BLOGGER TEMPLATES - TWITTER BACKGROUNDS »

1º PRÊMIO RECEBIDO DO VEJABLOG - MELHORES BLOGS DO BRASIL

VejaBlog - Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil BLOG ESIOPOETA

SEGUIDORES

ACESSOS

contador de acesso

ROMARIA PIRAPORA 2013 - ESIOPOETA E AMIGOS

CLIQUE PARA LER O NOVO LIVRO DE SONETOS DE ESIOPOETA- CONTEMPLAÇÃO

COQUETEL DE LANÇAMENTO DO LIVRO DE SONETOS APRENDIZ DA PALAVRA DO POETA ESIO

RECEBA ATUALIZAÇÕES NO SEU E-MAIL

Entre com seu e-mail:

Delivered by FeedBurner

30 de outubro de 2009

UM PEQUENO COMENTÁRIO DO AUTOR



Flores secas III


Sonetos Alexandrinos

Flores secas... mais um punhado de versos, novos sonetos que escrevi nos últimos tempos. Como sempre, a mesma técnica, a mesma formação. Nada de invencionices. Preferível, dentro do Soneto, repetir-se a tentar alguma coisa nova. É sempre assim. Desde Petrarca, Miguelangelo, Camões, Bocage, Bilac, Alberto Oliveira, Raimundo Correia, Machado de Assis, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos, grandes sonetistas, nada surgiu de novo. Melhor então é ficar tentando fazer algo de bom enquanto o tempo passa. A vida passa. O tempo passa. E nós, obviamente, passamos também.
Nesta nova coleção estão apenas versos alexandrinos. Parece que eles se tornaram importantes dentro da minha poética. Creio mesmo que depois que compus “O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot” todo em versos alexandrinos, ficou mais fácil, para mim, lidar com o verso longo.
É uma coleção de sonetos inéditos. Apenas alguns foram publicados em nossa Imprensa, o restante mesmo todos inéditos.
O mais antigo deles, datado de 1973, quando eu tinha apenas 20 anos. Encontrei alguma coisa ainda mais antiga, mas era ruim demais. Mexer nos versos seria tirar o mérito que eles ainda tem: o trescalar da juventude. Esses ficarão guardados comigo apenas como lembrança. Bem como os versos que compus com 16 para 17 anos. Era apenas a vontade de escrever e a falta profunda de técnica e conhecimento. É minha pré-história poética, que já tem mais de 40 anos...
Mas voltemos aos alexandrinos: sempre os fiz. Desde meu primeiro livro, “Luzes da Aurora”, alguns versos alexandrinos em sonetos e em outros tipos de versos, já se faziam presentes. Depois o mesmo se repetiu em “Semeadura”, 1991 e nos demais livros os alexandrinos sempre estiveram presentes. Podemos mesmo dizer que o Verso Alexandrino é um clássico. Grandes Poetas foram seus afeitos, sendo mesmo que Olavo Bilac praticou-o à exaustão. Castro Alves e Fagundes Varella, passearam pelo mesmo, mas na grande maioria das vezes, fizeram o Alexandrino arcaico, não divisíveis em dois hemistíquios de seis. Foram compostos como faziam os espanhóis. Apenas em Machado de Assis, Pedro Luís e alguns outros, o Clássico passou a imperar. Hoje raramente encontramos o estilo antigo... raramente. E quando isso ocorre é puro desconhecimento da técnica, ou ainda um deslize do Poeta. Eu mesmo possuo alguma coisa assim ao longo de tantos versos... um deslize... mas falemos agora da técnica do verso alexandrino:
Embora haja alguns segredos, o verso alexandrino parece mais pomposo. Revendo hoje versos que compus na mocidade, quando com 19 ou 20 anos, lá estavam os alexandrinos, mas eram esparsos. Alguns sonetos, alguns versos mais e ponto. Mas nesses 40 anos nunca deixei de praticar os tais alexandrinos. Raramente também, muito raramente, deixei que os mesmos não fossem clássicos, ou seja, divisíveis em dois hemistíquios de seis, com cesura na sexta e na décima segunda sílabas. Assim sendo a sexta sílaba sempre acentuada, deve ser paroxítona e não seguida de consoante e a próxima palavra do verso, sempre começando com vogal. Ou sendo a sexta sílaba oxítona, a sétima independe como seja.
Mesmo assim, às vezes acontece do verso sair terciário, com cesuras na 3a., 6a, 9a e 12a sílabas. Não creio haver dentro dos meus sonetos versos com cesuras nas 4a, 8a e 12a sílabas. Vez ou outra a sexta sílaba sai tanto átona, mas mesmo assim não o mudo.
É isso que meus amigos leitores dos meus versos irão encontrar: versos técnicos e um misto de muitos assuntos. Espero que a aceitação seja a mesma de sempre.

Esio Antonio Pezzato
Piracicaba, 25 de julho de 2009

SONETOS ALEXANDRINOS - 1


Renascer

Há dias em que a gente encontra um novo brilho
Numa folha que cai, em tudo o quanto existe...
Num sol que morre, atrás de um crepúsculo triste,
Num murmúrio, num som, num dourado rastilho.

Numa canção à flor, num eco em que consiste
Um alegre cantar, num plácido bisbilho,
Num coração de mãe a abençoar o filho,
Mostrando que no espaço, o amor também insiste...

Num sorriso de adeus, num pássaro que voa,
Num olhar, num inseto, em qualquer coisa à toa
A gente fica assim sorridente, assim leve,

Que os nossos sonhos ficam alvos como a neve,
Tendo sentido dentro d’alma uma esperança
Que faz sentir a paz num riso de criança!

05.01.1973

______________________________________

Viver de esperanças

– “Queres partir?” pois bem, tens o caminho aberto!
Ninguém te deterá nessa tua jornada...
Podes seguir contente a tua nova estrada,
E não se importe vendo o meu peito deserto.

Ora, por que não vês que o meu amor é o certo?
Não venha me dizer, depois, que estás errada.
Não te darei Perdão e, nem sequer por nada
Baixarei onde estás para ver-te de perto...

Podes partir! Não quero o teu amor ingrato.
Ah! Esqueceste de tomar o teu retrato...
– Nada quero de ti! Nem mesmo esta lembrança!

Porém, voltas o olhar! Há lágrimas de dor...
– Não partas, oh, querida, eu quero o teu amor,
Pois como irei viver somente de esperanças?

16.08.1973

_____________________________________________

Alucinação

Caminho lentamente. Estou quase parado...
Sinto no coração a dor que causa o pranto.
Eu sigo pela noite envolto em negro manto,
E, entre lamentos, sigo errante e alucinado.

Sinto em mim um poder insano e malogrado,
Vejo cair por terra (e para o meu espanto)
A razão de viver, de ver do mundo o encanto...
Caminho triste e só, chorando, amargurado.

Um grito de agonia eu ouço a todo o instante...
Tudo me faz sentir que sou ainda errante,
E a razão de morrer me vem num só momento.

O choro, a dor, a angústia, o tédio, mil delírios...
Todos fazem me ver os constantes martírios,
E eu fico a lamentar... Meu Deus, que sofrimento!

17.10.1973

___________________________________________

Minha cruz

Tantos versos de amor eu escrevi cantando
Pois ao meu lado estavas para me dar amor.
Hoje escrevo os meus versos de amor sempre chorando
Por não mais receber teus carinhos, oh, flor!...

Já não suporto mais a tua ausência. A Dor
Vive a campear sem fim meu coração magoado.
Desvairo! Triste e só caminho deplorado
Lembrando que já fui feliz com teu amor.

Sonâmbulo, tristonho, eu atravesso a vida
Neste Calvário eterno a lívida ferida
Fere-me mais e mais – e sofro igual a Jesus...

Procuro-te, te chamo e brado aos céus, chorando,
Por que não tenho amor... serei feliz, mas quando?
Desconsolado enfim, carrego a minha cruz.

04.09.1975

_________________________________________

Fuga

Não posso coordenar na mente o pensamento.
A palavra me foge, a ideia não domino.
Explodo de rancor, mais pareço um felino
Urrando irracional no mais feroz lamento.

Em mim somente cresce enorme sofrimento.
Passo a viver com Dante – o Poeta florentino –
Minha ilusão atiro ao noturno Cassino
E blasfemo por fim, o meu merecimento...

Imperceptivelmente a noite em mim se achega...
Abro os olhos e... oh! Deus, a minh'alma está cega...
Mordendo os punhos rujo a esta dor que me lavra.

Oh! precito infeliz, que queres tu da vida?
Ai, eu tento gritar mas a goela ressequida
Não deixa pronunciar a boca uma palavra.

26.01.1976

_______________________________________________


Soneto noturno

É noite. No meu quarto, a lâmpada sombria,
Enche meu coração de agonias e de ais.
Recordo o teu amor que não terei jamais
E macabramente abro a minha cova fria.

Em mim a solidão fantástica crucia...
– O tempo que passou foi lindo em seus umbrais;
Hoje, porém, na dor dos sonhos sepulcrais
Escrevo, em desespero, esta errante poesia.

Ouço vozes do além... “Quem és fantasma oculto?
“Quem és tu? Quem és tu?... não ame pareces, não?
“Sai deste esconderijo, eu quero ver teu vulto...

“Eu quero a paz e o amor, eu quero a doce união
“Em cada sonho, em cada estrofe, em cada culto,
“Como fruto do amor, eu quero um coração!”

08.02.1976

___________________________________________


Vício

Acendo outro cigarro... imperturbavelmente
Vejo a noite passar efêmera e vazia.
Talvez traga no peito uma coração doente
Ou carrego comigo enorme nostalgia.

Eu não sei... eu não sei... mas em mim, tão-somente
A estupidez do amor me invade, me crucia.
A fumaça pelo ar fica a boiar silente
E silente eu escrevo uma nova poesia.

Imensa solidão carrego dentro d'alma;
Sofro em silêncio, choro em silêncio, caminho
Duvidando do amor que no meu peito ensalma.

Oh! noite de ilusão, sigo como demente;
Vou tentando lembrar o teu meigo carinho
E acendo outro cigarro... imperturbavelmente...

21.02.1976

________________________________________________


Espera


(esperando Thaís, que nasceu em 02.02.1977)

Sei que és pequenina ainda e já te amamos tanto,
Nem sabemos quem és, porém, com que alegria,
Nós falamos de ti, e esperamos o dia,
Que ao mundo irás abrir os olhos com espanto.

Vou querer te embalar com o mais felpudo manto,
E em tuas faces dar mil beijos de Poesia.
E terno irei ouvir teu choro em harmonia,
E dele irei fazer o mais sublime canto.

Quando virás a nós, consequência do amor?
Quando iremos poder ficar sempre contigo?
– Esse tempo parece ater-se à Eternidade...

Porém, eu sei que um dia, igual botão de flor,
Em solfejos de paz virás ao terno abrigo,
Que fizemos a ti numa infinda ansiedade.

13.06.1976

________________________________________________


Reencontro

Depois de longo tempo, o encontro num acaso
Faz renascer no peito uma Paixão antiga...
E o olhar terno do Amigo e o meigo olhar da Amiga
Olha-se com ternura... o sol perlustra o Ocaso...

Depois surge a conversa... a lembrança de um caso,
Outro mais... e mais outro... (o coração abriga
Tantas recordações, que logo nos obriga
Um novo encontro para um fim por nesse atraso...)

Num piscar de olho, o tempo, Amiga, o tempo avança,
Mata nos corações o tempo de criança
E o que sobra é uma angústia, é uma incerteza, é um tédio,

É uma desolação, é um medo, é um fim de vida...
Mas o olhar, o sorriso, a amizade querida,
Para tanta aflição é o mais puro remédio.

14.08.1977

______________________________________________


Penso em ti


Penso em ti, meu amor, e instante após instante
Eu vejo abrir-se a nós uma estrada florida;
Um mundo de paixão frenética e constante,
Que nos dá mais amor, mais carinho e mais vida!

Amo-te com ardor e me amas sem medida;
Deus nos uniu num beijo eterno, infindo, amante!
Num êxtase divino a paz nos foi cedida,
E uma canção de amor, no céu, ecoou vibrante.

O amor de nós fez um. Já não somos sozinhos:
Contigo eu estarei em todos os caminhos,
E ao longo da jornada ao meu lado estarás.

Os nossos rumos são iguais, pois caminhamos
Pela estrada florida, onde os floridos ramos,
Desabrocham o amor em prelúdios de paz.

18.08.1977

______________________________________


Penso em ti

Penso em ti, meu amor, e instante após instante,
Sinto n’alma brotar os desejos de amar-te.
Sei que vives em mim e estás em toda a parte,
Que nem te procurar preciso, oh, doce amante!

Se te beijo com ardor, desejo idolatrar-te
E fazer-te uma santa em meu altar constante.
E se abraço o teu corpo escultural, vibrante,
Quero que tu, no amor, sempre e sempre te fartes...

Oh, mulher provocante, o teu corpo é de seda,
Os teus olhos são sóis que iluminam meu rumo,
Teu cabelo macio é o aconchego de um leito.

Teus lábios são de mel e o amor que me arremeda
Explode em mil canções de amor, que enfim presumo,
Que para mim tu és o amor puro e perfeito.

14.10.1977

______________________________________


Aquele dia

Eu sempre me recordo aquele doce dia
Que em nós o amor nasceu risonho, florescente...
No horizonte dormia o sol onipotente
E seu calor a nós, irradiava poesia.

Tudo foi deslumbrante ao nosso olhar fremente,
Que unimos junto ao céu, na mais pura magia.
Na quietude da tarde a doce melodia
Das aves, junto a nós, trilava docemente.

Então a nossa vida, uma se fez e a tudo
Conseguimos vencer com passos de gigante,
Pois o amor nesta vida é um poderoso escudo!

A quietude da tarde a nós se fez poesia,
Por isso, meu amor, de forma delirante,
Eu sempre me recordo aquele doce dia...

10.11.1979

______________________________________


Caminho triste

Para quê nesta vida a estrada construíste
Por entre a solidão de espinhos e quimeras?
Ai, por que escolheste este caminho triste
Onde a estação do inverno esconde as primaveras?

E por que caminhaste onde a angústia persiste
E a dor, e o tédio, envolto em cruzes de mil feras
Toldam a luz do amor - esta visão que insiste
Em crescer através das mais remotas Eras?

Para quê semeaste a discórdia entre os mundos
E proclamaste a guerra em báratros profundos
Quando o ideal seria idolatrar o Amor?

Homem! fera sem luz, oh! criatura cega,
Cada instante que passa o mundo te renega,
E te mostra uma estrada onde golfeja a dor.

02.01.1980


Ésio Antonio Pezzato

SONETOS ALEXANDRINOS - 2



Vibração

Vibra em mim um amor tão puro e tão gigante
Que sinto renascer a minha paz perdida.
E amo com mais ardor a minha própria vida
Que antes era vazia, insípida e distante.

Trago na alma a paixão de ser um grande amante
E volto no meu peito a esperança esquecida.
Como passos firmes piso uma estrada florida
Pois o amor vibra em mim instante após instante.

Mudou-se o meu inverno em plena primavera;
Tudo o que era tristeza envolve-se em alegria
E já não vivo mais como antes eu vivia.

Mulher do meu amor! minha vida te espera,
Vem comigo viver o amor de cada dia,
Vem comigo viver o amor que o amor supera!

01.11.1980

___________________________________________


Da hora do adeus


Dizes adeus e dás final a este romance
Como quem diz adeus à sua própria vida...
Tão triste, meu amor, é dar a despedida,
A quem te deu sorrindo, ao amor, uma chance...

Toda a felicidade estava a teu alcance
E a ele disseste adeus... à glória colorida
De ser amada e amar, tu deixas esquecida,
Para no coração, ter da agonia a nuance.

E diz-me adeus. Também te digo adeus.
Embora
Enxuto traga o olhar, o meu ser todo chora,
Mas recolho, por mim, os sonhos todos meus.

De um amor que floriu – mas não chegou a fruto! –
Que teve a Eternidade apenas de um minuto,
Que podia ter sido e que não foi... adeus...

03.11.1980
____________________________________


Ser criança


Quando a infância pairava em todos os quadrantes,
Meu tempo era feliz e cheio de alvoroço:
– Era largo demais o tempo para o almoço,
E as horas de brincar pareciam instantes.

Papagaios no céu e linhas com cortantes...
Carros de rolimãs, cuspir dentro do poço,
Desejos de ficar o mais rápido moço,
Para ter namorada e ter várias amantes...

Vontade de ter barba e deixá-la crescida,
Pelos no peito, voz bem grossa, ar de galã,
Bailes, festas, sonhar... enfim, viver a vida!

E este tempo chegou em frenética dança,
Fugiram-me da vida as horas da manhã,
– Ah, vontade que tenho em ser ainda criança!...

08.02.1981

__________________________________________


Descrença


Quem sou eu para crer eu que não tenho crença?
Não creio em mim, não creio em Deus, não creio em nada.
Sigo por uma estrada em meio à indiferença
Imerso em solidão e com a alma abandonada.

Em mim a negra angústia é uma agonia imensa,
Minha vida de amor é uma ilusão passada...
Paira sobre meu céu escura nuvem densa
E um relâmpago faz minha vida bloqueada.

Aonde vou se não sei de onde vim e não creio
No amor, na paz, na fé, na esperança da vida,
No prazer de viver, na glória de sonhar?

Ai, tudo é um sonho mau, é um negro devaneio:
Sigo sem rumo, espero uma ilusão querida
Mas não sei esperar... e não sei esperar...

10.03.1981

___________________________________________________


Espera


Te espero ansiosamente, enquanto a noite desce
E a hora do ângelus lenta e preguiçosa invade
O espaço e na amplidão, um sussurro de prece
Põe em meu coração um verso de saudade.

Sei que virás, por isso espero... a angústia cresce
Enquanto tu não vens, ouço a sonoridade
De alguém que vem chegando... a minha alma se aquece
Para abraçar-te e dar-te o amor felicidade...

Passam os passos, mas eu sei que virás ainda...
E me sinto feliz, a noite está tão linda,
É certo que virás receber meu carinho.

A noite em trevas, tudo angústia e sofrimento,
Durante toda a noite esperei o momento
De poder te abraçar... e ainda estou sozinho...

21.09.1981
____________________________________________


Antes que a noite venha

Antes que a noite venha e o silêncio de pedra
Caia por sobre nós, deixa, minha querida,
Florescer no jardim a roseira que medra
E em cores divinais nos mostre nova vida.

Deixa que aves do céu, num sussurro de Fedra,
Em cantigas de luz deixem mais colorida
A estrada do porvir imensa e poliedra,
Que o nosso amor terá uma visão florida...

A florida visão dos sonhos, dos amantes,
Que sussurram febris mil versos de ternura
E em beijos sensuais entoam delirantes

As músicas do céu entoadas por anjos,
E na imensa alegria e na imensa ventura,
Cantam essa canção que Deus fez os arranjos.

16.11.1981

__________________________________________

Soneto da possibilidade do canto

Poderia cantar, se na minha alma o canto
Se tornasse real... porém, na minha vida,
Em meus olhos – somente amargo e denso pranto
Faz que seja meu sonho uma visão perdida...

Tanto quisera amar, cantar, sonhar, ai, tanto
Tempo numa procura em vão busquei – florida! –
A hora do êxtase puro, a hora cheia de encanto,
A hora do amor total, sem haver despedida!

Se na minha alma houvesse o canto, eu bem pudera
Caminhos palmilhar de eterna primavera
E sorrindo sonhar um tempo de esperança.

Mas não... o pranto amargo em minhas faces rola...
Para mim a alegria é a migalha de esmola
Que um pobre-rico dá para qualquer criança.

11.08.1982


Ésio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA VII



Alma da Palavra VII

A Palavra – quem dela toma conta?
Se ao vê-la fria sobre o Dicionário
Um pânico de morte me amedronta
Como posso seguir-lhe o itinerário?

A Palavra – quem dela fica tonta?
Se a usá-la em frios passos de um Calvário
O pensamento em transes se remonta
E frige em seu fulgor extraordinário?

À Palavra é impossível ter-se afeto!
Necessita-se usar régua e compasso
E cálculos de um máximo Arquiteto.

Fria na mente, em fogo se condensa,
E a galgar os meus olhos para o espaço,
A luz se mostra em lavradia crença.

17.09.2004


Ésio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA VIII



Alma da Palavra VIII

A Palavra é a metáfora e é com ela
Que tramo em cismas minha sinfonia.
Me abasteço de pura fantasia
E transformo-a em frenética procela.

A Palavra tem cores e na tela
Crio imagens de pura simetria.
Depois a fúria imensa me sacia
E transformo-a na chama de áurea vela.

A Palavra tem palpos como a aranha,
Sedosamente tece a sua teia
E com garras de fogo atroz me arranha.

No mundo do silêncio, eis a Palavra:
Quanto mais ela em fogo a alma incendeia,
Quanto mais a minh’alma em chama a lavra.

04.02.2003


Ésio Antonio Pezzato

ALMA DA PALAVRA IX



Alma da Palavra IX


A Palavra na síntese explosiva
Tem a força da bala de canhão.
Causa furor e causa destruição,
E no silêncio reage corrosiva.

A Palavra é a cadência pura e viva.
Tem passos fortes numa evolução.
Domínio imponderado da Razão,
Espoleta de fogo, quando ativa.

Hecatombe do medo, eis a Palavra,
Quando o Poeta em puro êxtase a lavra,
Na picada da pura perfeição,

Transmuda a sua força viva e forte,
Traz o advento e à existência dá suporte,
Como pode servir de extrema-unção!

10.11.2005


Ésio Antonio Pezzato

TEMPESTADE



Relâmpagos, trovões, ziguezagueios
De luz.
O céu sacode as nuvens de seus seios
A flux.

Óperas infernais e bruxuleios
E truz!
As árvores ensaiam seus rodeios
E sus!

Dinamites e pólvora explodindo.
Parece até que à terra vem caindo
O céu.

Demônios rugem, brilha o largo espaço.
Eu medroso, de tudo aprumo o passo,
Ao léu.

22.02.2002

Ésio Antonio Pezzato

MONOSSILÁBICO



Sus!
A
Luz


Luz
Na
Cruz
Da

Fé.
É
Deus

Que
Seus
Vê!

12.10.89


Ésio Antonio Pezzato

27 de outubro de 2009

BALADA DO SOLITÁRIO



Balada do Solitário


Eu não consigo acreditar
Que o riso transformou-se em pranto.
O que era um lírico sonhar
Perdeu de vez seu terno encanto.
Com frenesi o verbo amar
Iluminava nossas vidas,
Hoje sou barco em alto mar
E trago as velas recolhidas.

Na solidão vivo a vagar
E o mar solfeja um triste canto.
Com meu batel vou naufragar
Perdido nesse desencanto.
Sinto asfixia e falta de ar
A relembrar tais despedidas.
Hoje sou barco em alto mar
E trago as velas recolhidas.

Quanto me doi o recordar
De nosso sonho que foi tanto.
Estou perdido, estou sem lar,
Para acoitar não acho um canto.
Contemplo a lua a navegar
Por entre estrelas coloridas.
Hoje sou barco em alto mar
E trago as velas recolhidas.

Envio:

A nossa estrela tutelar
Já não cintila em nossas vidas.
Sozinho estou em alto mar
E trago as velas recolhidas.

22.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA CASAMENTEIRA



Balada Casamenteira


Badala o sino alegremente
Na Capelinha do povoado
Lili formosa está contente;
Vai se casar com um... safado!
O povo todo comparece
Ao lírico acontecimento.
No pátio para-se a quermesse
Na festa desse casamento!

Padre Jorjão, todo contente,
Com forte voz e rosto suado,
Fica esperando impertinente,
O noivo que já está atrasado.
Lili disfarça... desconhece
Que o noivo é filho de um jumento...
Mas vejam só o que acontece
Na festa desse casamento:

O noivo cheio de aguardente
Pegou num sono desgraçado.
E se esqueceu completamente
Do matrimônio já marcado.
Mas o destino sempre tece
As suas tramas num momento,
Lili não sofre nem padece
Na festa desse casamento...

Envio:

Moço bonito se oferece
E é realizado o Sacramento.
Padre Jorjão faz linda prece
Na festa desse casamento!

18.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA BANDEIRA II



Balada para Bandeira II


“Café com pão, café com pão!”
Retorno ao mote, Seu Bandeira.
O Trem-de-Ferro da Ilusão
Recheia a Pátria brasileira.
Com seus vagões abarrotados
Foram buscar o ouro na trilha
E nossos nobres Deputados
Do Rio foram à Brasília.

E cada um deles, em mansão
Fazem crescer a roubalheira.
E o Trem-de-Ferro, (eta trem bão!)
Do povo ri na bandalheira.
Todos com caras de safados
Só querem o dim-dim que brilha.
Políticos desempregados
Do Rio foram à Brasília.

Com as amantes lá se vão
Que a farra é mesmo prazenteira.
Um filho vem, outros virão
Pois a moral não tem bandeira.
Os cidadãos são humilhados
Que a safadeza traça trilha.
Pois nossos nobres Deputados
Do Rio foram à Brasília.

Desoferta:

Oh! Virgem Santa dos Pecados,
Mande ao Inferno os dessa Ilha,
E a corja desses Deputados
Expulse-as todos, de Brasília!

17.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA EMBALADA


Balada Embalada


Quero compor minhas poesias
Em versos próprios de Balada.
Criar milhões de alegorias
Com a alma límpida e inspirada.
Ficar olhando a madrugada
Cheia de estrelas e luar,
Até que em luz rompa a alvorada
E um novo dia para amar!

Na minha voz deito harmonias
Pois ela canta apaixonada,
E na razão longa dos dias
À tua – a minha mão vai dada.
Também com a alma apaixonada
Ficamos juntos a cantar,
Rompe a manhã, brilha a alvorada,
E um novo dia para amar!

Nas ramas cantam cotovias
Uma canção doce e sagrada,
Cantam aos céus Ave-Marias,
Numa harmonia inusitada.
És tu, Julieta, minha amada,
Sou teu Romeu... vamos voar...
Traz a manhã nova alvorada
E um novo dia para amar!

Envio:

Longe de ti já não sou nada,
És minha luz, meu céu, meu mar!
Traga-me tu nova alvorada
E um novo dia para amar!

17.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA BRANCA



Balada Branca


Morrem os sonhos e a Esperança
É posta numa cova fria.
Não há mais luzes no caminho
E a solidão geme sozinha.
É longa e triste a longa estrada
Aos dias negros que nos restam.
Passos tropeçam nos atalhos
E à vida se abre em negro Ocaso.

A crença morre na cobiça
E no silêncio ela se oculta.
A voz professa uma mentira
Que desvendar fica impossível.
Travam-se os passos da verdade
E o canto torna-se mentira.
O olhar desvia-se do foco
E a vida se abre em negro Ocaso.

Tudo se perde no momento,
Silêncio dita a voz do jogo.
Poder nefasto vibra e canta,
Porém, bem sei ser passageiro.
Enquanto sofro tais agruras,
Com versos lanço o meu repúdio.
Porém o tempo voa rápido
E a vida se abre em negro Ocaso.

Envio:

Eu vencerei as artimanhas
Da atroz mentira que hoje luz.
Irá surgir de novo a Aurora
Ao sol que agora está no Ocaso.

11.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PARA MANOEL I



Balada para Manoel I


“Café com pão, café com pão!”
Anda nos trilhos, Seu Bandeira.
Faça poemas de emoção
Glória da Pátria brasileira.
O poste passa, o pasto passa,
E passa o galho de ingazeira.
Mas a saudade, essa não passa,
Geme no peito prisioneira.

“Café com pão, café com pão!”
Manda o foguista por madeira
Para aumentar a combustão
Que a alma é da vida passageira.
Tudo na vida é uma ameaça,
E a estrada é longa e bem traiçoeira.
A minha angústia hoje não passa,
Geme no peito prisioneira.

“Café com pão, café com pão!”
Entrei num Beco de primeira.
Eu vou pedir é proteção
Da Aparecida Mãe Padroeira.
Ela dará por certo a graça
Que peço em reza a noite inteira.
Pois a maldade que não passa,
Geme no peito prisioneira.

Envio:

Manoel de glória e forte raça,
Cubra-me com tua Bandeira,
Tira-me a dor que nunca passa
Geme no peito prisioneira.

11.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

26 de outubro de 2009

BALADA FRIA



Balada Fria

A noite é fria, fria, fria,
O coração está gelado.
Geme feral melancolia,
O vento passa alucinado.
Sofrendo estou de angústia e dor,
Gemem os versos da poesia.
Gemem os laranjais em flor,
A noite é cheia de agonia.

A noite é fria, fria, fria,
Caminho só, desesperado.
Feroz do vento é a sinfonia
Que tecla notas no telhado.
O frio faz perder a cor
Roseira rubra que floria.
Do galho pende fria flor,
A noite é cheia de agonia.

A noite é fria, fria, fria,
Sozinho estou, meu anjo amado.
Sem ti a vida está vazia,
Vazio o sonho tão sonhado.
Não mais as noites de calor,
Porém as noites de agonia.
Da rama pende a fria flor,
A noite é cheia de agonia.,

Envio:

Sem ter na vida o teu amor
A vida sinto estar vazia.
Sem teu perfume, linda flor,
A noite é cheia de agonia.

10.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA NOITE FRIA



Balada da Noite Fria


Da noite o frio me acompanha
Gela-me o peito e o coração.
O gelo corre em minha entranha
Causando horrível sensação.
Estou deitado e agasalhado
Com cobertor, meias de lã.
O corpo treme, estou gelado,
A cerração cobre a manhã.

De gelo existe uma montanha
Que me sopesa, sem razão.
Na teia branca, negra aranha
Dorme na sua mansidão.
Agasalhado estou deitado
(Ai, do calor tanto sou fã!)
O corpo treme, estou gelado,
A cerração cobre a manhã.

A sensação é muito estranha
E o vento uivando lembra um cão.
O aço do gelo a voz arranha
Causa tremor e rouquidão.
O frio está por todo lado
A mim se prende como ímã.
O corpo treme, estou gelado,
A cerração cobre a manhã.

Envio:

Vem aquecer-me, anjo adorado.
Sem ti a vida é vaga e vã.
Sem teu calor vivo gelado,
A cerração cobre a manhã.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA FELIZ



Balada Feliz


Quando componho minhas baladas
Doida alegria em minh’alma infesta.
Gemem violinos com ar de festa,
Canários cantam nas madrugadas.
Estrelas brilham alcantiladas
Minha alma em cantos, doce, tressua,
E faz cirandas, rodeando a lua.
O ar se perfuma de áurea esperança,
Sei-me Poeta, me sei criança,
Canto nas praças, canto na rua.

As rimas brotam apaixonadas
E brilham luzes na minha testa.
Doida magia se manifesta
Canta parlendas pelas calçadas.
Sonhos carrego e vão de mãos dadas
Numa alegria que se insinua.
Minh’alma à frente jamais recua:
Toda sorrisos valseja, dança.
Mais que Poeta, me sei criança
Canto nas praças, canto na rua.

Gnomos, duendes, bandos de fadas
Espargem brilhos por qualquer fresta.
Quantos delírios! Que alegria é esta
Que em sonhos deixam almas aladas?
As rimas cantam – vão encantadas!
Cada uma delas se mostra nua
E nos delírios brilhante sua...
Na minha mente a estrofe balança
Um sonho lindo e eu sendo criança
Canto nas praças, canto na rua.


Envio:

Minha querida, na boca tua
Coloco um beijo. – No céu a lua
Com nossos sonhos trava aliança.
Sou teu Poeta e sendo criança
Canto nas praças, canto na rua.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PARA A AUSENTE I



Balada para a Ausente

Meu coração fica a sorrir
Quando se encontra com a amada.
Pois este amor é o elixir
Que mais me deixa a alma inspirada.
Por isso crio esta balada
Que é feita toda exaltação.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

No espaço-tempo que há de vir
– Quer seja dia ou madrugada! –
Sonho viver sempre a seguir
Junto de minha namorada.
Se houver alguma encruzilhada
Que ela não traga a solidão.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

A cada dia do porvir
Sonho viver com minha fada.
Tesouros de Golconda e Ofhir
Estão no fim da longa estrada.
Sigamos juntos na jornada
Cantando em paz uma canção.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

Envio:

Sem ti, querida, não sou nada.
De teu amor sou devoção.
Porque sem ti, minha adorada,
Meus dias tristes, tristes são.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA CHUVA



Balada da Chuva


Choveu. Choveu o dia inteiro.
A chuva era miúda e fria.
Não era, não, forte aguaceiro
Mas era a chuva da agonia,
Que lentamente, lentamente,
Traz solidão e em harmonia
Invade e molha a alma da gente
Numa sem fim melancolia.

Choveu. Meu sonho aventureiro
Olhava a tarde ampla e vazia.
Mais parecia um marinheiro
Num alto mar de calmaria.
Mas a enxurrada – ela somente,
No frio chão, fugaz, corria
Numa cadência inconsequente,
Numa sem fim melancolia.

Choveu. Meu coração – braseiro
Do frio ingente me aquecia.
Mesmo no sonho sorrateiro,
Deu-me calor – como magia.
E ele aqueceu a minha mente
Trouxe-me o amor todo poesia,
Matou a angústia atra e gemente
Numa sem fim melancolia.

Oferta:

Mas foi-se a chuva num repente,
Rebrilha o sol de um novo dia.
A solidão vai à corrente
Numa sem fim melancolia.

07.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA SEM IMPORTÂNCIA



Balada sem Importância


Pouco me importa a rima pobre
Quando me chega a inspiração.
Se de ouro, prata, bronze ou cobre,
Riqueza está no coração.
Eu sou, portanto, um milionário,
Tudo o que tenho me irradia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

Essa riqueza que me cobre
Somente dá satisfação.
Que importa ao longe um sino dobre
Se o sonho está na minha mão?
Ser rico é um dom extraordinário,
Jamais ser rico me extasia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

Assim o verso é sempre nobre
Em seus delírios de paixão.
Que a inspiração sempre me sobre
Para compor, com devoção,
Neste sem-fim itinerário,
Versos de amor a cada dia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

Envio:

Musa divina, em teu sacrário
Bebo a hóstia santa da harmonia.
Por isso canto igual canário
Engaiolado na Poesia.

04.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

25 de outubro de 2009

BALADA ILUMINADA



Balada Iluminada


À flor da pele a inspiração
Vibra em meu peito, instante a instante.
Pulsa mais forte o coração
Numa cadência delirante.
A rima brota em profusão
E ideias brotam coloridas.
E cada estrofe é um cantochão
Iluminando nossas vidas.

Entoo versos de canção
Modulo a voz, mudo o semblante.
O canto sai como oração
E invade o espaço em tom ebriante.
Da terna amada tomo a mão
E ponho pétalas floridas.
Britam as flores da paixão
Iluminando nossas vidas.

A voz que canta é a da emoção
E sei-me rei e sou amante!
O sonho é belo, é inspiração,
Um espetáculo vibrante.
Nesta Balada-exaltação
Mil esperanças são vividas.
Os nossos sonhos lindos vão
Iluminando nossas vidas.

Envio:

O amor na vida é sensação!
As nossas almas são queridas.
Que continue a Inspiração
Iluminando nossas vidas.

04.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA VIDA



Balada da Vida


Azul é o sonho quando a mocidade
No chão da vida vai plantando flores.
O ar se impregna de mágicos olores,
E tudo vibra em força e intensidade.
Esbanja o coração felicidade
Soletrando canções do verbo amar.
As noites são de estrelas e luar
E sorrisos estampam nosso rosto.
Na boca há adocicado e suave gosto,
E a vida por viver é nosso lar!

Tudo rebrilha à luz, à claridade,
E nossos sonhos tem milhões de cores.
Das esperanças somos os senhores
E caminhamos frente à Eternidade.
A vida é nossa luz, nossa verdade,
Nosso canto de fé no caminhar.
E nossos passos podem nos levar
Do amanhecer à sombra do sol-posto.
Os espinhos se apõem no lado oposto,
E a vida por viver é nosso lar!

Somos livres e temos liberdade,Temos as asas fortes dos condores!
E somos todos nós conquistadores,
E travar nossos sonhos, que é que há de?
Vencemos com denodo a tempestade
Que em turbilhões da vida é o insano mar!
Viver, sorrir, vencer! E a divagar
Nosso corpo se torna aberto e exposto.
Mas na fila da frente é nosso posto,
E a vida por viver é nosso lar.

Envio:

Corre o tempo em frenético voar...
Faltando o chão, sentimos falta de ar.
Tudo que de prazer era composto,
Toma contornos de um glacial agosto
E a vida por viver não tem mais lar...

03.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA ENCANTADORA


Balada Encantadora


O meu amor é como rocha,
É um lindo sonho encantador.
Dentro do peito desabrocha,
Lembra uma rosa multicor.
Em cada pétala de flor
Músicas doces de um compasso.
E há nesse sonho, nesse amor,
Carícia, afeto, beijo, abraço.

O meu amor é como rocha,
Forte e sereno, tem vigor.
Dentro da noite é rubra tocha
Iluminando e pondo cor
Para seguirmos com fervor
De nossas vidas, passo a passo.
E há nesse sonho, meu amor,
Carícia, afeto, beijo, abraço.

O meu amor é como rocha,
Declaro sempre, com louvor.
Na Eternidade não se afrouxa,
Dentro do frio, traz ardor.
Sono suave e embalador
O meu amor voa no espaço.
E te oferece, meu amor,
Carícia, afeto, beijo, abraço.

Envio:

Sou teu Poeta e teu cantor,
És tudo o quanto em vida faço.
Te oferto em mil canções de amor,
Carícia, afeto, beijo, abraço.

04.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PARA A AUSENTE



Balada para a Ausente


Anjo querido e tutelar,
Cuida meus passos nesta vida.
Pois não pretendo mais vagar
Qual folha morta ao chão caída.
Vem com ternura, agasalhar
Um coração que sofre tanto.
Eu sinto o frio me gelar,
Sem ti a vida é sem encanto.

Quando contemplo o alvo luar,
Fico com a alma entristecida,
Somente tu podes curar
O sangramento da ferida
Que jorra sangue a borbulhar
Quais quentes lágrimas do pranto
Por isso, Amada, vem me amar,
Sem ti a vida é sem encanto.

Se ausente estás, forte é o pesar
Da estrada longa a ser vivida.
Somente tu – posso chamar
Na longa estrada, – de querida.
És como abelha no pomar:
Produzes mel num doce canto.
És minha praia – um doce mar,
Sem ti a vida é sem encanto.

Envio:

Sonhemos juntos um lugar
No céu, na terra, em qualquer canto!
Ao Éden vamos sim, voar,
Sem ti a vida é sem encanto.

03.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DOS SONHOS



Balada dos Sonhos


Sonhos existem para ser sonhados
E se tornarem realidade um dia.
Enquanto sonho, vivo de poesia,
E vivo de tais sonhos tão dourados.
Os meus caminhos amplos e azulados
São pinturas de sonhos coloridos.
Espectros de desejos não vividos
Esperas e ilusões que vão à frente.
A realidade é fria, o sonho é quente,
Que nossos corações deixam feridos.

Outrora os sonhos eram esperados
No fulgor resplendente da magia.
E a contá-los, a voz, em harmonia,
Tinha timbres e tons aveludados.
Brilharam d’alma os olhos inspirados,
Em desejos de luz irreprimidos.
Os rumos a seguir eram floridos
E nos acalentava o sonho ardente.
Mas sinto que na vida tudo mente,
Que nossos corações deixam feridos.

Na jornada da vida os passos dados
Foram passos de angústia e de agonia.
A vida – uma esperança fugidia,
Os sonhos – desesperos aloucados.
Os fardos do martírio eram pesados,
E os desejos tornaram-se corroídos.
A céu aberto os cantos tão sofridos.
Foram sonhos e esperas simplesmente,
Plantando a solidão sua semente
Que nossos corações deixam feridos.

Envio:

Da batalha saímos nós feridos,
Derrotados ficamos mais perdidos.
Os sonhos foram sonhos, tão-somente,
Trazemos n’alma um sonho displicente,
Que nossos corações deixam feridos.

31.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA POESIA



Balada da Poesia


A Poesia que está dentro de mim,
Tem vida própria: pulsa, vibra, canta.
Em cada verso a rima é régia manta,
Bordada com brocados em cetim.
Teve início, porém, jamais tem fim
A ânsia de extravasar-me em harmonia.
E canto, dia e noite e noite e dia
Esta paixão que me consome a vida.
Já se faz longa a estrada percorrida,
Pois eu vivo nos braços da Poesia!

Criança eterna, sou papa-capim
Com trinado afiado na garganta.
E canto em qualquer galho, em qualquer planta,
E a estrofe – tico-tico num flautim –
Fica a insistir que a vida é assim, assim...
Eu transmudo essa doce melodia
Num poema que feito, a alma inebria.
Esta paixão sublime, colorida,
Faz que a Esperança viva mais florida,
Pois eu vivo nos braços da Poesia!

Ouço, às vezes, na mata, algum sem-fim
E ele me diz numa ternura santa,
Que esta vida é de fato sacrossanta.
Também, molhando as flores no jardim,
As ramas perfumadas do jasmim
Pintam a primavera que anuncia
Mudando o inverno em mágica alquimia.
E esta paixão divina e tão sentida,
Multiplica meus sonhos sem guarida,
Pois eu vivo nos braços da Poesia!

Envio:

Ouço do céu sublime melodia!
É a voz de Deus que tange em sinfonia!
Mas que, com meu amor sempre divida
Essa estrada de luz a ser seguida,
Pois eu vivo nos braços da Poesia!

28.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

24 de outubro de 2009

BALADA APAIXONADA



Balada Apaixonada

Quando te vejo, o coração
Badala como fosse um sino.
Feliz bimbalha uma canção
Num longo verso alexandrino.
(Tal verso aqui, não cabe, não,
Pois quebraria esta Balada.)
Mas minha voz, em oração,
Diz que por ti é apaixonada.

Não há na vida outra razão
De haver no mundo outro destino:
O nosso amor se fez a união
De uma menina e de um menino
Que tinham n’alma uma ilusão.
Juntos seguimos a jornada
E minha voz, em oração,
Diz que por ti é apaixonada.

Juntos vivemos a paixão
E com meus versos te ilumino.
Sem ti a vida é solidão,
É pranto amargo e desatino.
O tempo voa num desvão
E vamos nós na longa estrada.
Mas minha voz, em oração,
Diz que por ti é apaixonada.

Envio:

Mil sonhos trago em cada mão
Para ofertar-te, minha amada.
Pois minha voz, em oração,
Diz que por ti é apaixonada.

02.04.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DAS JURAS


Balada das Juras

Quantas baladas, quantos versos,
Em teu louvor eu já compus!
Nos meus sonetos pus, imersos,
Jóias e pérolas de luz.
Porém, tu fazes pouco caso
De tudo o quanto já te fiz,
Já coloquei rosas no vaso,
Te prometi – serás feliz!

Jurei te dar mil Universos,
Já me preguei até na cruz!
Agi dos modos mais diversos,
E declamei versos a flux.
Louco me fiz, foi um arraso,
Nada valeu... não me sorris!
Recoloquei rosas no vaso,
Me prometi – serás feliz!

E ages dos modos mais perversos,
Pisas nas sombras, fazes uuus,
Me assustas com teus gestos tersos,
Me comes como os urubus.
Pois bem, contigo não me caso,
Cigana, doida, meretriz.
Retiro as rosas lá do vaso,
E não serás, jamais, feliz.

Envio:

No encontro próximo me atraso,
Irei juntar-me a outra Beatriz.
Ela terá flores no vaso,
E tu serás muito infeliz!

29.02.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA VITÓRIA



Balada da Vitória


Para o poeta parnasiano
A forma fixa é uma cadeia.
A inspiração é um oceano
Que a alma em instantes incendeia.
Mas ele o verso e a rima doma,
Doma a cesura mais correta.
Leão sacudindo a hirsuta coma,
Eis a vitória do Poeta.

E nada o prende neste plano...
Se a ideia foge ou devaneia,
Tal qual um grande soberano,
Eis que ele trava uma epopeia.
A inspiração n’alma lhe assoma
E a forma torna-se concreta.
Um brinde às Musas ele toma,
Eis a vitória do Poeta.

Se o desespero lhe é insano,
A rima filtra e tece a ideia.
Pois o poeta é um ser humano
Que adoça a vida da colmeia.
Tal qual um gladiador de Roma
A rima rica é sua seta.
Multiplicando a sua soma,
Eis a vitória do Poeta.

Envio:

Deixa o poema na redoma
E faz do amor a sua meta.
Ao dominar o sacro Idioma,
Eis a vitória do Poeta.

28.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA MOCIDADE



Balada da Mocidade

Recordo a leda mocidade
Cheia de sonhos por viver.
Em tudo havia intensidade,
Momentos puros de prazer.
Mas foi passando a quadra airosa
E foi chegando a luz da treva.
E da esperança cor-de-rosa
Foi-se o calor e a noite neva.

Brotaram flores de saudade
Em espinhoso belveder.
A angústia e o tédio – por maldade
Fizeram-me um triste esmoler.
O sonho outrora era uma rosa
E hoje, meu Deus, nada se leva...
E da esperança cor-de-rosa,
Foi-se o calor e a noite neva.

Outrora tanta claridade
Rumos de luz a percorrer.
Aquela azul felicidade
Perdeu a cor, pôs-se a morrer.
A luz no Ocaso é tenebrosa,
E um sonho ingrato se releva.
E da esperança cor-de-rosa,
Foi-se o calor e a noite neva.

Oferta:

A morte chega pegajosa,
Da noite a luz também se entreva.
E da esperança cor-de-rosa,
Foi-se o calor e a noite neva.

27.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PIRACICABANA



Balada Piracicabana


Piracicaba! Hoje te exalto
Nos versos líricos que faço.
Contemplo em êxtase teu Salto
Que se transforma num regaço
Para alentar meu coração.
Te adoro tanto, tanto, tanto,
Que solto a voz em oração
Cheia de flores e de encanto.

Piracicaba! Em sobressalto
Eu te visito passo a passo.
Bela Cidade! A força do Alto
Embelezou-te em cada espaço.
Nesta balada-exaltação
É muito pouco este meu canto.
O olhar te vê com emoção
Cheia de flores e de encanto.

Piracicaba! és no Planalto
Referenciada em letras de aço.
Que a voz no peito num assalto
Brilha nos versos que ora traço.
A vida vibra com razão
Ao ver-te assim co’olhar de espanto.
E é minha lírica oração
Cheia de flores e de encanto.

Oferta:

O olhar te vê na Imensidão
Lembra um poema sacrossanto.
E findo minha inspiração
Cheia de flores e de encanto.

27.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DO GALANTEIO



Balada do Galanteio


Minha querida, hoje te escrevo
Como lembrança, esta Balada.
Coloco as rimas em relevo
– Doce homenagem para a Amada.
Sem ti, amore, não sou nada,
Repito sempre, sem parar,
Pois a minh’alma apaixonada
Nunca se cansa de te amar.

Enfim nos versos mais me atrevo
Que a alma a paixão deixa inspirada.
Do quanto sou – tudo o que devo
Por que na vida – és minha fada.
Se, acordo em alta madrugada
Em teu amor fico a pensar,
Pois a minh’alma apaixonada
Nunca se cansa de te amar.

Se, estás ausente, eis que me entrevo
E a vida sinto abandonada.
Dentro do peito, Amiga, levo
Um coração de alma encarnada.
És minha doce namorada,
Amor sem tempo de acabar,
Pois a minh’alma apaixonada
Nunca se cansa de te amar.

Oferta

Se a rima é pobre, terna Amada,
É rico o amor para te dar,
Pois a minh’alma apaixonada
Nunca se cansa de te amar.

26.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

23 de outubro de 2009

UM PEQUENO COMENTÁRIO DO AUTOR



FLORES SECAS

Poemas de Forma Fixa

Resolvi colocar neste pequeno volume, um tanto de tudo o que já produzi durante 40 anos de Poesia.

Mas aqui vai um adendo: são os versos de forma fixa apenas, compostos de baladas francesas, pantuns malaios, e outras formas distintas de poesia. Algumas quase que totalmente esquecidas... Alguns possíveis leitores poderão ver pelas datas, que a grande maioria dos poemas foram escritos em poucos dias no ano de 2008. É que, quando decidi juntar tais formas de versos, verifiquei que poucos deles existiam. Então resolvi compor outros poemas a fim de que o volume ao menos pudesse ter um conteúdo, além da forma, é claro. Daí toque estudar, analisar, pesquisar e colocar as ideias no papel. Gostei do resultado. Claro que sei, mais que todos, que o que vai aqui não é Poesia pura, mas poesia estudada e pesquisada, já que a Forma não poderia fugir. Mas estudei muito a poesia portuguesa, a barroca, onde os exemplos de décimas são constantes e cheguei a esse resultado final.
Este pequeno volume contém apenas isso. Claro que, em se falando em poesias de forma fixa, o Soneto também deveria aqui estar inserido entre tantas outras formas de se poetar... Mas aqui o deixo de fora e me atenho apenas a essas outras formas mais esquecidas, pois o Soneto é por demais difundido e até quem não sabe o que é Poesia, conhece um Soneto.
Os poemas aqui seguem a tradição estrófica e rítmica. Busquei não inventar apenas criar sobre o já existente com algumas liberdades apenas. Se nas Baladas nossa Literatura traz muitos exemplares, com Martins Fontes e Gustavo Teixeira, Bilac possui apenas quatro Baladas e um Pantum apenas, em Alberto de Oliveira também a produção é pequena, em Machado de Assis outra pequena variedade, bem como Goulart de Andrade, as outras formas de se poetar são quase inexistentes, como o Pantum proveniente da Malásia, o Triolé, a Vilanela a Sextina, as Décimas, o Ritornelo, o Rondó, o Rondel, a Terza Rima, (cujo maior exemplo talvez seja a Divina Comédia, de Dante), e outras. No final deste Volume trago um Elucidário dizendo sobre a forma de se compor cada tipo de Poema, colhido principalmente no “Pequeno Dicionário de Arte Poética”, de Geir Campos. Serve de explicação, pois foi onde encontrei o necessário para tal empreitada.

Compus algumas baladas em versos de nove sílabas, altamente aceitáveis, mas a grande maioria mesmo é feita em versos de oito silabas, com as estrofes tendo oito versos cada. Nas baladas decassílabas, tanto compus estrofes de oito como de dez versos, que é a mais correta.

Quanto aos Pantuns, além dos versos decassílabos e da redondilha-maior, ainda compus no verso Alexandrino e fui além, criando um Pantum com rimas encadeadas. Não conheço outro.

A Sextina sei que está imperfeita quando à disposição das palavras finais, mas é irrelevante. Também as Glosas, em Décimas, algumas estrofes trazem o ponto final no quinto verso, o que não
deveria acontecer. Mas não me preocupei tanto com isso também. Oras, a interpretação de tudo no século XXI me dá tal liberdade. Os mais críticos poderão ver tais errinhos, tais falhas, mas as cito aqui para mostrar que, antes deles, eu já havia notado.
Dentro disso tudo explicado, falei acima do Soneto, e decidi por mostrar apenas dois. Deveria me ater mais a ele, como sendo a Poesia de forma fixa mais conhecida do mundo. Desde Petrarca, nos idos do século XV, o mesmo é cultuado, então eu deveria aqui ir além e deixar nestas páginas, uma Coroa de Sonetos, mas iria alongar o livro desnecessariamente em mais 15 páginas. Sendo assim coloco aqui uma invenção minha, a Poesia monossilábica, e então tais Sonetos aqui vão não como Sonetos em si, mas como exemplo de monossilabismo. Espero que entendam isso também.

Sou um afeiçoado à Escola Romântica, da qual sou seguidor; e entendo mesmo que essa Escola do Século XIX teve apenas início e seu fim ainda não chegou. A mesma, porém, não traz grandes exemplares. (Álvares de Azevedo tem uma Terza Rima) Apenas na Parnasiana, onde a Forma era altamente cultuada. Assim deixo para futuros leitores, um livro que deverá permanecer inédito. Que um dia, no futuro, esse pequeno volume de minhas obras possa ser lido e entendido.

Piracicaba, janeiro de 2009


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA CRIAÇÃO



Balada da Criação

Nas pontas dos meus dedos já treinados,
Eu tamborilo o ritmo com frequência.
A métrica procuro em persistência
Para os versos jamais soarem quebrados.
Enquanto a mente explode em altos brados,
Uso a técnica, domo o pensamento
Que flui de leve, no valsar do vento.
A estrofe em êxtase de luz suprema
Como pérolas alvas de um diadema
Brota d’alma em delírio atroz, violento.

Maremotos, trovões, gritos, silvados,
E tudo vibra em luz ,numa cadência.
O coração explode em fúria e ardência,
Solta laivos de dor desesperados.
A ideia ferve, os sonhos vão alados,
Há pulverizações de filamento.
Uivam lobos da noite num lamento,
Surgem constelações de forma extrema,
Há colisão de sóis e o verso em gema
Brota d’alma em delírio atroz, violento.

Os abismos de treva – iluminados!
Inexiste saber para tal ciência!
Germina ainda no lodo da existência
E os sonhos – deixa, em transes, inspirados.
Lábios em beijos fortes, esmagados,
Dão o prazer real desse tormento.
Febre, fúria, paixão – divino unguento
Faz que, à Força Divina, a alma trema.
Momentos abissais! E tal teorema
Brota d’alma em delírio atroz, violento.

Oferta:

Canta o Poeta! Deus desse momento
Ele contempla a luz do Firmamento.
Qual Príncipe celeste, enquanto rema,
Na pura inspiração sente que o Poema
Brota d’alma em delírio atroz, violento.

26.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA SAUDADE II



Balada da Saudade II


Não é possível que a saudade
Com suas garras de Quimera
Contenha, sim, tanta ansiedade
Que a alma em mil transes dilacera.
Agarra à vida como a hera
Com seus espinhos pontiagudos.
Quer seja inverno, ou primavera,
Os sonhos todos morrem mudos.

Essa Senhora ingrata ainda há de
Despedaçar-se na alta Esfera.
E sua sombra de maldade
Irá morrer de tanta espera.
O tempo corre... Era após Era
Traz os delírios mais agudos.
Mas passa o inverno e à primavera,
Os sonhos todos morrem mudos.

Doce e fatal calamidade!
Essa Senhora o mundo impera.
Chama de ardente claridade
Que amargo fruto delibera.
E o coração jamais supera
Os seus brocados e veludos.
Mas tanto o inverno e a primavera
Os sonhos todos morrem mudos.

Oferta:

Quero que vivas na tapera,
Não vou cantar-te em meus estudos.
Pois eu me inverno em primavera
Os sonhos todos morrem mudos.

25.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DA SAUDADE I



Balada da Saudade I


Sim, é impossível que a maldade
Maltrate tanto um coração.
E aja em perversa atrocidade
Ferindo-o a balas de canhão.
Vivo de sonho e de ilusão
E ser feliz assim quem há de?
Disfarço em versos de canção
Tudo o que chamo de Saudade.

Sua feroz intensidade
É monorrítmica estação.
No inverno é pura frialdade,
E é brasa pura no verão.
Na primavera a sensação
Floresce apenas por piedade.
Porém, no outono é com razão
Tudo o que chamo de Saudade.

Tanto no campo ou na cidade
É sempre a mesma sensação.
Não acredito na verdade
Mas a mentira é uma oração
Que o eco repete num refrão.
Com ela vivo na orfandade
Sem ela é tudo solidão
Tudo o que chamo de Saudade.

Oferta

Madrasta ingrata! Os sonhos vão
Nessa sem fim perversidade.
Por maltratar um coração
Tudo o que chamo de Saudade.

24.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PARA GUSTAVO TEIXEIRA



Balada para Gustavo Teixeira

Oh! Gustavo Teixeira, hoje o Poeta
Rende glórias a ti, bardo inspirado,
No peito o coração apaixonado
Tuas loiras estrofes interpreta.
E vibra uma paixão – sublime seta
Que fere a alma num doce relicário! –
E se transforma em trinos de canário.
É delírio, é prazer, que tanto almejo
Em tua fronte dar um terno beijo
Nos cem anos do lírico Ementário!

Oh! Gustavo Teixeira, grande esteta!
Teu “Último Evangelho” é iluminado.
Nele mostras Jesus – Filho Sagrado! –
Que devemos segui-Lo como meta.
Tua Musa, divina borboleta,
De flor em flor, num vôo refratário,
Beija “Leda”, tão triste em seu fadário.
Mas a “ilusão ridente” num solfejo
Dentro do coração soa um gracejo
Nos cem anos do lírico Ementário!

Oh! Gustavo Teixeira, tão discreta
Foi tua vida, meu Poeta amado,
Que relendo teus versos, inspirado,
Fico a pensar, de forma até concreta,
Que és brisa envolta em luz numa violeta.
Mais leio “A Tempestade” e atroz cenário
O espaço dilacera... e mais eu vejo:
Os Poetas te saúdam num cortejo
Nos cem anos do lírico Ementário!

Oferta:

Oh! Poeta das Rosas! Há um sacrário
Na alta serra onde luz um campanário.
E eu, Poeta, somente aqui desejo
Que cante pela rua um realejo
Nos cem anos do lírico Ementário!

13.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

VELHA BALADA DE UM AMOR



Velha Balada de um Amor


Hoje te vi e uma paixão imensa
Povoou a minh’alma em esplendor.
E cantei, em delírio, linda crença,
Para te declarar o meu amor.
Tudo foi alegria multicor
Quando beijei teus lábios delirantes,
E na paixão tão cheia de calor,
Na tarde a fenecer, fomos amantes.

E o prazer não pedia recompensa
Pois n’alma nós sentíamos o ardor
Da entrega, numa força tão intensa,
Que tudo, para nós, se fez fulgor!
Era no ocaso, o sol ia se por,
Mas antes que seus raios coruscantes
Deixassem tudo em lívido negror,
Na tarde a fenecer, fomos amantes.

Nossa paixão vibrava no ar, suspensa;
Dos nossos corpos, vinham o rumor
Das carnes satisfeitas e era tensa
A volúpias das almas, em frescor!
Era a felicidade em sua cor
Que a nós chegava em passos ebriantes,
E ainda me lembro – em lindo resplendor,
Na tarde a fenecer, fomos amantes.

Envio:

E todo esse romance, minha flor,
Foi para mim como explosões radiantes
De luz e ainda me lembro com ardor:
Na tarde a fenecer, fomos amantes.

24.09.1981


Ésio Antonio Pezzato

BALADA INOCENTE


Balada Inocente

É necessário que a poesia
Viva nos corações humanos,
Que vivem presos na utopia
E na arrogância dos enganos.
É necessário que a alegria
Brote em canteiros de esperança,
Talvez assim, o mundo, um dia,
Tenha a inocência da criança.

O mundo vive na fobia
E o homem somente causa danos.
Explode a guerra, a epidemia,
Podres estão rios e oceanos.
Parece o amor não ter valia,
Vivendo preso na lembrança.
Sonho que o nosso mundo, um dia,
Tenha a inocência da criança.

Na vida a atroz melancolia
Planta o desprezo em vis arcanos.
Onde o sorriso outrora havia,
Viceja hoje o ódio dos tiranos.
Fatal e fúnebre agonia
Com seu desejo a tudo entrança.
Porém, que o amor no mundo, um dia,
Tenha a inocência da criança.

Envio:

Homem profano, eu só queria
Viver a paz sem mais tardança,
Que assim a vida, em paz um dia,
Tenha a inocência da criança.

07.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

22 de outubro de 2009

BALADA DAS RIMAS POBRES



Balada das Rimas Pobres


Dentro das regras seculares
Fico a compor minhas baladas:
Oitavas simples e vulgares
Com rimas pobres, desprezadas.
Mas o prazer que sinto é tanto
Que eu as componho com fervor.
Com versos puros teço um canto
Pois sou Poeta trovador.

Rimas engasto iguais colares
E brilham como as madrugadas;
Milhões de massas estelares
Fazem as noites encantadas.
Momento mágico de encanto,
A rima é pétala de flor.
Vou modulando a voz num canto
Pois sou Poeta trovador.

Os versos brotam dos teares
E estampam rosas encarnadas.
Sonhos mergulho em fundos mares
E trago pérolas douradas.
Esse prazer é sacrossanto!
Esse milagre é encantador,
Que aos céus e aos mares vibro um canto,
Pois sou Poeta trovador.

Oferta:

Contudo o verso finda e o pranto
Cala meu peito de cantor.
Mas crio logo um novo canto
Pois sou Poeta trovador.

07.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA POÉTICA



Balada Poética

Sou teu Poeta, minha flor!
Por isso em rimas sempre canto
Que és o meu puro e eterno amor.
Nas rimas sempre me suplanto
Para ofertar, com esplendor,
Meu verso pleno de carinho
Pois sou, Querida, o teu cantor
E canto como um passarinho.

Demonstro assim o meu valor
E é natural que exista espanto.
Se a rima é pobre, por favor,
Meu verso vai cheio de encanto.
Amada, seja como for
Iremos juntos no caminho.
Pois sou, querida, cantador
E canto como um passarinho.

Minha Balada tem vigor!
E canto-a sempre, em qualquer canto.
Tecer baladas é labor
Poético, e o esforço é tanto...
Mas não demonstro mágoa ou dor.
E perfumado teço um ninho
Pois sou Poeta e trovador
E canto como um passarinho.

Envio:

Sou Deus-Poeta e Criador
Jamais irei viver sozinho.
Sou teu Poeta, meu amor,
E canto como um passarinho.

03.03.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA PARA ANA MARIA



Balada para Ana Maria


Trago no peito a alma inspirada
E um coração aberto à vida.
Para a Poesia é longa a estrada:
Se traz espinhos... é florida.
Engasto a rima... a mais preciosa
Para poder versos compor.
Às vezes colho alguma rosa
Para fazer versos de amor!

Respiro com a alma apaixonada
A vida bela e colorida.
Declamo versos para a Amada
Que me ouve atenta e comovida.
Descamba a tarde bela e airosa...
Que maravilha é o sol se por!
À doce Amada oferto a rosa
A ela declaro o meu amor!

No mundo não existe nada
Que deixe a alma entristecida.
Bem lembra algum conto de fada
A história antiga e a ser vivida.
Cada manhã maravilhosa
Nos traz o sol raro esplendor.
Oferto a mais perfeita rosa
A quem eu chamo meu amor!

Dedicatória:

A vida é bela, é cor-de-rosa!
Sou teu Poeta, teu Cantor!
Ana Maria é minha rosa!
É meu amor! Eterno amor!

29.02.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA BRILHANTE



Balada Brilhante

Embalo em versos a canção
Que dentro d’alma me entorpece,
Canta, feliz, o coração,
Ouvindo os timbres dessa messe.
A voz é plácida oração
Que igual magia a tudo encanta.
Em êxtase ouço-a em emoção,
A própria vida em brilhos canta.

Notas febris; doce ilusão,
Como rosários a alma tece
Hinos de amor feito paixão.
Porém, de súbito acontece
No largo céu... revolução:
As rimas tecem fofa manta
Bordada a pena de pavão.
A própria vida em brilhos canta.

Repete o verso o seu refrão:
– Crença de luz que permanece
Com esplendor numa oblação
Que o céu dourado resplandece.
Pura e divina é a sensação,
É imagem virgem, sacrossanta.
É frenesi, é comoção,
A própria vida em brilhos canta.

Oferta:

Eterno Amor, com devoção
Tamanho amor até me espanta.
Mas ao te dar meu coração,
A própria vida em brilhos canta!

29.02.2008


Ésio Antonio Pezzato

BALADA DOS OLHOS



Balada dos Olhos

Houve um adeus na despedida
Que me deixou triste e chorando...
Pássaro morto, fim da vida,
Passos na noite vão errando.
Caiu a lágrima furtiva
No triste instante que houve o adeus.
Porque deixei a alma cativa
Naqueles lindos olhos teus.

Noite sem lua, enegrecida,
Sonhos no espaço vão num bando.
Trago no peito a alma partida
Sem rumo certo em transes ando.
Por mais que nesta vida eu viva
Me lembrarei de ti, oh, Deus!
Porque deixei a alma cativa
Naqueles lindos olhos teus.

Sinto meus sonhos de partida
Quedo-me em lágrimas olhando.
Vai tua imagem refletida
No coração que está sangrando.
A dor da morte sempre ativa
Tece relâmpagos nos céus.
Porque deixei a alma cativa
Naqueles lindos olhos teus.

Oferta:

Ah, que profunda expectativa
De ouvir-te a voz... ai, sonhos meus...
Porque deixei a alma cativa
Naqueles lindos olhos teus.

28.02.2008


Ésio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

Apresentação Poema "O Evangelho Segundo Judas Ish-Kiriot" Loja Maçônica Acácia Barbarense

ARQUIVO

PESQUISAR ESTE BLOG

..

ADMINISTRADORES