do mal profundo,
Eu sou capaz até de fecundar o mundo
E revolver – fugaz! – as cinzas do passado
Que me deixou tristonho e me deixou magoado,
Para bradar aos céus, numa desesperança,
Mortífera palavra a que traduz – vingança! –
– Eis porque não contenho a fúria de minh’alma
Que em versos extravasa o que a vida me ensalma!

17.08.1978


Esio Antonio Pezzato

DEDICATÓRIA



Dedicatória


Quero que minha Poesia
Qual sonora melodia
Vá das cidades aos campos,
E à minh’alma seja eterna
Tal qual a azúlea lanterna
Dos graciosos pirilampos.

Como um canário canoro
Seu canto seja sonoro
Com seus versos rendilhados.
E como sempre acontece
Ela penetre qual prece
Nos peitos apaixonados.

Minha Poesia – quem dera!
Florir igual primavera
Com flores de mil matizes.
E perfume o vale e a serra,
Todos os cantos da terra
Deixando os homens felizes.

Como criança radiosa
Tenha as faces cor-de-rosa
Na paixão que tudo invade.
E possa ao ser declamada,
Deixar em sua jornada
Mundos de felicidade!











Que seu canto seja vário
Como antigo campanário
Que à minh’alma de menino
Sempre traz – doce balada! –
Uma ternura dobrada
Ao som de etérico sino.

Que tenha os timbres da orquestra,
Que no coreto faz festa
Em canções de muito gosto.
E que anuncie, sorrindo,
A primavera florindo
Ainda em meados de agosto.

Que traga em cantos marcados,
Solfejos dos avinhados
Já em época de cria.
E soletre em seus carinhos
O níveo chilrear dos ninhos
Nos pomares de alegria.

Porque a Poesia floresce
Numa sinfônica prece
Das vozes todas do mundo;
Tem amor – de amor é feita!,
E perfuma na colheita
Com carinho e amor profundo.

Por isso os versos rendilho
Em meus olhos trago o brilho
E o alvorecer da esperança,
E sendo meus versos lidos,
Abro em luzes os sentidos
E sei-me alegre criança.













Na alegria destes sonhos
Viajo a vales risonhos
E me acabo num sorriso,
Minha Poesia – presumo,
Segue pintalgando o rumo
Que conduz ao Paraíso.

Deste Sonho não me livro;
Eis portanto um novo Livro
Com meus versos publicados:
E espero que eles reunidos
Possam deixar coloridos
Os sonhos apaixonados.

15.08.1998


Esio Antonio Pezzato

10 de julho de 2010

***



***


O momento absurdo da hora absurda
Carrega dentro de si pensamentos faraônicos
E num momento que para mim se faz irreal
Sinto que sigo perdido entre as plantas dos jardins da Babilônia
Tudo porém não passa de um alucinamento
E passado este momento
Vejo-me no Coliseu – vasto Circo de Roma! –
Com uma platéia delirante a ovacionar
Os famintos leões que me olham
Prontos para degustarem-me
Quando as portas forem abertas.

08.08.79



Esio Antonio Pezzato

DISTÂNCIA




Distância


tenho ultimamente
pensado muito em ti
porém a tua ausência
já se faz tão longa
e tão distante
que meu pensamento
aos poucos vai delineando
e esquecendo o teu rosto
que me lembrava tão bem
penso te ver um dia
em meu futuro
mas face a tantas mudanças
será que irei te reconhecer?

20.05.79



Esio Antonio Pezzato

DESEJOS




DESEJOS

Perlustro à noite o átrium desconsolador
Dos desconexos desejos incontrolados
Dos homens sem gabarito
Que como bestas soltas
Soltam ao léu seus gritos inescrupulosos.

Dói-me ver tanta barbaria
Descabida para um ser que se diz racional
Não compreendo e não compreendendo
Não creio que alguém possa compreender
Esta falta de moral
Que abate a alta sociedade
Escondida por muros de cifrões
Onde vivem porcos, canalhas e hipócritas.

06.07.79


Esio Antonio Pezzato

8 de julho de 2010

***




***


Chega a noite
E com ela chegam as fosforescências
Dos luminosos que arcoirisam as ruas.
Chega a noite
E o vício do pecado estruge
Nos balcões mal freqüentados.
As boates acolhem corpos e desejos,
E um maníaco sexual estupra a mocinha de quinze anos que saiu de casa pela primeira vez!...
Estupro?!...
O que é o estupro para uma criança-menina-moça-mulher
Que sabe tudo
Que sabe de tudo
Que faz tudo?
Dentro da noite fantasmagórica
Alegorias falsas invadem os cérebros cheios de álcool
E na madrugada
Quando o sol se agarra nas nuvens para poder brilhar
O que resta?
O que resta?
O que resta?
Restam as manchas de sangue
Da mocinha de quinze anos
Que saiu de casa pela primeira vez e... foi estuprada?

Restam o medo e o pavor
Dos futuros namoradinhos
Que irão querer usar seu corpo,
Resta o véu esgarçado da virgindade
Rompido pelo combôio que leva a vida no seu vômito,
Resta no corpo o gosto salgado
Das lágrimas choradas que imploraram em vão,
Resta a fumaça azúlea do cigarro,

Resta um mundo de medo e de pavor,
Resta o cheiro do álcool e do fumo,
Resta a lembrança e a esperança diluída...

Sonhos mortos
Palavras poucas
Corpo aberto
Manhã vazia
Garrafas vazias
Sol ardente
Boca torcida
Horas loucas
Caminho incerto
Passo tremente
Passo fremente
Passo demente
Paisagem incerta
Vida deserta.

Mas de tudo resta um pouco...
As serenatas dos violinos emudeceram
E sangrou a voz do poeta raquítico.

Os passos apressados que passaram
Perderam-se no meio da noite...

Na esquina um táxi briga com um passageiro que não quer
pagar a corrida,
Um ébrio caído na calçada
Traz no peito um coração ferido,
Numa casa ainda acesa
Ouvem-se um antigo sucesso dos Beatles
E eu não tenho o que recordar...

Aqui nesta mesa, neste bar,
Espero a vida passar
Espero o tempo passar
Espero tudo passar
Enquanto eu passo... e tudo fica...

12.10.79


Esio Antonio Pezzato

FANTASIA - pseudônimo - Emanuel Cansado




Fantasia


Na fantasia dos meus sonhos
Encontro a força total da minha realidade
E não consigo viver a realidade dentro do meu sonho
E em tudo a fantasia quer se tornar real
– Impossivelmente real.

18.07.80


Esio Antonio Pezzato

RESTOS - pseudônimo - Emanuel Cansado








Restos


Há névoas pela noite
Na noite há névoas
– Impossível fugir a esta plausível realidade
Da vida:
– Há névoa!

Os olhos embaçados
Não deixam o meu cérebro formar as imagens
Que os meus olhos querem ver.
Não posso estar de acordo com os desacordo da vida.

No chão há rastros
Há restos e rostos
E as cabeças que não conseguem levantar o corpo bêbedo do bêbedo.
– Há névoas.

As luzes penduradas nos postes estão opacas
E os meus olhos opacos
Não conseguem discernir os vultos
E a vida me parece um trapo,
Um caco de vidro
E a vida continua...
– Há névoas...



Esio Antonio Pezzato

4 de julho de 2010

MISTÉRIO



Mistério


A noite vem chegando. Abro a janela e vejo
O sol lançando à terra um último bocejo.
Ergo os olhos ao céu e vejo, qual magia,
Uma estrela a brilhar em cálida poesia.
Eis o mistério que eu procuro desvendar
E não consigo nunca, uma resposta dar:
– Por que o Sol, como um Rei, soberano e sublime,
É golpeado sem dó num horroroso crime?

25.05.1977


Esio Antonio Pezzato

CONTRASTE




Contraste


Malditos homens que na fúria imensa
Em vez de proclamarem uma crença
Bradam à terra, um crime sem perdão.
Será que não existe nesta Terra
O pavor pela dor que nos aferra
E em nossas vidas só nos dá aflição?

Por que os homens bons não fazem nada?
Não vê do herói a farda esfarrapada
Mas vê as medalhas que no peito traz.
Meu Deus! esta medalha nada importa,
No lar tem a família toda morta,
E em vão, aos superiores, clama paz!

É a lei da guerra hipócrita, maldita,
Misérrima, fatal, negra, infinita,
Que nos caminhos, mata por prazer!
É o fuzil que à rajada nunca falha...
Fica o herói – que ferido, não trabalha,
E a família sem ter o que comer!

E ainda bradam aos céus – Fraternidade!
Falta água, falta pão, oh! quem não há de
Sofrer, chorar, clamar numa oração,
Que a guerra – no futuro – fique lenda,
E ao recordar esta visão horrenda,
Tudo não passe de imaginação!

17.11.1976



Esio Antonio Pezzato

1 de julho de 2010

PARABÉNS PARA A MINHA AMIGA CARLA CERES




ABL divulga resultado do Concurso de Microcontos do Abletras

É com orgulho que informamos que a poetisa Carla Ceres de Oliveira Capeletti, foi premiada com o 2º lugar, no concurso promovido pela ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS – microcontos, com o trabalho:


Joguei. Perdi outra vez! Joguei e perdi por meses, mas posso apostar:os dados é que estavam viciados. Somente eles, não eu"


Link para o resultado do concurso na íntegra

http://www2.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=10369&sid=672


Esio Antonio Pezzato

NA BATÉIA




Na bateia

Este caminho que hoje em vão percorro,
Em busca de um passado inexistente,
Lembra o mesmo caminho diferente
Do qual em vão clamei pelo socorro.


É é tudo igual: recordo o mesmo morro
E a mesma sinfonia da nascente,
Mas a minha esperança sorridente
Junto à nascente, tristemente, escorro...


O mesmo atalho, mas o mesmo atalho,
Necessita de dias de trabalho
Para que eu possa palmilhá-lo a limpo.


E quem sabe encontrar – como cascalho,
Um sorriso de amor como agasalho
Jogado na bateia do garimpo.

25.09.1997



Esio Antonio Pezzato

SAUDADE - SONETO COM DOIS FINAIS




Saudade


(Um soneto com dois finais)



A saudade que às vezes nós sentimos
É a vontade de ter o que não temos.
É o que resta distante dos extremos
É o que deixamos quando nós partimos.

É um barco abandonado sem os remos
Os braços sem adeuses nos arrimos
A chegada do pranto enquanto rimos
Sonhos de reviver o que vivemos.

É o além da longa curva que se esconde
Em sombras, bosques, prados e campinas
Que a gente lembra, mas não recorda onde...

1º final

É a espera do amanhã que é sem espera,
São tardes tristes, cheias de neblinas,
É o inverno precedendo a primavera.

2º final

E a espera do amanhã que vive em fugas,
São tardes tristes, cheias de neblinas,
A pôr em nosso rosto angústia e rugas.

03.12.1997


Esio Antonio Pezzato

SONETO COM DOIS FINAIS




Soneto com dois finais


É muito curta para ser pequena
Dentro da Eternidade, a nossa vida.
Nem chegamos – e estamos de partida;
Mal subimos ao palco – e finda a cena!

Sempre alguém, a distância, um lenço acena,
Triste adeus para alguma despedida;
A árvore verde fica enegrecida,
E o olhar se fecha em expressão serena...

A matéria apodrece e fica à míngua;
Há silêncio do verbo preso à língua
E a lembrança é o que resta ao que antes fomos.

(1)
Mas o espírito eterno, em luzes fica
E se lava nas fontes de outra bica
Para se transformar em novos pomos!

(2)
E o espírito transcende ao horizonte,
Se purifica n’água de outra fonte
Para fortalecer-se entre outros pomos.

23.02.2001


Esio Antonio Pezzato

SONETO INGLÊS




Soneto Inglês


Acumulamos no correr da vida
Sonhos e sonhos, sonhos e mais sonhos.
E ao longo da áurea estrada percorrida
Vamos seguindo alegres e risonhos.

Confiantes, vamos nós, a toda a brida,
Buscar os sonhos todos que ansiamos.
Mas, às vezes, a tarde enegrecida,
De negras nuvens cobre esses recamos.

O sol fere com fogo os verdes ramos
E cresta os nossos sonhos sem piedade
E os sonhos coloridos que sonhamos
Passam a ser somente uma saudade.

E à tristeza de vê-los como sonhos,
Temos no peito os corações tristonhos.

23.02.2001



Esio Antonio Pezzato

TEMPESTADE




Tempestade



Relâmpagos, trovões, ziguezagueios
De luz.
O céu sacode as nuvens de seus seios
A flux.

Óperas infernais e bruxuleios
E truz!
As árvores ensaiam seus rodeios
E sus!

Dinamites e pólvora explodindo.
Parece até que à terra vem caindo
O céu.

Demônios rugem, brilha o largo espaço.
Eu medroso, de tudo aprumo o passo,
Ao léu.

22.02.2002



Esio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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