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29 de junho de 2010

SONETO TÉCNICO - PARA O LINO VITTI





Soneto técnico
(para o Lino Vitti)


Quando crio meus versos sempre busco
Decassílabas formas de escrevê-los.
Nas heróicas cesuras me chamusco
Tentando não me ater em pesadelos.

E os versos vão saindo dos novelos
Cheios de inspiração... Com jeito brusco
Procuro decifrá-los, entendê-los,
Com seus brilhos, porém – o mundo ofusco.

Às vezes, duplamente cesurado
O verso corre solto na cadência,
Por outras vezes, sem querer, e o verso

Torna-se sáfico, mas não errado...
E ao perceber que o verso é mais que ciência,
Tento apenas achá-lo no Universo.

24.04.2002


Esio Antonio Pezzato

SONETO DAS TREVAS




Soneto das trevas


O delírio da treva me revela
Cobras, lagartos, escorpiões e aranhas,
Uivos de cães em vibrações estranhas,
Mórbido medo ao qual meu ser se atrela.

Um pirilampo ao longe a noite vela.
Porém, sinto arrepios nas entranhas...
Tento fazer com o céu minhas barganhas,
Mas o frio da noite me enregela.

Ouço os pios soturnos das corujas.
Os sapos coaxam num desvão de brejo,
E uma cobra rasteja junto ao muro.

Olhos! Por que nas noites te enferrujas,
E, não consegues ver um só lampejo,
Para na vida eu não ficar no escuro?

27.12.2002


Esio Antonio Pezzato

SAUDADE




Saudade


Meu coração recorda ainda em sonho
O tempo das cantigas infantis.
Quando tudo era belo, era risonho,
E em êxtase eu vivia mais feliz.

Hoje que o tempo em embalar medonho
Da amargura plantou-me a cicatriz,
Aos ecos do passado ouvidos ponho
Quando dos versos era um aprendiz.

As cirandas ficaram esquecidas,
Os cantos são apenas ilusões
Daquelas noites líricas, floridas...

E ao recordá-las quantas sensações:
As esperanças brotam coloridas
E o coração se embala em tais canções.

29.08.2003


Esio Antonio Pezzato

ELOGIO FUNESTO




Elogio funesto


Vivemos a contar nossas histórias
E somos sempre o artista principal.
Nelas vencemos grandes trajetórias
Com enredo perfeito e magistral.

Cavamos fundo, pálidas memórias,
E em lutas contribuímos contra o mal.
Querendo para nós todas as glórias,
– Fato este corriqueiro e até banal.

Somos Protagonistas de chanchadas.
Sempre descarregamos num pateta
A nossa fúria cômica a patadas...

E ainda queremos ter, por recompensa,
Nossos feitos nos versos de um poeta,
Nossas vitórias em nefasta crença...

10.10.2002



Esio Antonio Pezzato

27 de junho de 2010

NOVA VISÃO DOS MORTOS





Nova Visão dos Mortos


Novamente o Poeta abre seus olhos
E não crê na vergonha que aqui infesta:
Um suor frio brota de seu rosto
E Ele, com alvo lenço, limpa a testa...
Castro Alves, o Poeta dos Escravos,
Como um fantasma vem da Imensidão;
E outros mortos, das tumbas saltam lívidos,
Da lua pálida ao fatal clarão!

Um exército negro segue-o junto,
São os escravos mortos nas senzalas,
Com correntes nos braços e nas pernas,
Com os corpos furados pelas balas.
Todos com vestimentas brancas, límpidas,
Carregam a Justiça pela mão;
E vêm cantando em coro à Liberdade,
Da lua pálida ao fatal clarão!

Vêm os soldados mortos nas trincheiras
E os heróis cruelmente assassinados,
Um Pataxó queimado na cidade,
Da Candelária vêm os favelados.
Vem Herzog com seu cavalo negro
Empunhando o Estandarte da razão.
E na outra mão tem uma flor que brilha,
Da lua pálida ao fatal clarão!

Os heróis do passado estão voltando
Em busca da Verdade e da Justiça,
Porque da Eternidade estão sentindo
Aqui na Terra o cheiro de carniça.
Os oprimidos sofrem – mas calados,
Pois o que dizem fica na opressão.
– Os fantasmas cavalgam pelos ares,
Da lua pálida ao fatal clarão!

Quevara ressuscita na Bolívia
E luta pela América ferida,
E armado com as armas da Esperança
Busca ver a existência mais florida.
Neruda em muitos cantos generales
Procura a paz nas rimas da canção,
E de mãos dadas com Allende
Da lua pálida ao fatal clarão.

Exilados renascem do sal grosso
E gritam – “Liberdade, ainda que tarde!”
E da floresta em fogo vem chegando
Ouro duende em pavoroso alarde!
Quem é esse que chega desvairado
E vem causando enorme confusão?
– É Geraldo Vandré, que vem num touro
Da lua pálida ao fatal clarão!

E vem Disparada pelo campo
Acenando a Bandeira da Vitória.
Tem no seu peito, estrelas fumegando,
– Na fronte traz os louros de áurea glória.
Sua viola toca a melodia
Que me soando alto em seu refrão:
“Pra não dizer que não falei das flores...”
Da lua pálida ao fatal clarão!

Todos a postos numa grande fila
Esperam a chegada de ouro forte:
E de uma estrela pura e cintilante
Vem chegando o Poeta lá do Norte.
E John Lennon, o Beatle desvairado
Que três tiros tomou no coração,
E vem cantando uma canção sublime
Da lua pálida ao fatal clarão!

Todos em fila partem redivivos
Cantam hinos de paz e de esperança,
Tentando derrubar a Sociedade
Que se perde em raízes da vingança.
As armas – são canções de paz á Terra
E muito amor em cada coração.
Esperam dissipar o ódio no mundo
Da lua pálida ao fatal clarão!

Porém, nada conseguem nossos ídolos,
Que massacrados gemem dominados.
Aqui na terra o império é da vergonha
E o caos domina os corações alados...
Reunidos a distância deste mundo
Os fantasmas em grande convulsão,
Seguem calados, pela estrada etérea,
Da lua pálida ao fatal clarão!




Esio Antonio Pezzato

CANÇÃO DA AUSÊNCIA MAIS SENTIDA




Canção da Ausência mais Sentida


“Meu filho partiu... meu filho
Da vida perdeu o trilho
E foi em busca do além...
Por que, meu filho, partiste,
Deixando mundo triste,
Sem esperanças também?...

Meu filho partiu... minh’alma
Que outrora sorria calma,
Hoje tem laivos de dor.
E tua ausência, querido,
Faz que fique entristecido
Em meu coração – o amor.

Vazio o meu Universo
Ao ver vazio o teu berço...
Por que te foste de mim?
A vida hoje está vazia...
Minh’alma está fria, fria,
Minha angústia não tem fim...

Se voltasses, o meu pranto
Se faria eterno canto
E eu viveria por ti.
– Não vens... nem virás tão cedo...
Ai, meu filho, eu tenho medo
Em não te sentindo aqui.

Razões de vida procuro...
Tristonho olho o meu futuro,
Vejo um sonho que morreu.
E morta estou me sentindo
Pois quando te vi partindo
Quem partiu, creia, fui eu.

Outrora um riso inocente
Deixava todo contente
Meu materno coração...
Eras tão novo, filhinho,
Que nem ouvi teu carinho
Ao ver morrer-me a ilusão.

– Mamadeiras, fraldas, cueiros,
Chupetas e travesseiros
Compunham teu enxoval...
E agora – em peça por peça
Tento ver se encontro, impressa,
Tua impressão digital.

Apenas um retratinho
Guardo com muito carinho
De ti – ainda bebê.
Olhando-te me consolo...
– Se era tão quente meu colo
Por que partiste? Por quê?

Quando ficaste doente
Meu coração inocente
Não pensava em te perder.
Porém, veio a noite... o frio...
Que te causou arrepio
– E eu não pude te aquecer...

Distante de meu carinho
No céu – agora és anjinho
E minha esperança é vã...
Por ti eu faço uma prece
E meu coração te aquece
– Macacãozinho de lã!

Por isso, querido filho,
Nos olhos eu trago o brilho
De amargura e ingratidão...
E se peço a tua volta
Sinto a trágica revolta
Dominar-me o coração.

Por quê? por que tu morreste
Meu pequeno anjo celeste?
Outras mães, iguais a mim
Todas plenas de carinhos
Passeiam com seus filhinhos
Entre as sombras de um jardim...

Os lábios com os dentes mordo...
Quando vejo um seio gordo
E um lábio nele mamar,
Vêm-me á boca aromas ácidos
Ao ver os meus seios flácidos
Pois precisei esgotar.

Depois minhas noites frias...
Passando as mãos nas estrias
No ventre que te gerou,
Fico sozinha no quarto
E recordo a hora do parto
... E a hora que o sonho acabou...

Revolta... apenas revolta...
Meu desespero se solta
E praguejo contra os céus...
Minha angústia chega ao cúmulo
Ao te ver num frio túmulo
Num silêncio sem adeus...

Com minhas desesperanças
Eu olho em outras crianças
Para tentar encontrar
Um outro olhar tão bonito...
Porém, estás no Infinito
E não consigo te achar...

Embora sofrendo tanto
Minh’alma ainda tenta um canto
Numa canção de ninar...
Estás meu ouvindo, meu Filho?
– Se em meus olhos há um brilho
É uma lágrima a rolar...
..........................................
............................................
Mas do rosto movo os músculos
E abro os olhos aos crepúsculos
Que tingem de fogo os céus...
E uma esperança me volta
Desta trágica revolta
Pois te vejo junto a Deus!

Estás na Eterna Morada
Onde uma luz aureolada
Te cinge com esplendor...
Com outros anjos te envolves
Os meus problemas resolves
E me lanças teu Amor.

Entendo tua partida...
Precisavas de mais vida
E não a achavas aqui.
És livre, meu filho, voa...
Os meus lamentos perdoa
Porque preciso te ti!...”

28.07.1991


Esio Antonio Pezzato

CRENÇA




Crença

Eu acredito em Deus. Eu acredito
No Deus com D maiúsculo, no Deus
Que mora no vastíssimo Infinito
E é chamado de Elias, entre hebreus!

Num Deus que traz a mim tanto conflito,
Que fez Sansão vencer os filisteus,
E nesta crença às vezes eu me irrito
Ante os Mistérios e os desejos Seus!

Acredito num Deus que fez o mundo,
O Infinitíssimo e o Indeterminado,
Que fez a flor, o inseto e o Orbe profundo!

Num Deus que deu ao Homem Sua imagem
E pode, num espelho ser olhado
Na simples semelhança da miragem!

12.11.1995


Esio Antonio Pezzato

NOSSA SENHORA APARECIDA





Nossa Senhora Aparecida


Minha Nossa Senhora Aparecida
Mãe do Menino Deus, Nosso Senhor!
Olha pelos teus filhos nesta vida
Para que haja no mundo mais amor!

Oh, nossa Santa Mãe estremecida,
Nós, Cristãos, e louvamos com fervor!
Te queremos na crença mais florida
Te exaltando antes as garras do agressor!

Se hoje a teus filhos, mártir, apareces,
E pedes penitência, e em prantos, preces,
Ao Teu Filho pregado numa cruz,

Nós também te pedimos, oh, Senhora,
Que nos protejas pelo mundo afora,
E intercedas por nós junto a Jesus!

12.10.1996



Esio Antonio Pezzato

24 de junho de 2010

BARCAROLA



Barcarola

Tarde da noite caminho
Por um estranho deserto.
Como sempre estou sozinho,
– Não tenho ninguém por perto.

No alto céu as nuvens dançam
Num balé encantador.
Brilhantes de lua lançam
Reflexos de muita cor.

Como pequenina vela
Um singelo pirilampo
Brincando de ser estrela
Ilumina todo o campo.

E as estrelas tagarelas
Também querendo brincar,
Pensam que são Cinderelas
E também brincam de amar.

A lua fica brincando
De amarelinha no espaço,
E eu então fico cantando
E tento dar-lhe um abraço.

Imensa alegria invade
De pronto o meu coração.
Invoco a felicidade
Nas rimas de uma canção.

Um sem-fim canta a distância
E apenas ouço o seu canto...
De um jasmineiro a fragrância
Na min’alma põe encanto.

A noite é suave e fresca,
Embora faça calor.
O orvalho tênue refresca
As pétalas de alva flor.

A natureza é divina,
Parece estar encantada!
E eu carrego na retina
Raios da noite enluarada.

Rezo a Deus por ser Poeta
E minhas rimas tecer,
Pois minh’alma está repleta
De alegria e de prazer!

30.06.1994


Esio Antonio Pezzato

HORTA




Horta


Faço brotar a saudade
Nos canteiros que semeio,
Mas o perfume que evade
Me faz palpitar o seio.

Cada semente que planto
É uma semente que nasce.
E eu a orvalho com o pranto
Que rola da minha face.

Assim, quando ela floresce
Em pétalas coloridas,
Dos meus lábios sai a prece
Das esperanças perdidas.

25.07.1995


Esio Antonio Pezzato

O PENSAMENTO




O pensamento


O pensamento, em transe, vai e vem...
Até parece estar numa estação,
Onde – momento sim – momento não,
Sempre na hora marcada, chega o trem...

O pensamento sempre traz alguém
Que um dia povoou nossa ilusão,
Fez diabruras em nosso coração
Colocando alegrias ou desdém...

O pensamento como sempre dói...
Se, é de tristeza o coração corrói,
Se, é de alegria não a temos mais.

De saudade – ficamos a chorar,
De esperança – ficamos a lembrar,
Mas sempre com torturas e com ais.

11.08.1993


Esio Antonio Pezzato

HERANÇA




Herança


O homem agride a noite, o homem revida
As vontades de Deus, o homem investe
Contra as leis que dominam sua vida
E se mostra no mundo um cafajeste!

Azar do homem! De vento ele se veste
E marcha num caminho de suicida.
E talvez no amanhã, nada mais reste
Do que sua esperança carcomida!

Na barganha que faz incontrolada
Contra a indefesa e linda natureza,
No fim de tudo o homem mais lembra um odre...

E ao final da ganância, um simples nada
Ao homem restará desta certeza,
Não restando sequer, um fruto podre.

13.10.1996

Esio Antonio Pezzato

23 de junho de 2010

DO VERBO AMAR




Do Verbo Amar


Amo! E é tamanho o amor que n’alma sino,
Que a todo o instante vivo a soletra
(Não sei se é por mania, ou por instinto)
Canções do verbo amar!

Se, ouço um pássaro, faço-lhe dueto,
E ele também, feliz, fica a cantar
Como a orquestra em dobrados no coreto,
Canções do verbo amar!

As pessoas andando pela rua
Num sem querer começam-me a imitar,
Fico feliz, flauteando à luz da lua,
Canções do verbo amar!

As árvores plantadas nas calçada,
Felizes, mexem folhas a bailar,
Ficam também ouvindo, apaixonada,
Canções do verbo amar!

Buquês de flores, nas floriculturas,
Insistem em tomar o seu lugar;
E soletram contentes, em venturas,
Canções do verbo amar!

E eu na alegria, vou imaginando
Que a qualquer hora, quando eu te encontrar,
Lábios em beijos estarão cantando
Canções do verbo amar!

12.10.1994


Esio Antonio Pezzato

NO SILÊNCIO DAS SOMBRAS




No Silêncio das Sombras


No silêncio das sombras, escondidos,
O que dizem os ternos namorados?
Os olhares em êxtases, calados,
Não falam, mas sussurram em gemidos.

Quem entende a linguagem dos sentidos?
– Somente os corações apaixonados!
Os lábios que em murmúrio são beijados,
E os mil beijos que são retribuídos.

E a mansidão entende esta linguagem,
Na volúpia da carne que flameja
E no desejo que se faz selvagem.

O corpo em transe que vigor deseja,
Os lábios que não param e mais agem,
A boca que sussurra enquanto beija!

25.06.1996


Esio Antonio Pezzato

CANÇÃO INGRATA




Canção Ingrata


Saudade é uma canção bastante ingrata:
Uma só vez ouvimos o seu canto
E ela, com arte de magia e encanto
Nos prende da maneira mais abstrata.

E sem querer, estamos sós, à cata
Das lembranças perdidas nalgum canto
Do coração, que marca com seu pranto
As notas musicais desta insensata.

Às vezes, no silêncio e na quietude,
Ela dedilha-se em necessidade
E invade os céus em mágica amplitude.

E esquecer sua voz, oh, quem é que há de?
Por quanto mais o coração se ilude,
Mais ele sente falta da Saudade.

23.10.1997


Esio Antonio Pezzato

INCÓGNITA




Incógnita


Ela chega quietinha e mansamente
Da nossa vida vai tomando conta...
E a alma, em mil rodopios fica tonta
Tal como o corpo num valsar se sente.

Às vezes, deixa o coração doente
E o pensamento, em transes, amedronta.
Mais parece um punhal de fina ponta
Que fere e sangra inopinadamente.

E descobri seu nome por acaso...
Olhando o sol a se esconder no ocaso
Senti-me preso em invisível grade...

Tentei gritar seu nome á branda aragem,
Porém, o tempo se tornou selvagem
E bem baixinho soletrei: s-a-u-d-a-d-e!

23.10.1997


Esio Antonio Pezzato

SEU NOME




Seu nome


–“Qual o seu nome?” Eu perguntei à bela
Visão que aos olhos meus se oferecia.
Apaixonado, fiz-lhe uma poesia
Mas não fiquei sabendo o nome dela

Uma tarde, em que o azul do céu morria,
Ela surgiu pintada numa tela...
E eu, totalmente apaixonado a ela,
Cantei-lhe uma suave melodia...

Mas ela novamente foi embora...
Fiquei tonto de amor, preso na grade
De uma paixão por essa atroz Senhora.

Ainda hoje me debato em ansiedade,
E agora eu descobri seu nome, agora,
Eu sei seu nome muito bem:– Saudade!

23.10.1997


Esio Antonio Pezzato

NUM ÁLBUM




Num Álbum


Pedes-me um canto. Na aurora
Tento a inspiração sonora
Para esse canto compor.
Em sinfonias suaves
Fico atento olhando as aves
Trilando versos de amor.

No chão a relva molhada
Diz adeus à madrugada
E espera o sol ressurgir.
Respingam de cada galho
Mil gotículas de orvalho
E tudo fica a sorrir.

No jardim uma roseira
Lembrando fada trigueira
Desabrocha mil botões.
Juntos, os botões de rosa
Numa alegria radiosa
Parecem mil corações.

Nesta manhã clara e bela
Vejo no céu uma estrela
Que ainda teima em brilhar.
Porque está tão bonita
Esta manhã infinita
Que ela não quer se apagar.

Tudo fulgura de encanto,
A sabiá sola um canto
Que lembra um cano feliz.
Logo após, bandos alados,
Vindo de todos os lados,
Milhares de colibris.

Beijando as flores vermelhas
Vejo centenas de abelhas
Buscando gostas de mel.
E juntas, nesta alegria,
Inspiram-me esta poesia
Com gotinhas de hidromel.

Adoro a vida no mato...
Agora vejo um regato
De água pura de cristal.
À água pura e cristalina
A minha fronte se inclina
E sinto a paz sem igual.

E neste êxtase tão puro
Sem passado e sem futuro
Que mais de bom pode haver?
Em meio a estas minhas frases
Será que existe outro oásis
Que me dê maior prazer?

Nesta infinita alegria
Ouço:– “Esio!...” É a Ana Maria
Que me chama e a ela me vou.
E feliz se contagia
Lendo esta minha poesia
Que seu amor me inspirou.

11.11.1996



Esio Antonio Pezzato

20 de junho de 2010

SONÂMBULO




Sonâmbulo


Este meu coração que sonha tanto,
Por certo há de morrer por tanto sonho,
E a cada sonho invento um novo canto
Na ânsia de caminhar sempre risonho.

Em cada um deles busco um novo encanto
E, com firmeza, os pés confiante ponho.
Cada sonho me cobre com seu manto,
Feliz nesta clausura penso e sonho.

Mas acordo... Profana é a realidade:
Subitamente tudo é atroz miragem,
Fantasia cruel que em transe vivo.

E cada vez mais cheio de saudade
Busco encontrar no sonho a mesma imagem
Que tanto o coração deixa cativo.

14.04.2002



Esio Antonio Pezzato

AOS CANCEROSOS




Aos cancerosos


Basta de compor poemas líricos e suaves
Perfumados de amor
E cheio de flores
Hoje vou dizer adeus à musa dos campos e da brisa
Darei um chute no lirismo
E farei o meu verso pesado
Tão pesado que eu mesmo não conseguirei levantá-lo
Com o guindaste da minha voz
Soltei o cantochão dos dínamos e dos átomos frementes
E invocarei as musas do pecado
As musas das armas bélicas
Do fogo
Das metralhas
Do ópio
Da podridão

Chega de lirismo e versos de amor
Que fiquem amontoados no fundo do sótão
Os amores as flores os perfumes e o romantismo
Hoje quero gritar versos desesperados
Alucinados
Quero vomitar o pus das feridas
Tirar os emplastros e os curativos dos tumores
E dos furúnculos
Tirar membranas virginais
E deixar marcas vermelhas nos seios das prostitutas
Quero masturbar minhas idéias
E cuspir o sangue dos tuberculosos
Gritar desconvalidos verbos
Mandar as favas todas as seitas
E todas as religiões
Vamos incendiar o mundo Nero
Vamos fazer armadilhas Átila
Vamos ironizar os apóstolos e todos os papas
Erguer altares profanos
Abaixo as Repúblicas
E os Impérios
Abaixo os regimes verdes do nosso povo
Viva os ditadores
À forca com os ministros
Paredão aos embaixadores
Solitárias para os militares
Chega de condutores com armas empunhadas
Com sabres calados
E tiros traiçoeiros
Vamos abrir os porões dos navios negreiros e de guerra
Vamos inundar o triângulo final da América do Sul
Arrebentando as eclusas de Sete Quedas
Vamos desviar o Amazonas e o Nilo
O Mississipi o Eufrates, o Ganges e São Francisco
Fazer o caos reinar sobre a terra e sob os céus
Numa total alucinação
Estuprar idéias e mãos que trabalham
Vomitar o ódio profundo
De sermos dominador por répteis cancerosos
Que ganharam à força o poder do povo
Abaixo a ditadura e os ditadores
Cadeia para todos

Hoje não quero compor poemas líricos e suaves

30.11.1982


Esio Antonio Pezzato

18 de junho de 2010

CANTADOR




Cantador


Ser cantador
Cantar a dor
Cantar a flor
O amor

Ser cantador
Da dor
Da flor
Do amor

Canta cantador
Canta a dor
Canta a flor
Canta o amor
Cantador

Cantador que canta a dor

Canta, canta, canta cantador,
Canta a dor, cantador,
Canta a dor

14.01.1977


Esio Antonio Pezzato

DECEPCIONADO




Decepcionado



Gostaria de ser uma pessoa
Que não ligasse para nada,
Mas eu não sou assim.
Me preocupo à toa,
Choro por ver crianças triste,
Um rosto fechado,
Um jardim sem flores,
Crianças pobres e famintas,
Gostaria de ser uma pessoa
Que não desse ouvidos para nada,
Mas eu não sou assim.
Ouço todo o que falam,
Ouço vozes infantis
Das crianças pedindo esmolas
Ou um prato de comida.
Gostaria de ser uma pessoa
Que não visse nada,
Mas eu não sou assim...
Vejo crianças esfarrapadas,
Aleijadas, mal vestidas,
Dormindo nos bancos dos jardins, nas calçadas, etc...
Gostaria de ser uma pessoa
Bem diferente do que sou,
Mas eu não sou assim...
Tenho o rosto sorrindo
E o coração chorando,
Vejo um mundo lindo
Cheio de homens se matando...
Por isso choro, porque gostaria
De ser uma pessoa bem diferente
E não ligasse para nada,
Mas eu não sou assim...

19.12.1974


Esio Antonio Pezzato

16 de junho de 2010

SONETO IMPROVISO




Soneto improviso

(soneto feito na hora com palavras dadas)



Dentro da noite poliedra e fria,
A minh’alma indecisa busca a aurora.
Meu coração dentro do peito chora,
– Sou um ancoradouro de agonia...

Ao longe uma paisagem fugidia
Vê que em mim a saudade revigora...
Oh, meu amor, por que tanta demora?
O plágio do meu pranto é-lhe poesia?

Meu pensamento em células errantes
Não conciliam a paixão que sinto
Meus sonhos tornam-se visões distantes...

Mas nessa angústia eu vejo tudo morto:
Meu sonho é um sonho vertical e extinto,
Meu caminho é um caminho incerto e torto.

30.06.1978


Esio Antonio Pezzato

PALAVRAS - Versos Brancos





Palavras
Palavras
Palavras

Palávoras
Árvores
Não te arvores, árvores,
Não, árvores, não te arvores.

Eis a palavra pulsando
Pulsante
Vibrante
Enigmática
Pragmática

A metafísica dos números das palavras
E a inconsistência física das noites e dos dias
Que passam, passam, passam,
Escandindo sonhos, solapando rimas,
Escanhoando ilusões. A grande metafísica
Deste mundo é a ilusão que me cerca.

Eu sou o poeta e neste momento de sonho
Palpito-me em palavras para poder sair
Em busca da defesa para minhas verdades.

Minhas verdades são palavras feitas
Minhas verdades são palavras inventadas
E não me entendo
E nem consigo me fazer entender.

O pensamento raia o absurdo
O absolutismo é uma razão imponderável.

A noite traz mistérios e as palavras não conseguem desvenda-los

Eu me concentro em busca do ato de desvendar
Mas sou somente palavra retida na retina do segredo do mistério.

Corro os olhos e a mente alucinada
Corre desvãos de escada degrau por degrau.

Eu sou o poeta que pensa, pensa, pensa e nada diz,
Em suas verdadeiras mentiras ocas e sem rimas.

Tanto que paro de escrever

É o delírio
O delírio
Delírio
O delírio
É o delírio
E o delírio
O delírio
Delírio
O delírio
E o delírio?

Capto a alma da noite para cavalgá-la
E pelos campos sem fim do cosmos e da vida
Vou amalgamando sonhos
E a alma
E a lama
É a lama da alma. Fecho a mala
E ponho-me num caminho pelos rumos sem fim
Onde sou e como vou vencendo léguas de silêncios em silêncio.

O espírito acomodado lentamente sacoleja meu corpo
E minhas carnes estremecem o espírito impalpável que me domina.

Eis a noite o silêncios o lírio e o delírio,
Eis a sombra, a fúria, a calma,
Os tigres gritam da toca da noite
Os tigres gritam urram os leões
Os grilos saem da toca para alucinarem a noite
Os pirilampos saem da noite para iluminarem vagas
Os escorpiões saem da toca para incendiarem a noite com picadas.

Pelas picadas passo adentro, adentro a noite
E atiro flechas de olhares ao redor do labirinto
E não sou eu
E sou eu
E não sei quem sou
E não me entendo
Não me decifro
E esfinge me devoro.

Sou uma curva dentro da distância que meu olhar contemplo!

Sombras
Sombras
Sombras


A caminhada se alonga à medida que as curvas vão se definindo frente aos passos
A caminhada é longa para a vida que com as vistas turvas vão se diluindo de repente
A espaços

A madrugada silenciosa monja
Licenciosa monja
Libidinosa monja
Anda perdida pela varanda
Dos meus olhos que vão seguindo interminavelmente
A longa e tenebrosa jornada dos traços riscados com giz dentro da noite.

Eu sou o Poeta que navega frente a tudo
O olhar infinitivamente agudo
Olha de fresta
Para ver o que resta.

E o que na verdade resta?
Uma sombra dentro das muitas sombras
Que são sombras e fantasmas
E tudo me assombra
Dentro desta sombra.


Assim a sombra pela noite através das palavras
Vai caminhando sempre em vão para um rumo desconhecido.
Assim a noite entrelaçada em galhos e ramas e sentenças
Vai ardilando sempre o vão das estrebarias onde sonhos nascem
Assim a noite abraçada a traições vai buscando calvário onde os sonhos
E as verdades são crucificadas.
Assim eu vou pensando pelos passos apressados que vão passando
Juntamente com meus apressados passos
Que dão pés em laços
Assim vou caminhando pois é o destino que me pôs à vida,
Assim vou caminhando pois é o destino que me impôs à vida,
Assim vou caminhando pois é o destino que transpôs a vida
Em sílabas musicais que se repetem, se repetem, se repetem,
Se repetem, se repetem, se repetem, se repetem, se repetem,
Se repetem...

Eu me repito e me volto e me vejo e me fito
E me contemplo em horas dias meses séculos
Desde ontens perdidos e vãos
Ao vão dos dias ainda amanhãs.

Eu sou o Poeta que através das palavras
Vou me fazendo entender
E me entender
Até que me canso
E ponho-me em descanso.

Eis a noite que se apodera
E os meus braços prendem meus desejos.
Eis a cadeia para a prisão perpétua
Dos meus libidinosos desejos
Pornográficos.

E eu aqui tentando em liras
Fazer liras
E me tiras
Ocas mentiras

(Meus desejos saem das fúrias
Tocam mentes puras com impurezas
E minha alma vive sempre na linha de frente
Para ser condenado)

Abro meus olhos
Abro meus passos
Abro meus braços
Abro minha mente.
Eternamente sou assim
E vivo aqui
Olhando ali
Como bomba tenebrosa
Eis-me aqui!
Fitando o ali
Daqui vejo o sol
Daqui vejo o dali.

Salvador. Salvador daqui
Salvador de lá.

Estou grog com vam como dog
Como gogh
Eis o sinal do tempo.

Abro tudo.
As cortinas dos meus olhos se abrem
E o palco do espetáculo da vida se ilumina.
Faltam os atores.
Só me resta aqui o autor do que penso
Do que imagino
Rodrigueanamente, pliniamente,
Qorposantamente.

Que medo,
Que tredo,
Que azedo.
– Puta! –

Alucinado os passos ponho frente a frente, frente a frente
E desvairado vou cantando passo a passo, passo a passo a passo,
Para chegar ao final do nada.

Eis a escada
Sobe
Vão
Sobe
Vão
Sobe
Vão
Sobe
Vão
Sobe
Vão
Sobe
Vão.

A mão corre o corrimão debruado de verniz.
Eis o alto do nada para um outro plano.
Eis o sólio do espectro
Eis o Oriente
Em quatro passos
E outros três para o trono.

Eis que posso ver a Estrela
Eis que posso ter um tombo maior
Eis que outros iguais a mim
São igualmente iguais a mim
Que sou igual a mim.

Tudo tão diferente
Tão frio, insensível,
Tudo tão normal
Trivial.

Eis passo a passos os passos neófitos,
Eis traço a traço os riscos diabólicos,
Eis a conclusão do nada
E o final de tudo
Mudo
Mudo
Mudo
Mudo
Mudo
Mudo
Mudo.
– Mudo as coisas de lugar
Mudo às coisas tolas.

Estou aqui
Compondo
Sonhando, sonhando, sonhando,
Os olhos rondo
Por tudo
E fico mudo e mudo
O meu silêncio
E me penitencio.

Agora estou sem tempo
E onde encontrar o tempo que é sempre o mesmo
E está todos os dias aqui ao nosso redor
Compondo sinfonias de horas minutos segundos
Semanas meses anos
Décadas séculos milênios?
Onde anda o tempo se ele é tão veloz
E não passa?

Atroz incoerência o tempo passa
Passa parado
E vagarosamente
Um trem chamado Vida
Passos pelos trilhos de sua existência.

O tempo cheio de contratempos não passa
E nós não nos vemos ficar

Não ficamos
Passamos
Somos pois nós os verdadeiros
Passageiros do tempo
Nós passamos e raramente dobramos o século...

Eis o tempo avançando
Novamente avançando
Para nos tirar daqui.

Assim é o natural
Natural que seja assim portanto
Entretanto
Entre canto.

Entretanto
O meu canto continua
Rapidamente
Sem tempo medido
Sem raciocínio
Que possa ser medido
Pois continua rapidamente
Passando e passando
E passando a musicalidade...

Do fundo do mais fundo o pensamento grita
Profundo o meu lamento se agita
Sou egoísta a tudo o que me cerca
E saio sorrateiro
Como um gato sobre o telhado
Adilando vítimas.

Sou o poeta que procura
Dentro da noite
Paradigmas
Enigmas.
Os signos falam por mim
As colunas falam por mim
Os mosaicos falam por mim
O Ocidente fala por mim
Os vigilantes falam por mim

Sem direito à Palavra
Balbucio sílabas – jaquim.

Sou o aprendiz do verso
Que procura ainda
Uma rima em ao
Um rima em or
Uma rima em ar.

Coração
Cor
Amar

Emoção
Amor
Sonhar.
De repente tudo
O que antes era grito
Fica mudo
O agito
Silencia
Se cala
A poesia.
Torna-se quieta
E o poeta
Com a rima sua
Fica olhando a lua
Do meio da rua.

Uma imagem torta
Que parece morta
O poeta vê.
Dos quartetos
Dois tercetos
Faz o seu soneto
Que perfeito crê.

De repente o verso
De repente imerso
De repente é nada
De repente o dia
Morre na agonia
Morre a Poesia
Rompe a madrugada.

De repente a voz
Antes soberana
Torna-se atroz.
E me sei mordaz
Quanto mais voraz.

Eis a minha lira
Tangida à mentira
Eis o verso mudo
Que se cala tudo.

Sorrateiro sou gato sempre na espreita
Sou um gato. Um gato sempre sabe
A hora de atacar. Um gato
É ardiloso. Fica na espreita para
Atacar. Nunca falha em suas
Atacadas. Raramente se vê um gato
Miando alto alardeando a sua
Presença. Diferente do cão o gato
É silencioso. Eis o gato
Eis a palavra. Eis a rima
Eis o Poeta.

Eis a vida a morte o sonho o pesadelo
A mensagem falada escrita muda fechada num livro
O sonho a mentira a egocentricidade
O melodrama o drama a trama.
Eis tudo
Eis nada
Eis não sei o quê.

(Teu corpo
– Nuvem! –
Nu vem, nu vem, nu vem
Como nuvem
Encharcar meu corpo)



Esio Antonio Pezzato

12 de junho de 2010

DIVINO PODER




Divino Poder

Trazemos n’alma desde as mais remotas Eras,
O divino poder de transmudar em Canto
As palavras que ao tempo escorrem junto às heras
Ou de um grotão qualquer, escondido num canto.

É o dom de ser feliz, de espargir primaveras,
De espalhar pelo campo o riso aberto e o encanto.
E a Fé, alada à Esperança, aos sonhos, às quimeras,
Mostra da Caridade o que é sublime e é Santo.

E assim vivemos nós presos nesta corrente,
Os elos urdem nós, dobram sonhos felizes,
No canto a nossa voz o Amor supremo exprime.

Mas homem mau em sombra arde na nossa frente,
Transforma nosso canto em fundas cicatrizes,
E com desdém sorri frente a nefasto crime.

24.03.2006


Esio Antonio Pezzato

OCASO




Ocaso

O Ocaso vem chegando e com cores sombrias
O céu da minha vida aquarela de luto.
Se antes, a Primavera era a luz dos meus dias,
Hoje o Inverno glacial solfeja seu tributo.

Constelações no céu fulgem alegorias
Mas sem força interior não guerreio e não luto.
Antes o amor vibrava airosas melodias,
Hoje no Inverno busco um asilo, um reduto.

Fico extático a ver da Vida o seu remoinho,
Outrora tão vibrante eu nele entrava todo
E sabia buscar sempre um novo caminho.

Hoje, porém, contemplo os passos desse engodo.
A solidão chegou. Aqui fiquei sozinho.
E tenho os meus dois pés atolados no lodo.

18.11.2005


Esio Antonio Pezzato

TRANSFORMAÇÃO




Transformação

Sempre que a Inspiração brota em meu pensamento,
Procuro decifrar, da Musa, o seu chamado:
Às vezes é cantiga e traz bulício ao vento,
Tecendo em rima pura um canto apaixonado.

Outras vezes, porém, chega igual a um lamento,
Fazendo o coração bater desesperado.
E meu canto se torna ácido, num momento,
E nos meus olhos, denso é o pranto derramado.

Nada, porém, me trava o continuar do canto.
As lágrimas modulo, e disfarço o meu pranto,
Para tentar mostrar que nada me domina.

Sou apenas Poeta e ao compor minha Lira,
Consigo transformar em Verdade a Mentira,
Se, é o silêncio que vem – minh’alma em brilhos trina!

09.11.2005


Esio Antonio Pezzato

MUITAS VIDAS NUMA VIDA




Muitas vidas numa Vida

Se já vivemos nós mil vidas já passadas,
Ainda iremos viver mais mil vidas futuras.
Por estradas sem fim etéreas, perfumadas,
Iremos, sim, viver, em sonhos e em venturas.

Pois nosso amor nasceu ridente de aventuras,
Entre explosões de sóis clareando madrugadas.
E assim seguimos nós com as esperanças puras,
Sem passado e sem fim por todas as estradas.

Se, unidos somos nós – em uma duas almas –
Plasmados nesse amor nas carícias mais calmas,
Quando o porvir chegar trazendo novas vidas,

Iremos, sim, nos ter, pois a felicidade,
Haverá de ser nossa além da Eternidade
Por estradas de luz sublimes e floridas.

26.05.2005


Esio Antonio Pezzato

10 de junho de 2010

(ENTRE PARÊNTESIS)




(Entre parêntesis)

Tanjo a lira, urdo o som, ascendo o pensamento,
Vibro cordas em mim, teço milhões de tramas,
À pauta musical eu me pego violento,
(Eu te amo, meu amor... oh meu amor, tu me amas?)

Uso cores febris, pincéis à tela tento,
Desespero cruel, paisagens são meus dramas.
No campo aberto sou vencido pelo vento.
(Tu me chamas, amor. Meu amor tu me chamas?)

Sinto parte de mim às partes da loucura,
Procuro decifrar o enigma da Ventura.
(Onde estás, meu amor, por que demoras tanto?)

Teço o silêncio, só. Noite de eternidade.
Um passado sem fim envolto de saudade.
(Tu cantas, meu amor... ou é ilusão o canto?)

21.10.2004


Esio Antonio Pezzato

SONHOS CRUÉIS




Sonhos cruéis

Se os sonhos são somente e eternamente sonhos,
E deles somos nós personagens dementes,
E, horas cheios de luz, neles somos risonhos,
Para sermos depois decrépitos, descrentes:

Se, acreditamos ser horríveis e medonhos,
Fantasmas sepulcrais de gritos contundentes,
Muitas vezes, também, neles somos tristonhos,
E termos a mostrar ódio e ranger de dentes.

E se os sonhos cruéis invadem nossa vida,
E o pavor nos devora e em crises entorpece,
Um sorriso por certo é uma luz esquecida.

Mas o despertador do letárgico sono,
A noss’alma dá vida em despertar a prece,
Para tirar da treva a sombra do abandono.

12.10.2004


Esio Antonio Pezzato

CAMINHADA




Caminhada

Procuro praticar nos versos que fabrico
A paciência que tem o Artista em seu ofício.
Qual simples artesão – das palavras sou rico,
E ao ato de escrever é onírico o exercício.

Cada verso composto em transe glorifico!
A Poesia em minh’alma é, porém, rude vício.
Se ela me dá prazer, com riquezas não fico,
E ao ato de escrever é amargo o sacrifício.

É dura a caminhada, é puro o artesanato,
As rimas são cristais feitos de pedras moídas,
Que reluzem ao sol no fundo de um regato.

Encontrá-las, porém, belas e coloridas,
É jornada cruel que deixa o sonho ingrato.
Precisa-se viver numa vida mil vidas!

22.07.2004


Esio Antonio Pezzato

PAÍS DO SONHO




País do Sonho

Se, é loucura sonhar, é bendita a loucura
Que à minha mente traz a loucura do sonho.
Nele, em frêmitos viajo ao país da aventura,
Onde posso trilhar um caminho risonho.

No sonho que idealizo a esperança é mais pura,
E meus passos, febril, na caminhada ponho.
Não há dias sem sol, e nem há noite escura:
Tudo brilha e tem cor – no próprio sonho – sonho!

Nele te encontro em mim, e somos nós capazes
De viver o prazer que em segredos sonhamos
Num país do deserto em abismo de oásis.

Dentro deste país, Senhor da Eternidade,
Posso pomos colher dentre dourados ramos,
Como exigir de ti toda a minha Vontade.

12.07.2004


Esio Antonio Pezzato

CANÇÃO DO AMOR




Canção de Amor


Necessário se faz amar o amor
Na possibilidade dos sentidos!
Na amplitude geral nos sustenidos
Nos dias de mormaço e de calor!

Necessário escandir todo o louvor
E chamá-lo por nomes e apelidos,
Ficar atento aos sons, aos alaridos,
Às mudanças do céu, da luz, da cor!

O amor tem pressa para ser amado!
Se não se traz no peito o amor feliz,
Ele fica esquisito, amedrontado...

O amor é uma canção e ele nos diz
Que age nos passos que tenhamos dado,
E age nos corações pedindo bis!

14.04.1994


Esio Antonio Pezzato

VIAGEM POÉTICA




Viagem Poética


Se eu morresse amanhã, como Azevedo,
Talvez Varela me fizesse um cântico,
E Casimiro, com amor e medo,
Também dissesse que minh’alma é triste.
E se Tereza me dissesse adeus,
Castro Alves cantaria a minha dor,
E num poema de teor romântico,
Com mágoas cantaria o meu amor.

Com brancos sonhos alvos e diáfanos
Canto a simbologia em Cruz e Souza
E Alphonsus me oferece um Kyrie Eleinson
Enquanto faz Ismália enlouquecer.
Porém, Augusto, com seus versos íntimos,
Numa psicologia de vencido
Canta a tragicidade e canta o horror.

Tropeço numa pedra colocada
Propositadamente no meu verso,
Enquanto que Drummond, todo mineiro,
Com José dança valsas vienenses...
Bandeira – libertino e sempre tísico,
Para o esculápio fala – trinta e três!
E montado na estrela da manhã
Viaja para as praias de Pasárgada.

Além mar, nas pessoas de Pessoa,
Álvaro para mim guarda rebanhos,
E entre bairros modernos eu passeio
De braços dados com Cesário verde,
Com sentimentos de um ocidental.

Só, sempre só, lamento-me com Nobre,
Mas com Guerra Junqueiro caço melros
E à amada musa cedo um mês de férias.
Porém, com João de Deus canto o lirismo,
Andando no arredor de Nazaré.

Bilac ouve as estrelas lacteanas,
Raimundo sofre de algum mal secreto,
Vicente escandaloso canta o mar,
Alberto vinga-se batendo a porta,
E Menotti costura as suas máscaras
Na alegre arlequinada de Martins.

Numa tripa de terra jaz Neruda
Após cantar canções desesperadas;
Enquanto Thiago canta em seu escuro,
Guilherme olha o relógio e dança as horas.

Cervantes diz que sou um D. Quixote
E monto em meu cavalo Rocinante,
Com moinhos de vento me debato
Para ganhar o amor de Dulcinéia.

Canto a Rimbaud vogais de várias cores,
De Stechetti meus versos ficam póstumos,
No cárcere de Reading, junto a Wilde,
Passamos solitárias noites juntos.

Com Kipling minha vida é eterno se...
E não se faz completa a realidade
Sem as ternas canções de Lamartine.

Debato-me na dúvida de séculos:
– Ser ou não ser! – porém, outra é a questão...
O meu reino darei por um cavalo!
E com William, nas ruas de Verona,
Serei Romeu em busca de Julieta.

Com Laurindo do tempo tomo conta
E junto a Jorge sigo pelas ruas
Para acender milhares de lampiões.
Porém, com João Cabral de Mello Neto,
Morro de morte e vida Severina.

Lorca me ensina uma canção sonâmbula,
E eu quero o verde que te quero verde;
E junto de Leoni em serenata,
Vibra o céu numa luz mediterrânea.

Machado canta em versos de falenas
E um círculo vicioso me oferece,
Ao qual procuro, sobretudo amar,
Para depois sofrer, amar, sofrer...

Na agonia de todos os sentidos
Enforco-me com Mário Sá-Carneiro.
Antes, porém, releio com Gustavo
Os versos de seu Último Evangelho.

No alto mar absoluto de Cecília
Da inconfidência fico romanceiro.
Porém, numa canção trágica e triste,
Volto com minhas duas mãos quebradas!
Não sendo triste e alegre muito menos,
Contudo, sendo apenas – um Poeta!

Libidinoso, bêbado constante,
Poe triste canta corvos e a Lenora
Soluça negramente:– never more!
Milton no paraíso vai perdido
Enquanto Dante ri numa comédia.

Com Olegário vou ouvir cigarras
Com Vitti vou viver de alma desnuda.
No mar de inolvidáveis pensamentos
Fico a ouvir os noturnos de Villalba,
Enquanto aprendo junto a Carla Ceres,
A deixar meu soneto decomposto.

Camões salva no mar um Livro a nado!
Bocage ri do mundo e ri de todos!
Hugo canta em baladas e romances
Os miseráveis sonhos da esperança!

Eu nos sertões de Euclides ardo e queimo,
Porém, pasto nos campos de Gonzaga.
Me sei Dirceu para beijar Marília,
Até cair no mar em Moçambique.

Com Gullar meu poema fica sujo,
Com Bomfim minha praia é de sonetos.
E até acredito que Vinícius vive
Numa imortalidade que perdura.

Vou caçar papagaios com Cassiano,
Com Andrade vou ser Macunaíma,
E no concreto puro destes Campos,
Sedimento de vez minha Poesia!

16.01.1995


Esio Antonio Pezzato

8 de junho de 2010

PEQUENO SONETO




Pequeno Soneto


Às vezes, com redondilhas
Em meus versos me interpreto.
E desarmo as armadilhas
Do alexandrino correto.

Teço quadras com afeto
E sigo mesmo outras trilhas.
Pois o mundo está repleto
De outras tantas maravilhas.

Sete sílabas somente:
A ideia presa se ajeita
Como espremida semente.

Trabalho penoso e bruto,
Porém, na hora da colheita
Sempre se colhe um bom fruto.

11.03.2009


Esio Antonio Pezzato

OS MEUS SONETOS




Os meus sonetos


Os meus Sonetos... quando eu os componho,
Além da Inspiração, tomo cuidado:
– Um verso só pode sair errado
Ou pesadelo torna o que era sonho.

Na métrica e na rima sempre ponho
Um cuidado especial e redobrado.
Se além disso estiver com pé-quebrado,
No instante o lindo torna-se medonho.

Portanto em cada quadra a rima ajeito;
Tudo deve sair justo e perfeito
Na mesma fonte de Parnaso pura

Onde Camões, Petrarca e outros mais tantos,
Inspirados teceram os seus cantos,
No País inspirado da Ventura.

11.03.2009



Esio Antonio Pezzato

PALÁCIO ENCANTADO

Rua do Comércio - Rua Governador Pedro de Toledo 1910









Palácio encantado


Velho Palácio Encantado
Da rua Governador!
Estás em tão triste estado,
Que ocultas o teu valor.

No ostracismo estás largado
Causando tristeza e dor,
Vai perdido no passado
O seu glorioso fulgor.

Escuro, tétrico, frio,
Abandonado e vazio,
Medonho é te ver assim.

O teu passado é uma história,
É relicário é uma glória
Que marcou seu triste fim.

20.03.2009




Esio Antonio Pezzato

SONETO DO PECADO




Soneto do pecado


Os pecados são feitos em silêncio
Dentro do pensamento, na clausura.
– O ato de cometê-los depois disso
É apenas a explosão do já traçado.

Não são tiros que fazem o pecado.
Não são facadas extirpando membros,
Dilacerando rubros corações,
Ou vomitando vísceras vermelhas.

O pecado consiste-se em pensar,
Porém muitos pecados praticados
São espasmos de ataques e defesas.

Eu, pecador confesso, me redimo:
Tenho pecado mais por pensamento,
Muito menos por atos e omissões.

19.03.2009


Esio Antonio Pezzato

6 de junho de 2010

BICO DE LACRE (Sissi)




BICO DE LACRE


Soneto para "Sissi"



Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Ao poeta-maior Ésio



Escapo de matança e de massacre,
Livre das grades férreas da prisão,
É o mansinho e feliz bico-de-lacre
Ao qual Ésio entregou o coração.

Unidos um ao outro, como lacre,
Onde um vai outro vai em doce união.
A nenhum se permite simulacre
O amor, amor, amor... dedicação.

Tudo é sublime, tudo felicidade
E nada tisnará essa amizade
Entre o pequeno pássaro e o poeta.

Alegria de uma ave pequenita,
Jamais há de sentir a atroz desdita
Do abandono ou da dor que desafeta.

ATRÁS DAS ESPERANÇAS




Atrás das esperanças


Atrás das esperanças, tolos, vamos,
Na mais insana e colossal corrida.
Nos ferem dos caminhos rudes ramos,
Perdemos neste sonho a própria vida.

As esperanças fulgem em recamos,
Parecendo uma estrela colorida.
Mas nessa busca apenas encontramos
A ilusão que nos deixa a alma ferida.

Os nossos passos fortes vão adiante,
O sonho doido torna-se constante,
Pensamos ser um marinheiro audaz,

Mas ao final de tanta insana busca,
Por traz dos olhos uma luz chamusca:
– À frente vemos a esperança atrás.

20.03.2009


Esio Antonio Pezzato

EM NOME DA POESIA





Em nome da Poesia


Em nome da Poesia eu te ofereço
Estes versos que fiz com muito amor.
Compostos com carinhos, com apreço,
Mas, talvez, desprovidos de valor.

Elogios bem sei que não mereço,
Portanto não os faça de favor.
Estes versos escritos não tem preço,
São simples, e por certo não tem cor.

Porém, foram escritos com carinhos,
Colhidos nos barrancos dos caminhos,
Da longa estrada que não sei o fim.

São poemas vazios de esperança,
Mas trazem os meus sonhos de criança,
E o trinado de um bom papa-capim.

31.03.2009


Esio Antonio Pezzato

DOSE HOMEOPÁTICA



Dose homeopática


Um pouco de Poesia e o coração
Se fortalece para o dia a dia.
A labuta transmuda-se em canção,
Serenidade traz para a porfia.

Um pouco de Poesia em oração
E a amargura se molda em melodia.
Surge o sorriso com satisfação,
Chegam ao fim as horas de agonia.

Um pouco de Poesia nos traz calma,
Tranquilidade para decidir
Alento, alívio e encantos mil à alma.

Um pouco de Poesia em nossa vida
Torna mais leve o fardo do porvir,
E a estrada pedregosa mais florida.

01.04.2009



Esio Antonio Pezzato

REENCONTRO




Reencontro


Às vezes n’alma sinto a sensação
Que a vida de Poeta nada vale.
O olhar disperso fica olhando o vale
E imagino vazio, o coração.

É imponderabilíssima a emoção!
Ouço uma voz que pede que me cale!
E antes que o desespero em mim se instale,
Busco encontrar-me com a solidão.

Depois nós dois, bem juntos, num recanto,
Em silêncio mortal, nós dois, a sós,
E busco soletrar um novo canto.

E essa alucinação se faz feroz:
Vejo brilhar no céu um novo encanto,
E volto a ouvir a minha própria voz.


14.04.2009


Esio Antonio Pezzato

5 de junho de 2010

PASSOS PERDIDOS




Passos perdidos


Os passos vão perdidos pela estrada
Buscando um sonho azul, doida quimera.
O Outono vai cobrindo a Primavera,
Já vem chegando a fria madrugada.

Não mais a tarde quente, ensolarada,
A cada passo uma letal pantera
Esfomeada, na espreita, e além me espera
E pressinto o final dessa jornada.

Passos perdidos vão além, contudo
Vejo agora a Beleza, agarro a Força,
E fito as luzes da Sabedoria.

Agora um passo certo, o Templo! E tudo
Para esse Oriente Eterno em mim se esforça
Pois para nova Vida, basta um dia.

16.04.2009



Esio Antonio Pezzato

LÁGRIMAS




Lágrimas


Dos olhos desce a lágrima furtiva
Que sulca a face igual rio prateado.
Seria alguma dor n’alma cativa
Ou seria um momento relembrado?

A lágrima tem alma: pulsa e é viva.
Carrega turbilhões em seu estado.
Lateja, como força radioativa,
Ou carrega um sorriso disfarçado?

A lágrima é a semente de um momento,
As pétalas valsando vão ao vento
Indo pousar além da Eternidade.

Ah! Lágrima que escorre por meu rosto!
Por que me deixa assim à vida exposto
E da minh’alma expõe tanta Saudade?

03.07.2009



Esio Antonio Pezzato

EM MEU SILÊNCIO




Em meu silêncio


Contra mim vale até gol impedido!
Não tenho uma só chance de defesa!
O árbitro nunca escuta o meu pedido
Sou julgado em palavras sobre a mesa.

Quem me defende não se faz ouvido,
Meu futuro é marcado de incerteza.
Meu pedido de paz é indeferido,
Sou jogado de encontro à correnteza.

Condenado ao degredo e ao ostracismo
Qualquer idiota lança a sua lavra
De atirar-me no vácuo contra o abismo.

Sou pássaro calado no meu canto.
Em meu silêncio fecho-me à palavra,
E vejo tudo com espasmo e espanto.

05.06.2009



Esio Antonio Pezzato

INVERNO




Inverno


O Inverno se aproxima. Pelo chão
As folhas rolam ao sabor do vento.
O céu tinge-se a cinza de carvão,
Minh’alma olha o incessante movimento.

À hora do almoço muda-se a Estação!
Um sol festivo brilha, há esquentamento,
Mas chega a tarde em fria procissão,
E a névoa cobre todo o Firmamento.

Vagam passos; nas ruas vagam passos...
A sensação é estranha, há um sonho absurdo,
Há uma ânsia de galgar amplos espaços...

Mas a Verdade é fria, fria, fria...
Para a Esperança o ouvido fica surdo.
Silêncio. Solidão. Melancolia.

24.04.2009



Esio Antonio Pezzato

2 de junho de 2010

A MINHA HISTÓRIA




A minha história


Como velho fantasma peregrino,
Moldo no chão da velha e antiga estrada
Os passos que procuram um menino
Que viveu bela história abandonada.

De velhas amizades me ilumino
E por elas, a força é renovada.
Tantas se unem num único destino,
Que a Vida se renova em alvorada.

Como errante Poeta moldo os passos,
Que vão buscando cúmplices abraços
Velhos fatos retidos na memória.

A cada encontro os versos vou compondo,
Se aos anseios de luz não correspondo,
Não esqueço, jamais, a minha História.

15.06.2006


Esio Antonio Pezzato

SONHOS DOENTES




Sonhos doentes


Somos todos doentes, de maneira,
Que iremos falecer um certo dia.
Pois não há descoberta uma alquimia
Que deixe a Vida nossa prisioneira.

A certeza da Morte é verdadeira.
E o porvir, pode ter curta valia.
A Esperança é uma bruxa, assaz vadia,
Entanto é nossa eterna prisioneira.

E vivemos sonhando – enlevo doce! –
Enquanto vamos vendo bons amigos
Partindo sem retorno da viagem.

Sonhar longo futuro é um tredo alcouce.
Porque no cemitério mil jazigos
Estão nos esperando com voragem.

11.06.2005


Esio Antonio Pezzato

SONETO SEM FIM




Soneto sem fim


Todo Soneto tem quatorze versos,
E deve ter as rimas bem cuidadas.
Rimas pobres, assim como as em “adas”,
Devem ser evitadas. Bem diversos

Os temas devem ser. Boas tiradas
Dão ao Soneto glórias. Mas se a rima
Por exemplo quebrar abaixo e acima,
Ele será atirado nas calçadas.

São os ossos do ofício do Poeta!
E se a rima também for imperfeita,
Não haverá no mundo borboleta

Que ao Soneto dê luz pura e direta,
E nele só verei falta e defeito.
.......................................................

25.05.2006


Esio Antonio Pezzato

Minha Ana Maria e Sissi

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