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30 de abril de 2010

DO AMOR - SEMEADURA





Do Amor


Imponderabilíssima Ilusão!
Cantei o amor, porém, não era amado.
Antes, era iludido e desprezado
O meu sincero e simples coração.

Em nome deste amor fui derrotado
E cheguei à mais triste conclusão:
– O amor não passa de uma diversão
Que nos diverte até ficar cansado.

Hoje, não creio mais nessas histórias...
Se alguém vem me contar infaustas glórias
De um amor, eu não creio nelas, não.

O Amor é uma mentira que se aprende.
Mercadoria que se compra e vende,
Imponderabilíssima Ilusão...

21.11.1987


Esio Antonio Pezzato


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HISTÓRIA TRISTE - SEMEADURA SONETOS




História Triste

Era uma vez uma princesa triste
Que andava abandonada num castelo,
Tinha no coração um sonho belo
E uma esperança que não mais existe...

E ela dizia: –“Se este atroz cutelo
A perfurar meu coração persiste,
Se à eterna solidão minh’alma assiste,
Por que nos amor, meu sonho não atrelo?!...”

E andando, triste, ela, infeliz, pensava...
“Como farei para ficar escrava
De um sonho lindo, de um ridente amor?”

Mas foi-se o tempo e seu amor não veio...
Com um punhal ela furou seu seio
Morrendo um dia, de tristeza e dor.

28.06.1988


Esio Antonio Pezzato


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MEUS DEDOS - SEMEADURA - SONETOS




Meus Dedos

Teu cheiro está na ponta dos meus dedos:
Com eles tateei teu corpo inteiro,
Descobrindo recônditos segredos,
Que agora, deles, vivo prisioneiro.

Teu corpo, para mim, foi um braseiro
Onde dourei meus sonhos lindos, ledos,
Teu ventre – saboroso licoreiro,
Onde afoguei meus traumas e meus medos...

O olfato ora me diz que foste minha,
Meus dedos denunciam-te a presença,
Pois eles desvendaram-te completa.

E minh’alma, não mais está sozinha.
A paixão que nos une é tão intensa,
Que a cada dia me sei mais Poeta.

24.06.1990



Esio Antonio Pezzato


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RESSURREIÇÃO - SEMEADURA SONETOS




Ressurreição


Meu sonho era um Altar abandonado
Sem imagens de santos, sem rosário.
Na lenta Via-Crucis do Calvário
Eu era um pecador a ser julgado.

O madeiro por mim era arrastado
Para um Gólgota frio e solitário.
Nesse atroz e patético cenário
Eu ia ser enfim, crucificado.

E nesta 6a.-feira de agonia
Tinha sede – bebi fel e vinagre! –
E soldados gozavam minha dor.

Mas fui ressuscitado em novo dia,
Pois teus beijos fizeram o milagre
De dar-me nova vida para o Amor!

23.06.1990



Esio Antonio Pezzato


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28 de abril de 2010

DOS OLHOS - SEMEADURA SONETOS




Dos olhos


Depois de tanto tempo, frente a frente –
E o fantasma fatal de uma lembrança;
Porém, os olhos, mortos de esperança,
Sem brilho, olhavam frios, o Poente.

Tétrico, o Tempo, inexoravelmente,
Sepultou – qual coveiro em negra dança! –
O nosso amor – e hoje, funéreo avança,
Tentando destruir este presente.

Só nos resta o passado, só nos restam
Fantasmagóricas alegorias
De um tempo bom que já não mais me ilude.

Nossos olhos, por fim, somente prestam
Para mostrar-nos mortas alegrias
Que floriram em nossa Juventude...

25.07.1986



Esio Antonio Pezzato


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AMO - SEMEADURA SONETOS



Amo


Preso à cama, o eu corpo era-me um mapa
Onde eu seguir em vales e montanhas.
Como um Rei soberano, como um Papa,
Feliz, eu possuí tuas entranhas!

Muitas vezes, usei a minha capa
Para cobrir-te as formas tão castanhas –
Outras vezes, com fúria dava um tapa,
Para possuir-te com nervosas sanhas.

Na arte do Amor, então, eu fui teu Mestre!
O teu corpo era a minha Geografia,
– Para não te perder, eu e marcava! –

E na fúria do amor, num sonho equestre,
Te conquistei inteira na porfia,
Que te possuo ainda como escrava!

14.06.1990






Esio Antonio Pezzato




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PARA A QUE SE FOI - SEMEADURA




Para a que se foi


Se, trago n’alma desespero tanto,
Se minha voz já não consegue o canto
E a hora da angústia no meu peito medra;
Se, o prazer pela vida ardente busco,
Se, o coração de imensa dor chamusco,
Se, tento abrir um coração de pedra;

Se, dizes não a tudo o que te oferto,
Se, queres meu viver amplo e deserto
E em meu caminho solidão e abrolhos,
Se, me amarguras com prazer profundo,
Vou então inventar meu próprio mundo
Onde os meus, não encontrem os teus olhos.

Se a paixão sufocada me resiste,
E, se retorno de maneira triste
O caminho onde fui feliz outrora,
Se, último me parece este desejo,
Necessário se faz que um novo beijo
Mantenha-me acordado à nova aurora...

Se o desespero hoje me sangra o peito,
Se o mundo construído foi desfeito
Por um capricho, ou por desejo oculto,
Para esquecer-te eu tenho a Eternidade,
E, um dia restará sequer saudade
Deste teu hoje tão amado vulto.

23.03.1990




Esio Antonio Pezzato


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DURANTE O TEMPORAL - SEMEADURA




Durante o Temporal
(25.11.1987)



Chove torrencialmente. A chuva grossa
Despenca aos borbotões, do espaço aberto.
Meu coração, de súbito, alvoroça,
Não e sentindo perto.

A enxurrada, na rua, desce, cresce...
Meu desespero sobe e me apavora.
A chuva me alucina, me entorpece,
A alma em pancadas, chora...

Lá fora a tempestade turbulenta,
Aqui dentro, relâmpagos, escolhos...
O sofrimento aumenta, aumenta, aumenta,
Há trovões em meus olhos.

Tento entreter o espírito... procuro
Um livro para ler... mas um corisco
Fulmíneo, rasga o céu, fico no escuro,
Nos olhos cai um cisco.

Uma goteira pinga na varanda
E a cadência monótona, me irrita.
Onde, meu Deus, onde será que Ela anda?!
A chuva deixa-a aflita!

O martírio é sem fim... vou procura-la,
Penso. Estará talvez toda molhada.
Eis que chega. Tremendo. Adentra a sala,
Me beija e não diz nada...



Esio Antonio Pezzato



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26 de abril de 2010

IN MEMORIAM - SEMEADURA




In Memoriam


Sem ti eu volto para a nossa casa
E uma angústia de morte, me tortura!
Infinita tristeza ora me arrasa
Já que ficaste numa sepultura...

Estás agora na Eternal morada
Onde o Silêncio –tens por companhia;
– Não mais verás o brilho da Alvorada
Nem verás o nascer de um novo dia.

E eras tão moça, eras tão jovem, tudo
Ao teu redor desabrochava em rosas...
– Teu futuro está mudo, mudo, mudo,
Não mais terás manhãs maravilhosas!

Entro agora, em silêncio, no teu quarto
Onde tudo ainda está como deixaste.
Para mim é difícil este parto,
– Rosa arrancada abruptamente d’haste...

Retratos espalhados pela cama,
O chinelo em que andavas sem alarde,
Lençóis bordados, bibelôs e a chama
De uma vela apagada que não arde.

Na penteadeira estojos de pintura,
Um livro de poesias que eu, um dia,
Te ofertei com carinho e com ternura...
(Eu dar poesias para uma Poesia!)

Tudo é teu e mais nada te pertence
Já que não mais estás aqui presente.
Por mais que eu me torture, chore, pense,
Para sempre estarás de mim ausente.

A tua cama desmontar iremos,
Teu quarto agora vai ficar vazio...
– eu barco não precisa mais de remos
Pois flutuando vai seguindo o rio...

Há frio na minh’alma, atra amargura,
Neste meu coração silêncio, tédio...
Sem ti a vida me será bem dura
E para a solidão – não há remédio...

Eu irei visitar tua morada
Mas tudo me será bem diferente:
Nada tu me dirás, ai, nada, nada,
O teu silêncio e fará presente.

Querida Amiga, nada mais existe
Do que a recordação... do que a Saudade
Que deixa o coração no peito triste
E triste fica cheio de ansiedade.

Não mais irei ouvir os teus conselhos;
Mas parece que vejo ainda teu rosto
Refletido no brilho dos espelhos
Onde te embelezavas com bom gosto.

Quando á tarde, Gounod, na Ave-Maria
Preludiar a noite em seus recamos,
Eu irei te escrever uma Poesia
Para o tempo lembrar que nos amamos...

E se tu, no Silêncio e na Quietude
Escutares meus versos, como prece,
Lembra de nossa linda juventude
E um beijo manda a quem jamais te esquece...

14.05.1986



Esio Antonio Pezzato



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SAUDADE DE MEU PAI - SEMEADURA




Saudade de meu Pai


Quando recordo, Pai, nosso passado,
Com o Sr. presente em nossa casa,
Na face o pranto escorre em densa brasa
Pois já não mais estas ao nosso lado.

Um ano, Pai! Que estás de nós ausente!
Ao tempo inexorável me sucumbo!
E a saudade, pesada como chumbo,
Tanto magoa o coração da gente.

O câncer foi te consumindo em vida
E lentamente, então, foste morrendo.
Nós víamos sem crer... e assim não crendo,
A todos ias dando a despedida...

Cada dia mais triste, mais calado,
Devas o eterno adeus aos que e amavam.
E enquanto os filhos teus, tristes, choravam,
A Mãe sempre te dava mais cuidado:

“Tome, Lasinho, este fortificante,
“Este prato de sopa está quentinho...
“Não quer tomar um pouco de caldinho?
“Vamos, Lasinho, coma tudo, jante...”

A Rege, a Dalva e a Lê, com vitaminas...
Porém, dizias que não tinhas fome...
E o câncer... (ai, este é o maldito nome!)
Ia pondo em teu corpo, atras ruínas...

Muitas vezes, levei-te até Campinas
Para fazer-te radioterapia.
Como doía, Pai, como doía
Ver o Sr. passar tão tristes sinas.

Nem fumar o Sr. tinha vontade...
Mas mesmo assim compraste fumo e palha...
Como eles eu forrei tua mortalha,
Tudo num simbolismo de Saudade.

Hoje, em casa, o passado está presente,
Tudo recorda que o Sr. é vivo.
Pois ainda está o teu lugar cativo
E estamos te esperando... inutilmente...

26.10.1988



Esio Antonio Pezzato


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PARA O MEU PAI - 26/10/1987 - SEMEADURA





Para meu Pai
(26.10.1987)



Pai,
Não teve mesmo jeito.
O Sr. tinha que ficar encantado
E encantou-se –
O Sr. tinha que criar asas,
Por isso voou –
Como as rolinhas, os pintassilgos, os papa-capins.

Pai,
Foi importante
Saber que o Sr. poderia, como os pássaros,
Voar a imensidão azul
Junto de Fernão Capelo Gaivota.
Agora olhas aqui por teus filhotes
Que desarvoradamente
Tentam bater as asas
Em prelúdios de vôos rasantes.

Pai, eu
Que dia desses planejava caçar papa-capins
Junto com o Sr.,
Agora te vejo pássaro liberto da gaiola
Aberta por alguém menino
– E como caçá-lo, Pai,
Se como o sem-fim
Apenas posso ouvir teu canto?

Em que matas verdejantes te escondes, Pai,
Que te tornas etéreo e impalpável,
Sombra e Luz, Canto e Magia?

Pai,
Foram os canários rolleres
Que abriram a porta de tua gaiola?
Ou foram as rolinhas,
Que em nosso quintal – livres! –
Sempre pousavam em teus joelhos?

Ou foi um certo menino,
– Chiquinho, aquele de Assis,
Que acompanhado de foguinhos,
Sabiás, bicos-de-lacre, azulões,
Curiós, pulvis, melros
E outra infinidade de aves
Que te deixou encantado e te fez voar?

Pai,
Agora que és um deles,
Vens fazer ninho na jabuticabeira
De nosso quintal,
Assim poderás soltar teu canto
Para que nós,
Pai,
Possamos te ouvir e te cuidar.

Pai,
Em casa resta
O eco de tua voz transformada em canto,
A rima de teu canto transmudada em voz,
O silêncio de tua ausência,
A gaiola vazia!
– Mas os alçapões continuarão armados...
Cuidado, hein, Pai,
Pois senão bastará um teu descuido
E te caçamos!...



Esio Antonio Pezzato


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PARA O MEU PAI - SEMEADURA




Para o meu Pai
(01.10.1987)



Pai,
É preciso que o Sr. sare logo,
Porque assim doente
Será impossível, Pai,
Que a gente possa agora em dezembro,
Caçar papa-capins.

Pai,
Tá todo mundo preocupado
Com a sua doença.
Logo o Sr. que era tão forte,
Osso duro de roer,
É impossível, Pai, que não sai dessa.

Pai,
Vê se restabelece,
Engorda, fica forte,
A caçada exige pernadas
E um bom papa-capim
Não fica cantando na beira das estradas.

Pai,
Teremos que ir mato adentro
Com as gaiolas e as batedeiras.
(Quem sabe a gente encontra um bom pintassilgo,
Aí, sim, a caçada seria boa.)

Pai,
Vamos fazer tudo
Como quando eu era criança,
– O Sr. dando as dicas
E eu enchendo as gaiolas.
Lembra, Pai,
Chegávamos a caçar até vinte papa-capins.

Pai,
E as casinhas de João-de-barro
Que o Sr. trazia?
Ainda existem duas em casa, Pai,
Reminiscências do serviço pesado que era o Seu.

Pai,
Vamos esperar o Sr. sarar,
Consertar o viveiro e criar curiós?
Era gostoso, Pai,
Ver os filhotinhos saindo do ninho,
E eu, criança,
Arranjando navalha-de-mico,
Arroz-bravo, cânhamo, gafanhotos, cupins,
Para dar aos filhotes...
E os canários, Pai,
Os mestiços,
As ninhadas de pintassilgos
Que quase nunca vingavam...

Pai,
Não deixe que a doença o vença, Pai,
A Mãe fica nervosa,
A Rê, a Lena, a Dalva e eu
Não gostamos de ver o Sr. comendo pouco,
Deitado sempre, sem ânimo para nada.
Chato dizer para os amigos
Que o Sr. tá doente.

Pai,
Sare logo,
Porque dezembro vem chegando
E com ele, os papa-capins,
Que estarão cantando aos bandos
À espera de serem caçados,
Para logo em seguida,
Serem soltos por nós,
Novamente.




Esio Antonio Pezzato


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MARIA, MINHA MÃE - SEMEADURA





Maria, Minha Mãe


Eu não sou Jesus...
Embora a minha Mãe se chame Maria
Eu não sou Jesus.
Existem tantas Marias
Com tantos filhos que não se chamam Jesus
E nem são Jesus.
Tantas Marias
Que cuidam de seus filhos
Largados no mundo.

E eu embora não sendo Jesus
Sendo filho de Maria,
Tenho uma Maria que se equipara
À Mãe de Jesus.
Minha Maria cuida de mim,
Lava minhas roupas,
Põe o almoço à mesa,
Lava, passa,
Faz guardanapos,
Cuida dos outros Filhos com iguais carinhos,
Dos Netos,
Tem amigos,
E muitas vezes me tira do caminho da cruz.

Minha Maria
Está de cabelos brancos,
Neve de um tempo
Que já em 85 anos...
Minha Maria
Lembra a Maria do Menino Jesus
E eu não sendo Jesus
Não pude ressuscitar o Lasinho...

Minha Maria quando ele partiu
Ficou triste, triste, triste,
E eu mais triste ainda,
Pois sendo filho de Maria
Não era Jesus...

Minha Maria
Minha Mãe
Este não é um poema de Natal
Nem ao menos um poema para o Natal,
Porém,
Como Jesuscristinho anda muito esquecido
E só é lembrado por causa dos presentes,
Neste Poema,
Maria, minha Mãe,
– Aceite-Me presente em casa
Novamente.

22.12.1991




Esio Antonio Pezzato



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25 de abril de 2010

ENGANO - SEMEADURA SONETOS




Engano

O tempo, Amiga, em desenfreada louca,
Tudo destrói com fúria e com maldade...
Se, temos n’alma uma felicidade,
Sempre ela nos parece muito pouca.

Às vezes, nossa voz, de forma rouca,
Tenta ao tempo pedir, com ansiedade,
Que ele nos prenda na perpétua grade
De um sonho bom... mas ele não se apouca...

Rápido, ele carrega no seu dorso,
Esperanças, anseios, sentimentos,
Que conseguimos com tamanho esforço...

Sendo ilusão, o tempo é igual fumaça:
Vive vagando no valsar dos ventos,
E faz sombra ligeira enquanto passa...

17.10.1990



Esio Antonio Pezzato


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NO ESTIO - SEMEADURA SONETOS





No Estio


Agora que passou a tempestade,
– Meu barco em águas mansas vou remando! –
Instigas-me com olhos de maldade
E duelo de palavras, vens tentando...

Tentas travar minha felicidade –
Falsos conceitos ficas inventando...
Tudo numa total ferocidade,
Como das lepras más, ascoso bando...

Hoje que não conduzes mais o barco
De nossas vidas, hoje que és passado,
E vives tua vida em podre charco,

Tentas com as mãos fazer os próprios remos,
E que naveguem juntos, lado a lado,
Os corações que estão em dois extremos...

14.11.1990



Esio Antonio Pezzato


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SONETO CANÇÃO - SEMEADURA




Soneto Canção


Presta muita atenção, minha querida,
Que vou te dedicar uma canção...
Uma canção tão linda como a vida,
Que faz ficar feliz, o coração.

Ouve: minh’alma fica estremecida,
Sinto o corpo ferver em emoção.
Esta canção é linda e nos convida
A ter na vida, um pouco de ilusão.

Vem pertinho de mim, me abraça forte,
Vou me tornar agora um belo Orpheu,
Cantar até morrer – pois esta é a sorte.

Ouve, Julieta, sou o teu Romeu!
O que importa morrer? Que importa a morte?!
A canção é de amor! O amor sou eu!...

23.02.1991




Esio Antonio Pezzato



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ARANHA - SEMEADURA - SONETOS




Aranha


Aranha... e me prendeste em tua teia
E não consigo me livrar da trama
Dos teus fios sedosos... oh, Sereia,
No teu, meu coração todo se embrama...

Me aquece, que me aqueço nesta chama,
Me chama, me inebria, me incendeia...
O eu fio prateado é como a veia
Que vai ao coração... e queima e inflama...

Fulgura ao sol e qual viúva negra
Me possua e no espasmo voluptuoso
Eu morrerei feliz – pois esta é a regra...

Com teus palpos mortais fere e me arranha,
Põe em minh’alma do veneno, o gozo,
Ao me prender em tua teia... Aranha...

15.07.1986




Esio Antonio Pezzato


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EM CASA - SEMEADURA





Em Casa


Em minha casa, após o entardecer,
Molemente deitado numa rede,
E fico olhando os quadros na parede
Numa visão repleta de prazer...

Minha Mãe molha as plantas no quintal
E as rolas e os pardais comem quirela,
Formando uma paisagem de aquarela
Nesta hora sonolenta, vesperal!...

Minha Mãe e eu jogamos papo fora,
Falamos do passado e do presente;
Tarde abafada, tropical e quente,
Sempre atrasada, a noite mais demora...

Os beijinhos e os verdes tinhorões,
Rejuvenescem com os jatos d’água...
Espantam do calor a dura mágoa
Soltando flores lindas, aos montões...

As rúculas e as couves, com vigor,
Aprumam nos canteiros suas hastes,
E os brotos que cortei para desbastes,
No chão de terra vão perdendo a cor.

Vou ao quintal e faço companhia
À minha Mãe, que molha suas plantas,
No chão os moranguinhos fazem mantas
Verdes-vermelhas, numa sinfonia...

A mangueira, com flores cor carmim,
Atrai abelhas que – pólen a pólen –
As florinhas miúdas beijam, bolem,
Num vôo que parece não ter fim...

Pés de mamão, maracujá e figo
Formam neste quintal um paraíso –
No chão o caramujo deixa um friso
Para mostrar que fez um novo abrigo.

A goiabeira, em profusão, atrai
Saíras e sanhaços dia inteiro...
Que fazem de seus galhos um poleiro
E cantam para a ausência de meu Pai.

Fico, às vezes, compondo algum Soneto,
Enquanto minha Mãe faz guardanapos...
Depois voltamos em sonoros papos,
Arquitetando um mundo de projeto.

Ela me conta histórias magistrais –
Fala como foi dura a sua infância...
E, perdida num mundo de distância,
Fica lembrando histórias de seus pais...

Minha Avó que morreu bonita e jovem,
E as Irmãs que morreram tão crianças...
Divagamos perdidos nas lembranças
E essas histórias tanto nos comovem...

Às vezes, de improviso, chega alguém
E também toma pare na conversa,
Nesta hora então, o assunto sempre versa
Numa informalidade que faz bem...

Depois ficamos outra vez sozinhos
E colocamos o jantar à mesa...
E assim jantando temos a certeza
Que nossa vida é feita de carinhos...

10.05.1991



Esio Antonio Pezzato

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PASSEIO COM MEU FILHO - SEMEADURA





Passeio com meu Filho

Saio a passear... comigo vai meu Filho
Que fica dando as ordens do passeio:
– Pai, quero ir ver o Rio, aonde o brilho
Do sol faz mais bonito o meu recreio...

– É claro que as palavras não são estas,
Elas aí vão para causarem rima.
Por exemplo: ele agora quer florestas,
Também quer visitar a sua prima...

E juntos vamos nós pela cidade:
Vamos à Vó, na Praça, no Mirante,
Tudo numa total felicidade
Que da vida real fico distante...

No Bar do Celso toma Coca-Cola,
Porém, ele me insiste no sorvete...
Depois quer ir buscar Thaís na escola,
E chora porque quer um canivete...

Depois vamos à casa do Pacheco
E o Thalles ganha balas de presente...
Passa no céu um lindo teco-teco
E ele me faz perguntas de inocente...

Junto o Pacheco vamos ver o Rio,
E nos barzinhos da rua do Porto,
A todo o instante o copo está vazio
E logo o nosso passo fica torto.

O Thalles fica, na infantilidade,
Jogando mil pedrinhas sobre as águas,
Tudo numa total felicidade
Que da vida real, esqueço as mágoas...

Depois, com o Arakén e com a Jandira,
Que têm um lindo bar neste recanto,
Rola alguma historieta de mentira
Que risada provoca com espanto.

O Elias chega logo e com orgulho
Vai falando de sua esplêndida arte
Que é fazer os bonecos com entulho
E espalhá-los depois, por toda a parte.

Quem vê o Rio em a margem direita,
Pensa ver um montão de pescadores
Que estão fazendo uma ótima colheita,
– Mas eles estão mais plantando flores...

(O Thalles continua em seu brinquedo...)
Logo após, uma garça, em sua graça,
Voa, de leve, sobre um arvoredo,
Logo após, outra garça – chega e passa...

A tarde vai morrendo lentamente
Ao som de um violão e de um pandeiro...
Logo mais vem surgindo alegre, ardente,
Um genuíno samba brasileiro.

A criançada brinca em alvoroço,
E meu Filho tem várias companhias...
– Suor de terra escorre em seu pescoço,
E ele brinca com suas fantasias...

Atira pedras n’água, sobe em galhos,
Não tem parada: corre, pula, salta.
E desce até o Rio por atalhos,
Para ficar olhando a ave pernalta...

Fica tarde e lá vamos nós embora,
Vamos deixar Mestre Pacheco em casa.
Depois vamos chupar alguma amora
Para a língua ficar da cor de brasa...

O Thalles não se cabe de alegria...
Amanhã diz que vai sair comigo
Para fazer de novo mais folia...
(Ele está se saindo um bom amigo!)

Chegando em casa, está todo contente,
Conta para a Thaís que foi ao Rio,
E ela faz beiço, fica indiferente,
Depois, diz para mim num desafio:

(Novamente aqui vou tramando a rima...)
–“Ô Pai, não venha, não, mudar de assunto...”
(Com solene discurso ela me intima)
–“Se o Senhor for sair, eu quero ir junto...”

10.12.1987



Esio Antonio Pezzato

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23 de abril de 2010

FRAGMENTOS DE INFÂNCIA - SEMEADURA




Fragmentos de Infância


Lembranças, quantas lembranças
Dos tempos que lá se vão...
(Guilherme de Almeida)

Oh, que saudade que tenho
Da aurora da minha vida
(Casimiro de Abreu)



A Saudade é como um sino...
Badala um som argentino
Dentro de meu coração.
E enquanto bate, badala
Uma saudade que fala
Numa tristonha canção...

Em seu badalar me acorda,
E vai desfiando a corda
De uma saudade fugaz;
Uma saudade que insiste
Em deixar minh’alma triste
E que em prantos se desfaz.

Lembro – perdida a distância
A minha adorada infância
Que entre brumas se perdeu.,
E enquanto badala o sino
Distingo ao longe, um menino!
E este menino – sou eu!

E recordo... e bem sei onde:
Foi lá, na rua Visconde
Que minha Infância vivi...
Trepava nos pés de mangas,
Deitava a chupar pitangas
E imitava o bem-te-vi.

De todos vivia Amigo
E vinham brincar comigo
Lúcio, Bolacha, Didis.
E agora, triste, pergunto:
Por que não trago mais junto
Os tempos que fui feliz?!...

Cada um de nós era Artista:
Um ia se maquinista
Para andar sempre de trem...
Um outro ia ser pedreiro,
(O Lúcio hoje é Engenheiro!)
Eu procuro ser alguém...

No tempo do mês de agosto
Batia um vento no rosto
Mas mesmo assim, todos nós,
Soltávamos papagaios,
Que, ligeiros, como os raios,
No céu lembravam cipós.

Tinha época para tudo:
Girar arco, jogar ludo,
Jogar bolinhas, peões...
Às vezes, nos ribeirinhos,
Íamos caçar peixinhos,
Em junho – soltar balões...

Quando dezembro chegava
Meu pai sempre nos levava
A caçar papa-capim.
Mas hoje, quando me vejo,
Ainda cheio de desejo,
Tenho saudade de mim.

(A saudade é um tronco tosco!)
No Oratório do D. Bosco
Nós todos éramos reis!
Ai, que saudade que guardo
Do amado Padre Eduardo
Que era tão cheio de leis...

– Menina era proibida...
Somente sóbria vestida
Poderiam freqüentar
As missas da sete e meia...
E o grande pátio de areia
Era também nosso lar...

Alegre, no mês de maio
(Hoje, às vezes, me distraio...)
Ajudava a procissão
Da Senhora Auxiliadora,
Que era a primeira Senhora
De quem quer fosse Cristão!

Éramos todos – coroinhas,
Cantávamos as ladainhas
E toda a missa em latim.
O “Tantum Ergum” na Bênção...
– Turíbulos ainda incensam
As imagens de marfim...

Antes da reza o recreio,
Depois o cinema cheio
Com os filmes de Tarzan...
Tinha o macaquinho Chita,
E aquela moça bonita
Sempre ao lado do galã..
..............................................

O tempo era sempre curto...
Mas hoje ainda sempre furto
Momentos para sonhar,
E sonhando vou vivendo,
Porém, nunca me esquecendo
Do que é bom de recordar...

23.09.1981




Esio Antonio Pezzato

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POEMA DE FÉRIAS - SEMEADURA




Poema de Férias


I

Saio a passear... as nuvens arrogantes
Parece que conhecem meus passeios;
Me acompanhando vão extravagantes
E não mostram, por mim, quaisquer receios.

Se agora eu fosse um mágico, faria
Como Shimoda, desaparece-las.
Mas qual! Eu faço e muito mau poesia,
Que, às vezes, nem mesmo eu chego a entende-las.

Creio que sou Poeta por acaso.
Melhor: alguns de chamam de Poeta.
– Nunca bebi nas fontes de Parnaso,
Nem tenho o porte altivo de um atleta!

Um semideus, como eram os antigos:
Vergílio, Homero, Baudelaire, Petrarca...
Nunca comi da Chelidônia os figos,
E nem tive uma gôndola ou uma barca!

Nem fui herói! Sequer tive um cavalo.
Pios ainda, nem sequer montei-o
Com esses pensamentos eu me abalo
E volto para casa sem passeio.

II

Vou direto em meu quarto para a cama
E penso ler qualquer coisa que preste.
Porém, a minha mente mais se inflama
Quando leio um gibi de faroeste.

Depois, rio a valer... me delicio
Com as aventuras e com as fantasias
Do Patacôncio, do Donald e o Tio
Patinhas, que emprestei do amigo Elias.

Ele tem uma coleção completa
De todos os gibis, e eu, na aventura,
Rindo das maluquices do Pateta,
Não quis saber mais de Literatura.

Os decassílabos e alexandrinos
Podiam esperar, pois cada trama
Dos personagens, tinha mil destinos
Que me faziam rir... rolar na cama.

III

Outras vezes eu vinha para a casa
Para cuidar das minhas lindas flores:
– A avenca está com a terra um pouco rasa...
– Disso já vou cuidar com mais amores!

As samambaias, os jasmins e os cravos,
E o chorão com a grama japonesa
Davam trabalho para dez escravos
Libertados, porém pela Princesa!

Porém valia a pena... as samambaias
Com as folhas compridas de três metros,
Mais pareciam flutuantes saias,
E os cravos, pareciam lindos cetros...

Foi olhando essas plantas que eu, um dia,
Escrevi “Sonho e Realidade” e os músicos
Jorge e Anuar, com grande maestria,
Musicaram-na em bela marcha-rancho.

(Viram, faltou a rima ao verso acima,
Mas faço agora rima coroada
Para ajustar a que faltou em cima
E fica tudo conta já acertada.)

Enquanto eu conto as sílabas nos dedos
A metrificação correr perfeita,
Assim eu me desvencilho dos segredos
Do Verso, já que a rima sai bem feita.

IV

Em casa sem ocupação é duro!
O ócio mata bem mais do que o trabalho.
Porém, eu faço um juramento: eu juro
Que a tarde inteira vou jogar baralho!

Após o almoço, é bom jogar um truco;
Com o Isael de parceiro, não tem caldo.
Enquanto o Júlio nos prepara “um suco”,
Eu berro “seis!” no “truco” do Geraldo.

Era vidinha boa... agora em Julho,
Com o vento soprando a todo instante,
Vou mostrar às crianças, com orgulho,
Que a minha pipa voa mais distante!

Afinas as varetas é proeza
Da minoria, pois, eis o segredo:
– Se não segura a faca com firmeza
Bem mais fácil será afinar o dedo!

E quem já viu um dedo de varetas?
Nossa Senhora! Isso é demais, tolice...
Agora vou tomar três vacas-pretas,
E logo após eu vou jogar boliche!

Porém, Julho se acaba e vem agosto...
O prazer que é benigno, dura pouco.
O vento frio vem bater no rosto,
E é além do mais, mês de cachorro louco!

Meu poema também vai se findando
E vou pensando em coisas bem mais sérias:
Eu vou passar os dias trabalhando
Com o pensamento fixo – em outras Férias!

26.07.1982



Esio Antonio Pezzato

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21 de abril de 2010

AO CREPÚSCULO - SEMEADURA


Ao Crepúsculo

Todos os dias, quando a noite desce,
E o sol despede-se fazendo prece
À hora crepuscular,
E há prelúdios de salmos entre as aves
Que em allegros sublimes e suaves
Instigam-me a cantar...

E ao longe, o terno sol d’Ave-Maria
Invade o espaço e há ecos de Poesia
A retumbar nos céus;
Olho o horizonte que de luz se banha,
E penso ouvir nas cristas da montanha
O respirar de Deus!

De joelhos então – piedoso monge! –
As minhas vistas lanço ao longe... ao longe,
E faço uma oração,
E nest’hora de mago franciscano,
Ouço o choque das águas do Oceano
Fazendo uma Canção!...

É formoso o momento – este momento
Que a Água e a Terra em divino Mandamento
Ajoelham-se ao Senhor.
E tudo numa arcoirisada crença
Faz, em pura oblação, a mais intensa
Declaração de Amor!

Tudo – neste momento contagiante,
Une-se num só grito altissonante
De mágico refrão...
Vibra a lia, flautins silva, chilreiam,
E as almas toda do Universo anseiam
De ouvir uma canção.

E o Senhor canta quando a noite chega...
Até parece uma escultura grega
Quando fala o Senhor...
E sua fala – mágico tesouro! –
Faz que as palavras se transformem no outro
Dos instantes de amor!

Oh, Poetas, vós todos, acredito,
Com os ouvidos lançando no Infinito
Já ouviram esta Luz –
A Luz que brilha e ao mesmo tempo fala,
E enquanto fala – suave essência exala
E brilhos lança a flux!

Oh, Poetas, sois voz a semelhança
Perfeita do Senhor, pois se Ele lança
Esse facho triunfal;
Vós fazeis a Epopéia num só verso,
Para glorificar todo o Universo
Com o sobrenatural...

E Deus também nos mostra que é Poeta,
Pois com rimas de luz e voz de Esteta,
Perlustra a Imensidão
E atira sobre nós sua bafagem
Para lembrar que o Grande Personagem
De toda a Criação!

23.05.1983






Esio Antonio Pezzato

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ENGENHO CENTRAL - SEMEADURA





Engenho Central
Teu destino é viver!
(Francisco Lagreca)


Venho para o recanto antigo, venho
Buscar a solidão do velho Engenho,
Seu passado buscar...
Entre árvores imensas, verdejantes,
Vejo sombras perdidas e distantes,
Vejo um vulto passar.

O coração em êxtase palpita...
A riqueza de brilhos é infinita,
Que fere o coração.
Na sombra um vulto pálido e sombrio,
Entre saltos, no Salto desce o Rio
Numa lenta oração.

Perdido do passado na conquista,
O Vulto flutuante lança a vista
A uma história fugaz...
É o Barão de Rezende que retorna
Para o futuro em malhos de bigorna,
Num desejo de paz.

É o Engelho Central, que junto ao Rio
Epopeias viveu num alvedrio
Numa força de Amor.
É o lar perdido na folhagem densa,
Que guarda ainda imaculada crença
Presa em seu interior.

E o Rio surge audaz, forte, valente,
E a vida no suor de tanta gente
Move o Engenho Central...
Na paisagem sublime, soberana,
O verde que se casa à verde cana
Verdeja o canavial...

O Operário cansado mais trabalha...
O suor – combustível da fornalha –
Acende o fogaréu!
O cheiro da garapa e do melado,
Do açúcar e do mel é esparramado
E sobe para o céu.

Os sonhos crescem no fulgor dos sonhos,
As esperanças fazem mais risonhos,
Os rudes corações –
E o Engenho forte, belo, rude, altivo,
Cada vez mais do olhar deixa cativo
Baronesas, Barões!...

Salve, Engelho Central! Oásis verde
Desta Piracicaba que se perde
Em usinas além...
Foste o Panteon de glórias desta Terra,
A força ultriz que os corações encerra,
Foste Vida, porém...

Teu prédio altivo, majestoso, belo,
Guarda de Deus o mais sublime elo
Da corrente do Amor...
Guarda o suor sagrado do Operário,
Que para receber o seu salário,
Deu-te o maior valor!

Guarda histórias e mil histórias guarda...
Os tijolos à vista da mansarda,
Guardam sonhos febris...
Filhos que aos pais levavam o almoço,
E havia entre algazarras e alvoroço,
Sorrisos infantis...

E ao doce sonho de teu sono doce,
De fora a força estranha também trouxe
O Progresso febril.
Homens – em ti buscaram fama e glória!
Heróis – que conquistaram a vitória
Adoçando o Brasil!...

Hoje – és relíquia de um passado nobre;
A hera esverdeada as tuas formas cobre
Para te perpetuar
Em segredos guardados entre chaves,
Mas que são desvendados pelas aves
Quando estão a cantar!

Velho te visitar... com passos lentos
Vou apreciando os lerdos movimentos
De outros, que iguais a mim,
Enrustidos em meio à Natureza,
Procuram decifrar tua beleza
Que é imensa e não tem fim...

É uma questão de Amor... e há no meu peito
O grito forte, alegre, satisfeito,
De te ver a sorrir...
Forte e imponente aos séculos tu vences,
Hoje, porém, ao povo tu pertences,
– Pertences ao porvir...

És legado dos homens do passado,
Que com o pensamento iluminado
Deram-te a vida a ti...
E hoje, ao porvir glorioso a vista cravas,
Marcado por mãos livres, não escravas,
Que te ergueram aqui!

E eu com o coração feito Poeta,
Olhando o Rio imenso que projeta
Tua sombra imortal,
Junto a Lagreca faço-te uma prece,
Que o verso do Poeta te enobrece,
Oh, Engenho Central!

E ao te deixar após tamanho encanto,
Após te oferecer neste meu canto
Rimas do coração!,
Vejo com a vista entorpecida, pasma,
Passar por mim, a rir, branco fantasma,
De um formoso Barão!

01.05.1991



Esio Antonio Pezzato

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19 de abril de 2010

ODE AO NOVE DE JULHO - SEMEADURA




Ode ao Nove de Julho


Os grandes heróis Paulistas
Tombaram – porém, em pé!
E o pendão das treze listas
Mostrou o poder da fé.
– Foram heróicos soldados
Que tendo sonhos dourados
Mostraram o seu valor...
E agachados nas trincheiras
Ergueram mil cordilheiras
Com a base feita de Amor!

E todo o povo paulista
Com a força do coração,
Foi constitucionalista
Com ardor e devoção...
Mesmo sendo injustiçado
O paulista ergueu seu brado
Que hoje em dia ainda se vê.
E quatro jovens tombando
Deixaram todos clamando
O M.M.D.C.!

Vai, Miragaia – valente!
E Martins – vai se rival!
Dráuzio – na linha de frente!
Camargo – vai triunfal!
Na sigla audaz e radiante,
São Paulo segue confiante
Rumo aos páramos de luz!
E com sobranceiro orgulho
Bradam o Nove de Julho
Que o brasíleo céu seduz!

Que importa se houve vingança,
Ódio, rancor e desdém?
– Se ainda temos a Esperança
De ver triunfar o Bem,
Para nós isto é o que importa,
O resto é paisagem morta
Repleta de ingratidão...
– Medalha que expele fogo,
Profano e maldito jogo,
Negra e lívida oração!

Mas o povo Bandeirante
Que mostrou se colossal
E que seguiu sempre avante
Com denodo magistral,
Dando à morte sua vida
Mostrou sua alma aguerrida
Aos rincões desta Nação!
E cada soldado altivo
Clamou em coro cativo:
–“À Pátria o meu coração!”

Mártires dessas jornadas,
Em cada peito febril
Cintila em letras douradas
Um nome apenas – Brasil!
E com triunfante orgulho
Dizeis que o Nove de Julho
Representa o que hoje sois.
E quais grandes timoneiros,
Sois Soldados brasileiros,
Soldados de Trinta e Dois!

09.07.1980




Esio Antonio Pezzato

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CANTO DA AGONIA - SEMEADURA




Canto da Agonia


Perdido n’alta noite, em desespero aflito,
Todo o meu coração, num pavoroso grito
Esta apóstrofe exclama em lívida magia:
– Agonia, agonia, agonia, agonia!
Tremo de medo e o medo aumenta em mim. Apelos
Não consigo fazer. em negros pesadelos
Eu sinto em mim a noite atra, negra, medonha,
E alucinado saio. A minh’alma não sonha
Pois em mim é real esta visão que expele
Ígneos raios de fogo. Ardente, minha pele
Não agüenta o calor e a noite está tão fria...
Agonia, agonia, agonia, agonia!
Tudo envolto em pavor... numa sinistra crença
Morro dentro de mim e em negra recompensa
O inferno aterrador abre-me os negros braços
Querendo me abraçar em sinistros abraços...
E novamente em mim, a angústia faz morada...
No enorme manto negro, a lua, ensangüentada,
Pinga estrelas de foto e – negra bordadeira! –
Borda uma cruz vermelha e vermelha bandeira
Tremula no atro céu macabro. A noite é fria...
Novamente em meu peito, a rima da agonia
No estribilho feroz, a mim mostra-se rude;
E o fim da vida é o fim... e o fim da juventude
É o fim... e o fim de tudo é o fim... e o negro açoite,
– Negro vento cruel! – arrasta mais a noite

Ao longo labirinto onde este canto medra
Bufando ódio, ira, espúrio, e a avalancha de pedra,
De pedras enche a noite e a estrada em pedras, cheia
Da vil superstição soluça, devaneia...
E o terrível macabro e profano estribilho,
Num ímpeto feroz, tolda o ígneo e rubro brilho
Do Sol que quer brilhar em mágica euforia,
Mas tudo chega a mim num Canto de Agonia!

15.04.1980




Esio Antonio Pezzato

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17 de abril de 2010

POEMA DE DANIEL - SEMEADURA




Poema de Daniel

Se alguém for declamar os meus poemas
Nos próximos milênios,
Eu creio que não haverá problemas
Que teimem em desafiar os gênios
Da inteligência humana,
Que a cada dia vão vencendo ignotos
Segredos, numa força soberana,
Enquanto os que hoje, proclamamos sábios,
Têm um porvir repleto de ressábios
E mil pontos de dúvidas remotos...
Avançam os cientistas
A estrada imensurável do Universo
O Sistema Solar buscam a fundo,
Tentando um outro mundo
Aonde jamais chegaram outras vistas!
E eu aqui, e o meu verso,
– Pequeno grão de areia neste solo
Sou grão de trigo neste imenso bolo
O qual chamamos Terra!
Barqueiros do Universo! Os asteróides
Tentais ainda entende-los,
Porém, vos abismais com os cabelos
De fogo de um cometa que no Orbe erra
Com órbitas esdrúxulas, ovóides...
Eles, um dia, voltarão fulgindo
E de vós restará sequer poeira...
Eles virão sorrindo

Mostrando sua flâmea cabeleira
Para então, novos olhos contemplá-los
Montados nos cavalos
Onde em caminhos velhos
Irão tirar, sorrindo, a água do poço...

Leio histórias dos rotos Evangelhos
E Ezequiel sorri em alvoroço...
Suas visões eram de extraterrestres,
Porém, Ele as fitava crendo em Mestres!
Não, Mestres não, mas Deuses!
Siva, Ariman, Eleusis,
Duendes cadavéricos,
Fantásticos, homéricos,
Montados em corcéis de asas brilhantes,
Com olhos e narinas fumegantes...
Gênios de hoje! Amanhã
Sereis apenas uma imagem pálida,
Corrosiva, das mentes do futuro.
Fitais apenas hoje, Aldebarã,
Mas o porvir, seguro,
Virá mais forte, poderoso, imenso,
E vós sereis estercorácia inválida
E sem valor algum... e sem receio
Penso que ireis valer menos que meio!
As máquinas terão – assim eu penso! –
Seus próprios pensamentos,
E os Homens com seus parcos instrumentos,
Serão desnecessários.
Todos os maquinários
Irão pensar por vós, oh, gênios de hoje,
E vós sereis farrapos
Coaxando iguais aos sapos

Que nos lodos da noite
Arrastam os seus trapos
Sem ter quem os acoite!
Gênios, o tempo foge
As correntes elétricas avançam
E a lâmina do tempo tudo corta.
...................................................

Não descanseis, Poetas! Não descansam
As idéias. A vida é sempre morta.
Continueis fazendo mil poemas
Aos próximos milênios,
Pois creio ainda que haverá problemas
Que teimem em desafiar os gênios!

14.07.1989



Esio Antonio Pezzato

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OITAVA RIMA - SEMEADURA




Oitava Rima


A ideia está completa na cabeça,
Porém a forma está toda confusa.
Antes que a inspiração desapareça,
Será preciso agradecer à Musa –
Necessário se faz que se ofereça
O Verso para quem declara e acusa
O momento de agira de forma clara
Porque a ação, cada vez fica mais rara.

O Verbo na Verdade sempre explode
E quem não tem razão morre calado...
Se se pode dizer... se se não pode,
O instante do depois será testado.
No céu toda Palavra vira em Ode
Não, porém, o gemido derrotado;
Com força audaz que o mundo todo fira
Os sons sensíveis desta minha Lira!

Quero um Canto fazer de forma nova
Que não cause estupor nem cause espanto,
E o Silêncio infinito seja a prova
Que toda a multidão sente meu canto,
Pois eu quero falar a minha trova
Na universal linguagem do Esperanto,
Para saudar as terras mais extremas,
Com as rimas de Amor de meus Poemas!


Corre, meu Verso, corre o mundo inteiro...
Faça-se ouvir nos largos Continentes –
Vá ser do mundo todo – Companheiro,
Vá lançar da União suas sementes.
– Não, meu verso, não caia prisioneiro
Que os versos devem ser independentes;
Devem, livres, voar pelo Universo,
Pois só assim terá sido um bom verso.

É hora de conquistar cada cidade
Fazendo um bom discurso em plena Praça,
Cantar mil loas de felicidade;
– Quem é feliz, em tudo encontra graça!
Porém, quando falar – Fraternidade,
Muito cuidado, pois, existe a traça
Que indo direto aos corações, mutila
Quem quer viver na Paz pura e tranqüila!...

Aprendi a cantar quando criança
E levava sorrisos ao futuro.
– Esse tempo era tempo de esperança,
E eu vivia num mundo todo puro.
Ah! Bons tempos que guardo na lembrança
Dos tempos infantis... por Deus – eu juro
Que trocaria o resto dos meus dias
Para voltar ao tempo das magias...

Se hoje não trago mais os mesmos cantos
Que dentro d’alma, alegre, antes trazia,
É que meus dissabores foram tantos,
Que me esqueci dos hinos de alegria.
Mesmo tendo nos olhos rudes prantos,
Ainda tento cantar minha poesia
Com rimas pobres mas cheio de calma,
Porque são cantos que brotaram d’alma.

Viceja a Primavera!... nascem flores
Á beira das estradas e nos galhos
Cantam os passarinhos com amores
Olhando para os pobres espantalhos
Que protegem os frutos dos senhores...
Assobiando sigo por atalhos
Para encontrar a primavera amiga
Que entre amplos roseirais, feliz, se abriga...

Oh! Primavera, com saudade lembro,
Os meus tempos felizes de menino,
Quando nos dias quentes de dezembro
Compus o meu primeiro alexandrino.
Recordações azuis que ora relembro
Fazem parte constante do destino
Do menino-poeta que sorria
Ao terminar sua infantil poesia...

Hoje os cantos são outros... a memória
Retém somente cantos de justiça;
Hinos de Liberdade, hinos de Glória,
Que com a multidão se compromissa.
– Não se conquista nunca uma vitória
À base da vergonha e da carniça;
Pois se a verdade pura me projeta,
Tenho motivo para ser Poeta!

Oh, meu Amigo, se a Esperança medra,
Vamos cantar pois ainda vale a pena.
Vamos quebrar os corações de pedra
Com um verso na mão e a voz serena...
A Paz tem uma imagem poliedra
Se bem que tenha a forma bem pequena;
Por fim fazer com a Voz nossos arneses,
Porque quem canta – reza duas vezes!

14.03.1983






Esio Antonio Pezzato

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16 de abril de 2010

1767 - SONETO ALEXANDRINO




1767


O cocar na cabeça e nas mãos rija lança,

E um Paiaguá caminha esta tão fértil terra.

O Salto regurgita em hinos de Esperança,

No mato uma araponga estridulante berra.


Quebra-se a calmaria e tem final a dança.

Desconhecido olhar frente à paisagem erra.

Um destemido passo a mata adentro avança,

A tribo toda se une e arma-se para a guerra.


Sobre a calma do Rio as pirogas capazes

Chegam rapidamente à barranca portuária

Conduzindo em seu bojo homens fortes, audazes.


- "À margem, à direita!" A voz é poderosa.

E com forte comando e paixão visionária,

Neste chão planta os pés o Povoador Barbosa!


15.04.2010



Esio Antonio Pezzato

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DIVINO - SONETO ALEXANDRINO




Divino


O Espírito Encarnado, o Espírito Divino,

Ao povo que ora em crença as suas benções lança.

Há misticismo no ar, há um hino de Esperança,

O lábaro flameja em luzes, purpurino.


O fiel abre a boca e solta a voz num hino,

As reverberações de luz tingem a aliança

Que Deus com o homem fez. É o mistério que avança

Os séculos sem fim de um sagrado destino.


Um pombo alvinitente é o Espírito que voa,

Sua sombra reflete um Deus ainda mais puro,

Numa razão maior que mil cânticos soa.


É o Pai unido ao Filho e ao Espírito Santo,

É o louvor da Trindade a por luz sobre o escuro,

É o riso que convoca a Esperança num canto.



15.04.2010



Esio Antonio Pezzato

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HERANÇA - SONETO ALEXANDRINO

Tela de Joaquim Dutra - Museu Prudente de Moraes - Piracicaba

Herança


Joaquim Dutra deixou eternizada em telas,

As mais belas paixões de um povo ribeirinho.

Nossa rua do POeto imersa em burburinho,

Nosso Salto em fulgor espadanando estrelas.


O Mirante encantado e suas passarelas,

A bela Natureza e os pássaros no ninho,

O cão fiel e amigo, em olhar de carinho,

Mil paisagens de luz translúcidas e belas.


E para nós deixou - herança genuína!

-Archimedes, João, Pádua e Alípio - seus filhos

Paixão maior de luz que aqui jamais se acaba.


E hoje, nossa cidade, a Noiva da Colina,

Mostra em paisagens mil os mais fulgentes brilhos

Que um Dutra eternizou desta Piracicaba.


15.04.2010


Esio Antonio Pezzato


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INSPIRAÇÃO JUVENIL -SONETO ALEXANDRINO




Inspiração juvenil


Em certa ocasião, (eu era ainda criança),

Dentro d'alma senti uma estranha embolia.

Era um misto de sonho, um algo de esperança,

O coração sangrava, o espírito sorria.


Não soube definir aquela doida dança;

Era a primeira vez que tudo acontecia.

Não causava pavor, mas furava qual lança,

Era uma aguda dor que me satisfazia.


No silêncio do quarto, em solidão completa,

A folha de papel bailava incandescente

E o sentimento tal, de maneira concreta,


Passou-se a desfazer quando, num só repente,

Passei a ver em mim um menino-poeta,

E o verso refulgiu em fogo à minha frente.


12.04.2010



Esio Antonio Pezzato

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VISÃO RIBEIRINHA - SONETO ALEXANDRINO




Visão ribeirinha


Rua do Porto. Aqui o Piracicaba vibra.

Garças, biguás, martins, buscam o seu almoço.

Os cardumes febris pulam em alvoroço,

Sobre as pedras do Salto um homem se equilibra.


Um jovem nadador quer mostrar sua fibra

E nas águas mergulha... é bem próximo o poço.

Ele, sem destemor, com músculos de moço

Em braçadas febris sobre as águas se libra.


O Poeta contempla essa visão divina

Que exparge luzes sobre a Noiva da Colina

E em tanse teço um verso e em transe me comovo.


E o sobrenatural de súbito acontece:

O velho Povoador murmura antiga prece,

E Santo Antônio surge e abençoa este povo.


11.04.2010


Esio Antonio Pezzato

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NOTURNA SOLIDÃO - SONETOS ALEXANDRINOS





Noturna Solidão


Quando, na solidão da noite, o pensamento

Sai de meu corpo e voa o sideral espaço,

- Águia de fogo explode o largo Firmamento

E em passadas de luz no vácuo planto o passo.


Sou o que penso ser enquanto danço ao vento,

Rei da Sabedoria abranjo o imenso Paço.

Com pensamento rijo entorto a adaga de aço,

E a Eternidade tenho aos pés num só momento.


Sou ímã e compacto os sonhos mais diversos,

Que navegam ao léu dos infindáveis versos

Que compus e perdi ao longo do caminho.


Mas quando a solidão da noite arde segredos,

Sou somente um a mais com meus traumas e medos,

E meu silêncio oculto e me fecho sozinho.


10.03.2010



Esio Antonio Pezzato

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EM MEU SONHO - SONETOS ALEXANDRINOS





Em meu Sonho


O ocaso pinga luz sobre o espaço sangrento!

Estrelas vão bordando o dossel do Infinito.

Eu, errante Poeta, a contemplar tal rito,

O espetáculo moldo em versos, no momento.


Em êxtase, inspirado, a alma em fremente grito,

Sinto, roçar no rosto, a fragrância do vento.

É o respirar de Deus que pinta o firmamento

E ao homem mostra ser calmaria e conflito!


Muitos passam por mim e vão despreocupados...

Não parecem sentir o espetáculo místico

Nem cuidam em sentir de Deus, os seus dobrados.


Um instante ainda mais e o céu arde em estrelas.

E eu, cidadão comum, em meu sonhar artístico,

Meus versos rimo enquanto em sonhos, fico a vê-las.


09.03.2010


Esio Antonio Pezzato

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CREPÚSCULO PIRACICABANO - SONETOS ALEXANDRINOS





Crepúsculo piracicabano


A tarde vem pintando o céu com tintas de ouro!

É um festival de luz que tem forma imprecisa.

- Duvido que na terra um só pintor exista

Que consiga transpor à tela esse tesouro.


À Beira-rio, sobre o largo ancoradouro,

Contemplo esse painel que me ilumina a vista.

Meios-tons, sombra e luz, há um duelo de conquista

E a treva vence a luz enquanto sonhos douro.


A passos lerdos sigo. O espetáculo imenso

Entra em meu coração, fere minha retina,

E em êxtase de luz em coisas santas penso.


Num instante, porém, e outra luz me ilumina:

E outras doidas paixões deixam meu sonho denso:

E a lua sangra luz na Noiva da Colina.


134.02.2010




Esio Antonio Pezzato

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15 de abril de 2010

DIVAGAÇÃO





Divagação

No meu jardim, as rosas
Formosas
Florescem colorindo
Um lindo
Esplendor. A magia
Do dia
Do sonho falecido
Florido,
Na flor do pensamento
Com o vento
Roça uma face oculta,
Inculta,
Do meu primeiro sonho
Risonho,
Daquela bela rosa
– Formosa
Do meu jardim singelo
E belo...
Preferindo o perfume
E o lume
Das estrelas errantes,
Radiantes,
Do meu futuro anseio,
No enleio
Da minha solidão
– Em vão!

09.06.1972


Esio Antonio Pezzato

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MINHA MULHER




Minha Mulher

Vejo a esperança
Nesta criança
Do bem-querer!
Um paraíso
No teu sorriso,
Linda mulher!

E este meu verso
É um universo
De bem querer.
És minha vida,
Oh, flor querida,
Minha mulher.

Num mesmo abraço
Uni meu braço
Ao teu, mulher.
E foste a rosa
Maravilhosa
Deste prazer.

Eu fui sozinho
No teu caminho
Desse querer.
E nessa estrada
Tu foste a fada
Minha mulher.

Seguimos loucos
Em gritos roucos
Deste viver.
Meu paraíso
Foi teu sorriso,
Linda mulher.

26.05.1972


Esio Antonio Pezzato

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TER... SER...





Ter... Ser...

Ter uma vida inteira pela frente...
Contente
Galgar os pedestais da Mocidade!
Ter dentro d’alma – um misto de Esperança,
Bonança
Raiando como um sol de f’licidade!

Ser um hino de paz à madrugada,
Qual fada
Toda pura, tão branca e alvinitente...
Ter coração coberto de belezas...
Rarezas
De um céu azul tão belo e proeminente.

Ter uma vida inteira a ser vivida
Florida
Como rosa em jardim da Mocidade.
Ter dentro d’alma – um misto de Poesia,
Magia
Raiando como um sol de f’licidade!

Ser um hino de amor – ser num encontro
O outro,
Uma parcela exata da esperança.
Ser uma estrada guiando ao rumo certo,
Aberto
Para encontrar um riso de criança.

03.05.1972



Esio Antonio Pezzato

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CRIANÇAS




Crianças

Neste momento, a plácida esperança,
Renasce sobre risos de criança
Que nunca sentem dor.
Elas vivem do amor!
Partindo para o mundo com segredos,
Que a natureza mostra com brinquedos
Na alvorada sadia de verão,
No palpitar do puro coração.

Não sentem nunca o ódio, a dor das bombas,
P’ra elas o mundo é como as pombas
No arrolo de esplendor.
Um hino de louvor!
Sentem a vida numa breve orgia,
Desejos infantis, uma alegria,
Que forja na esperança ao ver o sol,
E no canto de amor de um rouxinol.

Crianças! Este mundo não é belo,
Um dia tu verás que tais anelos
Foram desejos vis...
Terás os teus amigos com fuzis.
Matando aquele mesmo irmão de outrora,
Esperando uma aurora,
Para ver e matar um coração
Que está à tua frente – num perdão.

Amem, crianças. Amem a inocência,
Pois o mundo caminha na indecência
Para matar irmão.
Nos fuzis amarrais milhões de flores,
E quem sabe haverá menores dores
Quando uma bala entrar num coração.

19.04.1972



Esio Antonio Pezzato

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VERSOS PARA MÚSICA




Versos para música


Uma esperança
Em mim floriu,
Uma criança
A mim sorriu.

Tive meu peito
Cheio de flor.
Vi um mundo feito
De paz e amor.

Um simples riso
De sugestão:
Um paraíso
No coração!

Uma esperança
Naquele olhar,
Bela criança
Do bem amar.

Com simples gesto
Dos lábios meus,
Meu manifesto
Deixei com Deus!

15.03.1972


Esio Antonio Pezzato

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RUMO




Rumo


Eu vaguei pelo mundo afora
Embora
Estivesse sempre, sempre só.
Segui as trilhas do caminho
Sozinho,
Por desertos... desertos só.

Segui o teu pálido vulto
Oculto
Por este pensamento meu.
Segui uma estrada de vida;
Vivida
Neste caminho para Deus!

Segui uma luz que brilhava,
Mostrava
Um caminho vivo e de paz.
Achei na calada da noite
O açoite
Que um vento impiedoso traz.

E vaguei pela paz ternura,
Tão pura
Que o vento p’ra longe soprou...
Cristo – pela paz que o homem clama
Derrama
O amor que o vento levou.

26.02.1972

* Minha primeira Poesia publicada no Jornal de Piracicaba no dia 07 de março de 1972.



Esio Antonio Pezzato

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13 de abril de 2010

POEMETO




Poemeto

Nesta tarde
O sol arde
Muito quente...
Num lamento
Tão atento
E indolente,

Eu sozinho
No caminho
Desta estrada,
Percebi
Que vivi
Na calçada.

Os meus sonhos
Tão tristonhos
E, embalados,
Faz imagens
De viagens
Por mil lados.

No encontro
Fui um outro
Que perdi:
O caminho
Que sozinho
Percorri.

13.05.1971


Esio Antonio Pezzato

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AMANTES





Amantes

Minha vida não tem nada,
Nem um corpo de prazer.
Vago de estrada em estrada
Procurando o que fazer.
É um caminho de dores,
As mulheres – minhas flores,
Mais fortalece meu ser!
A vagar de corpo em corpo,
O sentido lasso, torpo,
Abraçado na mulher.

Os teus lábios tão serenos
Como o celeste do céu...
O teu corpo tão moreno
Natureza ofereceu...
Os dois corpos delirantes,
Na volúpia dos amantes
Em beijos de mil prazer.
Sentindo o leito macio
Sufocar num arrepio
Na sede de arrefecer...

Madrugada noite fria
Terminou o meu prazer.
Já não sinto o que sentia
No teu corpo de mulher!
Sentirei os teus abraços,
Na volúpia dos meus braços
A sentir os braços teus...
Há dois corpos delirantes,
São dois olhos tão brilhantes
Penetrados para os céus.

Mil vidas arrefecidas
Há dois corpos no prazer.
Duas almas esquecidas
A de um homem e mulher.
Esquecidos deste mundo
Penetrados no profundo
Neste escuro de prazer.
A verdade de uma vida,
Nos teus braços, oh, querida,
Belo corpo de mulher!

10.12.1971



Esio Antonio Pezzato

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RESTO DE PAZ





Resto de paz

Vai, reflita sobre o mundo...
Então o que encontrarás?
Milhões de seres imundos
Procurando pela paz.

A paz... então ela existe?
Mas como ninguém a viu?
Oh! Mundo terrestre triste,
O poema da paz partiu...

Para longe deste mundo
Oh! Planeta Solidão.
Qual o encontro mais fecundo
P’ra tingir o coração?

Tingi-lo todo de branco
Como manda a virgem paz.
Está paz de um mundo franco,
Que não mais me satisfaz.

A paz – a paz derradeira
Que aquela brisa primeira
P’ra longe o vento soprou...
– Subiu no céu pelos ares,
Afogou lá pelos mares,
E então a guerra exaltou!

25.02.1972


Esio Antonio Pezzato

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DISTÂNCIA




Distância


Hoje estamos tão distantes,
Mas existe a chama ardente
Quando unimos por instantes
Os lábios num beijo quente.

Toda distância que existe
Faz aumentar nosso amor:
Pois se às vezes fico triste,
Inda escuto o teu clamor.

Não nos importa a distância
E ela pouco nos afeta,
Porque vivemos com ânsia
O áureo amor que em nós projeta.

15.02.1972



Esio Antonio Pezzato

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Minha Ana Maria e Sissi

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