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30 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXXVI




XXXVI


A Palavra não pode ser julgada
Simplesmente na forma que é escrita.
Antes ela precisa ser moldada
Em sua força máscula e infinita;

Quando posta na forma amalgamada,
Na folha de papel que lh’a grafita,
Fria e insensível fica inanimada
E seu sentido enorme é-lhe desdita.

A Palavra contém força suprema,
Não existe prisão a condená-la
Muito menos o ferro de ígnea algema.

A Palavra é feroz em qualquer Rito,
Nada a detém no mundo, nem a iguala,
E mesmo no silêncio é puro grito.


Esio Antonio Pezzato

29 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXXV




XXXV


Da ausência o teu silêncio n’alma grita
E fico a te buscar na voz do vento.
Oh, Palavra cruel, mordaz, maldita,
Que reboas pelo ar em movimento!

O meu vocábulo te faz restrita.
Embora te condense o pensamento.
Contudo de maneira ultra-infinita,
Na fala não consigo ter sustento.

Maravilha nas salas tu reboas,
No vácuo do silêncio atroz tu soas
Vigorosa e fatal, e densa e forte.

Me equilibro nos fios de teus versos,
Na ânsia de conquistar os Universos,
Tombo na terra em turbilhão de morte.


Esio Antonio Pezzato

28 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXXIV




XXXIV


Minha Palavra é feita de fumaça,
Baila no ar – basta apenas eu dizê-la.
Sem conteúdo ou forma, não embaça,
Também não brilha, por não ser estrela.

Eis a Palavra, mas não posso vê-la,
Pois, com o vento ao seu encalço, passa.
Assim que a falo, já não posso tê-la
E se torna ferina feita massa!

Se a pronuncio, vai rodando ao vento
E na metamorfose é monumento
E vira espada para o ataque pronta.

Tem o valor da prata por tesouro,
Porém, não dita, vale o peso em ouro
E o silêncio é que em transes amedronta!


Esio Antonio Pezzato

27 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXXIII





XXXIII


Chove Palavra pelo céu nublado.
E em enxurradas corre na sarjeta.
A grafite dos sons a deixa preta
Qual borra de café pós ser coado.

Ponho à Palavra dobras de tarjeta
Para não ver-lhe o olhar frio e indomado.
A Palavra é o delírio inanimado
Da semente que brota numa greta.

Líquida escorre em todos os sentidos,
Parecem bailarinos acrobáticos
Saltando no ar e após caindo em pé.

Na vertical dos sonhos esquecidos
Os meus olhos contemplam-nas extáticos,
Na musicalidade dessa fé.



Esio Antonio Pezzato

26 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXXII




XXXII


A Palavra é hieróglifo sagrado,
Enigma de Faraós do velho Egito.
Chão da Mesopotâmia soterrado
E múmia a revolver a voz num grito.

Relâmpago de fogo não domado.
Consciência e solidão, esgar aflito,
Dos Deuses velho rosto deformado,
Eco feito silêncio no Infinito.

Símbolo de uma antiga Humanidade,
Traduzidos em mágicos segredos,
Num oculto mistério da Verdade.

Vagas vozes veladas dos zabumbas,
As Palavras com todos os seus medos
São os ossos das velhas catacumbas.



Esio Antonio Pezzato

25 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXXI






XXXI


As Palavras são fogos de artifício
Que fazem rebentar a luz na treva.
E o Poeta, réu confesso em seu ofício,
Com a luminosidade ao céu se eleva.

Da Palavra, inspirado ele se ceva
E despreza o cansaço e o sacrifício.
Se faz frio ou calor, se venta ou neva,
Eis que está preso ao mágico exercício!

Escrever é reter o pensamento!
E domar o vocábulo e prendê-lo
Na cadeia fugaz da liberdade.

Pois a Palavra – etérea como o vento,
Ao mesmo tempo é sonho e pesadelo,
É Mentira vestida de Verdade.




Esio Antonio Pezzato

24 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXX




XXX


As Palavras lançadas céu aberto,
– Fosforescentes fogos de artifício –
Às vezes são pregadas no deserto
Ou no altar de profano sacrifício.

Dominar as Palavras – duro ofício
Para quem traça em luz um rumo certo! –
Porém, quem a usa para o malefício,
Sempre há de estar para o pavor – desperto.

Por isso em Eras, minhas heras planto.
A chama da verdade que me chama
É vão num vão da noite sempre vão.

Em cada canto existe sempre um canto,
O drama da consciência odiento trama
Num desvão aonde errantes sempre vão...



Esio Antonio Pezzato

23 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXIX



XXIX


A Palavra é a mais límpida expressão
Para deixar gravada a nossa história.
Poder brutal de manifestação,
Tempestade de fogo na memória.

É o fio condutor de toda a glória
E é terror, exorcismo e combustão.
Fogo feroz, derrota merencória,
Engenhos, teares e revolução.

No estado líquido do Dicionário
É vocábulo inerte que se apresta
Para mostrar apenas o que diz.

Porém, articulada em seu fadário,
Na língua do homem vibra e manifesta
E estampa sua enorme cicatriz.


Esio Antonio Pezzato

22 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXVIII




XXVIII


A Palavra não pode ser domada
Pois à fera é impossível obediência.
Se por instantes sente-se enjaulada,
Não há grade que tenha resistência.

Rasga as vísceras, rompe a madrugada,
Deixa restos de sangue na consciência.
Cavalga pela noite alucinada
Cintilando no céu da persistência.

A Palavra fulgura cristalina.
Doma corcéis, atinge a alta colina,
E atira-se no largo precipício.

Espírito de fogo, eis a Palavra,
Que, coração de pedra atro escalavra,
E, mente pura prende em ímpio hospício.


Esio Antonio Pezzato

21 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXVII




XXVII


Palavras são segredos – e com elas
Construo pensamento num desenho.
Vindo às bocas se tornam tagarelas
E no silêncio penso nesse engenho.

Escritas ou faladas são procelas.
Vendo-as com os olhos, preso me mantenho.
Contudo expostas são profanas telas,
Mostrando liberdade ou duro lenho.

Para escrevê-las – somos desenhistas,
Nem por isso, porém, somos artistas,
Sabendo traduzir o pensamento.

As Palavras, porém, são passageiras,
Passam com rapidez, voam ligeiras,
Se desfazendo no valsar do vento.


Esio Antonio Pezzato

20 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXVI









XXVI


As Palavras são mágicas, traiçoeiras,
Agem como profanas armadilhas.
Iludem nas felizes brincadeiras,
Depois conduzem às mais falsas trilhas.

As Palavras inventam maravilhas,
Fábulas ou histórias verdadeiras.
Mas provocam ataques de matilhas
E atiram flechas finas e certeiras.

As Palavras induzem comandados.
Perfilam homens rudes e sombrios
Impondo ânimos, força de vontade.

E há de deixar os sonhos exilados.
Os dias de calor pálidos, frios,
Até que se extermine a Humanidade.









Esio Antonio Pezzato

19 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXV




XXV


A língua lambe o cerne da Palavra
Sentindo seu sabor amargo e doce.
E dentro da minh’alma queima e lavra
Como se em combustão um ferro fosse.

No silêncio eis que tímida azinhavra
E se transforma num medonho alcouce.
Por isso sou amiga da Palavra
Que desenhos arábicos me trouxe.

Qual fiel escudeiro – olhar de lince,
Domo-a aos tentáculos de cinco dedos
Para que suas letras eu as pince.

E sem traumas domar os seus segredos,
Para me retratar como Da Vinci,
Com o sangue de todos os meus medos.


Esio Antonio Pezzato

18 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXIV








XXIV


Posta à língua a Palavra é pura brasa
Que espíritos e sombras incendeia.
Porém, com ela teço lírica asa,
Para alcançar o sol e a lua cheia.

Resplendor de ilusão é minha casa.
Sobre a mesa a Palavra é minha ceia.
Após é desespero que me arrasa
Armadilha tramada em tênue teia.

Sou voraz à perfídia que me doma,
A solidão da noite é-me loucura,
E a alma na insanidade atroz assoma.

Confundo idéias de maneira impura,
E como os Césares da antiga Roma
Encontro enfim a minha sepultura.




Esio Antonio Pezzato

17 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA XXIII




XXIII


A Palavra fulgura em minha mente
Depois valseia como brisa leve.
E cai no chão, transforma-se em semente,
E vai brotando de maneira breve.

Rompe as paredes frígidas de neve
E se transmuda em lava efervescente.
Chega às mãos que em desenhos a descreve
Passando a ser mensagem num repente.

No correr dos delírios dos minutos,
Freme em folhas e flores, fulge em frutos,
E cascateia em versos de prazer.

A Palavra na força que me doma
Faz-me invencível gladiador de Roma
No intrépido desejo de vencer!


Esio Antonio Pezzato

16 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXII




XXII


A Palavra contém sons e segredos
Tem enigmas recheados de mistérios.
Muitas vezes, conduz para degredos,
Em outras vezes, para cemitérios.

Deixam os sonhos de prazer azedos
E sorrisos nos lábios ficam sérios.
Traumas, delírios, desesperos, medos,
E falta de atitudes e critérios.

A Palavra é mordaz, solene, forte,
Em seus delírios, desvairada impera,
Sabendo conduzir a Vida e a Morte.

Oculta-se nas ramas da tapera,
Em seu azar transmuda a sua sorte,
Em seu imenso brilho – em primavera.


Esio Antonio Pezzato

15 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XXI




XXI


A Palavra se torna incandescente
Quando a ponho em meus versos, com desvelo.
E vou criando em transes, um novelo
De carinho e de amor em minha mente.

A Palavra me vem como semente:
Planto-a em meu coração com terno zelo.
Colho-a em fruto depois de forte apelo,
Na forma da verdade reluzente.

A Palavra é meu culto, e forte, e viva,
Faz minh’alma brilhar nela cativa,
Faz o meu coração pulsar mais forte.

Neste elo de paixão e amor eterno,
A Palavra é meu céu e meu inferno,
E eterna Vida após a breve Morte.


Esio Antonio Pezzato

13 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA XX




XX


Ferve a Palavra e de maneira fria
E calculista domo-a em seu furor.
Na caldeira do Sonho e da Magia
Há volúpia que vibra em estupor.

Asas incandescentes ela cria
E voa no Infinito em fúria e horror.
Volta depois, e paira na Poesia
E faz-me declamar versos de Amor.

A Palavra, porém, paira indomável.
E quanto mais lhe tento ser amável,
Em labirintos de silêncios, ela,

De maneira voraz foge e se entreva.
E em sua busca insana eis que me leva
Aos abismos profundos da procela.


Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA XIX




XIX


Ferve o cérebro, há forte ebulição.
Idéias congestionam-se nervosas.
Há um bulício de pétalas de rosas,
Parece vomitar atroz vulcão.

O corpo treme, é enorme a sensação.
Sinto forças de fogo poderosas!
Brilham estrelas, há maravilhosas
Explosões; sinto o corpo alçar-se ao chão.

Há um silêncio que grita a céu aberto,
Tempestades de areia no deserto,
Maremoto fremente de ardentias.

As Palavras me chegam de mansinho,
Afago-as ainda dentro de seu ninho
E agrupadas, transformo-as em Poesias.


Esio Antonio Pezzato

12 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XVIII





XVIII


A Palavra é mordaz, é sorrateira,
É cheia de artefato e de segredo.
Se por vezes é frígida e traiçoeira,
E nessas horas causa pena e medo,

Outras vezes se torna alvissareira
E livra alma inocente do degredo.
Mas pode ser cruel, fatal, certeira,
E pode às vezes, ter sabor azedo.

Nesse vai-vem frenético e constante
Às vezes soa impávida e robusta
E pode ser Mentira e ser Verdade.

Mas ao dizê-la em seu raiar de instante,
Sejamos nós a sua fonte justa
Engrandecendo-a em toda Humanidade.


Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA - XVII




XVII


A Palavra é a metáfora do medo
Que me apavora e tanto me entorpece,
Que não distingo nunca o seu segredo:
Se, profana ou se diz sagrada prece.

A Palavra povoa a minha messe:
Dá fruto às vezes de sabor azedo.
Outras horas em sonhos, me aparece
E diz verdade em frases de brinquedo.

Quem busca definir seu conteúdo
Perde uma vida inteira em vão estudo
Que ela é a Verdade cheia de Mentira.

Engano da certeza e ao nada leva,
Profano à Natureza é luz e neva,
É água às vezes que fogo põe à pira.


Esio Antonio Pezzato

11 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - XVI




XVI


Domo o vocábulo, aprisiono o idioma,
Retenho a idéia e o pensamento abstrato.
Depois solto pelo ar, ao livre olfato,
Para as mentes prendê-los em redoma.

Que as pessoas o sintam como aroma
Que exala após a chuva o agreste mato.
E prendam à retina igual retrato
De uma paisagem que fulgor assoma.

E o entendimento sem labuta e engenho
Traga canções de amor e de ternura
Junto à alegria imensa de um desenho

Que uma criança faz presa à inocência:
Mas que sua mensagem seja pura
E retenha os segredos da ciência.


Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA - XV



XV


A palavra afiada é como a faca
Pronta para ferir, para furar.
Em língua mole lembra uma matraca
Feita para agredir, para atacar.

Encarreirada em frases ela ataca
Podendo denegrir e derrubar.
Outras, vezes, em forma de catraca,
Somente o que convém, deixa passar...

Fortuita, às vezes, vive pelo acaso.
Espalha-se em diabruras e gorjeios,
E se transforma em flores no jardim.

Lembra depois um já quebrado vaso,
Para também, justificar os meios,
Pondo um ponto final, chega ao seu fim.


Esio Antonio Pezzato

NOVO DIA - LIVRO ALEGORIAS




Novo dia

Para bem começar um novo dia
Nada melhor do que compor Sonetos.
Juntas algumas rimas de gravetos
E uni-las sob a forma de poesia.

De inspiração buscar os amuletos
E divagar em sonho e em fantasia.
No caldeirão dos sonhos e magia,
Colher poções de quadras e tercetos.

Pois assim raia o sol em nossa vida.
Noss´alma se escancara aos horizontes
E a estrada fica toda colorida.

Ficar olhando os píncaros dos montes,
Assim a inspiração brota sentida
Nas mais preciosas e mais puras fontes.

22.10.2009


Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA - XIV




XIV


Quero a Palavra que se mostra nua,
No alicerce de enormes edifícios.
Desbastada de dogmas e artifícios
Para domá-la no labor que estua.

Quero a Palavra de maneira crua,
Sem ranços de modismos e suplícios.
Que traga na raiz fartos ofícios
E que perfure fundo, como a pua.

A Palavra no verbo mais sublime,
Pura e ardilosa, sem razão no crime,
Carregada de idéias para usá-la

Na razão do sentido mais completa.
Só assim poderei ser um Poeta
Que será compreendido em sua fala.


Esio Antonio Pezzato

10 de agosto de 2010

JORNADA DO TEMPO - LIVRO ALEGORIAS




Jornada do tempo


Assim é a vida – cheia de percalços
Que aparecem em nosso dia a dia.
Amigos verdadeiros, outros falsos,
Surgem à realidade e à fantasia.

Às vezes vamos nós, com pés descalços,
Através de uma doida romaria,
Outras subimos nós a cadafalsos,
Por causa de uma pálida heresia.

À toa, muitas vezes caminhamos
Não vemos as belezas das paisagens
Nem vemos frutos a pender dos ramos.

Torna-se às vezes trágica revolta:
Nos quedamos a ver febris miragens
E os passos já não sabem dar a volta.

20.10.2009


Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA - XII




XII


Se tento definir tua presença
Dizes que nada dizes, nada dizes.
Mas plantas na minh’alma cicatrizes,
Partes depois em plena indiferença.

E voltas novamente sem reprises
Embaralhando em cartas minha crença.
Retornas gorda – com vontade imensa,
E, magra, voltas para as minhas crises.

Quem te moldou primeiro o som metálico
Te desenhando as arabescas formas,
– Signos e hieróglifos, Pedra Roseta,

Premiu-te a Vida com seu gesto fálico,
E, deu ao Mundo as incontáveis normas,
Foi mais que gênio – foi um deus asceta!



XIII


À Palavra estou preso como um ímã:
Sete tentáculos são suas garras.
Oh, Palavra! Tu prendes-me e me agarras
E nesta lavra teço a minha rima.

Aos meus ouvidos vens como as fanfarras
Com seus toques marciais de forma opima.
Não há revolução que me redima
Quando a combates tensos tu me amarras.

Suprema evolução da língua aflita!
Em silêncio minh’alma clama e grita
E explode em labirintos de loucura.

Tens a fúria total dos elementos:
Águas e terras, fogos e ímpios ventos,
Moldam-te cristalina, doce, pura.


Esio Antonio Pezzato

9 de agosto de 2010

REVIVER - LIVRO ALEGORIAS


Reviver


Todos, em nossa vida acumulamos
Os sonhos mais variados e sortidos.
– Árvore – somos tronco e somos ramos,
E entre folhas mostramo-nos floridos.

Mas vem a tempestade em mil reclamos
E leva nossos sonhos coloridos.
E após ventos e chuvas nos quedamos
Por ver os nossos sonhos destruídos.


Assim o álgido inverno e a ventania
Parece nos levar à atra agonia
E a fé se vai, em frígidos minutos.


Mas novamente fulge a primavera!
E nossos sonhos nas parreiras de hera
Perdendo as flores trazem novos frutos.


16.10.2009

Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA XI




XI


A Palavra é meu cárcere diário:
A ela estou preso com fatais algemas.
É minha cruz nos passos do Calvário,
É minha luz nas glórias mais supremas!

Com ela teço o longo itinerário
Para seguir as vastidões extremas.
É treva ao longo do caminho vário,
E claridade para as minhas gemas!

Dia após dia, instante após instante,
Sei-me dela um profano prisioneiro
E sou cruel, feroz, e doce amante.

Se busco defini-la, atroz se ofusca,
Depois brilha no céu como luzeiro
E jamais tem final a minha busca.


Esio Antonio Pezzato

8 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - X




X


A Palavra é minha arma no combate,
É minh’alma que sangra enquanto luta.
Com tentáculos de aço, é um alicate,
Que golpeia na fúria da disputa.

Raivosa, às vezes, como um cão que late,
Estraçalha com verbos e executa.
Abre imensos salões em atra gruta,
Depois faz rendilhados, no arremate.

Sangro com ela na batalha imensa!
Por ela suo estrofes e poemas,
Dela tiro em soluços, minha crença.

É alma que pulsa em mim e dá-me Vida:
Dá-me paixões e glórias tão supremas,
Que percebo sequer a alma ferida.


Esio Antonio Pezzato

7 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - IX




IX


Bebo a Palavra na mais fina taça
Que às vezes de veneno me vem cheia.
Bebo-a de um gole só, tal como a idéia,
Que num repente chega e logo passa.

Faço com a Palavra uma Epopéia
E ponho-a em livros ao furor da traça;
Depois crio artimanhas, crio a ameaça
E prendo-a forte dentro da colméia.

Sangro a Palavra e bebo-lhe a fuligem,
Procuro decifrar a sua origem
E seu segredo de maneira clara.

Mas quanto mais procuro em minha lavra
Descobrir o segredo da Palavra,
Ela se mostra sorrateira e rara.


Esio Antonio Pezzato

6 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - VIII



VIII


Busco ater-me ao axioma da Palavra
E da maneira que ela vem escrita.
Em ânsias a minh’alma se escalavra
Num transe de maneira ultra-esquisita.

É vão o ofício, perco o tempo à lavra.
A busca de vocábulo é infinita.
O papel de bolores se azinhavra
Com desesperos minha fala grita.

Tantos fizeram esta vã batalha,
Buscando derrotá-la em luta inglória,
E a todos, ela impôs infausta falha.

Hoje retenho apenas na memória:
O seu fio cortante de navalha
Que decepa cabeças na vitória!




Esio Antonio Pezzato

5 de agosto de 2010

1º PRÊMIO RECEBIDO DO VEJABLOG - MELHORES BLOGS DO BRASIL




O Blog do esiopoeta foi selecionado como um dos melhores do Brasil pela VejaBlog

parabéns Nobre Poeta

Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA - VIII




VIII


Busco ater-me ao axioma da Palavra
E da maneira que ela vem escrita.
Em ânsias a minh’alma se escalavra
Num transe de maneira ultra-esquisita.

É vão o ofício, perco o tempo à lavra.
A busca de vocábulo é infinita.
O papel de bolores se azinhavra
Com desesperos minha fala grita.

Tantos fizeram esta vã batalha,
Buscando derrotá-la em luta inglória,
E a todos, ela impôs infausta falha.

Hoje retenho apenas na memória:
O seu fio cortante de navalha
Que decepa cabeças na vitória!


Esio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA - VII




VII


A Palavra em seu som é a densa lava
Que o vulcão regurgita em sua fúria.
Ríspida, a alma se torna dela escrava,
E deixa dos afetos – negra injúria.

O tesouro reduz-se à ampla penúria
E à Liberdade, o belo sonho trava...
Eis a Palavra e a tempestade espúria
Que nas rochas mais duras bate e cava.

Seus segredos não dizem os mais sábios,
Pois quando chega no tremer dos lábios
Torna-se labareda que extermina.

Em silêncio, porém, parece morta,
Mas quando bate em guizos sua porta,
Mostra todo o fulgor que lha domina.


Esio Antonio Pezzato

4 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - VI




VI


Dentro dos livros a palavra é morta
E não produz sabedoria alguma.
Porém, se alguém abrir do livro a porta,
Irá vê-la fervendo em densa espuma.

A exóticos países nos transporta
Em cavalos alados de alva bruma.
Forte e firme abre os diques da comporta,
E mostra pérolas de luz, uma a uma.

Porém, dentro dos livros a Palavra,
Fria e extática lembra tão-somente
O ouro da mina que não teve lavra.

Mas se lábios em sons derem-lhe Vida,
Quente e ofegante ela será polida
E deixará de ser simples semente!


Esio Antonio Pezzato

3 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - V




V


Sonho contigo no escaldar das horas
Que passo solitário em desvendar-te.
Bailas no espaço com um estandarte
A tremular impávida... E me ignoras.

Decifro-te os enigmas – parte a parte
E tornas-te crepúsculos e auroras,
Assim quanto mais forte tu clangoras,
Mais sinto o peso crucial destarte.

Oh! Mistério infernal que me crucia,
Vejo-te fulgurante e brilhas tanto,
E não consigo traduzir-te a lavra.

Abstenho-me de abrir esta magia,
E de maneira mórbida este canto
Fica frente ao mistério da Palavra.


Esio Antonio Pezzato

2 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA - IV




IV


A palavra me faz mordaz e forte,
Com ela suo em gotas de veneno.
E as almas sorrateiras eu gangreno,
Prendo, julgo, condeno e induzo à morte.

A Palavra conduz a minha sorte.
Crio versos de amor com tom ameno.
Teço a Lira, urdo o Som calmo e sereno
Para indicar o mais provável Norte.

A Palavra está pronta para usá-la!
Se às vezes a comparo a fina seta,
Da minh’alma ela, faz a sua sala.

Assim minha razão torna completa:
Se calada a Palavra vibra e fala,
No Ofício do Silêncio – sou Poeta.


Esio Antonio Pezzato

1 de agosto de 2010

ALMA DA PALAVRA III




III


A Palavra é uma faca pontiaguda
Pronta para atacar, para a defesa,
Arma que fere a própria natureza
Que aos ataques profanos fica muda.

Pode, às vezes, conter fulgor, leveza,
Mas num instante apenas – se transmuda.
E se torna feroz, ferina, aguda,
Carregada de babas na vileza.

Da Palavra provém meu artifício,
Com ela moldo a rima, moldo o verso,
E com estrofes urdo um edifício.

Dobo com ela o instante mais perverso,
E a Inspiração que a tantos é suplício,
É a Razão para mim neste Universo!


Esio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

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